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para inibir o infrator (vide FREIRE, Willian Direito ambiental

2 O PODER DE POLÍCIA AMBIENTAL E AS INFRAÇÕES ADMINISTRATIVAS AMBIENTAIS

2.1 PODER DE POLÍCIA AMBIENTAL

2.1.5 Limites do poder de polícia ambiental

O exercício do poder de polícia ambiental pelo Poder Público, como se observou, corresponde a uma necessidade imposta pela lei em prol do interesse público. Como em qualquer outra área de atuação da Administração Pública, deve, pois, respeitar a uma série de limites constitucionais e legais. Estes limites, no mais das vezes, é o atendimento da finalidade legal em vista da qual foi exercida a medida administrativa de polícia. Até porque, como a firma o jurista francês Jean Rivero131, “a diretiva geral provém do princípio liberal que vê na liberdade a regra, e na intervenção da polícia exceção: uma medida de polícia só é legal enquanto for necessária para a manutenção da ordem”.

Principalmente naqueles casos em que o Poder Público se utiliza de meios coativos, que interferem de modo direto na liberdade individual, é necessário que a Administração Pública se comporte com extrema cautela, nunca se servindo de meios mais enérgicos que os necessários à obtenção do resultado

131

RIVERO, Jean. Direito administrativo. Coimbra: Livraria Almedina, 1981, p. 487.

pretendido pela lei, sob pena de vício jurídico que acarretará responsabilidade para a administração.132

Sobre este particular, Celso Antônio Bandeira de Mello133 assevera que:

A via da coação só é aberta para o Poder Público quando não há outro meio eficaz para obter o cumprimento da pretensão jurídica e só se legitima na medida em que é não só compatível como proporcional ao resultado pretendido e tutelado pela ordem normativa. Toda coação que exceda ao estritamente necessário à obtenção do efeito jurídico licitamente desejado pelo Poder Público é injurídica.

Este eventual excesso pode se apresentar de dois modos: a) a intensidade da medida é maior que a necessária para a compulsão do obrigado; b) a extensão da medida é maior que a necessária para a obtenção dos resultados licitamente perseguíveis.

Os limites do poder de polícia administrativa são demarcados, assim, pelo interesse social em conciliação com os direitos e garantias constitucionais dos administrados, sendo que suas condições de validade resumem-se, basicamente, à observância de quatro requisitos: competência, finalidade pública, proporcionalidade e legalidade dos meios.134

A competência é a condição primeira para que se reconheça validade a qualquer lei ou ato normativo, tendo em vista que não se pode ter com válidos os atos emanados de entidade, órgão ou autoridade sem qualidade para editá-los ou praticá-los. A finalidade pública é inerente a toda atividade da Administração, carecendo de eficácia a que se desviar ou contrariar o interesse público, em cujo nome é exercida. A

132

MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 23. ed. São Paulo: Malheiros Editores, p. 813.

133

MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 23. ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2007, p. 813.

134

MEIRELLES, Hely Lopes Meirelles. Direito de construir. 10. ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2011, p. 103.

proporcionalidade entre a limitação ao direito individual e o interesse público deve acompanhar todo ato de polícia administrativa, por não se compreender sacrifício de uma liberdade ou de uma atividade lícita do particular sem vantagem apreciável para a coletividade, ou em maiores proporções que o exigido pelo bem comum. Nesse ponto, o ato de polícia só será lícito quando dele resultar uma utilidade sensível para a comunidade e for praticado para atender a efetivas exigências sociais. A legalidade dos meios, por sua vez, relaciona-se com as garantias individuais com que a Constituição Federal resguarda os direitos e atividades fundamentais do homem. Ainda que o poder de polícia tenha o atributo da discricionariedade, não está o Poder Público autorizado a empregar meios ilegais para a sua prática, embora lícito e legal o fim, competente a autoridade e de interesse público a restrição imposta ai particular.135

Sobre a proporcionalidade136, registre-se que o poder de polícia não deve ir além do necessário para a satisfação do interesse público, pois sua finalidade não é destruir o direito do administrado, e sim assegurar o seu regular exercício condicionando-o ao bem-estar social. A medida de polícia administrativa não deve, pois, ser arbitrária, irrazoável ou desigual, constituindo-se em uma faculdade limitada.137 Nesse ponto, não haveria sentido à Administração pública impor para um fato de reduzida significância uma reprimenda de extrema severidade que, por vezes, poderá ter um efeito altamente nocivo e prejudicial ao administrado.138

135

MEIRELLES, Hely Lopes Meirelles. Direito de construir. 10. ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2011, p. 103-104.

136

Para saber mais sobre o princípio da proporcionalidade vide QUEIROZ, Raphael Augusto Sofiati de. Os princípios da razoabilidade e proporcionalidade das normas. Rio de Janeiro: Lúmen Juris, 2000.

137

MUKAI, Toshio. Direito ambiental sistematizado. 4. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2002, p. 45-46.

138

FREITAS, Vladimir Passos de. Direito administrativo e meio ambiente. 4. ed. Curitiba: Juruá, 2010, p. 152.

O jurista Luís Roberto Barroso139 trabalha com uma visão bem clara sobre o assunto, inclusive aplicável á seara ambiental. Para o autor, em caso hipotético, sendo possível conter um determinado dano ambiental apenas colocando-se filtro próprio numa fábrica, seria ilegítimo, por desproporcional, interditar o estabelecimento como um todo, causando enorme gravame ao seu proprietário. Neste caso, a proporcionalidade se expressa por meio do princípio da vedação do excesso.

Além da competência, da finalidade pública, da proporcionalidade e da legalidade dos meios, existem, ainda, em paralelo, alguns princípios de cunho constitucional que devem ser observados pela Administração Pública quando do exercício do poder de polícia como a motivação, a impessoalidade, a razoabilidade, o contraditório e a ampla defesa, a moralidade, a segurança jurídica, a boa-fé, a eficiência, a presunção de inocência, a proibição de excesso, a proteção à confiança legítima, entre outros.

Todos estes princípios constitucionais, por um lado, formam um bloco de garantias dos administrados em relação à Administração Pública, e por outro, delimitam os critérios de atuação do Poder Público no exercício do poder de polícia ambiental.

Assim, verifica-se que o poder de polícia que detém a Administração Pública para tutelar o meio ambiente e as relações dos administrados com aquele bem essencial têm limites e condições de validade bem definidos, quer pela legislação de regência quer pela própria Constituição Federal, dos quais o Poder Público não pode se afastar, sob pena de praticar ato abusivo, arbitrário ou ilegal.

139

BARROSO, Luís Roberto. Temas de direito constitucional. 2. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2002, p. 88

2.2 INFRAÇÕES E SANÇÕES ADMINISTRATIVAS