4.2 Etapa 2 Caracterização da situação das divisas da UC
4.2.3 Limites naturais e limites demarcados em campo
§ Demarcação natural pelo Ministério do Exército
Dos 23,4 km de perímetro do Parque, 13,7 km, ou seja, 58,5% do total são demarcados naturalmente pelo Oceano Atlântico e pelas divisas da Fortaleza de Itaipu, cujos limites foram demarcados pelo Ministério do Exército (Figura 16). As divisas naturais seguem ao longo de todo o Setor Costão/Mar que está inserido integralmente em zona de uso extensivo.
As áreas terrestres do Parque contíguas aos limites marítimos no Setor Paranapuã encontram-se sob domínio da União. No Setor Curtume/Itaquitanduva o domínio dessas áreas contíguas também é da União, havendo, no entanto, sobreposição com parte da área pleiteada para indenização pela Praia Pedras Brancas Urbanismo e Construção S.A.. No Setor Xixová o predomínio do domínio dos limites da área limítrofe ao Setor Costão/Mar é da União, havendo a sobreposição, em cerca de 1 km com a área requerida pela mesma empresa de urbanismo e construção. Finalmente, no Setor Itaipu, as áreas limítrofes são todas patrimônio da União.
O fato da área do Parque incorporar uma faixa de mar tem mostrado, entretanto, a necessidade da implantação de um sistema de demarcação e sinalização, por meio de bóias, com o objetivo de informar às embarcações sobre os limites da unidade e sobre as atividades que não são permitidas nessa zona da UC, tais como a pesca, a coleta de mariscos nos costões e a prática de esportes náuticos que utilizem embarcações motorizadas.
A implantação desse tipo de demarcação e sinalização, tendo em vista as implicações sobre a segurança das embarcações, deverá ser definida e autorizada pela Capitania dos Portos.
§ Demarcação pelo Ministério do Exército
O trecho da divisa terrestre demarcada pelo Ministério do Exército no Setor Itaipu (cerca de 1,5 km) tem como área limítrofe, externa à UC, instalações do 6º Grupo de Artilharia de Costa Motorizado, Unidade Operacional do Exército Brasileiro, também sob domínio da União.
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As informações constantes nesse item foram extraídas de documentos juntados ao processo administrativo SMA n.º 41.164/2000, cujo interessado é a Procuradoria Regional de Santos e que trata da demarcação judicial do PEXJ.
Em função de suas características, esse trecho das divisas não apresenta conflitos expressivos em relação a dominialidade das terras.
§ Trecho demarcado pela empresa BRASTERRA
Por ocasião do licenciamento ambiental50 do Litoral Plaza Shopping, localizado no município de Praia Grande, em área contígua ao PEXJ, no local denominado Sítio Campininhas ou Campina das Almas, a empresa BRASTERRA Empreendimentos Imobiliários, responsável pela realização da obra, solicitou a autorização do IF para demarcação do Parque Estadual no trecho em que o mesmo confronta com os limites da propriedade da empresa.
A autorização foi concedida em 1997 e a BRASTERRA demarcou, de acordo com as normas estabelecidas pela Procuradoria do Patrimônio Imobiliário (PPI) e com acompanhamento da equipe da Assessoria de Estudos Patrimoniais do IF, 1,05 km de divisas da UC, representando cerca de 4,5% do total do perímetro do Parque.
A divisa demarcada pela empresa BRASTERRA segue ao longo dos limites do Setor Xixová, confrontando com zonas de uso extensivo e de recuperação (Figura 16).
Nesse trecho, sob o ponto de vista fundiário, as áreas limítrofes no interior do Parque ainda não tem seu domínio definido.
A área imediatamente adjacente ao Parque, nesse trecho, caracteriza-se pela presença da faixa non aedificandi estabelecida pelo Plano Diretor do Município de Praia Grande entre as cotas altimétricas 5 m e 25 m (pela qual segue a divisa do Parque), ocupada, em função do efeito de borda, por espécies ruderais e por estágios iniciais de sucessão da Floresta Ombrófila Densa que recobre a encosta no interior da UC.
Na planície sedimentar, contígua a essa faixa, encontram-se, um pequeno trecho da Av. Ayrton Senna, as edificações e o estacionamento do Litoral Plaza Shopping. Existe também uma faixa vizinha ao Shopping, com largura variando de 70 m, junto aos limites do PEXJ, a 175 m junto a Av. Ayrton Senna e comprimento de cerca de 600 m, recoberta por remanescente florestal em estágios inicial e médio de sucessão contínuo à vegetação existente no interior do Parque. Esse remanescente, em conjunto com outros descritos no próximo item, caracteriza-se como uma faixa
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Processo SMA n.º 88.115/96 (interessado BRASTERRA Empreendimentos Imobiliários) - solicitação ao DEPRN de Atestado de Regularidade Florestal para execução de edificação de um shopping center.
tampão efetiva, evitando que a ocupação urbana chegue até a divisa com a unidade, como vem ocorrendo em grande parte de seus limites, configurando uma área de interesse para conservação no entorno imediato da UC.
§ Trecho demarcado por força da Ação Civil Pública n.º 206/96
O Ministério Público Estadual ingressou, em 1996, com a Ação Civil Pública na 2a Vara Cível de São Vicente, processo n.º 206/96, requerendo a demarcação do PEXJ.
