interação subiu de dois, na Intervenção 1 para sete na Intervenção 2.
A única condição contextual que se repetiu, para os dois médicos, porém, em fases diferentes, foi a observação de consultas, em fase de linha de base, com pacientes que não formavam díades com o médico. No caso de M2, isso ocorreu na Linha de Base 2, onde foram registradas consultas de dois pacientes que não formavam díade e faziam tratamento para um tipo de câncer diferente da leucemia. O desempenho dos médicos quanto ao comportamento de comunicação nas consultas de pacientes não acompanhados em díades, entretanto, foi semelhante. Da mesma forma que com M1, observou-se, para M2, manutenção da tendência de menor ocorrência de episódios de perda de oportunidade e maior ocorrência de episódios de aproveitamento espontâneo e tentativa bem sucedida de interação, também em consultas com pacientes não participantes de díades. Na Linha de Base 2, para M2, não foi registrado nenhum episódio de perda de oportunidade nas consultas com os pacientes C10 e C11. Para C10, foi registrado um episódio de aproveitamento espontâneo e para C11, três episódios da mesma categoria.
Análise das entrevistas realizadas com os participantes – relato do médico sobre as mudanças percebidas em seu comportamento de comunicação
As entrevistas com os médicos foram realizadas depois do final da Linha de Base 4. O auxiliar de pesquisa que participava das consultas com M1 fez a entrevista com M2 e o auxiliar que acompanhava as consultas com M2 fez a entrevista com M1. A Tabela 33 resume as respostas obtidas por ambos os médicos às entrevistas.
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Tabela 33Síntese das Respostas dos Médicos M1 e M2 à entrevista
As respostas apontam que, tanto M1 quanto M2 avaliaram o procedimento de consulta psicopediátrica como positivo. Ambos referiram que foram capazes de perceber mudanças em seu comportamento depois da participação no procedimento. Todavia, atribuíram grande parte
Perguntas Respostas de M1 Respostas de M2
1- Você percebeu alguma diferença entre as consultas realizadas sem a presença do psicólogo e as consultas com a presença e intervenção do psicólogo? Se sim, quail (is)?
Sim: a) aumento da atenção do médico acerca de aspectos que, sem a intervenção do psicólogo não seriam percebidos (reações do paciente, conflitos familiares); b) a presença do psicólogo na consulta médica oferece, ao psicólogo, outras informações que podem favorecer seu trabalho posterior com o paciente e a família.
Sim: a) aumento do vínculo médico|paciente, em função da organização das consultas com díades fixas; b) aumento da atenção do médico para as dúvidas expressas pelo paciente.
2- Você observou alguma mudança no seu comportamento durante as consultas realizada com a presença do psicólogo? Se sim, qual (is)?
Sim: a) maior conhecimento do paciente e de suas necessidades, devido ao aumento vinculo (que M1 associa ao esquema de atendimento em díades fixas); b) diminuição do sentimento de solidão do médico durante as consultas – possibilidade de dividir decisões com o psicólogo e, com isso, se sentir mais seguro quanto às condutas.
Sim: a) aumento da atenção do médico às demandas do paciente por já conhecer melhor aquele paciente e ter um vínculo maior com ele; b) aumento da dedicação do médico.
3- Das intervenções realizadas pelo psicólogo (incluindo dicas durante as consultas e feedbacks nos intervalos), quais aquelas que você mais lembra?
a) intervenções que sinalizaram “gafes” do médico com o paciente;
b) intervenções que mostraram ao médico a afetividade do paciente dirigida a ele, médico.
a) importância de explicar o resultado do exame de sangue de forma detalhada; b) importância de verificar a percepção das
crianças acerca dos procedimentos invasivos. 4- Você acha que aprendeu alguma coisa nova sobre a
comunicação com o paciente e seu familiar acompanhante a partir das intervenções realizadas pelo psicólogo? Se sim, o que?
Sim: a) importância do vinculo entre médico e paciente para conhecer melhor o paciente e se comunicar melhor com ele; b) importância de perceber qual a necessidade do paciente para responder a essa necessidade (ex.: explicar de forma detalhada o resultado do exame de sangue).
Sim: a) importância de prestar atenção no paciente e nas reações dele ao que é comunicado.
5- Qual sua avaliação geral sobre a prática de consultas médicas com a presença do psicólogo (consultas psicopediátricas)?
A consulta psicopediátrica é positiva porque permite que o paciente tenha maior abertura com os profissionais (tanto médico, quanto psicólogo) e se sinta mais seguro. Mas, pode ser prejudicial se não houver uma boa interação entre os profissionais.
A consulta psicopediátrica é positiva, mas, talvez não seja necessária em todas as consultas do paciente. M2 sugere uma consulta psicopediátrica a cada quatro consultas regulares e|ou em situações específicas ao longo do tratamento, como consultas de más notícias.
6- Se você pudesse, mudaria alguma coisa nesse tipo de consulta (consulta psicopediátrica)?
M1 sugere que, além das consultas psicopediátricas, o médico pudesse ter uma avaliação psicológica prévia do paciente que o ajudasse a identificar, durante a consulta, quais aspectos deveriam ser considerados. Sugere que essa avaliação fosse feita individual e separadamente, com a criança e com os acompanhantes, permitindo o acesso a informações que um não se sente à vontade de transmitir na frente do outro.
M2 sugere mudanças apenas na estrutura física do ambiente: sala maior, ar condicionado (por causa da porta fechada durante as consultas psicopediátricas), colocação da cadeira da psicóloga para que pudesse ter uma visão mais ampliada tanto do médico, quanto do paciente e acompanhante.
7- Comentários e sugestões livres Questiona como seria o procedimento e os resultados em casos de consultas de más notícias (diagnóstico, por exemplo) e diz estar muito curioso com os resultados por esperar que esses resultados possam melhorar o desempenho e a organização do serviço
M2 diz que gostava das consultas psicopediátricas, ficava esperando pelo dia em que atenderia nesse esquema. Enfatiza as vantagens e a importância de que o médico atenda os mesmos pacientes para formação de vinculo e melhora do processo de comunicação.