2.2. Resíduo oriundo do Setor eletroeletrônico
2.2.4. Logística reversa e gestão dos resíduos sólidos
No tocante a gestão dos resíduos sólidos classificados como REEE é importante comentar sobre a logística reversa. Segundo o art. 3º da Lei nº 12.305, de 2010 que regulamenta a PNRS (2010):
A logística reversa é o instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada (BRASIL, 2010, art3º).
A responsabilidade da logística reversa segundo o art. 3° da lei nº 12.305, de 2010: É compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, a ser implementada de forma individualizada e encadeada, abrangendo os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, os consumidores e os titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, consoante as atribuições e procedimentos previstos nesta Seção (BRASIL, 2010, art 30º).
E quanto à obrigatoriedade da logística reversa, o Art. 33. da lei 12.305/2010 deixa claro que:
São obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de diversos produtos, entre eles produtos eletroeletrônicos e seus componentes (BRASIL, 2010, art 33º).
Na Figura 15 é ilustrado resumidamente como acontece o processo da logística reversa com a destinação ambiental correta dentro do ciclo de vida dos produtos.
Figura 15: Ciclo da logística reversa com a destinação ambiental correta dos resíduos (Fonte: Adaptado de PNRS, 2010)
Como pode ser observado na Figura 15, o clico de vida de um produto está ligado à logística reversa, uma vez que os produtos utilizados pelos consumidores podem ser reutilizados e voltam ao varejo. Que por sua ver, destina estes produtos reusados para as indústrias de matéria prima aproveitar em seus processos, gerando com isso um fluxo de negócios. Outro ponto em destaque na logística reversa, ilustrado na Figura 15 é a reciclagem dos produtos que foram consumidos e não podem ser reusados. Partes desses produtos são reciclados e voltam às indústrias, outra parte é destinado ao descarte ambientalmente correto que irá depender da natureza do produto (compostagem, incineração, aterro e lixão) (PNRS, 2010).
A logística reversa está ligada a todas as operações relacionadas à reutilização de produtos e materiais, se mostrando um tema bem amplo. Estão relacionadas com a logística reversa as atividades de coletar, desmontar e processar produtos ou materiais e peças com objetivo de proporcionar uma recuperação sustentável (REVLOG, 2002 apud CARELLI, 2016).
Há cinco questões básicas que a logística reversa lida, e elas podem ser resumidas da seguinte sequência e forma: Quais são as escolhas disponíveis para recuperar produtos, partes de produtos e materiais? Quem é o responsável por realizar as diversas atividades de
recuperação? Como devem ser realizadas essas atividades? As atividades de logística reversa podem ser integradas com os sistemas de distribuição e produção clássicos? Do ponto de vista econômico e ambiental, quais são os custos e benefícios da logística reversa? (LEITE, 2003 apud CARELI, 2016).
Os produtos depois de usados pelos consumidores, antes nunca foram motivo de preocupação para as empresas de manufatura. Esses produtos na maioria das ocasiões eram descartados pelos consumidos sem levar em conta os consideráveis danos ao meio ambiente. Nos dias atuais os consumidores e autoridades estão mais rigorosos com os fabricantes, que são cobrados por reduzir a geração de lixo proveniente da produção/manufatura (REVLOG, 2002 apud CARELLI, 2016). Contudo, esse novo pensamento só foi possível por meio de novas leis de gerenciamento de resíduos, que dão ênfase à recuperação dos resíduos, devido aos altos custos e danos ambientais do descarte incorreto. As empresas são forçadas por meio de leis ambientais a receber de volta seus produtos e cuidar de seu tratamento; ao reusar os produtos devolvidos no processo produtivo são obtidos alguns benefícios econômicos, somados a isso, há um crescimento do número de consumidores com maior consciência ambiental, principalmente o público jovem (REVLOG, 2002 apud CARELLI, 2016). As obrigações previstas na Lei 12.305 de 2010 são mostradas na Figura 16.
Figura 16: Obrigações da Lei: Política Nacional de Resíduos Sólidos (Fonte: BRASIL, 2010).
Existem dentro da logística reversa algumas opções para a recuperação de produtos que são: reuso direto, reparo e reciclagem. No reuso direto os produtos são limpos e recuperados de maneira que têm condições de retornar ao consumidor. No reparo, o produto é
consertado e retorna ao seu estado original. Na reciclagem, o objetivo é utilizar a totalidade ou parte dos materiais do produto devolvido. Os produtos reciclados e recuperados são utilizados no processo do produto original ou servem de matéria prima para outras indústrias (REVLOG, 2002 apud CARELLI, 2016).
Um termo usual no processo de reciclagem é o Refurbishing que diz respeito ao produto ser atualizado para que alcance padrões de alta qualidade e semelhantes operações ao produto original. E outro termo usual é remanufatura que consiste no desmonte dos produtos em módulos e parte que são avaliadas. As peças podem ser consertadas ou trocadas e o produto remanufaturado adquire uma avaliação de qualidade e as condições de produto novo com garantia (REVLOG, 2002 apud CARELLI, 2016).
2.2.4.1. Logística reversa e coleta seletiva
A logística reversa diz respeito à obrigação de estruturar sistemas que permitam o retorno de produtos manufaturados ao setor empresarial, exemplos desses produtos são: pneus, pilhas, baterias, lâmpadas fluorescentes, eletrodomésticos, eletroeletrônicos. Essa obrigação é dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de determinados tipos de produtos, para que estes voltem ao setor empresarial e sejam reinseridos no ciclo produtivo ou encaminhados a destinação ambientalmente correta (MMA, 2019).
Então, pode se dizer que a logística reversa é uma obrigação do setor empresarial, principalmente os resíduos que são em sua maioria de natureza perigosa. Por outro lado, a coleta seletiva é responsabilidade dos titulares dos serviços de manejo de resíduos sólidos (poder público). E diz respeito à coleta diferenciada ou separada de resíduos organizados segundo sua composição ou constituição. Os resíduos semelhantes são colocados e coletados juntos pelo gerador que pode ser um cidadão, indústria privada ou instituição pública (MMA, 2019).