Em abril de 2000, essa ação foi julgada procedente pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que deu parcial provimento ao recurso da Fazenda do Estado, determinando o prazo de 1 (um) ano e 6 (seis) meses, contado a partir da citação, para que o Estado procedesse à demarcação da referida UC, impondo multa diária no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) caso a determinação não fosse cumprida dentro do prazo estipulado, qual seja, 23 de novembro de 2001.
A Empresa Toprisma Topografia e Projetos foi contratada, em junho de 2001, com recursos do Tesouro do Estado, para realizar os trabalhos de demarcação em campo dos 8,65 km remanescentes das divisas terrestres do PEXJ, o que representa 37% do total do perímetro do Parque (Figura 16).
Em agosto de 2001, o DEPRN expediu a Autorização n.º 39/01 para a abertura da picada necessária à demarcação, possibilitando o corte de 0,26 ha de Floresta Ombrófila Densa em estágio inicial de sucessão e de 1,32 ha dessa mesma formação em estágios médio e avançado.
Os trabalhos de demarcação foram concluídos em 20/11/2001, com a implantação de 158 marcos de concreto, segundo as normas estabelecidas pela PPI, sendo protocolada, em 23/11/2001, petição junto ao processo n.º 206/96, demonstrando o cumprimento da “obrigação de fazer” a que foi condenada a Fazenda do Estado, com relação à demarcação do PEXJ.
As divisas demarcadas em cumprimento à decisão judicial seguem os limites do Setor Xixová, partindo do último ponto demarcado pelo Ministério do Exército, passando pelos limites do Setor Curtume/Itaquitanduva na face voltada para a planície sedimentar do Canal do Mar Pequeno, terminando no Setor Paranapuã, junto à praia de mesmo nome, onde o limite passa a seguir pelo mar (Figura 16). Nesses 8,65 km, as divisas confrontam com zonas de uso extensivo, de recuperação, histórico-cultural e de uso intensivo.
Em cerca da metade do perímetro do Setor Xixová, as áreas limítrofes da UC, em seu interior, estão sob domínio da União, na outra metade o domínio ainda é indefinido. No Setor Curtume/Itaquitanduva também, aproximadamente, 50% do limite possui domínio indefinido, no restante da área, junto à planície do Curtume (em cerca de 900 m do perímetro) existem áreas em processo de desapropriação indireta movidos por Eduardo Ferreira Lafraia e outros e por ENGETERPA – Engenharia, Terraplenagem e Pavimentação, além da área do Curtume, pertencente, atualmente à família Farina, onde se busca a desapropriação direta. No Setor Paranapuã, o domínio junto às áreas limítrofes é predominantemente indefinido, com exceção da área limítrofe à gleba que pertence ao Estado, contígua à Praia de Paranapuã.
Como no trecho demarcado pela BRASTERRA, a área imediatamente adjacente ao Parque, nesse trecho, caracteriza-se pela presença da faixa non aedificandi estabelecida pelo Plano Diretor do Município de Praia Grande entre as cotas altimétricas 5 m e 25 m, até o limite com o município de São Vicente o qual passa pelo Setor Itaquitanduva, próximo ao seu limite com o Setor Xixová.
Na planície sedimentar, contígua a essa faixa non aedificandi, no município de Praia Grande, encontram-se ocupações urbanas constituídas pelos Bairros Militar e Boqueirão, pequenas plantação nas áreas adjacentes como bananeiras, com pressão de ampliação em direção ao Parque. Existe também uma faixa vizinha àquela descrita no item anterior (ao lado do Shopping Litoral Plaza), no sentido PEXJ – Av. Ayrton Senna, com largura variando de 350 m a 400 m e comprimento equivalente à cerca de 700 m, recoberta por remanescente florestal em estágios inicial e médio de sucessão contínuo à vegetação existente no interior do Parque (de interesse para conservação), dois galpões de comércio varejista e campos antrópicos, cuja manutenção e recuperação também são desejáveis.
No município de São Vicente, junto aos limites do Setor Curtume/Itaquitanduva encontram -se o Sítio Girau constituído por campos antrópicos, vegetação em estágio inicial de regeneração e algumas plantações, o Bairro do Japuí, a Av. Ayrton Senna e ocupações residenciais e comerciais isoladas, junto à Ponte Pênsil.
Finalmente, junto às divisas do Setor Paranapuã, nas vertentes do Morro Prainha voltadas para a Baía de São Vicente, existe uma ocupação urbana em área de
risco que atinge cotas próximas à divisa do Parque (50 m), denominada Bairro Parque Prainha.
Nas áreas limítrofes, no interior da UC, predominam a Floresta Ombrófila Densa em estágio médio e avançado de sucessão com a ocorrência de algumas manchas de áreas cobertas por vegetação ruderal, formações florestais em estágio inicial de regeneração e culturas abandonadas. Na planície arenosa, junto ao Morro do Japuí, existe uma antiga edificação em uso pela Prefeitura Municipal de São Vicente, onde funciona o Centro de Convivência e Formação (CECOF) que atende crianças carentes do município. Na gleba que foi cedida pelo Governo do Estado de São Paulo à União, existe uma residência, próxima à Praia de Paranapuã, utilizada como base pelos marinheiros que permanecem vigiando a área diuturnamente.