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“…situa-se na margem esquerda do estuário do Tejo, o maior da Europa Ocidental e um dos maiores santuários da vida selvagem da Europa. A lezíria, as salinas e o montado de sobro conferem ao concelho de Alcochete um estatuto único de pérola preciosíssima da conservação da natureza na Área Metropolitana de Lisboa”131. Pertencente ao distrito de Setúbal, o Concelho de Alcochete é constituído por três freguesias, sendo elas, Alcochete, Samouco e S. Francisco. O Concelho ocupa uma área de cerca de 128,5 km2, compreendendo uma vasta área campestre que engloba as herdades da Barroca d’Alva e de Rio Frio.

Mapa 1132 – Localização do Concelho de Alcochete no território Nacional.

A Vila de Alcochete sempre se caracterizou pela sua estabilidade demográfica e, de acordo com os Censos de 2011, a população residente cifrava-se então nos 17.579 habitantes, mais 4.569 habitantes em relação aos censos de 2001, devido às inúmeras pessoas, provenientes essencialmente da outra margem e tendo os seus empregos em Lisboa ou nas zonas limítrofes, se fixaram no concelho desde essa altura, o que se compreende pelo

131

Vide

http://www.cmalcochete.pt/pt/conteudos/localizacao+e+caracterizacao/caracterizacao/Alcochete+um+ concelho+com+identidade.htm [consultado a 25 de Junho de 2013].

132 Vide http://www.cm-alcochete.pt/pt/conteudos/localizacao+e+caracterizacao/localizacao

facto de o mesmo ter hoje uma localização privilegiada na área da Grande Lisboa, com boas acessibilidades quer à margem norte do rio Tejo, pela proximidade da ponte Vasco da Gama, quer ao sul do país, com as ligações rápidas à A2.

Além da fixação de residentes, na era pós-ponte Vasco da Gama, a Vila de Alcochete despertou a atenção de muitos investidores, vendo nascer numerosas infra- estruturas e novos pólos de desenvolvimento, como por exemplo, a Academia do Sporting Clube de Portugal ou o complexo lúdico-comercial Freeport. Estes dois investimentos, bem como outros de menor envergadura, constituíram uma mais-valia para o desenvolvimento do concelho, atendendo à movimentação comercial e ao número de postos de trabalho que criaram.

No plano económico, o concelho de Alcochete manteve, durante muito tempo, como principais actividades económicas, a pesca, a navegação fluvial, a salicultura e a agricultura, profissões que se alteraram substancialmente na segunda metade do século XX, devido ao aparecimento das indústrias, do comércio e os dos serviços. Apesar da introdução de novas actividades económicas, continuou-se a manter uma faixa importante da população que se dedica à agricultura.

Também ao nível das infra-estruturas sócio-culturais, o Concelho já conta com equipamentos como o Fórum Cultural, novos e melhorados e equipamentos de Ensino. Com a nova Biblioteca Municipal, o que constitui uma mais-valia expressiva para a modernidade do Concelho de Alcochete, a par da manutenção das suas tradições e bairrismo genuínos. A identidade colectiva do Concelho tem fortes raízes na música e na festa brava, com relevo para as colectividades ligadas a estas artes, em que se destaca o Aposento do Barrete Verde, organizador das festas anuais do mesmo nome e que se realizam em homenagem ao forcado, ao salineiro e ao campino e que também está assente numa forte componente religiosa das populações, onde emerge o culto de S. João Batista (seu padroeiro) e de Nossa Senhora da Atalaia, a quem é dedicada, desde o século XV, a festa do Círio dos Marítimos de Alcochete. Esta é uma componente que bem se expressa no seu Património Arquitectural religioso, com relevo para a Igreja Matriz, ex-libris desta Vila.

