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Licania rigida Benth Journal of Botany, being a second series of the Botanical

No documento MICHELE FERNANDA MARQUES DE BRITO (páginas 44-56)

4. Licania Aubl.

4.4 Licania rigida Benth Journal of Botany, being a second series of the Botanical

Miscellany 2: 220. 1840. Tipo: Ceará, Brasil, 1892, fl, G. Gardner 1592 (Isótipo, BM, imagem digital!)

Figs. 11 e 13. G

Árvores 8,0-10,0 m alt., ramos lanosos quando jovens e glabros quando adultos. Folhas elípticas, base obtusa, ápice obtuso, 6,2-8,5 cm compr., 4,5-6,5 cm larg., pilosa na face adaxial. Estípulas decíduas. Pecíolo cilíndrico, lanoso, 3,0-5,0 mm compr. Inflorescências terminais em panículas, brácteas e bractéolas pilosas. Flores diclamídeas; corola campanulada, sépalas pilosas em ambas as faces, ápice acuminado; pétalas oblongas, pilosas, ca. 1,0 mm compr.; estames-7, reduzidos, soldados na base, filete em forma de fita; ovário bicarpelar, bilocular, estilete piloso, em forma de fita. Fruto drupa cilíndrica, 3,0-3,5 cm compr., 1,0-1,5 cm larg.

Material Examinado: BRASIL, PARAÍBA: Souza, Vale dos Dinossauros, 06.VIII.2000, fl.,

Gadelha Neto596 (JPB); 06.VIII.2000, fl., Gadelha Neto 610 (JPB); Santa Terezinha,

13.X.1997, fr., Barbosa 1606 (JPB). Catolé do Rocha, Parque Sítio das Pedras, 13.X.2007, fl., fr., Gadelha Neto et. al 1904 (JPB). Nazarezinho, Rio Piranhas, 12.X.2007, fr., Gadelha Neto

et. al 1899 (JPB); 02.VIII.1982, fl., fr., Souza et. al 1323 (JPB). Seridó, 15.IX.2005, fr., Agra 6528 (JPB); Santa Luzia, 28.IV.2007, Gadelha Neto 1657 (JPB). Areia, 29.I.1947, Xavier

(JPB 1343). Souza, Sítio Lamarão, 06.XI.1994, fl., fr., Moreira 05 (JPB); Riacho Seco,

31.VII.1982, fl., Souza et. al 1285 (JPB). Fazenda Nova Canaã, 20.X.1952, fr., Carneiro (JPB 1640). Patos, fr., Xavier (JPB 1265).

Nome Vernacular: oiticica (em exsicatas).

Licania rigida Benth. é uma espécie endêmica do Brasil, ocorrendo nos domínios

Cerrado e Caatinga (Prance & Sothers 2010).

Na Paraíba, a espécie tem distribuição predominantemente na região semi-árida do Estado, estando quase sempre associada às margens de rios e açudes, com ocorrência nos

municípios de Catolé do Rocha, Nazarezinho, Santa Luzia, Santa Terezinha e Souza, onde foi encontrada em floração e frutificação entre os meses de Julho a Outubro.

Na zona rural, a sua madeira costuma ser usada na produção de rodas para carro de boi. Além disso, seus frutos são comestíveis e as sementes são usadas na extração de óleos, próprios para vernizes e fabricação de sabão.

4.5. Licania tomentosa (Benth.) Fritsch., Ann. K.K. Naturhist. Hofmus. 4: 52. Tipo: Pernambuco, Brasil, 1837, fl., Gardner 992 (Isótipo BM, Imagem digital!)

Moquilea tomentosa Benth., J. Bot. (Hooker) 2: 215. 1840.

Figs. 12 e 13. H-L

Árvore 15-20 m alt., ramos lanosos. Folhas elípticas a obovadas, base acunheada, ápice mucronado, 7,0-10,0 cm compr., 2,5-3,5 cm larg., coriáceas, lanosa nas duas faces quando jovens. Estípulas lineares, lanosas, decíduas, ca. 5,0 mm compr. Pecíolo cilíndrico, lanoso, 2,0-4,0 mm compr. Inflorescências axilares ou terminais, racemos, 7,0-9,0 cm compr., brácteas e bractéolas lanosas. Flores diclamídeas, ca. 3,0 mm compr.; cálice campanulado densamente piloso por dentro, sépalas (5)-6, ápice agudo, pilosas nas duas faces, ca. 2,0 mm compr.; pétalas (5)-6, oblongas, margens ciliadas, levemente pilosa externamente, 1,0-1,5 mm compr.; estames (30-40), levemente soldados na base, curtos, ca. 2,0 mm compr., filetes em forma de fita, formando um círculo fechado; ovário unicarpelar, unilocular; estilete densamente piloso até quase o ápice, cilíndrico, ca. 2 mm compr. Fruto drupa, globoso, piloso, 6-8 cm compr., 3-4 cm larg.

Material Examinado: BRASIL, PARAÍBA: João Pessoa, Praia da Penha, 18.X.1992, fl.,

Moura 847 (JPB). Bananeiras, Campus da UFPB, 23.XI.1997, fr., Barbosa 1674 (JPB). João

Pessoa, 23.X.1958, fl., Coutinho (JPB 1911); Mata do Buraquinho, 26.I.2007, fr., Gadelha

Neto 1623 (JPB).

