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DE ESCOLAS DE MURÇA

2. Programa Mais Sucesso Escolar – Tipologia Turmamais

2.1. Linhas Gerais do Projeto

No país, o Projeto é desenvolvido em cerca de seis dezenas de escolas, sendo monitorizado pela Universidade de Évora. Tem ainda um conselho de Acompanhamento, com elementos da DGE, DGEstE, IGE, GAVE e dos Coordenadores Nacionais do Projeto – Teodolinda Cruz e José Alberto Fateixa, da Escola Secundária Rainha Santa Isabel de Estremoz.

Os Coordenadores Nacionais deslocam-se, pelo menos, uma vez por período à escola para fazer um acompanhamento do Projeto.

Com a TurmaMais há uma nova organização da escola: o Agru- pamento dá mais, os alunos têm de se esforçar e trabalhar mais, têm de assumir a responsabilidade de obterem melhores resultados. O Projeto é implementado apenas em algumas disciplinas, com especial atenção àquelas onde o insucesso é maior, pois o crédito horário não permite que sejam todas abrangidas.

Objetivo

O grande objetivo a alcançar é o de melhorar o desempenho esco- lar dos alunos que passem pelo Projeto TurmaMais. Este objetivo é tão válido para os alunos com dificuldades várias, como para os alunos com elevado rendimento escolar e com os quais, habitualmente, os docentes pouco podem avançar quando integrados em turmas hetero- géneas.

Existem metas quantitativas definidas, em termos de resultados, estando a continuidade do Projeto dependente da sua concretização. Logo, um dos objetivos a atingir é alcançar as metas definidas no Pro- jeto. As metas do Agrupamento de Escolas de Murça apresentam-se no Quadro 1, comparando-se com os resultados alcançados.

Quadro 1 – Metas do projeto TurmaMais

Ano letivo Anos interven-cionados Meta definida Resultado Alcan-çado

2009/2010 5º 7º 94,9 88,7 98,00 91,0 2010/2011 6º 8º 96,6 92,47 100 100 2011/2012 7º 9º 93,6 94,98 96,3 95,74 2012/2013 8º 9º 97,5 97,1

Ainda que o aumento do rendimento escolar seja uma meta clara a atingir, não esquecemos que este Projeto poderá também proporcio- nar um aumento de integração socioescolar e de autoestima por parte daqueles que se veem remetidos para posições de ‘inferioridade’ nos resultados escolares normalmente obtidos.

Organização da TurmaMais

Este Projeto prevê a criação de uma turma sem alunos fixos, de frequência temporária, que agregue elementos com algumas caracte- rísticas comuns, constituída até um máximo de 10 alunos, provenien- tes ou não da mesma turma de origem. Com cada grupo de trabalho deverão ser desenvolvidas atividades que permitam a melhoria das prestações académicas dos alunos.

Aos docentes que lecionam as turmas, por proposta do Coorde- nador da TurmaMais, compete trabalhar com os diferentes grupos de alunos agregados por algumas características relativamente semelhan- tes.

Salienta-se que, tendo em conta as experiências ocorridas noutras escolas, não é muito importante, em muitos casos, o número de alunos que cada grupo de trabalho pode ter. O que é verdadeiramente impor- tante é que os mesmos tragam características de trabalho e de expeta- tivas algo semelhantes.

Cada grupo específico de alunos, durante o tempo em que inte- grar o Projeto TurmaMais, continua a trabalhar os conteúdos progra- máticos que a sua turma de origem está a desenvolver, beneficiando de um apoio individualizado dado que se encontra integrado num grupo de trabalho que apresenta alguma homogeneidade e não vê aumentada a sua carga horária semanal.

A constituição dos grupos de alunos poderá ser feita de modo a integrar alunos provenientes de diferentes turmas. Esses alunos, tem- porariamente, ficarão sujeitos a um novo horário. Finda a sua perma- nência no Projeto retomarão o horário da sua turma de origem. É necessário construir o horário com os alunos que integram a Turma- Mais, nas disciplinas intervencionadas, que seja coincidente nas diver- sas turmas do ano de escolaridade em que ele está a ser implementado, pois continuarão a ter algumas disciplinas nas turmas de origem, como mostra o Quadro 2.

Quadro 2 – Mancha da TurmaMais no 9.º ano de escolaridade (9.º TurmaMais)

Horário Segunda Terça Quarta Quinta Sexta 8.30 9.15 10.20 11.05 12.00 12.45 13.45 14.30

Após a formação dos grupos, o Coordenador da equipa de traba- lho do Projeto informa, através de uma informação escrita, os Encar- regados de Educação de que os seus educandos se integram nos gru- pos referidos. Esta informação, que deve enunciar os critérios, deve ser tornada pública, por exemplo no portal do Agrupamento, e ser dada a conhecer aos professores que lecionam nas turmas de origem e na TurmaMais. Os Diretores de Turma recebem e arquivam a tomada de conhecimento por parte dos PEE.

