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Local de pesquisa: O município de Bonito 79

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3   METODOLOGIA 78

3.2   Local de pesquisa: O município de Bonito 79

Como local de pesquisa foi escolhido o município de Bonito, no estado de Pernambuco, pois além de apresentar um ambiente favorável à coleta de dados (descrito na introdução), trata-se de um município com características socioeconômicas particulares, apresentadas em seguida. O município de Bonito encontra-se entre o Agreste Central e a Zona da Mata Sul na microrregião do Brejo no Estado de Pernambuco e limita-se ao sul com os municípios de Palmares e Catende, ao leste com Joaquim Nabuco e Cortês, ao norte com Camocim de São Felix, Sairé e Barra da Guabiraba e ao oeste com São Joaquim do Monte e Belém de Maria. A capital, a cidade de Bonito, encontra-se a uma distância de 132,6 km de Recife, capital do Estado de Pernambuco (Figura 1).

FIGURA 1 - Localização do município de Bonito no Estado de Pernambuco

O município divide-se em três distritos: Bonito, Alto Bonito e Bentivi e ocupa uma área de 395 mil km², onde habitaram, no ano 2010, 37,5 mil pessoas. Deste total, 69,8% residiam em centros urbanos e 30,2% no meio rural. Os dados do IBGE revelam que a população rural do município de Bonito diminuiu ao longo dos últimos vinte anos, enquanto a população urbana aumentou no mesmo período de tempo. Em 1991, 46,8% dos habitantes deste município moravam na zona rural e 53,2% em centros urbanos. Em 2007, a população rural já tinha decrescido para 35,3% e em 2010 para 30,2%. O esvaziamento do meio rural é ligado à pobreza, à precariedade de serviços básicos e à falta de perspectivas e oportunidades de emprego.

No ano 2010, o rendimento médio mensal per capita era de R$ 304,98, sendo assim inferior ao rendimento médio estadual de R$ 550,59. Conforme a Base de Dados do Estado 32% do total dos domicílios tinham uma renda per capita inferior a ¼ de um salário mínimo e 27,58% uma renda entre ¼ e um ½ salário mínimo. A taxa de analfabetismo entre a população com mais de 15 anos de idade era de 40,9% no ano 2000, superando a média estadual de 24,5%. Apenas 38,1% do total das pessoas com mais de 10 anos de idade tinham recebido uma educação com mais do que três anos de estudo (BDE, 2012).

Na área da saúde o município de Bonito apresenta um desempenho abaixo da média estadual. Em todo o município há apenas um estabelecimento de internação com atendimento SUS, contando com 21 médicos, ou seja, com 0,56 médicos por 1000 habitantes, número menor do que a média de 0,99 médicos por 1000 habitantes no resto do Estado. A taxa de mortalidade infantil é de 1,13% (BDE, 2012).

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), que engloba as três dimensões renda, educação e saúde, apresentou um valor de 0,593 em 2000, refletindo o baixo desempenho do município nestas três categorias.

O Censo Agropecuário 2006 revela que há 2.631 estabelecimentos agropecuários no município de Bonito, dos quais 2.449, ou seja 93%, são caracterizados como estabelecimentos familiares. As principais culturas agrícolas são cana-de-açúcar, tomate e banana, totalizando um valor de produção de R$ 9,1 milhões. O plantio de cana-de-açúcar em grandes propriedades está concentrado no distrito de Bentivi, ou, mais especificamente, nas localidades de Serro Azul, Engenho Moscou, Cochos e Andresa. O setor pecuário conta com 17.523 bovinos, 5.505 suínos e 937 ovinos e é responsável por 179 dos 2.577 empregos formais (BDE, 2012).

A maioria dos agricultores, ou seja, 58,7%, são proprietários, 15,4% ocupantes, 8,8% arrendatários, 8,2% assentados sem titulação definitiva, 4,8% parceiros e 4,1% produtores sem área. O grupo de agricultores assentados pelo INCRA abrange 233 famílias assentadas em três diferentes projetos (BDE, 2012). Entre as terras ocupadas há tanto terras da União (Serra dos Quilombos e Barra Azul) como terras particulares (Engenho Muricé e Fazenda Brejinho, entre outros). Uma situação especifica é a dos membros da Cooperativa do Tiriri, que ocupam terras em localidades diversas, tais como Serro Azul, Engenho Floresta e Bentivi. Os ocupantes da terra da Cooperativa Tiriri têm o direito de posse sobre suas parcelas e utilizam a cooperativa para avalizar empréstimos junto às instituições financeiras. Segundo informações de Rodrigues e Rollo (2000: 22), o responsável pela cooperativa, porém, não repassou os pagamentos ao BB, o que causou a inadimplência da cooperativa. Esta situação inviabilizou não somente o acesso dos agricultores a outras linhas de crédito, mas também pôs em risco a posse sobre as terras ocupadas.

Os agricultores familiares do município de Bonito que pretendem contratar operações de crédito no âmbito do PRONAF, devem procurar uma das seguintes três entidades para obter a Declaração de Aptidão (DAP) ao PRONAF: O IPA, o STR ou o SINTRAF, os três com escritório na cidade de Bonito. As instituições financeiras que atendem os beneficiários do PRONAF são o BB, com escritório na cidade de Bonito, e o BNB, com sede no município de Bezerros. Chama atenção o alto nível organizacional dos agricultores familiares deste município. No total há cerca de 55 associações de pequenos produtores locais, cujos representantes se reúnem uma vez por mês no Conselho Municipal. Além disto, há uma cooperativa de pequenos produtores, a COPAG, que foi fundada em junho de 2004 devido à dificuldade dos agricultores em comercializar seus produtos, particularmente o inhame. Com a criação da cooperativa, os produtores pretendiam escapar do atravessador e vender seus produtos diretamente ao local de abastecimento por um preço mais justo. Na época da sua fundação, a COPAG contou com vinte associados que comercializavam sua produção para um supermercado. Hoje, a cooperativa tem cerca de 230 associados, dos quais sessenta participam ativamente no cotidiano da mesma.

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