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3. PODER EMPREGATÍCIO

3.5. Limites Impostos ao Poder Empregatício

O poder empregatício, contudo, não é absoluto. Tem-se que a subordinação jurídica limita o poder do empregador, como bem explica, Alves (2011),

Inicialmente destaque-se que um dos principais limites ao exercício do poder no contrato de emprego se refere à ideia de subordinação jurídica, ou seja, somente pode o empregador manifestar seu poder nos limites do contrato de trabalho, sendo ilegal qualquer norma ou ordem que não se refira ao modo da prestação laborativa. (ALVES, 2011)

Desse modo, pode-se afirmar que o exercício do poder do empregador encontra limite na Constituição Federal, na “proteção à liberdade e dignidade básicas da pessoa do trabalhador” (DELGADO, 2019, p.795). Portanto, os direitos

fundamentais limitam o exercício do poder empregatício e não pode haver atuação do empregador que desrespeite preceito fundamental. Nesse cerne, temos a dignidade da pessoa humana como princípio basilar da limitação do poder empregatício.

A dignidade da pessoa humana é um dos fundamentos da República Federativa do Brasil, constituída em Estado. Democrático de Direito (art. 1º, III, CF/88), que tem por alguns de seus objetivos fundamentais “construir uma sociedade justa e solidária”, além de “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” (art. 3º, I e IV, CF/88). Ao lado de todos esses princípios (que, na verdade, atuam como princípios normativos), existem, na Constituição, regras impositivas enfáticas, que afastam a viabilidade jurídica de condutas fiscalizatórias e de controle da prestação de serviços que agridam a liberdade e dignidade básicas da pessoa natural do trabalhador. (DELGADO, 2019, p.795).

Nesse cenário temos o centro de análise deste trabalho, o contraponto entre o poder empregatício e os direitos fundamentais, visto que é de suma importância que esse efeito do contrato de trabalho não supere a previsão constitucional. Como explicitado, os direitos fundamentais também não são absolutos, porém o princípio da relatividade é aplicado quando um direito fundamental se encontra em confronto com outro, desse modo, não tendo o poder empregatício essa prerrogativa, e não pode, portanto, prevalecer.

Porém ao tratar do poder empregatício, temos, como bem destaca Alves (2011), a possibilidade de embate entre direitos fundamentais do empregado e o direito fundamental à propriedade privada, previsto no 5º, inciso XXII, CF/887. Posto

que o direito de propriedade previsto no texto constitucional, não trata apenas do uso e fruição, mas também do direito de fiscalizar, decidir e proteger seu bem. Portanto, dentro do cenário trabalhista, se refere ao direito fundamental do empregador. E é nesse ponto que é necessária a cautela, para que se verifique o caso concreto e o direito fundamental seja protegido.

Alexandre de Morais (2003), dispõe acerca do confronto entre direitos fundamentais,

7 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

quando houver conflito entre dois ou mais direitos ou garantias fundamentais, o intérprete deve utilizar-se do princípio da concordância prática ou da harmonização de forma a coordenar e combinar os bens jurídicos em conflito, evitando o sacrifício total de uns em relação aos outros, realizando uma redução proporcional do âmbito de alcance de cada qual (contradição dos princípios), sempre em busca do verdadeiro significado da norma e da harmonia do texto constitucional com sua finalidade precípua.” (MORAIS, 2003, p. 61)

Nesse sentido, os direitos fundamentais encontram limites de forma horizontal, quando em confronto com direitos que estão no mesmo patamar, já o poder empregatício é limitado pela subordinação jurídica e pelos preceitos fundamentais. Desse modo, não poderia, como já dito, o poder empregatício prevalecer sobre os direitos fundamentais.

Assim, a teoria da eficácia diagonal corrobora como meio de limitação do poder empregatício, posto que a referida teoria se aplica nas relações em que as partes não se encontram no mesmo patamar, como ocorre nas relações trabalhistas.

Nesse cerne, “é cediço que as relações de emprego são marcadamente desiguais, em razão das clássicas prerrogativas inerentes ao poder empregatício conferido ao empregador” (SILVA, 2019, p. 147), portanto, avaliando a desigualdade entre as partes se desenvolve a teoria da eficácia diagonal.

(...) para o Direito do Trabalho, a aplicação direta dos direitos fundamentais é uma conclusão lógica, decorrente do grande poder que o empregador tem sobre o trabalhador. Não apenas poderes econômicos, mas também jurídicos, que nos permitem sustentar que há mais de uma eficácia horizontal entre iguais, melhor dita, uma eficácia diagonal (SILVA, 2019, p. 148 apud CONTRERAS, 2011, p. 28, grifo do autor).

Ademais, ressalta-se a demasiada relevância do tema na atualidade, pois, o Direito do Trabalho, sob égide de uma norma que representa em grande parte de seus dispositivos, desmembramento constitucional e “privilegia a autonomia da vontade das partes na relação trabalhista” (SILVA, 2019 p.152), e por fim, considerando os relatos constantes nos acórdãos analisados8, vê-se a importância

da validação da eficácia diagonal dos direitos fundamentais, como instrumento de aplicação “direta e imediata no âmbito das relações de emprego, vez que nelas se

8 A questão aqui observada foi desenvolvida no capítulo 5, também foi formulado um gráfico, presente no Anexo C, acerca da temática.

encontra presente uma disparidade de forças que aproxima o empregador da figura de ente estatal violador de direitos fundamentais”. (SILVA, 2019 p.152).

Nesse sentido, será observada na análise jurisprudencial quais foram as demandas julgadas pelo TRT3. Com essa observação constata-se a ineficácia diagonal dos direitos fundamentais.

Posto que ficará perceptível que a segurança na relação trabalhista está prejudicada, uma vez que o contrato de trabalho e a norma específica não são capazes de limitar o abuso do exercício do poder empregatício.

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