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LIMITES, PONTOS POSITIVOS E DIFICULDADES ENCONTRADAS NO

Segundo Avileis (2006), é importante ressaltar que para viabilizar o sucesso

dessa nova forma de gestão do trabalho existem alguns pré-requisitos a serem

atendidos:

 Envolvimento e suporte da alta administração, inclusive com a

disponibilização de recursos;

 Envolvimento e confiança da força de trabalho;

 Planejamento formalizado de onde se quer chegar;

 Células com centro de custos individuais;

 Gestão fundamentada em times.

Marx (1997) relata que, de maneira geral, a passagem de um trabalho

baseado em conceitos tradicionais para um trabalho em grupos semi-autônomos

aumenta o nível de satisfação e motivação, reduz custos de produção, reduz taxas

de absenteísmo, rotatividade e acidentes.

A polivalência e comprometimento andam mais juntos, estando

integrados em função de uma maior autonomia decisória no interior

dos grupos, nos quais grande parte das competências e do

comprometimento são gerados. Nos GSAs, o sentimento de

pertencer a um grupo em que se pratica a autonomia parece ser fator

relevante para induzir maior comprometimento do trabalhador com os

objetivos da empresa (que poderia ser considerada como um

prolongamento do próprio grupo) (MARX 1997, p. 70).

A ideia é endossada por Fleury e Vargas (1983) que apresentam como pontos

positivos no aspecto social, a cooperação exigida entre os trabalhadores, e no

aspecto técnico o exercício da autonomia em decisões e ações.

Slack, Chambers e Johnston (2002) apresentam o trabalho em grupo como

sendo um dispositivo organizacional, como atitude compensadora de mudanças com

o objetivo de horizontalizar as estruturas. Os autores resumem os seguintes

benefícios na aplicação desta forma organizacional como:

 Aumento de qualidade, encorajamento e inovação;

 Aumento de satisfação ao permitir que indivíduos contribuam mais

eficazmente;

 Implementação de mudanças tecnológicas no ambiente de trabalho

facilitadas pelo motivo que equipes estão dispostas a compartilhar os

desafios que as mudanças trazem.

Os mesmos autores efetuam sua análise crítica da aplicação de grupos, na

qual abordam que pressões sobre os indivíduos que participam dos grupos não

compensam modelos mal projetados, não substitui a responsabilidade dos gerentes

na definição das decisões e, mesmo com autonomia, os grupos não estão isentos de

cobrança por resultados.

Os indicadores de produção horária, produção por homem/ano, número de

defeitos, set-ups, disponibilidade de máquinas e demais recursos apresentam quase

sempre melhorias significativas, mesmo que isso não ocorra sempre desde o

primeiro momento. Assim, parece correto afirmar que o trabalho em grupo contribui

efetivamente para a redução de custos e aumento de qualidade (MARX, 1997).

Apesar de entender que a implantação dos GSA‟s ao longo do tempo se

tornou uma realidade viável, Dankbaar (1998) relata em seu artigo algumas

dificuldades que poderão ser enfrentadas nesse processo, como por exemplo, a

resistência das pessoas pelo fato do modelo requerer um novo estilo de liderança

por parte dos gestores e mudanças mais abrangentes e profundas nas

organizações. Outro ponto mencionado pelo autor é a autonomia que, mal exercida,

pode levar a comportamentos indesejáveis.

As diferenças entre os membros, por exemplo, devem ser trabalhadas de

forma a se extrair sinergia desta relação e a questão do relacionamento interpessoal

que deve ser objeto de treinamento na fase de montagem do grupo. Administrar

diferenças e tirar proveito de opiniões divergentes é a chave do sucesso de grupos

de alta performance.

Podem existir conflitos interpessoais, pressão do grupo em uma pessoa,

frustração com discussões infindáveis, cansaço mental causado pelas

responsabilidades adicionais e etc. A delegação parcial de autoridade, por exemplo,

poder ser um fator desmotivador por acontecer apenas nos aspectos menores

enquanto que os supervisores têm controle absoluto sobre as decisões mais

importantes (LIEBOWITZ; HOLDEN, 1995).

Segundo Biazzi (1993), dentro de uma estrutura organizacional voltada para

grupos, existem considerações de observância no tempo de permanência dos

integrantes dentro de um mesmo grupo, visto que a duração da manutenção dos

integrantes irá favorecer a consolidação das relações sociais, pode-se comprometer

o desempenho das atividades.

Marx (1997) descreve que as organizações têm, por exemplo, dificuldades

para adaptarem suas sistemáticas de remuneração e avaliação, para diminuírem a

cobrança sobre resultados de curto prazo (produção/homem/ano; número de defeito,

entre outros) e para abrirem maior espaço para a comunicação.

Tremblay, Rolland e Davel, (2003) afirmam que a mudança de uma estrutura

hierárquica de organização para equipes de produção semi-autônomas não é algo

trivial; é um processo delicado, em termos de treinamento e adaptação dos

trabalhadores de todos os níveis da antiga estrutura de produção.

Um dos aspectos mais importantes considerados na adoção de um sistema

autônomo de trabalho é a confiança. Benson et al.(1994) escrevem que uma relação

de confiança mútua se faz necessária entre empresa e funcionários para que os

benefícios da organização do trabalho com autonomia se perpetuem no tempo. O

sentimento de desconfiança mina completamente a motivação dos funcionários,

combustível essencial para o funcionamento desta organização. A confiança é

conquistada num trabalho contínuo diário e longo que pode ser despedaçada em

uma única atitude.

Apesar dessas afirmativas, Slack, Chambers e Johnston (2002) relatam que

as dificuldades devem ser observadas e encaradas como pontos alerta, contudo,

são pontuais se comparadas às vantagens e à satisfação do trabalho que o modelo

proporciona.

Montanari (1996), conclui que dentro do processo de mudança, um grupo de

pessoas altamente motivadas, alinhadas em uma direção, pode suplantar grandes

dificuldades econômicas, burocráticas e obstáculos que apareçam no seu caminho.

A apresentação da revisão de literatura, sobre as principais perspectivas

teóricas do tema em estudo, forneceu a base para a realização da pesquisa de

campo, além de dar subsídio para um confronto com o manual de implantação das

OR‟s, documento analisado na presente pesquisa. A evolução histórica, no primeiro

capítulo, possibilitou uma ampla abordagem dos pontos de vistas de diferentes

autores sobre os conceitos de liderança e suas características.

As definições de competência, com a identificação das aptidões necessárias

ao processo de liderança e em seguida o entendimento sobre os modelos de

organização do trabalho com o conteúdo dos GSA‟s, seu desenvolvimento e o

processo de implantação, possibilitaram a realização da análise dos documentos

oficiais da empresa e a interpretação dos dados de campo.

No próximo capítulo será apresentado o método utilizado, com a descrição do

tipo de pesquisa desenvolvido, área de realização, população e amostra,

procedimentos para coleta e análise de dados.

5 MÉTODO

Este capítulo tem por finalidade apresentar o método utilizado nesta pesquisa

a fim de responder o problema e alcançar os objetivos propostos.

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