A linha de canal, também chamada de linha de retorno, é uma variação muito usada da linha de tendência, pois, muitas vezes, os preços oscilam entre duas linhas de tendência paralelas. As principais qualidades da linha de canal estão em auxiliar o investidor na definição de objetivos de preço e no processo de “realização de lucro”.
Para se desenhar uma linha de canal, em primeiro lugar, é necessário seguir os procedimentos descritos anteriormente para desenhar a linha de tendência (pontos 1 e 3, na Figura 4.6). Em seguida, desenha-se a linha de canal, que deve ser paralela à linha de tendência, passando pelo primeiro ponto proeminente que está entre os dois pontos utilizados para o desenho da linha de tendência (ponto 2). Se o movimento seguinte alcançar novamente a linha de canal e retroceder (ponto 4), então um canal pode existir. O terceiro toque dos preços na linha de canal confirma a validade da linha.
Figura 4.6 Linhas de Canal Fonte: Ilustração do autor.
Deve-se ressaltar que o corte da linha de retorno não pode ser utilizado como indicação de mudança de tendência. Somente a linha de tendência, que indica a direção principal dos preços, pode servir como orientação de tendência. Veremos o traçado de canais, novamente, mais adiante, quando falarmos de ondas de Elliott.
Corte da linha de tendência
Enquanto a linha de tendência não for cortada, devemos considerar que a tendência está intacta e deverá seguir o seu rumo. Mas, como sabemos, nada dura para sempre, principalmente nos mercados financeiros. Portanto, muita atenção à informação a seguir: quando os preços cortam a linha de tendência no sentido inverso à tendência dominante, um dos primeiros sinais de mudança de tendência está sendo dado pelo mercado. Um investidor atento deve interpretar esse sinal da mesma forma como um guarda florestal interpreta uma fumaça que vem do meio da floresta – onde há fumaça, há fogo! – esse sinal indica que o ímpeto da força dominante (compradora ou vendedora) está se esvaindo e é provável que uma mudança de tendência ocorra.
Os mercados agem como seres primitivos que repetem os mesmos padrões comportamentais do passado. Ao falarmos sobre a relevância do corte de uma linha de tendência para o mercado, devemos nos lembrar dos efeitos psicológicos por trás do breakout, pois algo semelhante estará ocorrendo. Nesse tipo de situação, os investidores experimentam sensações diferentes das que estão acostumados a vivenciar no cotidiano. Seja por motivo de euforia (ganho financeiro) ou dor (perda financeira), esse aumento de excitação dos investidores pode ser observado na ação do mercado (preço, volume e contratos em aberto). Esses sentimentos mistos ocorrem, com frequência, de forma abrupta, pegando boa parcela dos investidores desprevenida. Em um caso extremo, que pode ocorrer quando o investidor está perdendo dinheiro, aquela sensação de “ih, deu branco!”, que trava o processo de tomada de decisões, pode vir à tona. O investidor simplesmente fica travado e não toma atitude alguma, mesmo vendo o seu precioso capital ser reduzido consideravelmente, pois se recusa a acreditar no que seus olhos estão vendo.
Uma reversão de tendência nasce de um movimento terciário, o qual se amplia até adquirir a forma de um movimento primário. Acontece que, muitas vezes, os investidores ficam em dúvida, ou desconfiados, de um movimento de preços no sentido contrário à tendência e que leve a um corte da linha de tendência. Então, como ter certeza de que uma tendência realmente está sendo revertida? Para tentar resolver esse problema, os analistas técnicos utilizam filtros de tempo e de preço.
Quando o mercado realiza um movimento terciário, ele está sujeito a oscilações que podem enganar o investidor quanto à tendência futura dos preços. Uma ação pode operar durante boa parte do dia além da linha de tendência e retornar para próximo da linha no encerramento do pregão, fechando o dia em conformidade com a tendência. Para tanto, não devemos nos precipitar. Devemos, sim, confiar
primeiramente nos preços de fechamento, em vez de confiar nos preços intradiários. Esse é um dos princípios que Dow preconizava e que pode ajudar os investidores a não tomarem atitudes precipitadas.
“Regra dos 3%”
A “Regra dos 3%” é um filtro de preço. Por exemplo, quando o preço de uma ação cai, intercepta a linha de tendência de alta, de cima para baixo, e atinge o nível de 3% de variação para além da cotação de corte, é sinal de que haverá mudança na tendência. A faixa de 3% serve para margem de confirmação da mudança de tendência.
“Regra dos dois dias”
A “Regra dos dois dias” é um filtro de tempo. Se, na situação anterior, ainda que os preços não tenham variado mais de 3% do ponto de corte, mas permaneçam por dois ou mais dias abaixo da linha de tendência, então é sinal de que haverá mudança na tendência. Nesse caso, o sinal vem mais da falta de reação dos agentes financeiros do que propriamente da ação. Mais uma vez, o que acaba prevalecendo é o ditado “onde há fumaça, há fogo”.
A ação do mercado ainda nos fornece outra informação valiosa sobre a saúde de uma tendência. Se, por um lado, o volume negociado de uma ação expande quando os preços movem na direção da tendência e se contrai quando os preços se aproximam da linha, então a tendência é saudável e deverá seguir firme em sua direção dominante. Mas se, por outro lado, o volume negociado começa a aumentar quando a ação está ameaçando cortar a linha de tendência no sentido contrário à tendência vigente, então os compradores estão enfrentando uma força de venda maior do que a normal. Nessa situação, uma mudança na tendência é bastante provável.
Linhas de tendência internas
As linhas de tendência internas são, também, variações das linhas de tendência. A única diferença entre ambas é que as linhas internas não são, necessariamente, baseadas em dois pontos de topo ou de fundo proeminentes e bem espaçados no tempo. Mas, da mesma forma como ocorre com as linhas de tendência clássicas, o número de toques dos preços na linha exerce uma influência muito grande em termos de suporte e resistência. Para desenhar uma linha de tendência interna,
conecte o maior número de topos e fundos internos num gráfico, ou seja, que não ocorram necessariamente nos pontos mais proeminentes do mercado e estenda essa linha para frente.
Outro ponto merece ser ressaltado e aparece exemplificado com setas neste mesmo gráfico. De forma semelhante ao que ocorre com os níveis de suporte e resistência, a linha de tendência também pode inverter o seu papel, tornando-se suporte, quando cortada para cima, ou resistência, quando cortada para baixo.
De forma análoga, se estendermos um canal de alta para frente, possivelmente a linha de tendência e a linha de canal proporcionarão suporte ou resistência para os preços, dependendo da posição dos preços em relação às linhas. O gráfico seguinte ilustra esse conceito. Gráfico 4.1 Linhas de tendência internas
É preciso ressaltar que, para desenhar uma linha de tendência interna, o analista técnico precisa ter um bom olho para formas geométricas ou quebra-cabeças. As linhas de tendência internas constituem um bom exemplo de como a análise técnica se aproxima, às vezes, mais de uma arte do que de uma ciência.