A implantação do planejamento estratégico é considerada por Muriel (2006, p. 26) a etapa mais árdua de todo o processo de planejamento. A autora acredita que “elaborar um planejamento é muito diferente de implantá-lo e que as principais dificuldades aparecem no momento de sua implantação”. É neste momento da implantação do plano, que a instituição dependerá da força de trabalho das suas equipes (MURIEL, 2006).
Por este motivo, Muriel (2006, p. 28) atenta para a necessidade do comprometimento da alta gestão com a implantação do plano, ao afirmar que
verifica-se em Instituições de Ensino Superior a falta de uma estrutura que viabilize a implantação das estratégias programadas em um planejamento. Essa dificuldade é observada em quase todos os níveis institucionais. Por esta razão, é provável, que o início do processo de implantação requeira uma dose de imposição por parte da alta gestão. Esta deve ser capaz de selecionar pessoas habilitadas para executar as principais tarefas da estratégia, além de prever os recursos financeiros necessários.
Machado (2008) argumenta que a energia empregada para a elaboração do plano deve ser respeitada, resultando na sua implantação efetiva. Porém, o autor destaca alguns desafios que as instituições e seus
gestores se deparam ao decorrer do citado processo de implantação (MACHADO, 2008), tais como:
a) Desafio do comprometimento dos funcionários e docentes: para que se alcance o sucesso almejado com a implantação do plano, é necessário o comprometimento e envolvimento de funcionários e docentes da instituição. Machado (2008) sugere o envolvimento destes durante os processos de discussão e concepção do planejamento, para, que desta forma, tornem-se parte integrante do processo construtivo;
b) Desafio da comunicação: o quesito comunicação deve ser trabalhando antes, durante e depois do processo de planejamento. A manutenção do fluxo contínuo de informações é necessária para manter intensa a ideia do planejamento, demonstrando aos envolvidos os passos galgados;
c) Desafio da Flexibilidade: as mudanças ambientais são inerentes ao processo de planejamento, e devem ser consideradas durante o processo de implantação do plano. A capacidade de ser flexível corresponde à adaptação dos objetivos e metas previstos inicialmente pela instituição, que, normalmente, geram desconforto aos envolvidos e novas rotas para o plano; d) Desafio do Controle: É imprescindível, para
o processo de implantação de qualquer plano, o controle. Devem-se comparar, constantemente, as metas estabelecidas, com resultados alcançados.
Do mesmo modo, Pereira e Kich (2011) destacam fatores organizacionais que influenciam diretamente na implantação dos planos estratégicos, como os seguintes:
a) Estrutura Organizacional: contribui para o funcionamento de toda a organização formal. O organograma é a representação gráfica da estrutura formal da organização.
Porém, a estrutura informal, que se refere ao relacionamento social, fundamentado nas amizades e interesses dos grupos, não é diagnosticada imediatamente, menos ainda representada no organograma. O que pode comprometer as relações hierárquicas durante a implantação do plano;
b) Liderança: diz respeito à capacidade de influenciar pessoas. O líder deve estar envolvido no processo de planejamento e implantação do plano, motivando e conduzindo as atividades, dirigindo grupos diferentes, para caminhos comuns;
c) Cultura Organizacional: são compostas pelas políticas internas e externas à organização, bem como crenças, valores e clima organizacional, dentre outros. Concernem ainda, aos aspectos psicológicos das relações na organização. Sendo assim, a cultura confere um importante instrumento de poder e legitimação para o planejamento estratégico;
d) Comunicação Organizacional: neste caso, os autores sugerem que a comunicação seja institucionalizada e integrada com toda a organização, que faça parte da cultura da organização, por meio de intranet, e-mails e outros meios formais de comunicação interna.
