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LIVES NA REDE SOCIAL INSTAGRAM: CONECTANDO O PÚBLICO COM AS AUTORIAS NEGRAS E COM A REFLEXÃO SOBRE A

MEMÓRIA E PRESENÇA VIVA DE AUTORIAS NEGRAS Contribuições para a ERER e para centralização

LIVES NA REDE SOCIAL INSTAGRAM: CONECTANDO O PÚBLICO COM AS AUTORIAS NEGRAS E COM A REFLEXÃO SOBRE A

PRODUÇÃO E O ENSINO DA ARTE

Sendo o Instagram uma das redes sociais mais utilizadas nos últi-mos tempos, sobretudo pelo público mais jovem, foi ela a rede social escolhida para a realização de Lives quinzenalmente. No quadro a seguir é possível encontrar alguns exemplos da programação:

QUADRO 1: Lives do Projeto: Memória e Presença Viva de Autorias Negras

Tema/data da Live Síntese da Divulgação Mediadoras(es) Vida e obra de

A ciência, as universidades e as escolas desconhecem e, em muitos casos, negam e desqualificam a produção das/os intelectuais negras e negros para a construção do conhecimento.

A conversa vai abordar representação e

representatividade de negras e negros, as visualidades, ensino de arte, autorias negras e educação das relações étnico-raciais.

Vanessa Marinho Everson Melquiades Elizama Messias

Tema/data da Live Síntese da Divulgação Mediadoras(es) Narrativas sobre

negritude nos museus brasileiros 29/08/2020

Quem nunca ouviu a expressão

“isto é coisa de museu”? Você já parou para pensar sobre estes locais? Qual o papel destas instituições em nossa sociedade?

Como negras e negros geralmente são representados nos museus brasileiros?

Uma pergunta que não quer calar: Quantos textos escritos por mulheres negras você já leu ao longo da sua vida? Então estes são alguns motivos para você participar da nossa live.

Élida Santana Elizama Messias

FONTE: Autoria própria.

Ao todo foram realizadas 07 lives que abordaram a vida e obra da autoria do mês chamando atenção para a programação que se ini-ciava, ou destacando aspectos da relação entre Arte e relações raciais no Brasil com a participação de artistas e arte-educadoras(es). Esta programação se constituiu como um espaço de encontro, de troca de saberes e de construção de conhecimentos.

Como é possível observar no quadro acima, os textos elaborados como legenda para os convites das lives procuraram instigar a curio-sidade do público sobre o tema tratado, além de fornecer algumas informações introdutórias, colaborando com o debate e reflexão.

Um momento marcante foi a primeira live do mês de agosto na qual a homenageada foi Inaldete Pinheiro, escritora, pesquisadora do campo da saúde da população negra e uma das fundadoras do Movimento Negro no estado de Pernambuco. A atividade contou com a mediação da Profa. Dra. Maria da Conceição dos Reis que teve a satisfação de entrevistar a própria Inaldete Pinheiro, destacando momentos significativos da sua produção literária e da sua militância.

Em setembro foi o momento de o LABERER estreitar sua parceria com o GEPERGES/UFRPE, através da mediação da live sobre o pen-samento de Lélia Gonzalez, que ainda contou com a participação da Mestra Élida Santana, integrante deste grupo.

Estes são alguns exemplos das lives que versaram sobre as autorias negras, mas além destas foi importante conversar sobre o

campo das Artes Visuais em articulação com as questões étnico-ra-ciais, com destaque para a participação de artistas e arte-educado-res(as) falando sobre seus processos criativos e pedagógicos, desta-cando como estes elementos refletem sua identidade étnico-racial e como colaboram para discutir a temática com o público.

Com as atividades formativas abertas ao público em geral o LABERER pôde dar a sua contribuição para a discussão da temática das relações étnico-raciais em ambiente virtual; mesmo em um contexto tão difícil marcado por inúmeros desafios e situações por vezes deso-ladoras, o projeto Memória e Presença Viva de Autorias Negras pôde proporcionar um respiro através da arte e de discussões relevantes.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Tendo sido contemplado por um edital de Pesquisa e Criação Artística da Proexc/UFPE/2019, o Projeto Memória e Presença Viva de Autorias Negras desenvolve suas atividades em formato virtual ao longo do segundo semestre de 2020, através de oficinas, minicursos, lives e momentos de leituras e debates sobre algumas autorias contempla-das na exposição “Autoria Negra na Construção do Conhecimento”.

Além destas atividades de mediação, a coleção de telas foi ampliada com mais sete pinturas elaboradas pelo artista convidado Fernan- do Nascimento.

As ações desenvolvidas em parceria com a Biblioteca Setorial do Centro de Educação foram planejadas e realizadas pela comissão executiva do projeto, contando para isto com momentos de estudos e planejamento. Durante sete meses foi possível ressignificar nossas práticas se adaptando ao formato virtual com o objetivo de dar conti-nuidade às ações de promoção das autorias negras.

Neste sentido, muitos conhecimentos foram construídos; amplia-mos nossas parcerias e qualificaamplia-mos nossas intervenções nos ambien-tes virtuais. Neste percurso o subsídio proporcionado pelo edital de pesquisa e criação artística da ProexC/UFPE foi substancial para que conseguíssemos concretizar as ações e objetivos do projeto.

A despeito das dificuldades iniciais consideramos que a realiza-ção do projeto em ambiente virtual proporcionou uma ampliarealiza-ção do público que contou com pessoas de fora do estado de Pernambuco, tanto na condição de ouvinte como na condição de palestrante, for-talecendo parcerias e trocas de conhecimentos.

Os artefatos artísticos publicados nas redes sociais e os eventos produzidos foram fruto de um processo coletivo de construção, colo-cando estudantes em posição de protagonismo na mediação, elabo-ração, organização e escrita de textos, relatórios, releases e outros gêneros textuais. No processo de construção destes produtos havia uma preocupação com o que cada imagem iria expressar para o público, entendendo a importância destas para a valorização das identidades negras.

Com as ações realizadas foi possível contribuir para a visibilidade das autorias negras da coleção, ao mesmo tempo em que estudan-tes da Graduação, da Pós-Graduação, membros do LABERER e convi-dados(as) também desenvolviam seus processos autorais enquanto mediadores(as) de debates, facilitadores(as) de oficinas, produto-res(as) de textos, fotógrafos(as), socializadoproduto-res(as) de pesquisa e de experiências, produtores(as) de eventos virtuais, elaboradores(as) de cards e de artes para divulgar as ações.

Ou seja, ao trabalhar as autorias negras também constituímos nossos processos autorais e contribuímos para centralizar nossas histórias, memórias e identidades, promovendo a educação para as relações étnico-raciais.

REFERÊNCIAS

ASANTE, Molefi Kete. Afrocentricidade: notas sobre uma posição disciplinar. In: NASCIMENTO, E. L. (Org.). Afrocentricidade: uma abordagem epistemológica inovadora. São Paulo: Selo Negro, 2009. p. 93-110.

CARVALHO, José Jorge de. As Ações Afirmativas como resposta ao Racismo Acadêmico e seu impacto nas Ciências Sociais Brasileiras. p. 303-340. 2003. Disponível em: https://bit.

ly/3owpHJm. Acesso em: 01 dez. 2020.

MAZAMA, Ama. A afrocentricidade como um paradigma. In:

NASCIMENTO, E. L. (Org.). Afrocentricidade: uma aborda-gem epistemológica inovadora. São Paulo: Selo Negro, 2009. p.

111-128.

Adilson dos Ramos

Amanda Carla Ganimo do Nascimento