2.3 INTERRUPÇÃO DO CONTRATO DE TRABALHO
2.3.5 Lockout
De acordo com o art. 17, Lei 7.783/99, tem-se por lockout a paralisação das atividades por iniciativa do empregador, com o objetivo de defender seus interesses em face dos trabalhadores, de modo a frustrar negociação ou dificultar o atendimento de reivindicações dos trabalhadores.
Importante observar que nenhum empresário é obrigado a manter sua atividade, logo a extinção da empresa com a conseqüente dispensa sem justa causa de todos os seus empregados não caracteriza espécie de lockout.
Portanto, a paralisação das atividades da empresa em decorrência de motivos econômicos/ financeiros, ou em protesto contra o governo não são capazes de gerar o lockout.
Os empregadores que praticaram o lockout ficam obrigados a pagar os salários devidos aos seus empregados, pelo tempo de privação do trabalho, na forma do art. 722, §3° da CLT.
2.3.6 Outras Hipóteses
Além das modalidades citadas, existe ainda um abrangente rol de modalidades interruptivas, previstas ao longo de nossa Consolidação, quais sejam: falecimento do cônjuge, ascendente, irmão ou dependente anotado na carteira profissional (2 dias, art.473; 9 dias o professor, por falecimento de pai, mãe ou filho, art. 320); casamento (3 dias, art. 473; 9 dias o professor, art.
320); doação de sangue (1 dia por ano); alistamento eleitoral (2 dias);
nascimento de filho (5 dias, art. 473), e também as ausências consideradas justificadas pelo empregador, desde que este concorde em pagar os respectivos salários, etc.
A interrupção é instituto que admite licenças remuneradas que decorrem de faculdade do empregador ou da imposição prevista em cláusula do documento coletivo da categoria profissional, entretanto, deve-se sempre cumprir as condições previamente ajustadas.
Em relação à interrupção do contrato de trabalho, é importante que esta seja anotada na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS). Tal anotação garante a aplicação do art. 133, CLT que determina que o empregado que permanecer em licença remunerada por mais de trinta dias, no curso do período aquisitivo, não terá direito às férias.
Encerrando este capítulo, necessário se faz lembrar que, nos termos do artigo 444 da CLT, as relações contratuais de trabalho podem ser objeto de livre estipulação das partes interessadas em tudo quanto não contravenha às disposições de proteção ao trabalho, aos contratos coletivos que lhe sejam aplicáveis e às decisões das autoridades competentes, podendo, neste caso, as partes estabelecerem condições que gerarão a suspensão ou a interrupção do contrato de trabalho.
CAPÍTULO III
EFEITOS JUÍRIDICOS
Como já visto, a suspensão e a interrupção do contrato de trabalho são institutos que decorrem da proteção legal ao trabalhador. Assim, ambos garantem ao empregado o retorno ao emprego após o período de afastamento.
O art. 471, CLT garante ao empregado, quando do seu retorno em razão de suspensão ou interrupção do contrato de trabalho o direito a todas as vantagens legais ou normativas, atribuídas durante o período de afastamento, a categoria a que pertencia.
Entretanto, embora exista a previsão legal acima descrita, no que tange aos efeitos da interrupção e suspensão do contrato de trabalho a doutrina ainda aponta divergências quanto aos efeitos das duas figuras.
Vitor Russomano, por exemplo, em sua obra afirma que as conseqüências da suspensão e da interrupção do contrato são capazes de produzir efeitos externos e internos.
Assim, de acordo com o douto doutrinador acima, por efeitos externos ou extrínsecos, podemos enumerar: o fato de o trabalhador retornar ao serviço efetivo tão logo cesse a causa suspensiva ou interruptiva do contrato, na suspensão se são o fato de que o empregado não trabalha e não recebe salário, na interrupção, dá o direito ao empregado ganhar remuneração, sem prestar serviços.
E por efeitos internos ou intrínsecos tem-se, também segundo Russomano, que na suspensão as cláusulas do contrato deixam, de vigorar transitoriamente, enquanto na Interrupção, essas cláusulas vigoram em partes.
Afirma ainda ser efeito interno da suspensão o fato de o período de paralisação não ser computado no tempo de serviço efetivo do trabalhador para a aquisição de vantagens previstas na lei em função daquele tempo de serviço como: estabilidade, indenização por despedida injusta, etc.
É oportuno, ressaltar que, na prestação obrigatória do Serviço Militar (Lei 4.072/62) e Acidente de Trabalho, apesar de serem hipóteses de suspensão computa-se o tempo de serviço para todos os efeitos legais, por determinação de lei.
