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CAPÍTULO 3 – CONCEPÇÕES DOS DIRETORES DE ESCOLA E PROFESSORES

3.1 Locus da pesquisa e procedimentos metodológicos

Inicialmente, apresentamos programas, projetos e ações que têm em comum a utilização das TIC, implantados e desenvolvidos desde 1995 a 2015 pelo governo federal e pelo governo do estado de São Paulo nas escolas estaduais do município de São João da Boa Vista/SP.

As questões emergentes que envolvem o uso das novas tecnologias têm sido discutidas, na atualidade, sob diferentes enfoques, ainda assim, sempre permitem margem para outros questionamentos, considerando a abrangência e a diversidade que envolvem os desafios da inserção das TIC na educação e as políticas públicas que preconizam a expansão das TIC nas escolas públicas.

Para Godoy (1995), as pesquisas qualitativas são exploratórias, ou seja, instigam os entrevistados a pensar espontaneamente sobre algum tema, objeto ou conceito. Elas fazem aflorar aspectos subjetivos e alcançam motivações não explícitas, ou mesmo inconscientes, de maneira espontânea. São usadas quando se buscam compreensões e entendimentos sobre a natureza geral de uma questão, abrindo espaço para a interação.

Adotamos a abordagem qualitativa para esta pesquisa, seguindo as recomendações de Lüdke e André (1986) com relação aos instrumentos de coleta de dados mais apropriados, o caso da entrevista, que, segundo essas autoras, configura importante técnica no tratamento qualitativo pela experiência direta e viva com o entrevistado, quando a compreensão direta da informação esperada pode ir além do que é dito, por meio da linguagem não verbal, facilitando o

entendimento e sancionando o que é explicitado por palavras. Dessa forma, por meio da entrevista, é possível colher relevantes dados que, feitos sincronicamente ao uso de outros instrumentos, propiciam a investigação.

Ainda sobre a abordagem qualitativa, Bogdan e Biklen (1994) asseguram que o destaque maior da pesquisa está no procedimento e não no produto, e o foco do pesquisador deve estar centralizado nos sentidos e percepções explicitadas pelos sujeitos participantes.

A entrevista pode possibilitar um ambiente harmônico entre entrevistador e entrevistado, possibilitando que sejam tratados variados assuntos, dos mais simples aos mais complexos. De acordo com Triviños (1987), a entrevista semiestruturada é um dos essenciais meios para o pesquisador efetivar a coleta de dados. Ressaltamos uma de suas orientações envolvendo o uso desta técnica:

Podemos entender por entrevista semiestruturada, em geral, aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses que interessam à pesquisa, e que, em seguida, oferecem amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que se recebem as respostas do informante. Desta maneira, o informante, seguindo espontaneamente a linha de seu pensamento e de suas experiências dentro do foco principal colocado pelo investigador, começa a participar da elaboração do conteúdo da pesquisa (TRIVIÑOS, 1987, p. 145-146).

A entrevista semiestruturada foi gravada em gravador digital de voz, com permissão de todos os pesquisados. As gravações ocorreram nas escolas em que os participantes de pesquisa trabalham. As gravações foram transcritas inteiramente, após várias sessões de audição, conferidas com vistas à exata fala dos entrevistados. Aos diretores de escola e professores foi oferecida a oportunidade de ler as transcrições e alterá-las se fosse o caso, o que não aconteceu.

Para iniciar todo esse processo, o projeto de pesquisa foi protocolado junto ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP) sob o nº 132/2015, que foi aprovado e certificado, Anexos 1 e 2, por este órgão, indicando o emprego da técnica de entrevista semiestruturada na coleta de dados da pesquisa. Com a aprovação do CEP, passamos a conceber as possibilidades para definição do locus da pesquisa. Levamos em conta as reflexões sobre o trabalho de campo, quando Duarte (2004) destaca que na pesquisa qualitativa deve existir o contato direto e demorado com o ambiente e com a situação que está sendo pesquisada, desviando presumíveis influências por parte do pesquisador.

A pesquisa foi feita em três escolas estaduais do município de São João da Boa Vista/SP, pois neste município estão localizadas as escolas que fazem parte do setor da minha

área de supervisão de ensino. Das três escolas selecionadas, aqui denominadas Escola A, Escola B e Escola C, duas são supervisionadas por mim, as escolas A e C. Duas destas escolas estão localizadas em bairros da periferia da cidade e uma no centro. Todas as escolas oferecem o Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano) e Ensino Médio e foram selecionadas de acordo com os seguintes critérios: localização, número de alunos, número de professores e aceite do diretor de escola em participar da pesquisa. Nesse contexto, os participantes da pesquisa são os professores e os diretores de escola.

Em cada escola, foram entrevistados 01 diretor de escola e 03 professores de cada escola, mediante entrevistas semiestruturadas, perfazendo 12 pessoas entrevistadas nas três escolas.

Elencamos como critério de escolha dos professores diferentes campos do saber e aceite em participar voluntariamente da pesquisa. Ao entrarmos em contato com a Direção das escolas, apresentamos os documentos de certificação da pesquisa aprovados pelo Comitê de Ética e Pesquisa da UNIMEP e entregamos um resumo com as intenções de pesquisa, que foi aceito pela direção das escolas.

