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Locais Citadinos Actividades Profissionais

No documento A vereação da cidade do Porto : 1512/1514 (páginas 191-196)

Rua dos Coronheiros

Rua da Souto dos Ferreiros

Rua do Souto dos Palames

Dos Palames até trás do Souto

Coronheiro

Espadeiro

Caldeireiro

Sapateiro

Da Rua Chã até Cruz do Souto Sapateiro

Rua da Bainharia Serralheiro

Rua da Bainham Cuteterro

Rua da Reboleira

Rua da Reboleira

Rua de São Miguel contra a [ Alfaiate Porta do Olival

Porta do Olival

Rua de São Miguei da parte de Caiceteiro baixa

João Gonçalves da Cancela

Rua de Belmonte Surrador

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Identificação

locais Citadinos

Actividades Profissionais

Identificação

locais Citadinos

Fernão Eanes São Nicolau Ferreiro

Madrigal Rua de Cima de Vila Tecelão

Rua Chã Barbeiro que veio d^Arrifana

João Eanes Rua das. Eiras Sapateiro

Gonçalo Pires Rua da Fonte d'Urina Soqueiro

Pantaleão Fernandes Praça da Ribeira Sapateiro

Diogo Alvares Praça da Ribeira Barbeira

Rui Fernandes Rua dos Mercadores Cinteiro

Gonçalo Fernandes Rua dos Mercadores Cinteiro

Francisco Lopes Rua das Cangostas Sapateiro

João Álvares Rua das Cangostas Sapateiro

Francisco Álvares Rua das Aidas Alfaiate

Temos assim um total de vinte ruas distribuídas por vinte e quatro quadrilheiros, mínimo, pois não sabemos a quem ou a quantos foi entregue a patrulha da porta do

Substituiu João Dias que eslava de partida para a Ilha.

Olival. Note-se que grande parte dos quadrilheiros exercem actividades artesanais, mas nenhum desempenha funções na vereação, sendo todos mesteiraisJ .

Dos vinte e quatro quadrilheiros de 1512 seis eram sapateiros, dois alfaiates, dois barbeiros, dois cinteiros, um coronheiro, um espadeiro, um caldeireiro, um serralheiro, um cuteleiro, um calceteiro, um surrador, um ferreiro, um tecelão e um soqueiro 328. E de notar que, tal como D, Afonso IV determinara, encontra-se no Livro de Vereações da cidade do Porto a lista dos quadrilheiros nomeados no ano de 1512.

Só a partir de 1449 é que a protecção do burgo portuense foi reforçada pelos quadrilheiros. Até aí a referida manutenção da ordem pública era feita recorrendo ao alcaide pequeno e aos seus homens.

O alcaide pequeno subordinado à autoridade dos juizes, actuava sobretudo ao nível da prevenção e repressão de delitos329. Policiava, de dia e de noite , o burgo com a ajuda dos seus homens 33° e assumia funções de coacção sempre que necessário fosse331. Todas as noites, antes de mais uma ronda nocturna, o alcaide reunia os " homens jurados " em sua casa, onde recebiam instruções a adoptar durante a noite até ao romper

do dia332.

Ruas e praças da cidade eram vigiadas pelo alcaide e pelos seus homens. Tanto

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os " homens jurados " como o alcaide utilizavam armas nas suas rondas e eram remunerados pelos serviços prestados 334. Policiavam também as praças e os açougues para evitar roubos e usurpações 335. O alcaide, no policiamento nocturno devia ser

327 O termo mesteiral refere-se a todos os trabalhadores dor oftrios mecânicos de artesanato ou da indústria, mas na Idade Média abrangia também argons pequenos comerciantes, como almocreves, regatõese carniceiros, certos trabalhadores rurais como os almoinheiros, e até os pescadores ( MARQUES, A. H. Oliveira -A Sociedade Medieval Portuguesa..., p. 147 ).

328 Do total de efectivos desconhecemos as actividades profissionais exercidas pelos dois quadrilheiros que policiavam a rua da Reboleira ( AH.M.P., I/v. Ver., 8, fols. 125 v-126 v. ).

