3.1.1. Cubatão
Cubatão situa-se na latitude 23º 50' a 23º 55' Sul e na longitude 46º 30' Oeste de Greenwich. Ocupa uma área de 148 quilômetros quadrados e situa-se a 57 quilômetros da capital paulista e a 16 quilômetros de Santos ou São Vicente. Dista aproximadamente 25 quilômetros de São Bernardo do Campo e Santo André (tendo como ponto de referência os limites municipais), limitando-se com os municípios de São Bernardo do Campo, Santo André, Santos e São Vicente. A altitude máxima é atingida na Serra do Mar, com 700 metros e a mínima (média) na planície é de 3 metros (Borges et al., 2002).
A região é formada por duas províncias geomórficas: a área serrana, compreendendo escarpas e piemonte, e área de planícies, compreendendo morros isolados e planícies. Os tipos de solo encontrado são Associação Campos do Jordão e Litosolfase Substrato Granito Gnaisse, Associação Podsol Hidromórfico e Solos Hidromórficos (Borges et al., 2002).
- Área Serrana: compreende uma fração do grandioso sistema de escarpas e montanhas que se estende desde o estado do Rio de Janeiro até a porção setentrional do estado de Santa Catarina e corresponde à borda do chamado Planalto Atlântico.
A escarpa: bloco de rochas cristalinas, originado de falhas tectônicas, que domina as planícies litorâneas por desnível de cerca de 800 metros. Na área, com o nome local de Serra de Cubatão, ela se desdobra em patamares inferiores, isolados do bloco principal pelos vales dos rios Cubatão e Mogi, que se dispõem em forma característica de "pinças de caranguejo". Esse desdobramento da escarpa, aliado ao seu rebaixamento e recuo, deu margem a seu aproveitamento pelas vias de circulação.
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O piemonte: os vales dos rios Cubatão e Mogi não deveriam se enquadrar em área de piemonte, uma vez que, parcialmente, correm dentro do próprio maciço montanhoso. Esses vales, responsáveis pelas "pinças de caranguejo", são em grande parte responsáveis pelas mais extensas planícies de aluvionamento fluvial da área e se dispõem também em faixa de piemonte. A essas planícies de aluvionamento fluvial acrescenta-se outro elemento: os depósitos de piemonte acumulados pelo Rio das Pedras, que se abrem em leque, compostos por seixos de gnaisses e xistos.
- Área de Planície: antiga baía, com várias ilhas, correspondendo a fragmentos cristalinos isolados da grande frente de falha e rebaixados por erosão, que foi invadida pelo mar, para ser sequencialmente entulhada por sedimentos. A progressiva sedimentação da paleo-baía é atestada pela presença na atual planície de cordões arenosos, que corresponderiam a antigos depósitos marítimos. A Baixada Santista, assim, se origina de um antigo lagamar colmatado, onde a pequena declividade resulta na complexa rede de drenagem que a caracteriza.
Os morros isolados: compostos de rochas cristalinas, eqüivalentes aos antigos blocos falhados e rebaixos, que no passado constituíam ilhas. São esparsos pela Baixada ou incrustados em áreas urbanizadas. Esses morros isolados são poucos.
A planície: composta por depósitos marítimos (mangues), fluviais (brejos) ou por antigos depósitos de areia de origem marítima, constitui a maior parte da área considerada.
O clima predominante em Cubatão é o Tropical com suas variações quente e úmido. Verifica-se também a existência de variações climáticas de acordo com as características geográficas do relevo, como o clima da serra, o clima das áreas industrializadas, do sopé da serra e dos manguezais. Nos terrenos baixos e planos, cobertos de mangue, impera o forte calor que produz grande evaporação. Na encosta da Serra do Mar, onde os ventos marítimos são condensados, cheios de umidade, tem-se fortes precipitações
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constantes (Borges et al., 2002). Segundo nomenclatura de Köppen-Geiger, o clima de Cubatão pode ser identificado, de forma geral, por meio da sigla Af (tropical úmido).
