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2. CAPITULO I – REVISÃO DE LITERATURA

2.5. Liderança e Motivação

Etimologicamente, a palavra motivação deriva do latim movere, que significa mover ou colocar em funcionamento. Assim, pode-se entender que motivação é aquilo que mobiliza a pessoa a fazer alguma coisa. É de fato, um comportamento humano que é moldado por forças que vêm do interior do indivíduo ou do meio em que vive, e que tem por tal força a sua duração, formato e direção totalmente determinadas (Lameiras, 2010).

Inicialmente, nos primórdios das organizações, a motivação era pautada somente na punição e na ameaça, ou na recompensa, com troca de benefícios e favores, criando assim um ambiente de medo para os trabalhadores. Com o advento da Revolução Industrial, essa forma de motivar foi substituída pelo dinheiro, em que as áreas dos Recursos Humanos das empresas ofereciam pagamentos extras, benefícios e planos salariais para motivarem seus trabalhadores. Com o passar do tempo o ritmo de trabalho foi modificado e passando a compreender-se que a produção começaria a demandar menor mão de obra pela introdução de maquinação, e a preocupação passou a ser com a segurança do trabalhador dentro da organização. Nesse sentido, a motivação muda seu foco e passa a ser agora com vistas ao melhor desempenho do trabalhador, de modo a que possa se autodesenvolver-se e tornar-se importante para a organização, sendo ele motivado com boa interação social, exploração das habilidades e busca pelo melhor desempenho (Bergamini, 2008).

Para Cunha et al. (2007), a motivação compreende alguns itens, os quais são: estímulo, que é a energia para realizar uma ação; esforço, que é a ação em si; persistência, que é a duração do comportamento; e por fim, a recompensa, que é o resultado de todas essas ações. Além disso, é classificada em intrínseca e extrínseca. A motivação intrínseca refere-se a uma ação desenvolvida por algum entusiasta, aquele que gosta do que faz e quer continuar fazendo em qualquer circunstância. Já a motivação extrínseca, é

aquela que vem de um comportamento determinado para alcançar algum objetivo/recompensa e evitar alguma penalização.

Tanto fatores intrínsecos como extrínsecos influem na motivação, por isso é importante que o líder da organização seja capaz de trabalhar com esses diversos fatores, contudo, por serem muitos, o melhor a fazer-se é tentar conhecer o comportamento, as habilidades e as necessidades dos colaboradores. Ao aproximar-se deles e criar vínculos com cada um, é possível conhecer um pouco da realidade dos mesmos, e assim torna-se possível traçar estratégias capazes de motivar esses indivíduos e de lhes capacitarem a expor suas habilidades da melhor forma possível visando a alcance das metas propostas (D’avilla, 2012).

Assim, surge a dúvida sobre quais os fatores que levam à motivação do indivíduo. Seria a busca pelo dinheiro ou pelo sucesso, ou simplesmente a paixão por fazer algo? Há um consenso entre muitos autores de que os principais fatores determinantes para a motivação são a responsabilidade pelo trabalho, a autonomia e a busca pelo reconhecimento (Neves, 2002;

Cunha et al., 2007; Lameiras, 2010).

De fato, a motivação é um processo que influencia a intensidade, persistência e direcionamento dos esforços que um indivíduo faz para que possa alcançar algum propósito. Por meio dela definem-se as prioridades, os valores e o tempo demandado em uma ação, determinando assim o comportamento das pessoas que trabalham nesse sentido para transformar anseios em metas alcançadas (D’avilla, 2012).

No âmbito da motivação, duas questões são colocadas em evidência, o que determina a motivação, e qual o grau de esforço para atingir os objetivos.

Dessa forma, compreende-se que a motivação é um conceito psicológico, que envolve a busca pelo aumento do potencial interior e pelo autodesenvolvimento. Assim, fatores psicológicos e cognitivos motivam o indivíduo e essa motivação leva ao desempenho das funções (Lameiras, 2010).

A motivação é algo pessoal, que vem do interior do indivíduo, e é pautado em dois conceitos, a necessidade e a paixão. O primeiro, necessidade, ocorre quando o indivíduo precisa de algo, ou seja, deve dedicar-se ao máximo para alcançar aquilo de que necessita. Já a paixão, refere-se aquilo que o indivíduo gosta de fazer, e gostando, quer sempre que melhore, então irá trabalhar para continuamente alcançar o melhor. Com base nisso trabalha um líder (Bernardinho, 2006).