329 CAETANO, Marcello - História do Direito Português, I - Fontes - Direito Público ( 1140-1495 ) , Lisboa - S. Paulo, 1981, p. 497.

330 Os homens do alcaide eram conhecidos por " homens jurados ", uma vez que prestavam juramento na Câmara antes de iniciarem funções ( RODRIGUES, Maria Teresa Campos - o. c, p. 44 ).

331 No dia 3 de Julho de 1512, os oficiais concelhios socorreram-se do alcaide da cidade para constranger os carniceiros a pagarem as multas a que tinham incorrido ( AH.M.P., Z/v. Ver., 8, foi. 4 ).

332 Ordenações Afonsinas, Livro I, Título XXX, p. 191.

333 MORENO, Humberto Baquero - o. c, pp. 180-181; RODRIGUES, Maria Teresa Campos - o. c, p. 44.

334 RODRIGUES, Maria Teresa Campos - o. c, p. 44.

Ordenações Afonsinas, Livro I, Título XXX, p.193.

335

acompanhado por um escrivão ou, na sua falta, um tabelião j36 de forma a ficar registado " tudo o que pertencesse à alcaidaria "337.

Se durante o policiamento nocturno encontravam alguém " a deshoras depois do sino tangido três vezes " 338 levavam-no preso, apreendiam as suas armas e no dia seguinte era apresentado aos juizes. Nem todos os que andavam nas ruas após o toque do sino eram advertidos pelo alcaide ou pelos seus homens. As excepções eram todos aqueles " que andam pêra guardar seus navios ou vêem (...) pêra suas casas ou saem das barcas de riba de Doiro e vêem pêra suas pousadas ou se trouxerem candeia ou lume ou lanterna"339.

O alcaide pequeno era eleito por três anos. Terminado o seu mandato poderia voltar a exercer o cargo por mais um triénio 340. A nomeação do alcaide pequeno dependia do alcaide-mor, embora com o acordo dos oficiais da Câmara 4.

Se o alcaide pequeno era escolhido pelo alcaide-mor, as informações que dispomos levam-nos a afirmar que era o alcaide pequeno que escolhia os seus homens.

Na sessão de 11 de Agosto de 1512, na presença do juiz e dos vereadores,

"Ayres Pereira alcaide pequeno em a dieta cidade lhes apresentou por homem d'alcaidaria Gonçallo Diaz de Braga português " 342. De imediato " pellos dictos

oficiaais lhe foy dado juramento dos Santos Avangelhos que bem e verdadeiramente usse e obre do dicto carrego de homem da alcaidarya guardando em todo as partes sua justiça "343.

Por vezes o alcaide pequeno era obrigado a ausentar-se da cidade no cumprimento das funções inerentes à sua actividade. Pelo menos foi esse o argumento apresentado por Aires Pereira, alcaide, na vereação de 23 de Novembro de 1513. Assim, na presença do juiz, vereadores e procurador disse " que porquanto elle hy as vezes fora

da cidade fazer alguãs diligencias per bem de justiça e a dieta cidade ficava sem alcaide e se podia recrecer alguns desasesegos o que nam sera serviço de Deus nam d' El-Rey nosso senhor ..."344. Dada a possibilidade de se ausentar da cidade, continua o

336 CAETANO, Marcello - História do Direito Portugnêr..., p. 497. 337 RODRIGUES, Maria Teresa Campos - o. c, pp. 43-44.

338 BASTO, A. de Magalhães - Notas e comentários in «Vereaçoens ». Anos de 1390-1395..., p. 373.

BASTO, A de Magalhães - Notas e comentários in «Vereaçoens ». Anos de 1390-1395..., p. 374.

340 MORENO, Humberto Baquero - o. c., pp. 180-181. 341 Ordenações Afonsinas, Livro I, Título XXX, p. 194. 342 AH.M.R, L/v. Ver. 8, foi. 122 v.

