É importante ressaltar, nesta fase, que existem limitações associadas às análises numéricas elaboradas para a Mina Cuiabá. Não é possível, por exemplo, representar explicitamente e com exatidão cada uma das características que afetam, em larga escala, o comportamento de um maciço rochoso complexo e heterogêneo, como é o caso desta Mina. Muitas das características do maciço podem nunca ser completamente identificadas ou quantificadas, ainda que a lavra tenha sido finalizada. Algumas das características que têm potencial para afetar a tensão na rocha e a reação do maciço rochoso em função da lavra - tais como características das unidades geológicas e seus contatos, descontinuidades geológicas, zonas de fraqueza e rocha alterada, mudanças locais no campo de tensão pré-lavra - são fatores de dimensão por vezes desconhecida no instante em que as análises numéricas são desenvolvidas.
Existem limitações adicionais no nível de complexidade com o qual um modelo numérico de larga escala pode lidar. Mesmo que detalhes complexos de uma feição em particular sejam importantes, é necessário atribuir algum nível de simplificação ao modelo para que este possa processar ou produzir resultados em tempo razoável. Sabe- se que o tempo de computação de uma simulação numérica aumenta com o nível de detalhes de sua representação geométrica.
O software MAP3D, de elementos de contorno, simula domínios de rocha com comportamento puramente elástico e não possibilita a inclusão de esforços de elementos de contenção como cabos, tirantes, swellex, etc. As unidades de suporte e contenção a serem instaladas nos drifts de desenvolvimento da Mina Cuiabá foram desconsideradas nos modelos tridimensionais. Não obstante, para as análises de estabilidade de pilares regionais (sill e rib pillars), os efeitos de tais elementos podem ser efetivamente omitidos sem perda significativa do rigor dessas análises.
Ainda que as propriedades do enchimento mecânico e hidráulico sejam adequadas para minimizar as deformações nas superfícies do realce, as simulações com backfill apresentaram resultados da capacidade reativa de enchimento pouco significativos e, por tal motivo, as reações do material de enchimento foram desconsideradas nos modelos MAP3D, conforme argumentado no tópico 5.5.
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Também foi desconsiderada a presença de descontinuidades, tais como zonas de fraqueza, planos de falhas e estruturas geológicas, embora existam dados de mapeamento geotécnico realizado pela equipe de mecânica de rochas da mina que refletem a presença dessas descontinuidades. Contatos de fraqueza entre os sill pillars e o hangingwall ou footwall poderiam reduzir a capacidade dos pilares à presença de cisalhamento e consequente redução do confinamento nas extremidades dos sill pillars.
Deve ser levado em conta que existem diferenças nas propriedades mecânicas entre as rochas encaixantes e o corpo de minério. Assim, algumas das propriedades mecânicas foram derivadas de relações empíricas ou de trabalhos de modelagem realizados no passado, que apresentaram resultados satisfatórios para o ambiente da mina. Além disso, foi realizado um exercício de calibração a fim de mostrar o comportamento da tensão in situ e a estabilidade da lavra com sublevel-stoping do nível N7 ocorrida no passado. As forças atuantes no maciço rochoso são responsáveis pelas deformações deste ao redor da escavação, podendo ser inferidas por meio de uma simulação computacional. Entretanto, na modelagem, podem ser considerados como incerteza os resultados da extensão da sobrequebra apresentados no hangingwall da lavra.
Levando-se tudo isso em conta, pode-se considerar que as condicionantes e simplificações adotadas neste trabalho são válidas sem perda considerável no rigor das análises numéricas realizadas.
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6 Capítulo 6: R esu ltado s e aval iação d a est abil id ade das v ari antes subl evel
C a p í t u l o 6
RESULTADOS E AVALIAÇ ÃO DA
ESTABILIDADE DAS VAR IANTES SUBLEVEL
6.1 INTRODUÇÃO
Este capítulo apresenta os resultados da modelagem numérica dos 24 modelos estudados, referidos no Capítulo 5, conduzidos em MAP3D. Todas as variantes dos modelos numéricos sublevel consideradas foram simuladas e os resultados discutidos de forma condensada adiante. As simulações envolveram, conforme indicado anteriormente, mudanças na geometria modelada, variando-se: a largura dos rib pillars intercalados nos modelos sublevel; a espessura aparente do corpo; o comprimento ao longo do strike dos vãos livres; e a profundidade dos níveis operacionais de lavra.
Aplicaram-se os critérios de análise de risco descritos no capítulo anterior, entendendo- se risco como probabilidade de ocorrência de um evento indesejado. No contexto deste estudo isso significaria, por exemplo, a ocorrência de instabilidade no maciço.
Neste capítulo, primeiramente, pretende-se mostrar os resultados que descrevem o potencial de ocorrerem condições de instabilidade no método sublevel-stoping, em relação às variantes consideradas. Refira-se que, para evitar duplicação, nem todos os resultados dos modelos são expressos e debatidos aqui. A referência completa dos detalhes e resultados gerados para os 24 modelos simulados encontra-se condensada no
Anexo IV. Reportam-se aqui, portanto, resultados que melhor ilustram tendências,
impactos que sejam mais relevantes e corolários com implicação prática e operacional.
Foram processados resultados e apresentadas tendências, mediante aplicação de conceitos de probabilidade. O termo probabilidade, em ambientes operacionais, gera
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algum desentendimento quanto ao seu significado preciso. Por isso, às vezes, vê-se como conveniente reportar as ocorrências probabilísticas por meio de outro termo,
chance, palavra que parece mais familiarao meio. Na verdade, chance e probabilidade,
contextualmente, são termos sinônimos; entre eles, varia apenas a escala de representação. Enquanto probabilidade refere-se a uma escala de zero até uma unidade (0 - 1), chance reporta-se a uma escala de zero a cem por cento (0 - 100%). Com efeito, ambos os termos produzem entendimento concordante com o acima descrito.
Pretende-se ainda mostrar a eficácia das ferramentas de modelagem numérica na avaliação geotécnica dos layouts de mina. E, por fim, evidenciar a aplicabilidade de técnicas estatísticas e de análise de risco na fase de pós-processamento para avaliar largas populações de resultados, possibilitando-se, assim, o ranqueamento do risco dos vários layouts, com relativa facilidade e segundo critérios predeterminados.