Por ser algo bastante pessoal, a motivação será distinta de indivíduo para indivíduo, já que cada um apresenta um anseio, uma necessidade, uma realidade e um interesse diferente do outro. Diante disso, o líder deve saber compreender esses fatores distintos e considerar que cada um deles interfere, direta ou indiretamente, na motivação dos seus subordinados, para que possa trabalhar em cima desses fatores da melhor maneira (D’avilla, 2012).

Como a motivação impulsiona o indivíduo a atingir um objetivo, é importante conhecer as necessidades destes para poder conduzir uma motivação adequada. Sobre isso, D’Avilla (2012, p. 19) discorre;

As necessidades dos indivíduos para a motivação formam o ciclo motivacional, ele ajuda a compreender quais as finalidades para atingir um objetivo; ele é formado por cinco fases: necessidade, impulso, resposta, objetivo, e o alívio, que podem se alterarem e se repetirem na busca de um mesmo objetivo. A necessidade é o desequilíbrio provocado por uma privação ou carência; impulso é o estado energético que ativa e dirige o comportamento; a resposta é desenvolvida ou desencadeada pelo impulso; o objetivo é a meta que se procura atingir, e é constituído pelo conjunto de meios que permitem a redução ou eliminação do impulso; o alívio é a redução ou eliminação da necessidade e do impulso.

Na literatura são descritas algumas teorias da motivação, as quais explicam a maneira como influencia o comportamento das pessoas no trabalho. De acordo com Cunha et al. (2007) há quatro tipos de teorias da motivação: a

teoria de conteúdo, a teoria de processo, as teorias gerais e as teorias organizacionais. A seguir será relatada cada uma dessas teorias.

A teoria do conteúdo leva em consideração as necessidades das pessoas, o que elas precisam na sua atuação, de acordo com a situação em que estão inseridas, quais os problemas que enfrentam e o que podem fazer para que tenham motivação nas suas atribuições. A teoria de processo está voltada para a compreensão do processo de motivação, o que faz com que as pessoas fiquem motivadas, como são energizadas a desempenharem melhor as funções, e como se dá o comportamento com base nessa motivação. As teorias gerais envolvem todas as necessidades do indivíduo e da organização, que vai desde a necessidade de se alimentar, até a de ter justiça, e viver em segurança. Por fim, as teorias organizacionais contemplam especificamente o comportamento da organização, a forma como define todas as coisas, os seus padrões e conteúdos, bem como suas decisões e projetos (Cunha et al., 2007).

A motivação consiste em ações do líder em buscar benefícios dentro da sua liderança para o indivíduo ou o grupo no qual ele está inserido. É, portanto, uma grande preocupação dos líderes, pois, com ela, é possível levar as trabalharem com autoconfiança, a sentirem que são peças chave no processo, que são importantes para organização, e assim sendo, atuam de maneira a retornar essa confiança neles depositadas, buscando sempre desempenhar o melhor trabalho. Nesse ambiente, há uma criação de vínculo sólido entre líder e subordinados de forma que trabalhem em conjunto e com extrema satisfação (Silva; Peixoto; Batista, 2011).

Um líder é considerado um motivador quando cria um ambiente propício para os indivíduos trabalharem com confiança, sem incertezas nas tarefas a serem executas, de forma que apresentem expectativa em seus trabalhos,

tendo a convicção de que seus esforços e desempenho não serão em vão, mas os levarão a alcançar os resultados esperados (Chiavenato, 2008).

Sabe-se que o líder motivador é de fundamental importância para a organização, sendo até mesmo indispensável para ela, já que ele cria estratégias possíveis para seus seguidores atingirem determinados objetivos, dentro da máxima capacidade de cada um, buscando sempre o melhor retorno. Com uma equipe motivada, tudo é possível de ser enfrentado. Em meio à crise, uma equipe motivada tem condições de criar estratégias para se erguer ou para não ser destruída, mantendo-se ativa no mercado. Isso só é possível quando se tem um líder motivador e uma equipe motivada, em toda e qualquer circunstância, os quais se tornam imbatíveis em meio ao mercado hipercompetitivo (Silva; Peixoto; Batista, 2011).

Por meio da motivação é possível fazer com que a pessoa explore todo o seu potencial, enfrente desafios e se torne mais eficiente na busca pelas metas estabelecidas, sem negligenciar suas funções, mas buscando sempre os melhores resultados em sua atuação, a fim de se destacar. Mas esse ambiente favorável só é possível quando o líder passa a se preocupar com o bem-estar dos seus liderados, e quando passa a dar espaço para troca de experiências, ideias, sugestões, dando voz aos trabalhadores e entendendo que podem ser ajudadores em todo o processo de produção (Lameiras, 2010).

Dentro de uma organização a motivação assume-se como ferramenta fundamental para toda a produção e execução das ações pelos colaboradores.