Por último, Muriel (2006) salienta barreiras e dificuldades encontradas na implantação do PDI, considerando as seguintes:
a) Dificuldades de entendimento da IES: a autora (MURIEL, 2006) constata que, por vezes, não há o entendimento do PDI, por parte do grupo envolvido, faltando à visão holística do processo, além de não haver a preparação dos envolvidos para atuar no processo de implantação do plano;
b) Conflitos entre a mantenedora e a mantida: neste caso, a instituição sede, não envolveu as demais unidades administrativas, causando a desmotivação para a execução do
plano, uma vez que diversas unidades não possuem autonomia financeira e administrativa para as ações de implantação; c) Barreiras financeiras: está relacionada à
incompatibilidade, por parte das unidades que executarão os planos, de gerir recursos financeiros e humanos, para atender as propostas pedagógicas dos planos;
d) Resistência dos funcionários das IES às mudanças: percebe-se o desinteresse e a resistência de docentes e técnicos para a implantação do PDI, uma vez que ambos se sentem incapazes para dar continuidade ao processo, e, além disso, não acreditam na concretização das ações delineadas.
Como resultado, observa-se que Machado (2008), Pereira e Kich (2011) e Muriel (2006) chegaram a conclusões aproximadas, especialmente nos quesitos comprometimento e envolvimento do corpo funcional da instituição e entendimento de todo processo de desenvolvimento e implantação do PDI.
Para Muriel (2006) e Machado (2008), a resistência e o comprometimento das pessoas é um dos principais fatores limitantes ao processo de implantação de qualquer plano, em qualquer instituição. Muriel (2006) garante que boa parte da resistência das pessoas não está diretamente ligada ao planejamento, mas sim, às mudanças que o processo impõe. Para isso, Machado (2008) sugere o envolvimento, especialmente, dos gestores em todo processo de construção e elaboração dos planos estratégicos. Dessa forma, buscando o envolvimento dos indivíduos com o processo.
Outro ponto observado pelos autores refere-se à estrutura organizacional. Segundo Pereira e Kich (2011) e Muriel (2006), nas instituições universitárias, as estruturas não favorecem a implantação de estratégias, tendo em vista, a complexidade estrutural destas instituições, que apresentam níveis de poder, não evidenciadas no organograma formal da instituição, que contribui para a centralização em linhas específicas da hierárquica (PEREIRA; KICH, 2011; MURIEL, 2006).
Da mesma maneira, em seu estudo, Segenreich (2005) percebe o quão desafiador é coordenar a construção e implantação de um PDI, sendo que as dificuldades se apresentam em dois níveis: institucional e de políticas públicas. No primeiro, a autora, constata que o formato apresentado pelo MEC às instituições não leva em consideração a
complexa cultura da universidade (SEGENREICH, 2005). Construir um plano participativo, dentro duma instituição universitária, requer esforços de todos os envolvidos no processo da gestão, o que nem sempre é possível, tendo em vista, a variação do comprometimento individual de cada membro com a instituição (SEGENREICH, 2005).
Por outro lado, a percepção dos gestores universitários é de que o PDI não passa de um pacote governamental, configurando-se em ferramenta de poder, do governo junto às IES. Portanto, para haver a eficiência do PDI, como ferramenta de gestão, faz-se necessário que a instituição vislumbre o plano como um processo de avaliação institucional que apresentará indicadores internos e externos para melhoria dos níveis de qualidade do ensino superior (SEGENREICH, 2005).
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
O terceiro capítulo deste trabalho, que discorre sobre os procedimentos metodológicos necessários para o desenvolvimento da pesquisa, concentra-se na definição do tipo e a natureza do estudo, da determinação do universo e dos sujeitos da pesquisa, na caracterização das técnicas de coletas de dados e das técnicas para análise dos dados coletados, e, finalmente, relatam-se as limitações do estudo. Para facilitar uma visão geral das escolhas feitas em nível metodológico para o estudo atual, traz-se, ainda, neste capítulo, um quadro- resumo (quadro 6) do seu conteúdo.