A Escola A é uma escola urbana periférica, que oferece as séries finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) e Ensino Médio, na qual funcionam três turnos - manhã, tarde e noite - com aproximadamente 420 alunos e aproximadamente 44 professores. Há uma equipe37 diretor de escola formada por 01 diretor de escola, 02 vice-diretores e 01 supervisor de ensino, e a equipe pedagógica é formada por 01 professor coordenador, 01 professor mediador comunitário, 01 professor responsável pela Sala de Leitura, totalizando 07 pessoas da equipe diretor de escola e pedagógica. É uma escola que tem dois andares, aproximadamente 20 salas, uma sala de leitura, um laboratório de informática equipado com 15 computadores e um projetor multimídia móvel.

A Escola B é uma escola urbana central, que oferece as séries finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) e Ensino Médio, na qual funcionam dois turnos - manhã e tarde - com aproximadamente 720 alunos e aproximadamente 46 professores. Há uma equipe38 diretor de escola formada por 01 diretor de escola, 01 vice-diretor e 01 supervisor de ensino, e a equipe pedagógica é formada por 01 professor coordenador, 01 professor mediador comunitário, 01 professor responsável pela Sala de Leitura, totalizando 06 pessoas da equipe, diretor de escola e pedagógica. É uma escola que tem dois andares, aproximadamente 15 salas, uma sala de leitura

37 Informações cedidas pela Direção da Escola em 08/02/2016.

38 Informações cedidas pela Direção da Escola em 08/02/2016.

equipada com uma lousa digital, um laboratório de informática equipado com 20 computadores e uma sala de multimídia com projetor multimídia e um notebook.

A Escola C é uma escola urbana periférica, que oferece as séries finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) e Ensino Médio, na qual funcionam dois turnos - manhã e tarde - com aproximadamente 420 alunos e aproximadamente 30 professores. Há uma equipe39 diretora da escola formada por 01 diretor de escola, 02 vice-diretores e 01 supervisor de ensino, e a equipe pedagógica é formada por 01 professor coordenador, 01 professor mediador comunitário, 01 professor responsável pela Sala de Leitura, totalizando 07 pessoas da equipe de diretores de escola e pedagógica. É uma escola que tem um andar, aproximadamente 15 salas, uma sala de leitura, um laboratório de informática equipado com 18 computadores e um projetor multimídia móvel.

No dia 08 de fevereiro de 2016, fizemos a primeira visita às escolas A e B e, no dia 09 de fevereiro, a primeira visita à escola C, para falar pessoalmente com os respectivos diretores e conseguir um documento de autorização para a execução da pesquisa. Após autorização da Direção, solicitamos a relação de todos os professores que tinham sede de controle de frequência nas três escolas. Com a relação em mãos, separamos os professores pelo campo do saber, de acordo com a formação de cada um. Para a seleção dos professores, participamos, em cada uma das escolas, da reunião denominada Aula de Trabalho Pedagógico Coletivo (ATPC), na qual os professores se reúnem com a equipe gestora com vistas à formação pedagógica, em fevereiro de 2016, quando apresentamos o projeto de pesquisa e registramos os nomes e contatos dos professores que se disponibilizaram a participar da pesquisa. Como o número de professores que se dispuseram a participar voluntariamente foi maior que o número determinado para a pesquisa em todas as escolas, utilizamos um segundo critério para seleção, o de maior tempo de docência na escola, chegando a três professores por unidade escolar.

Para maior conhecimento dos diretores de escola e professores entrevistados, entregamos um questionário individual, Apêndice 3, no qual buscamos coletar informações para a elaboração do perfil dos participantes da pesquisa. A integração com os professores e diretores de escola das escolas foi primordial e significativa para todo o procedimento da pesquisa.

O primeiro encontro com cada professor que se dispôs a participar desta pesquisa ocorreu em março de 2016, em uma ATPC. Expusemos um resumo do projeto de pesquisa, esclarecemos

39 Informações cedidas pela Direção da Escola em 09/02/2016.

os métodos que empregaríamos para coleta dos dados, no caso uma entrevista semiestruturada gravada, e só então solicitamos o preenchimento do questionário individual. Todos os professores entrevistados assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) em duas vias, ficando uma via com o pesquisador e a outra com o participante, a quem foi garantido o sigilo de sua identidade. Aos participantes foi informado que poderiam sair a qualquer momento do presente estudo, se assim o desejassem. A coleta foi feita em data, horário e local, estabelecidos pelos entrevistados. Em relação ao local, todos optaram pela escola e, quanto ao horário, as entrevistas foram feitas em período de aula vaga, ou antes, ou depois ATPC.

No mês de abril de 2016, entrevistamos o diretor e um professor de cada escola, totalizando os participantes da pesquisa. As entrevistas ocorreram na sala da coordenação por ser um local reservado. Aproveitamos o momento para mencionar a questão da preservação da identidade dos participantes e o sigilo dos dados e de suas colocações que seriam gravadas.

Salientamos a seriedade com que o PPGE da UNIMEP trata as pesquisas, especialmente aquelas que envolvem pessoas, assegurando lealdade dos relatos e resultados averiguados nas pesquisas.

No decorrer das entrevistas, fomos constatando a manifestação de outras questões sobre as concepções do uso ou não uso das TIC nas escolas como condição de conectividade insatisfatória, equipamentos ultrapassados, falta de formação continuada para uso das TIC nas aulas e na implantação dos programas e ações que preconizam as tecnologias.