Ao nível da educação, existem no concelho quatro escolas de Ensino Pré-Primário, seis escolas do 1.º Ciclo, uma Escola de 2.º e 3.º Ciclos e uma Escola do Ensino Secundário. Segundo a Carta Educativa do Concelho, no ano de 2005, a população a escolarizar cifrava- se nos 2633 alunos, dos quais 553 integrados no Ensino Secundário.

Em relação ao nível de escolarização da população, esta tem vindo a aumentar gradualmente nos últimos anos, fruto da escolaridade obrigatória, mas também, devido aos novos residentes que abrangem um número razoável de pessoas com formação superior.

Até há pouco tempo o Concelho era bastante pobre em valências de carácter educativo e cultural, pois apenas contava com uma Biblioteca num espaço exíguo e sem

grande intervenção no meio. Todavia, desde há alguns anos, que se começaram a desenvolver eventos em interligação com as escolas do concelho e a Biblioteca Municipal, que passaram a fazer parte dos hábitos de alguma da população jovem e adulta existente. E, com a conclusão da nova Biblioteca, com diversas valências e situada num local adjacente às escolas, a juntar à actividade presente do Fórum Cultural, que neste momento desenvolve um bom número de iniciativas de qualidade, desde variadíssimas exposições e espectáculos de teatro e música até encontros temáticos, o desenvolvimento cultural da população do concelho irá, certamente, alterar expressivamente a caracterização do Concelho. Uma das actividades que se costumam realizar de carácter educativo e cultural é a Feira Medieval, organizada pelo nosso Professor Cooperante, Eurico Sequeira.

O nome Alcochete deriva da palavra árabe “Alcachete”, que serve para designar a palavra “forno”, uma alusão às inúmeras riquezas resultantes da combustão da madeira abundante nos pinhais daquela região.

Existem vestígios da presença humana em Alcochete desde os tempos da Pré- História até à Antiguidade. A região foi ocupada ao longo da História por vários povos, dos quais podemos destacar, os romanos, suevos, vândalos e muçulmanos. Sendo que da presença romana ainda hoje podemos ver vários vestígios arqueológicos em Porto de Cacos.

Tal como a origem do seu nome indica, esta Vila tem a sua história ligada à dominação árabe em Portugal. Após a Reconquista Cristã, a povoação passou para o senhorio da Ordem de Santiago. É a um Grão-Mestre desta Ordem, o infante D. Fernando, Duque de Viseu e irmão de D. Afonso V, que Alcochete deve a sua reedificação.

Esta povoação só nos reinados de D. João I e D. João II é que começa a ter uma certa importância, uma vez que estes Monarcas passavam longas temporadas nesta região, fazendo dela uma estância de repouso da Corte. Será D. João II o responsável de Alcochete ser elevada à categoria de Vila.

Até ao reinado de D. Manuel I, monarca que nasce em Alcochete, a região pertenceu ao concelho do Ribatejo, situado entre a Ribeira de Ganha onde existia um conjunto de povos que, durante os séculos XIII e XIV, se dedicavam, à exploração de salinas e ao cultivo da vinha. No ano de 1515, D. Manuel I atribuiu Foral à Vila de Alcochete:

“D. Manuel, por graça de Deus Rei de Portugal e dos Algarves, daquém e dalém-mar em África, Senhor da Guiné e da conquista, navegação e comércio da Etiópia, arábia, Pérsia e da Índia, a quantos esta nossa carta de foral virem, dado às vilas de Alcochete e Aldeia Galega”133.

133 António Nabais, Foral de Alcochete e Aldeia Galega (Montijo) – 1515, Montijo, Câmara

A partir do século XVII, além da agricultura, também a exploração do sal e da actividade piscatória passaram a ser predominantes para a maioria da população activa da Vila de Alcochete.

A partir de meados do século XX, com o desenvolvimento das ligações rodoviárias e a perda da importância económica do Tejo como meio de comunicação, as actividades de pesca, de navegação fluvial e de salinicultura entraram em acentuado declínio.