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5 O POTENCIAL DE CONTRIBUIÇÃO DA PPCS PARA A

5.2 DOUTRINA

5.2.4 Logística combinada

A logística desempenha papel fundamental no sucesso das operações

militares, sejam elas convencionais ou não. Tudo começa, continua e termina pela

função de combate logística, pois é ela que sustenta as ações por meio da gestão

orçamentária e financeira, recursos humanos, suprimento, manutenção, alimentação,

acomodação, transporte e outros.

Dada a sua importância e complexidade, o EMCC editou o manual Logística

para operações combinadas entre as Forças Armadas da Argentina e do Chile, com

o objetivo de proporcionar alinhamentos e orientações por ocasião de operações

conjuntas e combinadas entre os dois países. O emprego de uma logística

conjunta-combinada, sendo coordenada centralizadamente, requer ampla padronização de

princípios e procedimentos e um comando e controle especial. Isso, quando bem feito,

pode aumentar em muito o poder de combate da Força (ARGENTINA; CHILE, 2012).

A logística combinada é definida como sendo uma “atividade logística

coordenada, que envolve duas ou mais nações apoiando uma Força Multinacional

que realiza operações militares sob os auspícios de uma aliança ou coalisão”

(ARGENTINA; CHILE, 2012, p. 2, tradução nossa). Ela possibilita às partes reduzir

custos humanos, materiais e econômicos em consonância com os tratados e acordos

estabelecidos (BRASIL, 2014a).

Esse apoio logístico combinado difere em muito daquele empregado em

operações conjuntas dentro de cada Estado, pois englobam diferentes culturas e

abordagens em matéria de suporte logístico. Isso implica em como os Estados partes

de uma Força combinada devem organizar, preparar e executar o apoio logístico para

cumprir suas missões em áreas de operações distantes, logisticamente austeras e

envolvidas em catástrofes naturais, além do tempo escasso para fazer frente a

múltiplas demandas de operações simultâneas (ARGENTINA; CHILE, 2012).

Para tanto, o manual apresenta os princípios da logística combinada a serem

seguidos pelas partes componentes da FPCS como sendo:

1) Apoio às operações – a estrutura logística deve buscar o êxito da operação;

2) Responsabilidade – de manter o apoio logístico funcionando a contento;

3) Autoridade - para a definição do melhor apoio a ser prestado;

4) Cooperação – máxima entre todos os envolvidos;

5) Coordenação - as ações logísticas devem ser detalhadamente

coordenadas;

6) Suprimento - deve ser mantido nos níveis que proporcionem

operacionalidade;

7) Flexibilidade - para adaptar de acordo com as necessidades e restrições

legais;

8) Simplicidade - dos planejamentos e ordens;

9) Oportunidade - a preparação deverá ser prévia;

10) Economia - por meio da coordenação e acordos mútuos;

11) Conhecimento situacional - necessidade do conhecimento mútuo da

capacidade logística (material, armamento, equipamento, meios de transporte e

outros meios de combate) de cada uma das partes envolvidas. Essa informação deve

circular facilmente entre as diferentes autoridades militares e as autoridades civis

envolvidas na FPCS; e

12) Sinergia – entre as partes envolvidas e em todos os níveis, evitando a

duplicação desnecessária de esforços.

Colocar em prática estes princípios é de fundamental importância para o

sucesso da parceria entre países em uma operação, pois conforme destacado por

Donald et al (2015), forças combinadas tendem a minimizar e/ou compensar as

deficiências logísticas dos Estados participantes, aumentando a eficiência operativa

dos países e diminuindo os custos de uma missão, além de otimizar o emprego de

pessoal e de material.

O capítulo II do manual aborda o planejamento do apoio logístico nas

operações combinadas, que tem como finalidades principais determinar a

organização e a estrutura requeridas para materializar o apoio logístico de todas as

funções logísticas de combate e determinar as necessidades, disponibilidades e

carências para apoiar e sustentar as operações da FPCS. Ainda destaca que para

que operações combinadas obtenham êxito são necessários tato, diplomacia e

conhecimento das doutrinas e capacidades das forças envolvidas, além de um bom

relacionamento pessoal entre os comandantes aliados e os líderes políticos.