Na interrupção, o período de paralisação, para Russomano, também é efeito interno, entretanto o dito período é considerado como atividade efetiva para todos os efeitos das normas vigentes.
O doutrinador José Augusto Rodrigues Pinto ao analisar a interrupção e a suspensão do contrato de trabalho trata os institutos respectivamente como suspensão total e suspensão parcial do contrato de trabalho.
Assim ao definir os efeitos dos institutos estudados, divide-os em dois grupos, quais sejam o grupo dos efeitos comuns à suspensão total e parcial (suspensão e interrupção do contrato de trabalho) e o grupo dos efeitos referentes unicamente à suspensão parcial (interrupção).
Desta forma são efeitos comuns à suspensão e à interrupção do contrato de trabalho: a persistência do vínculo jurídico de emprego; o direito do empregado ao retorno e a impossibilidade de extinção contratual por ato voluntário;
A interrupção por sua vez, segundo este doutrinador, apresenta como efeito o cômputo do tempo de serviço do afastamento no tempo de serviço prestado à empresa e o direito às vantagens de ordem pessoal verificados durante o afastamento.
Arnaldo Sussekind, em relação aos efeitos da suspensão e interrupção do contrato de trabalho se pronuncia sem fazer distinção entre os institutos e afirma que:
“São efeitos jurídicos da Suspensão e Interrupção dentre outros a manutenção do vínculo contratual, retorno ao serviço, vantagens atribuídas à categoria do empregado, prazo para retorno, período de afastamento e contagem do tempo de serviço” (Sussekind)
A maior parte da doutrina ao apresentar os efeitos dos institutos, os faz de forma mais simples, de modo a determinar que na suspensão o empregador não deve pagar salários, enquanto na interrupção, há necessidade do pagamento dos salários no afastamento do trabalhador e, também há a contagem do tempo de serviço.
Assim, a suspensão envolve a cessação temporária e total da execução e dos efeitos do contrato de trabalho. Diferindo da interrupção por que neste a cessação é temporária e parcial com relação ao contrato de trabalho.
Conforme o que diz o enunciado da Súmula. 374, TST, no retorno, se o empregado for membro de categoria diferenciada, a norma que rege tal categoria, deverá ser a observada.
Em relação aos benefícios pessoais adquiridos pelos trabalhadores durante o período de afastamento, há de se especificar que se os mesmos forem adquiridos em razão de esforço próprio do trabalhador em exercício, esses não poderão ser exigidos pelo empregado afastado se o mesmo não atender as condições necessárias para tanto.
A interrupção e a suspensão do contrato de trabalho também podem incidir no empregado que possui um contrato de prazo determinado com o seu empregador.
No caso dos contratos de prazo determinado tais institutos, segundo o que reza o art. 472, § 2°, CLT, não produzem efeitos que influenciem o término do contrato, se empregado e empregador assim pactuarem quando da realização do contrato.
Portanto, é lícito no contrato de prazo determinado que as partes acordem em descontar o período de afastamento do prazo de vigência do contrato de prazo determinado. Assim, a prestação de serviços pode continuar sem que o contrato perca sua natureza.
O contrato de trabalho por prazo determinado, neste caso continuará a ser um contrato com prazo certo, a diferença será que o prazo sofrerá acréscimo de tempo relativo ao período do afastamento.
O citado acréscimo não se trata de prorrogação do contrato de trabalho por prazo determinado, mas sim de dilação do prazo contratual. A dita prorrogação até pode ocorrer, quando do término do contrato, desde que as partes concordem. Importante frisar que a prorrogação em nada tem relação com o prazo de afastamento decorrente da suspensão ou interrupção do contrato de trabalho.
Em relação ao contrato de prazo determinado, tem-se ainda a Lei 9.601/88 o regula e garante ao empregado as estabilidades provisórias da gestante, do dirigente sindical, do empregado eleito para cargo de direção de comissões internas de prevenção de acidentes e do empregado acidentado.
Os efeitos da suspensão e interrupção do contrato de trabalho não se confundem em hipótese alguma com os efeitos da rescisão do contrato de trabalho. Esta modalidade ao contrário das primeiras põe fim à relação de emprego, extinguindo o contrato de trabalho através da dispensa do empregado.
A citada dispensa do empregado é possível mesmo quando este se encontra afastado da prestação de serviço em decorrência da interrupção e suspensão do contrato.
A doutrina admite essa liberdade do empregador, desde que sejam respeitados os demais direitos do empregado. Tal admissibilidade, inclusive é matéria juridicamente consolidada.