No decorrer do trabalho com um determinado grupo é perfeita- mente possível, e às vezes até desejável, proceder a reajustamentos de participantes na TurmaMais, de forma a que esta turma e as turmas de origem funcionem ainda melhor.

Tem relevância para o bom funcionamento da TurmaMais que o professor de cada disciplina lecione a totalidade das turmas do ano. Devido à organização dos horários, nem sempre é possível atingir este objetivo. Nos casos em que o professor é diferente haverá um trabalho cooperativo com o docente da turma de origem, para que não haja des- fasamento na análise dos conteúdos. Esta situação acontece necessa- riamente com os professores das disciplinas com maior carga horária semanal, designadamente com Português e Matemática, pois a carga horária que um professor tem de lecionar a quatro turmas (20 tempos letivos) é maior que a carga horária das disciplinas da TurmaMais.

Todos os instrumentos de avaliação devem ser aplicados, corrigi- dos e entregues em função do calendário da TurmaMais. Os elementos de avaliação solicitados aos docentes serão sempre de natureza quanti- tativa. Aos pais e encarregados de educação interessa saber exatamen- te quais as dificuldades do seu educando, onde ele deve atuar com maior atenção (aqui torna-se importante atender à objetivação dos elementos de avaliação no domínio do saber-ser).

A informação aos alunos e respetivos pais e encarregados de edu- cação é feita nas reuniões intercalares dos 1.º e 2.º períodos letivos e aquando da avaliação sumativa de cada um dos períodos.

O coordenador da TurmaMais

Ao Coordenador da TurmaMais, em articulação com cada Diretor de Turma, cabe motivar os alunos e os encarregados de educação para que a frequência do Projeto seja vista como uma vantagem e um privi- légio. Para tal, terá de informar sempre cada grupo de alunos que pas- sa pelo Projeto, dos objetivos da sua passagem pela turma, motivando- --os para a realização de um trabalho de maior qualidade com vista à obtenção de melhores resultados escolares.

Conjuntamente com os Diretores de Turma, deve o Coordenador proceder a reuniões intercalares de avaliação do desempe- nho/comportamento de cada grupo. Deverá ainda ter uma total dispo- nibilidade durante o decorrer das reuniões de avaliação de final de período para analisar os resultados obtidos pelos alunos, reorganizar as

as propostas de frequência do próximo grupo e motivar os professores para o trabalho a desempenhar com os alunos que formarão a nova turma. O Quadro 3 exemplifica o calendário seguido na alternância dos grupos-TurmaMais.

Quadro 3 – Calendário de frequência dos grupos da TurmaMais

Período de tempo Grupos de alunos

Primeira semana de aulas Nenhum grupo frequenta Primeira metade do 1º período Alunos nível 5

Segunda metade do 1º período Alunos repetentes e com níveis 2 Primeira metade do 2º período Alunos nível 4

Segunda metade do 2º período Alunos nível 3 3º período Alunos em risco de retenção O Coordenador do Projeto TurmaMais, em colaboração com cada Diretor de Turma, deverá ser o ‘rosto visível’ da harmonização de todos os procedimentos que levem ao sucesso de um número cada vez maior de alunos.

Algumas ideias a ter em conta na operacionalização do projeto É necessária a realização de, pelo menos, uma avaliação formal durante o período de frequência do Projeto. Durante as semanas de frequência da TurmaMais deve haver avaliação formal nas turmas de origem e na TurmaMais. A entrega dos resultados da avaliação deve ser feita antes de ocorrer a rotação de grupos. Nas reuniões intercala- res os professores têm de ter elementos de avaliação quantitativos; logo, os testes e trabalhos têm de estar então corrigidos quer na turma de origem, quer na TurmaMais.

No final do período letivo são os professores da turma de origem que estão presentes na reunião de avaliação (previamente tem de haver troca de informação entre o professor da TurmaMais e o da turma de origem, caso não seja o mesmo). É importante que haja uma forte arti- culação entre os docentes da turma de origem e da TurmaMais.

Os alunos com NEE de caráter permanente ficam sempre na tur- ma de origem, para não criar instabilidade nesses alunos.

O primeiro grupo de alunos é selecionado com base nas avalia- ções do ano letivo anterior. Nos restantes grupos será tida em conta a avaliação realizada pelo conselho de turma, quer seja intercalar, quer seja de final de período letivo.

Existe um livro de ponto específico para a TurmaMais. Na mudança de grupo é colocada a lista de alunos no livro de ponto e avi- sados os alunos e respetivos encarregados de educação. Os alunos mantêm os números da turma de origem. As faltas são marcadas de igual forma, acrescentando-se apenas a letra correspondente à turma de origem do aluno (Ex.: A12; B2). As faltas são lançadas no progra- ma informático no horário da turma de origem.

Não pode haver avaliação diferenciada entre a TurmaMais e a turma de origem. O nível de dificuldade dos elementos de avaliação tem de ser semelhante. Não existem condições especiais de avaliação nos alunos que vão para a TurmaMais. Os testes até podem ser os mesmos, desde que sejam realizados em simultâneo.