343 A.H.M.R, L/v. Ver. 8, foi. 122 v. 344 AH.M.R, L/v. Ver. 8, fols. 168-168 v.

alcaide, pediu aos oficiais que "desem lugar ficar por elle Pêro Gonçalvez tabeliam da

dieta cidade que ja outra vezes tivera o dicto cargo ... " 345. Os oficiais concordaram com o pedido e ordenaram ao tabelião " que presente estava que servisse d' alcaide a

absencia e esto somente pêra a guarda da dieta cidade e arevaldes e asy pêra alguãs diligencias que comprirem per bem da justiça ..."

Como acabámos de ver a manutenção da ordem pública, preocupação da edilidade portuense, era feita pelo alcaide pequeno e seus homens - policiamento subordinado ao Estado - e pelos quadrilheiros - " policia municipal

Tomámos a responsabilidade de incluir neste ponto a criação do corpo de espingardeiros, embora saibamos não se tratar de uma força policial destinada ao patrulhamento urbano.

Com D. Manuel e D. Sebastião assistiu-se ao estabelecimento de espingardeiros e armeiros nas principais terras do Reino e Ultramar. Os espingardeiros, ainda segundo determinação régia seriam pagos a expensas dos concelhos

Esta decisão de D. Manuel é confirmada por dois alvarás régios inscritos no Livro de Vereações do ano de 1512, bem como pelo registo dos espingardeiros nomeados na cidade e termos pelo anadel-mor dos espingardeiros do Reino. Os dois alvarás datam respectivamente de 19 e 21 de Abril de 1512.

Pelo primeiro alvará, o rei dava a conhecer às autoridades concelhias portuenses que tinha delegado em Francisco Coelho, anadel-mor, autorização para fazer " em a

nossa cidade do Porto e seu termo numero e conto de cento e cinquenta espingardeiros "349. Adiantou ainda que o referido Francisco Coelho tomaria as devidas providências para que os espingardeiros, quer os já existentes, quer os novos, tivessem

"suas espingardas concertadas e aparelhadas com suas espadas e casquos e seram mancebos cassados e os que nam forem casados sejam tais que tenham fazemda na terra e que em todo o tempo que foram necessaros pêra noso serviço se posam avir e estar prestes per aquando os mandarem "

345 A.H.M.P., L/v. Ver. 8, foi. 168. 346 A.H.M.P., L/v. Ver. 8, foi. 168.

341 RODRIGUES, Maria Teresa Campos - o. c, p. 45.

348 ALMEIDA, Fortunato de - História das Instituições..., p. 100. 349 A.H.M.R. L/v. Ver. 8, fols. 100 v-101 v.

O monarca determinou que os espingardeiros fossem " escriptos no livro da

camará de cada huuã cidade e villa por o escripvam delia e asentara no dicto livro o nome e o oficio que cada huum tiver e se vive na villa se no termo

0 alvará régio termina com um pedido dirigido a todas as autoridades das cidades, vilas ou terras para que " leixem fazer ( os espingardeiros ) e lhe dem pêra ello

toda a ajuda e fervor "352.

No segundo alvará enviado a todos os lugares do Reino por onde Francisco Coelho passava, o rei determinou que " per homde quer que ello for e estever hades

pêra ello e os seos pousadas camas e estrebarias de graça e mantimentos e bestas e outras coussas que mester ouverpor seos direitos segumdo o estado da terra " ' . Todo

aquele que não acatasse estas determinações incorria numa pena de vinte cruzados, metade destinada aos cativos e a outra metade entregue ao denunciante.

No final do alvará é dito que este " valera da feitura de lie a oito meses primeiro

seguinte " 354, o que nos permite supor que o estabelecimento de espingardeiros no Reino exigia um prazo de oito meses para ser concretizado.

Após o registo dos dois alvarás, João Rodrigues, escrivão da Câmara, registou os nomes dos espingardeiros instituídos na cidade e nos seus termos pelo anadel-mor. Note-se que a vereação portuense, na pessoa do escrivão, cumpriu as determinações régias explicitas no alvará quanto à inscrição dos espingardeiros nos registos camarários.

No documento A vereação da cidade do Porto : 1512/1514 (páginas 191-196)