A umidade relativa do ar é superior a 80%, o que se coaduna com a alta taxa pluviométrica: média anual de 2.541 mm. A temperatura é variável, constatando-se 36º C como média das temperaturas máximas e 12º C como média das temperaturas mínimas (o controle dos fatores de poluição que geraram a alcunha Vale da Morte provocou alterações climáticas sensíveis, inclusive na redução da temperatura máxima local). A pluviosidade mínima registrada nos dias com pequenas precipitações é de 1 mm (Borges et al., 2002).
Em função das características geofísicas do relevo, verifica-se a ocorrência de variedades climáticas, ou microclimas:
- Clima da serra: a escarpa funciona como verdadeira barreira climática, acarretando a condensaçao da umidade, em forma de nuvens, neblina ou cerração. A elevada umidade favoreceu o desenvolvimento de rica cobertura florestal e, devido à altitude, a temperatura ali é mais baixa 2 a 3º C em relação à planície;
- Clima dos vales: caracterizado por intensos nevoeiros e alterações da temperatura através da atuação de brisas ascendentes e descendentes;
- Clima das áreas industrializadas do sopé da serra: a poluição do ar, provocando a condensação da umidade atmosférica, faz com que, conforme o estado hidrométrico e a temperatura do ar, formem-se névoas úmidas e secas; as temperaturas aí são sempre mais elevadas que na faixa praiana, devido à ausência de brisas;
- Clima dos manguezais: não sendo estas áreas atingidas por brisas, o clima se torna relativamente mais quente. Devido à decomposição orgânica e à evaporação marinha, o ar ali é bastante impregnado de amoníaco;
- Clima dos morros: estando esta área exposta mais diretamente aos ventos prevalecentes, pode ter atenuadas as suas altas temperaturas; isso, entretanto, pode também acentuar as baixas temperaturas, como ocorre nos vales;
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- Clima da orla litorânea: apresenta-se com maior teor de cloreto de sódio no ar atmosférico. O clima ali é dos mais agradáveis, graças à ação das brisas marítimas que atenuam o calor. O clima é afetado pela atuação dos ventos dominantes, como o do quadrante Noroeste (quente, produzindo efeitos fisiológicos, como irritabilidade e depressão) e Sudoeste (violento, podendo ser acompanhado de temporais) (Borges et al., 2002).
No município podem ser encontrados três tipos de vegetação:
- Vegetação dos brejos de água doce: típico de regiões invadidas pelas águas dos rios e dos riachos na época das chuvas. Encontram-se ervas de muitas qualidades, gramíneas formando prados e florestas baixas, onde aparecem o ipê de brejos e outras espécies.
- Vegetação do mangue: compreende na região da Baixada Santista uma área de 100 quilômetros quadrados, excluindo-se as zonas devastadas. São poucos os vegetais que sobrevivem nessas condições ambientais devido ao baixo teor de oxigênio e pouca consistência do solo. Aparecem freqüentemente vegetais com raízes muito desenvolvidas, para a sustentação da planta. No manguezal, durante a maré alta, vê-se praticamente só as copas das árvores e arbustos. Durante a maré baixa, vê-se emaranhados das raízes escoras e pneumatóforos. Em Cubatão, as áreas cobertas pelos manguezais foram devastadas, drenadas e usadas para o plantio e posteriormente para a construção de casas modestas e até mesmo de alto padrão.
- Vegetação das escarpas da serra e dos morros: corresponde à Mata Tropical, que é rica em espécies vegetais com predomínio das árvores de grande porte. Destacam-se entre as árvores: embaúba-preta, araúba, amarelinho, quaresmeira. A quaresmeira é também chamada quaresma, manacá-da-serra e jacatirão. Aparecem também as trepadeiras, as ervas e as epífitas. Essa vegetação foi muito devastada nos morros para exploração das pedreiras ou substituída pelos bananais e ainda, no passado, para a
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obtenção de lenha. Nas últimas décadas, a vegetação sofreu muito através das invasões das encostas da Serra do Mar (Leitão-Filho, 1993).