Existe também a hipótese da justa causa, posto que mesmo afastado do trabalho, o empregado não se desobriga de algumas obrigações contratuais acessórias, condutas as quais não cumpridas, poderão resultar em dispensa por justa causa.
O empregado pode incorrer em faltas mesmo estando afastado do trabalho, sem prestar serviços. São exemplos de faltas graves o ato de concorrência à empresa para qual trabalha, a condenação criminal passada em julgado, a embriaguez habitual, a violação do segredo de empresa, a prática constante de jogos de azar, atos lesivos da honra e da boa fama e o grevista que pratica excessos (arts. 14 e 15 da Lei 7783/1989 e art. 722 e segs. da CLT). Para rescisão contratual por falta grave do dirigente sindical, há necessidade de inquérito judicial.
A jurisprudência, em consonância com a doutrina trabalhista, consolida a proteção do empregado e da relação de emprego. A seguir, tem-se exposta uma coletânea de alguns julgados dos Tribunais pátrios acerca do tema:
APOSENTADORIA. NÃO EXTINÇÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. INAPLICABILIDADE DO ART.
37, II, DA CR. Se a aposentadoria não extingue o contrato de trabalho, não há novo vínculo de emprego e, portanto, afastada a aplicação do art. 37, II, da CR que impede o provimento em cargo, emprego ou função pública sem a prévia aprovação em concurso público. 0009800-66.2008.501.0051 JULGADO EM 16/07/2008, POR UNANIMIDADE DESEMBARGADORA AURORA DE OLIVEIRA COENTRO 2ª TURMA – TRT 1ªregião.
RECURSO DE REVISTA. 1. PRESCRIÇÃO.
SUSPENSÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. CONCESSÃO DE AUXÍLIO-DOENÇA E APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. I. O Tribunal Regional pronunciou a prescrição das pretensões imediatamente anteriores a cinco anos contados retroativamente da data do ajuizamento da reclamação trabalhista. II. Não demonstrada violação da literalidade do art. 7º, XXIX, da CF/88, pois a Corte Regional observou o prazo de cinco anos nele previsto ao pronunciar a prescrição. Além disso, o referido preceito não trata de suspensão ou interrupção do prazo prescricional. Não demonstrada afronta ao art. 199, I, do Código Civil, porque esse preceito não estabelece que a suspensão do contrato de trabalho caracteriza condição suspensiva do prazo prescricional quinquenal. III. Esta Corte Superior já se posicionou no sentido de que a concessão de auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez não prejudica a contagem do prazo prescricional quinquenal, pois a lei não prevê a suspensão do contrato de trabalho como causa suspensiva ou interruptiva da prescrição (arts. 197 e seguintes do Código Civil). Recurso de revista de que não se conhece. 2.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. I. O Tribunal Regional reformou a sentença e afastou a condenação ao pagamento de honorários advocatícios, sob o fundamento de que o Reclamante não está assistido pelo sindicato de sua categoria.
II. Esta Corte Superior já se posicionou no sentido de que o direito à parcela, nas demandas originadas da relação de emprego, decorre (a) da comprovação do estado de miserabilidade jurídica e (b) da assistência do trabalhador pelo sindicato da categoria (Súmulas 219, I e 329 do TST). Recurso de revista de que não se conhece. Processo: RR - 11800-53.2007.5.02.0372 Data de Julgamento: 27/04/2011, Relator Ministro: Fernando Eizo Ono, 4ª Turma, Data de Publicação:
DEJT 06/05/2011.
AGRAVO DE INSTRUMENTO. SUSPENSÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. PLANO DE SAÚDE.
MANUTENÇÃO. NÃO PROVIMENTO. 1. Tendo em conta ser fato incontroverso nos autos que o contrato de trabalho da reclamante encontra-se suspenso, correta a decisão do Tribunal Regional que garantiu a manutenção do plano de saúde oferecido pela reclamada quando a reclamante ainda exercia suas atividades. Inteligência do artigo 471 da CLT.
Precedentes. 2. Agravo de instrumento a que se nega provimento. Processo: AIRR - 22240-55.2009.5.02.0464 Data de Julgamento: 27/04/2011, Relator Ministro: Guilherme Augusto Caputo Bastos, 2ª Turma, Data de Publicação: DEJT 06/05/2011.
RECURSO DE REVISTA. 1. DEPÓSITOS DO FGTS. ACIDENTE DE TRABALHO. SUSPENSÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. A suspensão do contrato de trabalho decorrente de licença por acidente do trabalho não
isenta o empregador de efetuar os depósitos relativos ao FGTS na conta vinculada do trabalhador, uma vez que o recolhimento dos depósitos fundiários em tal hipótese encontra-se expressamente previsto no artigo 15, § 5º, da Lei nº 8.036/90.
