- Honeste procedere, neminem laedere - In dubio pro reu
- Ipsis verbis
- Melior est conditio possidentis - O tempora! O mores!
- Persona non grata - Solve et repete
- Summum jus, summa injuria - Verba volant, scripta manen - Vox populi
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Considerações finais
Que não há nada de novo debaixo do sol, foi uma ideia trazida no início deste trabalho e repetida agora no fim. Na verdade, tudo isto começou com a ideia de que os adágios e provérbios populares são filhos da tradição e daquele conhecimento acumulado por séculos, que nos transmite sabedoria.
De facto, começámos por ver que, ao analisar e estudar os provérbios, o Homem, que se julga novo na terra, que pensa que sabe tudo, no fundo não conhece nada, não descobre nada, não inventa nada.
Assim também esta conclusão, que não traz nenhuma novidade, nenhuma nova ideia, nenhum novo argumento que não tenha sido já escrito anteriormente. Tudo o que aqui se escrever se baseará no que já se escreveu.
Esse é, aliás, o propósito de todas as conclusões, fazer uma súmula do apresentado, mostrar os pontos fortes e mais importantes, para que sejam valorizados. Assim, devem nesta fase as conclusões ser repetidas, pois só as ideias especiais e de especial valor aqui têm lugar, não outros assuntos que não se conseguiram provar.
O objectivo desta tese, aliás, ao mesmo tempo que ambicioso, não deixava de ser claro: compreender se estão e como estão a ser utilizados provérbios nas decisões dos tribunais portugueses.
Como e quem, aliás, pois só faz sentido compreender o uso que se têm dado aos provérbios, se não se ignorar que os mesmos partem de quem tem a capacidade de decidir.
Só que nenhum trabalho começa pelo fim, embora no fim tenha estado outra parte, onde simplesmente se procedeu a uma análise pontual do conjunto paremiológico retirado da jurisprudência portuguesa.
Assim, primeiramente foi necessário fazer uma parte introdutória, para se explicar tudo aquilo que se achou por bem explicar. De facto, foi nessa primeira parte que se percebeu desde logo que a arte é a imagem de marca do homem e que é com essa Ars que o homem se tem reinventado, que tem sabido aprender, que tem sabido ser aquilo que é.
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Na verdade, isso é de tal modo importante na história da humanidade, que tudo o que ao homem diz respeito está impregnado dessa característica única que é o pensamento artístico, que é a criação cultural.
Sucede que entre as várias formas de arte, há uma que se destaca e que foi destacada em momento oportuno. Essa forma de arte, responde pelo nome de provérbios.
De facto, não é possível ignorar que as expressões populares, tomem elas os nomes que tomarem, são autênticas escolas de sabedoria, verdadeiros agentes formadores da humanidade. Sucede que importância das expressões paremiológicas reside no facto de serem geneticamente populares.
De facto, vimos que não é pelo facto de ser conhecido o autor de determinada frase que temos hoje como proverbial, que ela deixa de perder essa condição, pois a autoridade não lhe reside no autor, reside na ideia por detrás da construção.
Assim, um provérbio é aquilo que é, aquela expressão que todos conhecemos, aquele «dito alegórico e curto, de composição culta, que obriga a pensar demoradamente».
Explicado, pois, o que era um provérbio, vimos como os mesmos têm vindo a ser estudados por diversos ângulos, numa multidisciplinariedade inegável, tão rica quanto diferente são as áreas que a compõem.
Só que um provérbio, forma nobre de expressão popular, está longe de ser apenas isso, porque é tudo e muito mais. Na realidade, importa frisar como estes são importantes para toda a vida social, como educam, como ensinam, como estão enraizados em todas as áreas da vida social e em todas as culturas humanas, tal como o Direito.
Vimos, também, como têm diversas funções, sendo usados para criticar, para elogiar, para aconselhar, para tudo o que se queira e para querer em tudo se usar. Assim, as expressões populares surgem muitas vezes como remate, para sublinhar e realçar uma ideia, para dar uma conclusão ao exposto e fundamentar o antes dito.
São irónicos, sábios, por vezes cínicos, importantes para a educação, para a formação, para a capacidade de escutar e ouvir o outro, para
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demonstrar sentimentos e afectos, para explicar modos de vida e comportamentos sociais.
Sucede que são cada vez mais importantes para as áreas jurídicas, para o seu estudo, para a sua aplicação, para a sua promoção, partilhando características próprias que importa sublinhar.
Na verdade, os provérbios são fontes que nenhum historiador das áreas jurídicas pode ignorar, tal como fontes são os contos populares, comuns à própria paremiologia, pois destes se retiram também expressões populares.
Por outro lado, tal como no Direito há exercícios de Paremiologia Comparada que são necessários fazer, para compreender a cultura de outros povos, seja jurídica ou social.
Têm, Direito e provérbios, legisperito e paremiólogo, muito mais em comum, do que o que à primeira vista se detecta. Na realidade, mais importante do que partilharem fontes ou exercícios académicos, os provérbios compartilham com o Direito a sua própria estrutura.
De facto, convém repetir a ideia de que as normas jurídicas são provérbios eruditos, pois todo o provérbio é composto por previsão e estatuição, todo ele é também dotado de generalidade e abstracção.
Vistas essas características comuns às duas áreas, passámos ao cerne da questão, o centro da tese que se procura defender. Partindo sempre de decisões judicias dos tribunais superiores portugueses, vimos como estes têm usado provérbios com os mais diferentes objectivos e nas mais diversas áreas jurídicas.