Cabe ressaltar que o planejamento logístico no âmbito da FPCS ocorre nos

níveis estratégico, operacional e tático, sendo que ambas as partes precisam

estabelecer um contato cerrado e fluido o mais cedo possível, daí a importância dos

exercícios no terreno, seminários logísticos e reuniões técnicas bilaterais durante a

etapa stand by.

Da mesma forma, deve ser levado em consideração que esse planejamento

logístico combinado é bastante complexo, pesado e oneroso, devendo ser realizado

conjuntamente com o planejamento da operação como um todo. De forma simplista,

ele engloba prever e prover os meios necessários para a Força sobreviver, mover-se

e combater desde os pontos de partida até o interior do TO, além do retorno aos

países de origem.

O capítulo seguinte trata do comando e controle (C2) logístico. Segundo o

documento, comunicações rápidas, seguras e confiáveis entre as nações e a

compreensão mútua dos fatores de força e fraqueza das partes envolvidas são a base

para a cooperação e o êxito do planejamento e da execução das operações logísticas.

Quanto mais profunda for a normalização dos materiais, procedimentos e doutrina,

maior será a cooperação, a compreensão mútua e mais exitosa será missão. Inclusive

o manual destaca que a ativação de um Centro Binacional de Logística Combinada

durante o emprego da FPCS facilitaria a coordenação de todo o apoio logístico para

a Força (ARGENTINA; CHILE, 2012).

Os EMCJ das FFAA da Argentina e do Chile são dotados de núcleos

especializados em logística, aptos a coordenar as necessidades específicas da

logística no nível estratégico. Quando do emprego da FPCS, os núcleos de ambos os

países recebem as diretrizes iniciais do escalão político para iniciar os planejamentos

logísticos. Em coordenação com representantes de ambas as nações, definem as

necessidades logísticas para todas as etapas de emprego e integram os respectivos

planos, definindo prioridades e minimizando conflitos. Emitido o plano estratégico de

logística, o Oficial Logístico do EMCC da FPCS realizará o planejamento logístico no

nível operacional e supervisionará e controlará o esforço logístico no TO (ibidem). Não

é demasiado alertar que a estrutura de C2 logística deve estar integrada com a

estrutura de C2 da operação, pois são interdependentes.

O manual destaca ainda que o emprego de uma logística conjunta-combinada

sob um comando centralizado pode aumentar a habilidade e a capacidade de

Argentina e Chile empregar e manter uma Força em operações multilaterais de

maneira mais eficiente e eficaz, reduzindo o tempo de reação quando acionado,

diminuindo o tamanho da estrutura logística e incrementando a flexibilidade

operacional.

Por fim, o manual é bastante abrangente e teórico, sendo que a sua utilização

vai além da FPCS. Ele orienta e estabelece padrões e procedimentos que se

destinam, como o seu título indica, a todas as operações combinadas entre ambos os

países. A logística é sem dúvida uma das partes mais sensíveis da FPCS, uma vez

que envolve grandes esforços humanos e orçamentários e, por consequente,

decisões de instâncias superiores.

Todo o esforço de planejamento logístico combinado incrementa a integração

militar bilateral Argentina-Chile pois para que o apoio logístico seja exitoso em

operações combinadas, ou mesmo nos exercícios de adestramento, há a necessidade

de um alto grau de coordenação, sinergia, comunicação, cooperação e planejamento,

fazendo com que os envolvidos com o planejamento logístico, em todos os níveis,

busquem um contato estreito e fluido. Isso também favorece o conhecimento mútuo e

o intercâmbio de informações e de experiências a respeito da doutrina e da

capacidade logística das partes envolvidas, o que colabora para a construção de uma

identidade de defesa binacional.

Além do que foi abordado, os Coronéis Marmonti e Vergara (colaboradores)

destacam que dada a importância do tema, são realizados sistematicamente

seminários logísticos para os integrantes da Força, quando se aproveita para trabalhar

e coordenar esta área vital para o emprego e sustentação da FPCS.