Precedentes. Recurso de revista conhecido e provido.
Processo: RR - 30200-21.2009.5.24.0021 Data de Julgamento: 13/04/2011, Relator Ministro: Guilherme Augusto Caputo Bastos, 2ª Turma, Data de Publicação: DEJT 29/04/2011.
RECURSO DE REVISTA. APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. SUSPENSÃO DO CONTRATO DE TRABALHO.
SUPRESSÃO DO PLANO DE SAÚDE. 1. A aposentadoria por invalidez não extingue o contrato de trabalho. O art. 475, caput, da CLT prevê a suspensão do pacto enquanto durar a custódia previdenciária. Assegura o § 1º do mesmo dispositivo o retorno à função que ocupava, quando recuperada a capacidade laborativa ou cancelada a aposentadoria; 2. No caso, restou incontroverso que foi a aposentadoria por invalidez usada como razão do cancelamento da assistência médica, benefício assegurado pela empresa aos seus empregados, por força do Plano de Cargos e Salários; 3. Considerando que a vantagem aderira ao contrato de trabalho da reclamante - contrato, repita-se, ainda em vigor após a jubilação provisória -, a supressão do direito ao plano assistencial lesiona o princípio protetivo do art.
468 consolidado. 4. No mais, o Direito não pode abdicar de seu substrato ético e o Direito do Trabalho em particular encontra-se vinculado aos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana como fundamento da própria República (art.
1º, III), da valorização do trabalho como alicerce da ordem econômica (art. 170), de uma ordem social baseada no primado do trabalho, tendo por objetivo o bem-estar e a justiça sociais (art. 193). Toda essa principiologia leva à consideração da pessoa do trabalhador, que não pode ser descartado como qualquer engrenagem inútil quando, doente ou acidentado no trabalho, vem a ser aposentado por invalidez, período em que se mantém hígido, embora hibernado, o contrato de emprego 5. Eis porque merece provimento o recurso para assegurar, à reclamante-recorrente, o benefício do plano de saúde, enquanto comprovadamente enferma. Incidência da Súmula 333/TST. Precedentes da SBDI-1/TST. Recurso de revista não conhecido. Processo: RR - 156700-41.2005.5.05.0009 Data de Julgamento: 23/03/2011, Relator Ministro: Horácio Raymundo de Senna Pires, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 01/04/2011.
RECURSO DE REVISTA. ACIDENTE DE TRABALHO. PLANO DE SAÚDE E PENSÃO MENSAL POR LUCROS CESSANTES. LIMITAÇÃO TEMPORAL. 1. O Tribunal Regional deu provimento ao recurso ordinário interposto pela Reclamante, para condenar o Reclamado à manutenção do plano de saúde e ao pagamento de uma pensão mensal, decorrente de lucros cessantes e
correspondente à diferença entre o valor da última remuneração recebida, devidamente atualizada, e do valor do auxílio-doença ou da aposentadoria por invalidez. 2. Aquele Juízo estabeleceu que o plano de saúde deve ser mantido enquanto a Reclamante receber auxílio-doença ou estiver aposentada por invalidez ou até a data em que completar 60 anos (2.9.2029), quando, então, ela terá garantida a aposentadoria por idade, extinguindo-se o contrato de trabalho.
3. Em outras palavras, aquele Juízo manteve o direito da Reclamante a referido plano durante o período de suspensão do contrato de trabalho. Nesse contexto, não há falar em ofensa ao art. 475 da CLT, no qual se determina que, durante a aposentadoria por invalidez, o contrato de trabalho fica suspenso. 4. Divergência jurisprudencial não comprovada. 5. A Corte Regional determinou o pagamento da pensão mensal até 2.9.2009 (data da aposentadoria por idade) ou até a data em Tribunal Federal (Súmula nº 229) não caracteriza pressuposto de conhecimento do recurso de revista. DANO MORAL.
VALOR DA INDENIZAÇÃO. 1. O Tribunal Regional reduziu a indenização por dano moral a R$ 76.000,00, com fulcro na gravidade do dano, no grau de incapacidade por ele produzido, na idade do empregado lesionado, no tempo faltante para a aposentadoria por tempo de contribuição e nas possibilidades de alta médica, com eventual retorno às atividades, além da capacidade financeira do agressor, a quem a indenização deverá desestimular a reincidência. 2. Nos arestos trazidos a cotejo, o julgador considerou determinados fatores (princípios da razoabilidade e proporcionalidade, tempo de trabalho, salário percebido, caráter compensatório e punitivo) para fixar o valor da indenização, ao passo que, na decisão recorrida, com a mesma finalidade, foram considerados fatores diversos, conforme acima explicitados, o que caracteriza a inespecificidade do modelo, a obstar o conhecimento do recurso de revista, por força do disposto na Súmula 296 do TST. Recurso de revista de que não se conhece. Processo:
RR - 128000-44.2004.5.05.0024 Data de Julgamento:
23/02/2011, Relator Ministro: Fernando Eizo Ono, 4ª Turma, Data de Publicação: DEJT 25/03/2011.