Material Adicional Examinado: BRASIL, AMAZONAS: Manaus, 29.VI.1977, fl., Luis

(INPA 1286). PERNAMBUCO: Recife, Apipucos, 28.IX.2006, fl., Schimdt & Gomes 522 (IPA); Cidade Universitária, 29.IX.1976, fl., Clerocluzi (IPA 4378).

Nome Vernacular: oiti (em exsicatas).

Esta espécie é endêmica do Brasil, ocorrendo em estados da região Nordeste, Centro- Oeste e Sudeste (Prance & Sothers 2010). Na Paraíba ela tem registro de ocorrência nos

municípios de Bananeiras, Campina Grande e João Pessoa, tendo sido encontrada no interior de mata com solo argiloso e coletada florida e frutificada nos meses de Outubro e Janeiro.

Nesta espécie, as flores mostraram variação quanto ao perianto, podendo ser pentâmeras ou hexâmeras na mesma inflorescência, fugindo ao encontrado no padrão do gênero.

Xavier (1979), estudando esta espécie na Mata Atlântica de João Pessoa, se referiu a um exemplar, encontrado no Altiplano Cabo Branco, em breves palavras “Magnífico exemplar de

Oiti, possivelmente centenário e testemunho do que foi a primeira Mata Atlântica”. Hoje,

toda a vegetação nativa daquela área encontra-se fragmentada e reduzida pelo acelerado crescimento urbano, ficando a espécie mais conhecida pelo seu uso na arborização de praças e ruas.

Figura 13. A: Licania apetala (E. Mey.) Fritsch; flor (Gadelha Neto 1043). B-D: L. littoralis Warm.; B-hábito, C-botões, D-flor (Moura 1065). E-F: L. octandra (Hoffmanns. ex Roem. & Schult.) Kuntze; E-folha - face abaxial, F-flor (Gadelha Neto 998).G: L. rigida (Benth); flor (Gadelha Neto 610). H-L: L. tomentosa (Benth.) Fritsch.; H-flor e botão, I-pétala, J-estames, L-gineceu (Moura 847).

3c m I A B C D E F G J H L

I

Discussão

Na Paraíba, a família Chrysobalanaceae tem representantes em todo o Estado. Licania é o gênero melhor representado com cinco espécies, distribuídas na faixa litorânea, principalmente na Mata de Tabuleiro e no Semi-árido paraibano, está representado pela espécie, Licania rigida (Benth.), ocorrendo nos municípios de Nazarezinho, Souza, Santa Luzia, Santa Terezinha e Catolé do Rocha. Restritos à faixa litorânea estão os gêneros

Couepia e Chrysobalanus. Enquanto, Hirtella ocorre no litoral, ao longo de várias formações

do bioma Mata Atlântica e nos Brejos de Altitude.

No material estudado foram observadas poucas variações morfológicas em relação aos padrões registrados para a família, apenas em Licania tomentosa (Benth) Fritsch., foram encontradas flores hexameras, padrão não comum para o gênero, nem para a família, que é apresentar flores pentâmeras.

A presença de glândulas no pecíolo das espécies de Licania octandra (Hoffmanns. ex Roem. & Schult.) Kuntze e Licania rigida Benth., assim como a presença de glândulas na base das folhas de Licania tomentosa (Benth) Fritsch., documentadas por Prance (1972), não foram observadas no material estudado neste trabalho.

Prance & Sothers (2010) citaram a ocorrência da espécie H. ciliata Mart. & Zucc. para a Caatinga e o Cerrado, entretanto, durante este trabalho não foi localizado nenhum indivíduo que tenha sido coletado na Caatinga. Até o momento, esta espécie era conhecida apenas de coleções de herbário, sendo esta é a sua primeira citação para o Estado.

Apesar das formações vegetais no Bioma Mata Atlântica da Paraíba terem sofrido fragmentação ao longo dos anos, nas áreas remanescentes as espécies da família foram encontradas formando grandes populações não demonstrando qualquer sinal de ameaça.

Agradecimentos

As autoras agradecem aos Curadores de herbário e aos amigos Cínthia Menezes Lima Ramos Araújo e a Ariclenes de Almeida Melo Araújo pela colaboração durante todo o trabalho.

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5. CONCLUSÕES

A partir deste trabalho, estão sendo disponibilizadas as primeiras informações sobre as espécies, que representam a família Chrysobalanaceae na Paraíba, ampliando conhecimentos para a flora do Estado e subsidiando futuros estudos.

Antes conhecidas apenas de coleções de Herbário, as espécies da família, aqui receberam descrições e ilustrações de forma a facilitar seu reconhecimento. Particularmente

Couepia, que é conhecida para o Estado apenas por uma exsicata de Herbário, mostrando a

necessidade de mais estudos sistemáticos para a família, que oportunizem a intensificação de coletas, a fim de enriquecer as coleções e de produzir mais conhecimentos sobre este grupo.

6. REFERÊNCIAS

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