3 PERCURSO METODOLÓGICO
3.2 LOCAL DE ESTUDO
A pesquisa foi desenvolvida em um hospital governamental, geral, que recebe alunos em nível de graduação e pós-graduação e que tem como objetivo prestar assistência médico-hospitalar, além de atender às necessidades do processo ensino- aprendizagem, propiciando o aperfeiçoamento de alunos em via de formação profissional. Com as características de um hospital-escola, é regido dentro de alguns princípios nos quais busca uma identidade própria e cujas finalidades fundamentais são: a) constituir-se em centro de promoção e manutenção da saúde da comunidade; b) constituir-se em centro de ensino e pesquisa no âmbito da saúde, promovendo estágios, treinamentos e servindo como pólo de educação permanente de profissionais
no campo das ciências da saúde; c) desenvolver programas de medicina preventiva e atividades de pesquisa de ordem científica técnico-operacional, atuando como hospital de referência no estado, contribuindo para o aperfeiçoamento da assistência médico- hospitalar regional; d) operar em regime cooperativo com as demais instituições de saúde promovendo a elevação dos níveis de educação para a saúde da comunidade.
O Hospital, além de serviços de internação, possui serviços ambulatoriais para áreas de especialidades médico-odontológicas, com um total de duzentos e oitenta e um leitos para internações clínicas, CTI (Centro de Tratamento Clínico) e Pronto-Socorro. Além disso, possui sete salas de cirurgias e um banco de sangue. Quanto à sua clientela, o Hospital recebe paciente proveniente de todo o estado e de outros estados vizinhos, principalmente do norte de Minas Gerais e do sul da Bahia.
Foi selecionado o setor de clínica médica do hospital para coleta de dados por ser um local onde ficam internados pacientes por um longo período, portadores em sua maioria, de doenças crônicas, e devido às suas características, alguns deles têm a presença diária de um acompanhante. Nesse sentido, entendeu-se que era um setor que apresentava condições favoráveis para investigar o objeto de estudo.
No setor de clínica médica, admitem-se pacientes de diversas especialidades, como hematologia, dermatologia, neurologia, reumatologia, infectologia, clínica geral, possuindo quatorze enfermarias com três leitos cada uma delas. Consta também de um hospital-dia, cuja finalidade é atender pacientes para pequenos procedimentos sem necessidade de internação, funcionando em articulação com os ambulatórios. A média de atendimento do hospital-dia é de vinte a trinta pacientes. A equipe de saúde desse setor é composta por médicos staff e residentes, enfermeiros, assistente social, nutricionista e auxiliares e técnicos de enfermagem e de nutrição. O setor conta ainda com alunos de cursos de graduação relacionados à saúde – medicina, enfermagem, serviço social, nutrição e fisioterapia.
3.3 POPULAÇÃO
Foram incluídos no estudo os acompanhantes que apresentavam laços de parentesco com o paciente internado. Em casos com mais de um acompanhante, optou-se por entrevistar aquele que ficava o maior tempo com o paciente.
A opção por pesquisar acompanhantes familiares decorreu do fato de que se observa que na maioria dos casos, é a família que disponibiliza tempo para o acompanhamento de pacientes hospitalizados, seja ao longo da evolução da doença, ou em parte desse percurso. Por outro lado, a maioria das pesquisas realizadas a respeito dessa temática aponta como resultado que os acompanhantes, em sua maioria, são membros familiares dos pacientes (LAUTERT; ECHER; UNICEVSKY, 1998, VAN DER SMAGT- DUIJNSTEE et al., 2000; THOMAS; MORRIS; HARMAN 2002; PAI; SOARES, 1999).
Optou-se também por obter dados da equipe profissional, a fim de melhor compreender algumas questões que permeiam o acompanhante hospitalar, estabelecendo uma comparação entre os dados.