EMENTA: EMBARGOS DECLARATÓRIOS CONVERTIDOS EM AGRAVO REGIMENTAL. GREVE DE SERVIDOR PÚBLICO. DESCONTO PELOS DIAS NÃO TRABALHADOS. LEGITIMIDADE. JUNTADA POSTERIOR DE TERMO DE COMPENSAÇÃO DE JORNADA. EXAME INVIÁVEL. ENUNCIADO 279 DA SÚMULA DO STF.
DESPESAS PROCESSUAIS. SUCUMBÊNCIA INTEGRAL.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. APRECIAÇÃO EQUITATIVA. ART. 20, § 4º, CPC. A comutatividade
inerente à relação laboral entre servidor e Administração Pública justifica o emprego, com os devidos temperamentos, da ratio subjacente ao art. 7º da Lei 7.783/89, segundo o qual, em regra, “a participação em greve suspende o contrato de trabalho”. Não se proíbe, todavia, a adoção de soluções autocompositivas em benefício dos servidores-grevistas, como explicitam a parte final do artigo parcialmente transcrito e a decisão proferida pelo STF no MI 708 (item 6.4 da ementa). Todavia, revela-se inviável, nesta quadra processual, o exame de
“termo de compromisso” somente agora juntado, consoante o verbete 279 da Súmula. Agravo regimental a que se dá parcial provimento somente para esclarecer os ônus da sucumbência RE 456530 ED / SC - SANTA CATARINA EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA Julgamento:
23/11/2010 Órgão Julgador: Segunda Turma
Não resta dúvida, portanto, de que o assunto é recorrente nos mais diversos Tribunais. Embora o tema já seja objeto de previsão legal, súmula e de orientação jurisprudencial das seções especializadas, é comum que o empregado recorra a Justiça Trabalhista face sua situação de hipossuficiente.
Assim, resta demonstrada a importância dos institutos da suspensão e interrupção do contrato de trabalho.
CONCLUSÃO
É do Direito do Trabalho que emana todo o conjunto de normas jurídicas que regem as relações entre empregados e empregadores, e os direitos resultantes da condição jurídica dessa relação. No Brasil, estas normas estão compiladas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), protegidas pela Lei Fundamental pátria e tuteladas nas várias Leis Esparsas.
O legislador ao editar as citadas normas observou com cuidado a proteção ao empregado em razão de situação de hipossuficiência em relação ao empregador. Desta forma a suspensão e a interrupção do contrato de trabalho são formas explícitas desta atenção do legislador.
Observados os dois institutos, há condições de delimitar seus efeitos gerais ressalvados as peculiaridades de cada caso.
A suspensão do contrato de trabalho implica na ausência de prestação de serviço, bem como a ausência de salário. A partir do retorno ao serviço, o empregado tem a garantia de ocupar o cargo que exercia e de perceber as vantagens gerais que porventura sejam atribuídas à categoria, sem efeito retroativo, uma vez que, via de regra, o período não é considerado tempo de serviço.
Na interrupção do contrato de trabalho não há prestação de serviço, mas o empregado continua a receber os salários. As vantagens salariais atribuídas à categoria são imediatamente devidas ao empregado e continua a correr o tempo de serviço.
O presente trabalho demonstrou assim a demasiada importância destes dois grandes instrumentos trabalhista, posto que cumprem com a louvável missão de proteger a continuidade das relações de emprego.
Além disso, importa salientar que ao exigirem uma postura ética por parte do empregador, beneficiam não só o trabalhador, como toda a sociedade.
Em contrapartida, também impinge ao Estado a responsabilidade e algumas obrigações para manter os vínculos trabalhistas.
Por isso visando a possibilidade de maiores oportunidades para a sociedade como um todo, o Estado atuou de forma a proporcionar com a interrupção e suspensão do contrato de trabalho que empregados e empregadores moldem no direito do trabalho uma ordem mais justa. que atende ao princípio da preservação do contrato de trabalho.
BIBLIOGRAFIA
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Brasília: Senado Federal, 2005.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Brasília: Senado Federal, 2005.