3.1.2. Atibaia
Atibaia está situada em região serrana, e seu relevo é caracterizado por um peneplano bastante dissecado, com altitudes mais freqüentemente entre 800 e 1000 metros, destacando-se algumas serras com altitudes maiores e as planícies quaternárias à margem dos cursos d’água. Trata-se de um relevo apalachiano, trabalhado por novos ciclos de erosão, e pode-se distinguir no município as seguintes feições topográficas: cristas apalachianas que sobressaem do relevo regional por suas altitudes de 1000 e 1400 metros; morrotes ou colinas mamelonares caracterizados por altitudes inferiores, entre 800 e 1000 metros, e finalmente várzeas quaternárias, planícies de nível de base, de altitudes geralmente inferiores a 800 metros (Carvalho et al., 1975).
O município em questão encontra-se inserido na Zona Cristalina do Norte, na província do Planalto Atlântico, uma zona de estrutura complexa, situada na faixa de rochas pré-cambrianas, predominando as rochas gnáissicas, com intercalações subsidiarias de micaxistos e quartzitos, que constituem o chamado Complexo Brasileiro. Apresenta, ainda, rochas intrusivas ácidas do tipo granito e granitos gnaissificados de idade pré-São Roque. Há ainda bacias sedimentares de idade anterior ao ciclo atual, constituídas de camadas de areia mais ou menos argilosas, argila e, por vezes, cascalho. (Carvalho et al., 1975).
O clima de Atibaia é marcado por verões chuvosos, invernos relativamente secos e temperaturas de verão abrandadas pela altitude, enquadrando-se no clima tropical de altitude, como nos relata estudo realizado entre os anos de 1961 e 1968, no qual os dados meteorológicos obtidos na Estação Experimental da Cooperativa Central Agrícola Sul Brasil permitiram a elaboração do quadro climatológico da região. Segundo tal
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levantamento, as temperaturas máxima e mínima observadas são de 37,6 e 5ºC, respectivamente. A temperatura média nos três meses de verão (Dezembro, Janeiro e Fevereiro) é de 21,8ºC, e a temperatura média nos três meses de inverno (Junho, Julho e Agosto) é de 17,1ºC. A diferença menor que 5ºC entre a temperatura média dos meses de inverno e verão, bem como a temperatura media anual entre 15ºC e 22ºC, permitem enquadrar os solos na classe de temperatura isotérmica (Carvalho et al., 1975). Desta forma, utilizando-se a nomenclatura de Köppen-Geiger, é possível identificar-se o clima de Atibaia através da sigla Aw (“clima tropical com estação seca de inverno”).
Quanto à vegetação, a cobertura original de Atibaia era constituída de campos cerrados e da floresta tropical do planalto, com a presença de araucárias disseminadas, caracterizada por floresta latifoliada. Entretanto esta mata foi quase totalmente derrubada, e atualmente suas ocorrências mais extensas se restringem às áreas de relevo acidentado. Outro tipo de vegetação, o campo cerrado, parece estar intimamente relacionado com as propriedades físico-químicas dos solos. Nos dias atuais, o município de Atibaia apresenta grande parte de sua área em relevo acidentado ou em solos de baixa fertilidade, portanto com limitações, em alguns casos, de uso agrícola. Apesar disso, apresenta grande aproveitamento dos solos, principalmente aqueles situados em melhores topografias. Esse fator se deve principalmente à proximidade de grandes centros consumidores, como São Paulo. Assim, são encontradas em Atibaia várzeas utilizadas para culturas olerícolas em geral, com especial destaque à cultura do morangueiro, e as colinas menos declivosas, onde são realizados fruticultura, floricultura, culturas anuais e avicultura (Carvalho et al., 1975).
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