3.4 AMOSTRA
O critério para o tamanho da amostra de acompanhantes foi a similaridade no conteúdo das respostas, ou seja, a amostragem por saturação. Segundo Turato (2003, p.363):
o pesquisador fecha o grupo quando, após as informações coletadas com um certo número de sujeitos, novas entrevistas passam a apresentar uma quantidade de repetições em seu conteúdo [...] e novas falas passam a ter acréscimos pouco significativos em vista dos objetivos inicialmente propostos para a pesquisa.
No presente estudo, verificou-se a repetição nas informações com as doze primeiras entrevistas realizadas com os acompanhantes, não sendo observados outros conteúdos novos.
No que diz respeito à seleção dos acompanhantes, optou-se por utilizar a amostragem intencional. Segundo Turato (2003, p.357) nesse tipo de amostragem “o pesquisador delibera quem são os sujeitos que comporão seu estudo, ficando livre para escolher entre aqueles cujas características possam, em sua visão, trazer informações substanciosas sobre o assunto em pauta”.
Além do critério quanto a ser um familiar do paciente, foi estabelecido também que não deveriam ser selecionados no estudo os acompanhantes remunerados, pois se entende que o tipo de vínculo que estes estabelecem com o paciente é diferente. Pretendeu-se, com isso, trabalhar com uma amostra mais homogênea.
Além disso, foi definido que os acompanhantes selecionados deveriam estar acompanhando o paciente por, no mínimo, trinta dias, período considerado como suficiente para que eles pudessem relatar a experiência deles em ser acompanhante.
A amostra utilizada para a seleção dos profissionais foi do tipo intencional, onde foram escolhidos aqueles integrantes que na opinião da pesquisadora, tinham maior contato com os acompanhantes na rotina diária das enfermarias e que poderiam, assim, fornecer informações mais substanciosas sobre o objeto em estudo. Também foi estabelecido que os profissionais deveriam estar atuando na instituição hospitalar por, no mínimo, um ano, por considerar como um prazo que possibilitaria a vivência deles com os acompanhantes.
Dessa forma, foram entrevistadas duas médicas residentes, duas enfermeiras e quatro técnicos de enfermagem, por considerar que estes últimos atuam mais diretamente nos cuidados com o paciente internado. Ao total, foram entrevistados oito integrantes da equipe profissional.
3.5 INSTRUMENTOS
Para a coleta dos dados, foi elaborado um roteiro semi-estruturado de entrevista para os acompanhantes (APÊNDICE A), contendo trinta questões, sendo que treze perguntas se referiam à caracterização pessoal dos informantes, como sexo, estado civil, religião, idade, escolaridade, procedência, renda per capita, ocupação, tempo de acompanhamento e grau de parentesco com o paciente. As demais perguntas foram distribuídas em quatro blocos distintos, que foram construídos com base nos objetivos do estudo, compreendendo:
a) sobre as atividades de cuidado desenvolvidas pelos acompanhantes (perguntas nº 14;15);
b) sobre a experiência no acompanhar (perguntas nº 16; 17; 18; 19; 20; 21; 22; 23; 24); c) sobre as estratégias de enfrentamento utilizadas (perguntas nº 25; 26);
d) sobre a percepção da instituição hospitalar e sua relação com a equipe profissional (perguntas nº 27; 28; 29; 30).
Também foi elaborado um roteiro semi-estruturado de entrevista para ser aplicado com os profissionais (APÊNDICE B), com o objetivo de obter dados desses sujeitos e fazer uma correlação com aqueles que foram fornecidos pelos acompanhantes, procurando apontar as divergências e convergências em ambos os discursos.
Esse instrumento apresentou o total de doze questões, sendo que as sete perguntas primeiras eram referentes à caracterização pessoal dos profissionais, como nome, setor de atuação, categoria profissional, carga horária semanal, turno de trabalho, tempo de formação e tempo de trabalho na instituição. As cinco perguntas restantes foram incluídas num único bloco, que visava explorar sobre a experiência diária da equipe com os acompanhantes na instituição hospitalar. Os instrumentos foram submetidos ao teste piloto com oito acompanhantes e três profissionais a fim de avaliar o conteúdo das questões, havendo a necessidade de alterar algumas delas, que não acrescentavam valor referente ao objeto de estudo.