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4. UM MODELO DE ESTRUTURAS SOCIAIS APLICADO AOS SMAS: MODELO TRICOORD

4.3. LIMITAÇÕES DO MODELO TRI-COORD

A classe de problemas que pretendemos atacar se constitui em sistemas computacionais aplicados à tarefa de Projeto de Engenharia Distribuído (ou

Engenharia Concorrente), que se constitui num sub-conjunto das aplicações abrangidas por CSCW.

A utilização do paradigma de SMAs para tais problemas traz inúmeras vantagens inerentes à características dos mesmos: flexibilidade, rapidez do tempo de resposta, escalabilidade, etc.

O principal problema na aplicação de SMAs para essa classe de tarefas é a detecção e o tratamento de conflitos entre os agentes computacionais. Devido à complexidade dos agentes de tarefas, pois o SMA é do tipo Cognitivo, os métodos de resolução de conflitos tradicionais não produzem bons resultados. O Modelo Tri- Coord+, apresentado na próxima seção, pretende solucionar tais deficiências.

O Modelo Tri-Coord conforme descrito anteriormente, resolve parte dos problemas levantados, porém não apresenta estrutura adequada para as seguintes situações:

a) O mecanismo de atualização da Base de Dados de Leis Sociais bem como sua interação com os demais componentes do modelo depende exclusivamente da atuação e do conhecimento de um especialista humano;

b) O Agente Judiciário funciona como última instância na resolução de conflitos, faltando, portanto, flexibilidade para a resolução de casos especiais;

c) Situações de negociação simples do tipo mercado ou leilão, típicas em ambientes SMAs não estão contempladas no modelo;

d) O Agente Executivo não possui mecanismos que permitam identificar o tipo de conflito ocorrido e selecionar o tipo de estratégia de resolução mais adequado.

As limitações do Modelo Tri-Coord foram, em parte, detectadas a partir da utilização do protótipo de implementação (S-TriCoord+) em simulações de projetos de plataforma de petróleo.

A construção do conjunto inicial de Leis Sociais demonstrou ser uma tarefa difícil, uma vez que os especialistas envolvidos num projeto de plataforma de petróleo não possuem grande conhecimento inter-disciplinar e a análise comparativa de históricos de projetos anteriores, em geral, é feita apenas dentro de cada disciplina devido ao elevado grau de combinações de grandezas inter-disciplinares. A

inexistência de um mecanismo de mineração de dados de históricos de projetos anteriores limitou bastante o conjunto de Leis Sociais utilizado, o que, por sua vez, comprometeu a performance do protótipo S-Tri-Coord como um todo, pois o sucesso na utilização do Modelo Tri-Coord está diretamente ligado à existência de um conjunto de regras eficiente e abrangente. A mesma situação ocorre no campo das Ciências Sociais: uma sociedade com um conjunto de leis ineficiente e limitado tende a ter um processo de resolução de conflitos de interesses difícil e custoso.

A segunda deficiência elencada do Modelo Tri-Coord, a falta de flexibilidade do Agente Judiciário como instância final para resolução de conflitos, pode ser vista sob dois aspectos de interesse ao nosso estudo: os procedimentos rotineiros utilizados na condução de um projeto de engenharia inter-disciplinar, no que tange à resolução de conflitos e à própria constituição hierárquica do Poder Judiciário na nossa sociedade.

No primeiro caso observamos que a condução de um projeto de engenharia realizado por diversas equipes de especialistas têm, em geral, diversas instâncias para resolução de eventuais conflitos: no âmbito da própria equipe, com a arbitragem da decisão final sobre o conflito pelo gerente da equipe e no âmbito do projeto como um todo, onde a decisão final fica a cargo do gerente do projeto.

No caso da estrutura do Poder Judiciário da nossa sociedade observamos que quanto mais especializada e distribuída é sua estrutura, mais ágil e eficiente é o seu funcionamento. Tal fato pode ser comprovado pela agilidade proporcionada pelos Juizados Especiais de Pequenas Causas que além de aliviarem o volume de trabalho dos Tribunais de instâncias superiores, têm proporcionado uma resposta muito mais rápida nas demandas por eles apreciadas.

A terceira deficiência elencada, a inexistência de mecanismos de leilão ou votação, diminui a potencialidade do Modelo TriCoord uma vez que um grande número de conflitos poderia ser resolvido diretamente pelos agentes envolvidos. Num projeto de engenharia distribuído é comum os projetistas envolvidos numa divergência qualquer tentarem resolver a mesma antes de recorrer a uma solução arbitrária do gerente da equipe ou do projeto. Além disso, a utilização de mecanismos de leilão ou votação têm se mostrado muito eficiente em SMAs, principalmente em situações onde haja disputa por recursos compartilhados (algo relativamente comum num projeto de engenharia distribuído).

Finalmente, a última deficiência elencada, a falta de flexibilidade do Agente Executivo no que tange a estratégia por ele utilizada para resolução dos conflitos, limita o Modelo Tri-Coord a fornecer a mesma resposta independente do tipo de conflito ocorrido. A referida abordagem não é atualmente a mais utilizada em SMAs aplicados à Engenharia Concorrente (MATTA, 1996, LIU, 1998). Além disso, num projeto de engenharia distribuído, em geral, os conflitos ocorrem em níveis distintos e, para cada um deles, a estratégia de solução é específica. Por exemplo: divergências entre especificação de parâmetros do projeto entre projetistas são resolvidas de maneira diferente do que divergências entre especificações do projeto e requisitos do sistema.

Levando-se em conta esses levantamentos, o Modelo Tri-Coord+ que será apresentado na próxima seção procurou atacar tais deficiências baseando-se em duas premissas: a utilização de mecanismos e conceitos de Ciências Sociais em Sociedades de Agentes e a escolha do método ou estratégia mais apropriada para resolução de conflitos em SMAs dependente do tipo de conflito identificado.