Por vezes são trazidos pelas partes, outras pelas testemunhas, muitas vezes pelos juízes, para fundamentar a opinião que se forma ou como comentário glosado em notas de rodapé. A sua utilização tem sido pois diversa, sendo usados para criticar, para desabafar, para elogiar, para tudo aquilo que servem, que é ajudarem a formar o pensamento, a meditar no que foi dito, a concluir o que se quer.
Assim, vimos como os provérbios, quando utilizados pelos nossos magistrados, são-no de muitos e diferentes modos. Por vezes, o que motiva certas respostas é a utilização de uma expressão popular por parte da parte, sendo que o julgador não só não a ignora, como a procura rebater. Nessas
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ocasiões, torna-se fácil antecipar a decisão do colectivo, que acaba sempre por tomar aquilo que o provérbio pré-anuncia.
Isto é, não só os provérbios têm aparecido como conclusão do pensamento jurídico do julgador, como aparecem as conclusões deste, a partir de provérbios que no princípio se enunciam.
De facto, muitas vezes nos deparámos com texto paremiológico surgido em jeito de remate das ideias atrás expostas, como conclusão e óbvia fatalidade. Tal acontece porque estas frases, em geral conhecidas de quem é alheio à linguagem jurídica, são colocadas para apoiar e defender certos aspectos, que de alguma forma se acham importantes sublinhar.
Assim, se por vezes a expressão surge como mero recurso estilístico, noutras é utilizada na própria decisão que se toma. Efectivamente, os provérbios podem aparecer nas decisões judiciais com diferentes funções e dos mais diversos modos, consoante a necessidade que o julgador tem de os utilizar
Porque, mais do que testemunhos ou argumentos das partes, resulta dos próprios magistrados a utilização de adágios e ditos populares. De facto, os juízes dos tribunais, sobretudo superiores, ao utilizar os provérbios chegam a trabalhá-los, a construir novas expressões, a moldar o que já se conhece para além das frases sabidas.
Para além disso, os juízes utilizam expressões populares retiradas de outras decisões judiciais, não se limitam a utilizar os argumentos jurídicos presentes nos excertos. De facto, os magistrados procuram manter o próprio provérbio, que passa assim a fazer parte integrante do raciocínio jurídico português.
Só que o fenómeno ultrapassa o atrás dito, uma vez que os julgadores chegam a acrescentar provérbios aos textos jurisdicionais e doutrinários que citam, fazendo aumentar assim a importância da temática paremiológica.
Na verdade, as expressões populares não se limitam a ser trazidas pelos juízes, antes são trabalhadas nos próprios acórdãos. Assim, a abundante utilização de provérbios em decisões jurisdicionais, é indicador de uma realidade que contagiou já os corredores e barras dos tribunais, não se limitando a ser caso isolado e irrepetível.
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Por outro lado, vimos também como os provérbios, que têm só por si um significado próprio, têm vindo a ser utilizados nos mais diversos contextos, de tal forma que implica muitas vezes uma interpretação diferente da original.
Comum a muitos deles, está uma ideia de justiça, que até os mais polémicos não deixam de ter. Na realidade, sempre que a utilização de um provérbio procura justificar actuações e comportamentos passíveis de censura, perde o seu verdadeiro significa, pois se resulta da vontade popular certa expressão, esta nunca poderá ir contra o que à regulação da vida social diz respeito.
Em simultâneo com esta ideia de justiça, não deixa de ser importante verificar que muitos provérbios coincidem com princípios jurídicos. Isso mesmo é entendido pela nossa própria jurisprudência, na medida em que, desde as Relações, até ao Supremo, há princípios jurídicos que são explicados, analisados e trabalhados através de provérbios.
Efectivamente, os provérbios constituem ainda e sempre uma forma de entender os preceitos que ao Direito são mais caros, que lhe mais importam, aos quais mais respeitam.
Daqui se chega a um dos mais importantes pontos deste trabalho, que é o de defender o uso de provérbios e expressões populares para o ensino do próprio Direito.
Efectivamente, a utilização de adágios e aforismos no ensino constitui uma mais-valia que deve ser incentivada, pois é possível, sem ceder nunca no seu conteúdo, formar os formandos nas artes jurídicas, ao invés de os formatar em ciências legais.
Com a utilização dos provérbios e com a sua sabedoria multidisciplinar, é possível formar o próprio Homem; e sendo certo que ubi homo, ibi societas, então formando o homem, se forma a sociedade, se forma o Direito de hoje e os juristas de amanhã.
A paremiologia é, assim, uma ferramenta importantíssima no que à compreensão dos princípios jurídicos diz respeito e até à interpretação, pois não nos esqueçamos que interpretar continua a ser trabalho do jurista, tal como o é do paremiólogo.
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princípios jurídicos, constitui uma realidade inegável, estando em causa nessas ocasiões aquilo que intitula esta tese, aquilo que é verdadeiramente a legisperitagem da paremiologia.
É pois um caminho de riqueza mútua que une provérbios e Direito e só através da utilização frequente daqueles, é possível chegar verdadeiramente cidadão comum, alvo e beneficiário da Justiça.
Possa, pois, este trabalho servir para aquilo que se propôs e ter dado a conhecer realidades que se operam hoje nos nossos tribunais. Ao mesmo tempo, espero que tenha servido para agitar consciências, para valorizar o valorizável e promover o estudo, o trabalho, o pensamento, a reflexão.
Para isso nos ajudem os provérbios, as expressões populares, a sabedoria antiga que só a chave da tradição nos permite alcançar, certos que temos um longo caminho pela frente, que outros já tomaram e que iremos concluir.
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