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5 NO BRASIL LOBBY

5.3 Lobby do álcool e tabaco no Congresso Nacional

Atualmente é possível se verificar claramente a atuação de forças, grupos de interesse e pressão utilizando a pratica do Lobby nestes dois Assuntos no Congresso Nacional.

Com as propostas de restringir o consumo do tabaco são menos numerosas que as do álcool. Parte da explicação para isso são as restrições já impostas, principalmente as relativas à propaganda.152

Mesmo com espaço para mais restrições, as últimas medidas adotadas para limitar a venda e a publicidade do tabaco são apontadas como referência para aumentar o controle para o álcool. “A regulamentação frouxa sobre a publicidade fez subir a utilização de álcool nos últimos anos, enquanto que o cigarro, com regulamentação rígida, teve o consumo reduzido”, essa observação foi feita pelo senador Eduardo Suplicy.153

O presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), José Luiz Gomes do Amaral, reconhece que o “o lobby da indústria do fumo é muito forte e o do álcool é ainda mais”. Da mesma forma, Eduardo Suplicy destaca as dificuldades encontradas pelo Congresso para votar a proibição de propaganda do cigarro e do álcool nos meios de comunicação.

Faz parte desse lobby pela legalização, o argumento de que o álcool e o tabaco, não obstante causarem dependência e transtornos físicos e mentais tem seu consumo legalizado.154

Rodrigo Couto155 preocupado com a aprovação do Projeto de Lei nº 315/08, do senador Tião Viana (PT-AC), que proíbe o ato de fumar em ambiente fechado, público e privado, e exclui a possibilidade de criação de fumódromos; a indústria do tabaco tem feito um intenso corpo a corpo nos gabinetes dos senadores pela rejeição da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Os fabricantes de cigarros trabalham pela aprovação da Proposta 316/08, de autoria do senador Romero Jucá (PMDB-RR), que veda o fumo em recintos coletivos, porém, abre uma exceção à prática em varandas, calçadas, terraços e balcões externos.

152 SENADO FEDERAL. Subcomissão do Senado debate maior controle do álcool e do cigarro. Disponível em: http://www.senado.gov.br/noticias/Jornal/emdiscussao/dependencia-quimica/mundo-e- as-drogas/subcomissao-do-senado-debate-maior-controle-do-alcool-e-do-cigarro.aspx. Acesso em: 19 junho 2015.

153 Ibidem.

154 AZEVEDO, Reinaldo. Revista Veja on line. Um manifesto contra a legalização das drogas no Brasil; se concordar, assine. 24/06/2014 às 16:54. Disponível em: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/osmar-terra/. Acesso em: 20 junho 2015.

155 COUTO, Rodrigo. Lobby da indústria do cigarro emperra votação de lei que restringe o fumo. 17-

12-2009. Disponível em: http://www.uniad.org.br/interatividade/noticias/item/2563-lobby-da-

ind%C3%BAstria-do-cigarro-emperra-vota%C3%A7%C3%A3o-de-lei-que-restringe-o-fumo. Acesso em: 29 maio 2015.

Favorável ao projeto de Viana, o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (Inca) argumenta que a proposta do petista está de acordo com as diretrizes da Convenção Quadro da Organização Mundial de Saúde (OMS) para Controle do Tabaco e com as evidências científicas que mostram que não existe nenhum sistema de ventilação capaz de diminuir exposição e riscos da fumaça do tabaco. “Somado a isso, estudos nacionais e internacionais mostram que os fumantes passivos têm risco 23% maior de desenvolverem doença cardiovascular e 30% mais chances de ter câncer de pulmão”, observa a coordenadora do Programa Nacional de Controle do Tabagismo do Inca/Ministério da Saúde, Tânia Cavalcante.

Amparada em pesquisa nacional, segundo a qual 80% dos brasileiros apoiavam o projeto que proibia o fumo em todos os ambientes coletivos e fechados no estado de São Paulo, a coordenadora do Inca lembra que a aprovação do Projeto 315 pode salvar a vida de 2.655 não fumantes que morrem a cada ano no país em decorrência do fumo passivo. “A proposta do senador Romero Jucá é um retrocesso, pois contraria a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), segundo a qual permitir fumar em varandas e terraços sem definir que esses espaços sejam exclusivamente para esse fim, abre possibilidade dos garçons circularem nesses ambientes para atenderem os consumidores”.

Mais enfática a senadora Heloísa Helena156 (PT-AL) elogiou, o artigo do jornal Correio Braziliense (25-01-2015), a "coragem" de sua edição da última do dia (24-01-2015) uma foto sob o título "O cigarro matou este homem", exibindo a agonia de um doente terminal de câncer provocado pelo tabagismo. A parlamentar criticou, por outro lado, o "lobby poderoso que atrasa a tramitação de projetos importantes contra drogas socialmente aceitas e criminosamente estimuladas, como o fumo e o álcool".

A senadora Heloisa Helena afirmou que são do conhecimento geral os males provocados pelo consumo de fumo e álcool e destacou que é lamentável o volume de gastos públicos com o tratamento das doenças que essas drogas provocam. Ela fez um apelo às lideranças partidárias no Senado no sentido de que "confiram à tramitação dos projetos que tratam da publicidade dessas drogas o

156 SENADO. Heloisa critica Lobby que atrasa leis contra fumo e álcool. Disponível em: http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/1999/06/25/heloisa-critica-lobby-que-atrasa-leis-contra- fumo-e-alcool. Acesso em: 31 maio 2015.

mesmo regime de urgência que acaba de ser concedido à tramitação do projeto da Rádio Beija-Flor" - referindo-se a projeto que outorga concessão à Rádio Beija-Flor para exploração de serviços de radiodifusão no Amapá.157

Os clientes são prejudicados com o lobby?

Muitas vezes os clientes são prejudicados pela atividade de lobby porque as empresas buscam apenas satisfazer seus interesses.

Têm-se alguns exemplos em nosso cotidiano que exemplifica essa atividade. Quando estava em votação da Lei Antefruo em locais fechados, as empresas produtoras de tabaco e os proprietários de bares e restaurantes buscaram mostrar ao Governo como essa lei poderia afetar seu negócio, considerando que poderia haver uma redução no faturamento e consequentemente na arrecadação de impostos. Mas nesse caso os argumentos não foram levados tanto em consideração e a lei foi aprovada.

Outro exemplo são empresas do ramo automobilístico que não investe no desenvolvimento de carros elétricos ou híbrido devido pressão de empresas petrolíferas. Os poucos que chegaram ao mercado são absurdamente caros, ou seja, não há um incentivo para esse tipo de produto. Nesse caso, houve e ainda há pressão, ou seja, lobby.

Um último exemplo é a questão da agricultura orgânica que sofreu pressão das indústrias fabricantes dos produtos químicos, os “cidas” – inseticidas fungicidas e herbicidas, que conseguem matar insetos, fungos e ervas daninhas nas plantações.

Baseado nestas citações acima discorrerá no próximo item a Proposta e justificativa da possibilidade da Regulamentação.

157 SENADO. Heloisa critica Lobby que atrasa leis contra fumo e álcool. Disponível em: http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/1999/06/25/heloisa-critica-lobby-que-atrasa-leis-contra- fumo-e-alcool. Acesso em: 31 maio 2015.