• Nenhum resultado encontrado

Capítulo II: Caracterização do território em análise: Luanda (Angola)

2.5 Luanda da atualidade com os mesmos problemas de ontem

Em 2002 finalmente à paz torna-se uma realidade, Luanda (e Angola) vivem intensamente esta realidade, era o fim de uma guerra que durou 27 anos e que adiou o sonho de milhares de angolanos. Era o caminhar de uma nova Angola na materialização de políticas económicas que visavam dar uma outra dinâmica e criar condições que permitissem o desenvolvimento do país com reflexo direito no bem-estar da sua população.

Ao longo destes 13 (trezes) anos de paz efetiva o país e em particular Luanda, registou melhorias significativas na economia, o processo da consolidação da democracia vem ganhando cada vez mais expressão em alguns domínios da sociedade civil, as infraestruturas estão sendo (re)construídas em quase toda extensão de Luanda – as zonas rurais dão lugar aos espaços urbanos ̶ a saúde e a educação tiveram algumas melhorias. Porém, foram insuficientes para uma província cujo o país entre 2005 a 2009 registou umas das maiores taxas de crescimento económico do mundo, à dependência do sector petrolífero, e a má gestão dos recursos públicos, tornaram a economia num paradoxo «recursos naturais em abundância e agravamento da pobreza». As políticas para a diversificação económica falharam, a oscilação do preço do barril de petróleo tornou a economia muito vulnerável. Durante os 13 anos de hegemonia petrolífera o país não foi capaz de dinamizar a economia de outras províncias, para que deste modo pudesse desafogar Luanda do elevado número de habitantes, e perspetivar uma melhoria ao nível social das províncias. Para alguns atores políticos o problema está na concentração e na dependência que muitas províncias têm a partir de Luanda, o que resulta em assimetria regionais.

Com o emergir da Terceira República em 2010, e com os problemas sociais e de valores éticos que Luanda (e Angola) apresentava, fez com que o Governo definisse um conjunto de medidas administrativas e económicas que pudessem inverter o quadro caótico que à sociedade atravessava, passando pela restruturação da gestão administrativa da província, conforme o layout:

55

Fig. 2.14: Organograma de Gestão Administrativa da Província de Luanda

Fonte: Elaboração própria a partir do Decreto Presidencial nº 293/14.

Luanda é uma das 18 província de Angola que tem no seu estatuto orgânico de gestão administrativa, um presidente de comissão administrativa42 para gerir um município, nesse caso o município de Luanda que também é a capital de Luanda. Os municípios de Luanda apresentam problemas da dimensão de uma província – falta água, luz elétrica, ruas esburacadas, problemas de ordenamento de trânsito, construções antárticas em zonas de risco, falta assistência médica e medicamentosa em alguns postos de saúde, vendas em locais impróprios, deficiência na prestação de serviços administrativos, aumento de casos de violência doméstica e delinquência juvenil. Em 2014 o Presidente da República num encontro de concertação com o elenco diretivo da Província, fez saber que os municípios de Luanda passariam a ter um estatuto equiparados às das províncias, de forma a responderem aos novos desafios que a província impõe:

Precisamos de um esforço acima da média para podermos atender às necessidades básicas de toda a sociedade, precisamos também de ordem e disciplina em toda a província para que cada um saiba o seu lugar e o seu papel e possa dar a sua contribuição (…) é evidente que existem muitos problemas por resolver e que criam muitas dificuldades. (…) dos cerca de um milhão de pessoas em 1991, Luanda passou a ter mais de cinco milhões em 2002 e hoje já tem mais de sete milhões de habitantes (…). Aumentou a construção informal de bairros periféricos sem infra-estrutura mínima indispensável e sem condições de habitabilidade e salubridade. Muitos bairros com carência de serviços básicos como saúde e educação, abastecimento de água potável e energia eléctrica, esgotos, limpeza regular e recolha do lixo. «O governador» tem de estar completamente disponível, ter grande capacidade e mesmo qualidades especiais para prever a situação da evolução, saber orientar os subordinados e saber tomar medidas pertinentes. Preconizamos para a província de Luanda um modelo de desconcentração administrativa profunda, através de uma

42 Diário da República Iª Série Nº 191 -Decreto Presidencial nº 52/15 de 02 Março (vide em Anexo).

Governador Provincial Administrador da Cidade Administrador Comunal Administrador do Distrito Urbano Presidente da Comissão Administrativa do Município de Luanda e Administrador Municipal

56

delegação legal de competências que hoje são atribuídas ao Governo Provincial e que passam para as Administrações Municipais, incluindo o caso específico do município de Luanda43

Nesta perspetiva estão sendo criadas políticas de requalificação da cidade, o Plano Directório Geral Metropolitano de Luanda já se encontra na sua primeira fase, infelizmente existem ainda os problemas de realojamentos das famílias que estão abrangidos de acordo o perimetro definido pelo projeto, assituação do realojamento é um problema bastante sério, porque é recorrente a deficiência do controlo e da criação minímas de condições por parte do governo local durante o processo do realojamento das famílias. As centralidades surgem no âmbito da política habitacional para a população de baixa e média renda. No âmbito de políticas de fomento ao emprego, o governo tem vindo a criar programas que visam dar suporte aos pequenos empresários, desta feita criou o Balcão Único de Empreendedor (BUE), como mediador entre os bancos comerciais e a população empreendedora. O Programa de Apoio ao Pequeno Negócio (PROPAN) serve para promover o autoemprego e a melhoria da qualidade de vida, são programas que têm um acompanhamento e são financidos com taxas de juros bonificadas.

Os valores éticos têm sido um outro em decape na sociedade Luandensa, a identidade cultural tem sido fortemente abalada pela confluência de outros povos que ao longo destes anos vão residindo em todas as zonas de Luanda. A camada mais afetada é a dos jovens que desconhecem os valores culturais dos seus progenitores, o problema tem sido abordado em vários fóruns da sociedade, com participação de pais, entidades religiosas e políticas, para muitos a perda de valores está na própria dinâmica que a província vem apresentado, como uma grande metrópole, impondo mais sacrifícios para os seus munícipes na luta pela sobrevivência.

As igrejas sempre exerceram um papel bastante preponderante na educação e formação dos habitantes desta província. Luanda é maioritariamente cristã, seguido pela protestante e evangélico. As principais igrejas são: Católica, Tocoista, Jeová, Universal, Pentecostal e Josefhat (ex-Maná). Neste contexto algumas igrejas têm estado cada vez mais empenhadas na (re)educação e formação da sua população criando Instituiçoes de Ensino Superior.

43http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/municipios_de_luanda_com_maior_orcamento_1 acessado em 13/02/2016.

57