Assim, alguns autores descrevem que a motivação é um “contrato psicológico” que envolve expectativas e planejamento que não são escritos nem documentados, mas estão presentes em todo o processo. Essas expectativas dizem respeito à segurança do trabalhador, à justiça das ações, à remuneração do trabalho, a dignidade e a confiança dentro da atividade laborativa. Já o planejamento, envolve tudo aqui que espera ser feito para alcançar os objetivos, mas feito de forma produtiva, satisfatória, sem negligências, falhas ou com desânimo. Entende-se que esse contrato é importante em toda organização, o qual deve ser firmado entre o líder e seus

subordinados, e assume tanta importância, que quando é quebrado traz grandes prejuízos para a organização, como aumento nas taxas de rotatividade e absentísmo, bem como ocorrência de greves (Santiago, 2007).

As pessoas são muito diferentes entre si, e acabam reagindo de diferentes formas também. Muitas vezes uma notícia boa pode levar ao aumento da produtividade, se a pessoa ficou muito feliz e quer transparecer isso no seu trabalho, ou também à queda na produção, pois a pessoa pode ficar o dia todo só pensando na boa noticia e se esquecer do serviço. Assim, o líder deve ser capaz de manejar todas essas diferenças, e a motivação deve ser o seu melhor meio de atuação. Contudo, estratégias de motivação inovadoras devem vir somente depois de ações simples serem estabelecidas. Podem ser indicadas como exemplo, respeito, confiabilidade, transparência, honestidade, dedicação, harmonia, carisma, educação. São estes os princípios que o líder deve ter em sua atuação para que a melhor relação seja estabelecida e torne possível assim uma motivação eficiente (Silva; Peixoto;

Batista, 2011).

Diante das distintas necessidades dos trabalhadores, muitas vezes os líderes procuram atender todas elas por meio de técnicas de condicionamento, as quais manipulam um comportamento. Contudo, tais técnicas não são eficientes, pois apesar de servir para um grande número de pessoas ao mesmo tempo, não é capaz de levá-los à realização pessoal, impedindo-os de crescer, de forma que não há nisso uma motivação completa, mas apenas manipulação de ações visando determinada meta. Os líderes devem, dessa forma, compreender as diferenças dos subordinados e estar sensíveis a todas elas, de forma a adequar suas ações e estratégias individualmente para que haja verdadeira motivação, e com isso, satisfação de todos os membros da organização (Bergamini, 2008).

Para Aguiar (2011), outro ponto importante é a desmotivação que acontece, na maioria das vezes, quando o colaborador não consegue entender a sua importância ou o significado e utilidade das suas ações dentro da organização. Assim, o trabalho que executa passa a não fazer sentido, o

que de certa forma levam a uma queda de desempenho e assim caminhar para o fracasso. Um bom líder deve sempre mostrar aos seus subordinados o quanto são importantes em todo o processo, por isso a comunicação é uma grande aliada da liderança nesse momento.

Assim, criando uma relação de confiança entre líder e liderado é possível trabalhar sobre os fatores que os desmotivam e levá-los a ter maior visão do processo, viabilizando o seu crescimento e autorrealização dentro da empresa. Por isso é tão importante que o líder esteja atento a isso, pois um colaborador sem visão e desmotivado acaba se tornando uma barreira e prejudicando assim os objetivos da organização (Aguiar, 2011).

Tendo em vista que um profissional desmotivado é um fator negativo para a empresa, hoje, mais do que nunca, as organizações procuram líderes motivadores, já que reconhecem que precisam de se preocupar com o ser humano e com o seu desenvolvimento no ambiente de trabalho, pois quanto mais realizados e felizes estiverem, mais saudável e produtiva será a organização. Assim, entende-se que seja cada vez mais necessário implantar estratégias para valorizar e incentivar os trabalhadores, para explorar seus talentos e habilidades por meio de grande motivação e encorajamento, que os levará a ter excelente expectativa de produtividade e, consequentemente, causará grande impacto positivo para toda a organização (Arruda;

Chrisóstomo; Rios, 2010).

Diante de tudo, a motivação é uma forma de atuação do líder e tanto a motivação quanto a liderança são de fundamental importância para o sucesso da organização, e para o máximo desempenho dos membros dessa organização. Ambas estão intimamente ligadas e já não há como falar sobre liderança sem considerar a motivação, pois uma implica a outra.

Compreender o processo de motivação dos colaboradores contribui, então, para que o líder seja capaz de atuar da melhor forma possível frente a esses indivíduos, executando ações pautadas na satisfação e bem-estar dos subordinados e no desenvolvimento e crescimento de cada um dentro da organização (D’avilla, 2012).

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