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1 CONTEXTUALIZANDO O EIXO LITORAL NORTE: DESCORTINANDO O

1.3 O LUGAR, LOCAL E IDENTIDADE

Como a dissertação aborda conceitos como lugar, local e identidade foi

primordial inicialmente entender e definir o que os teóricos conceituam sobre os temas

para dar continuidade aos significados que os bairros possuem nesses aspectos.

1.3.1 Conceituando o lugar

Definir o lugar está baseado nas experiências do homem, suas vivências e sua

identidade. O lugar pode ser analisado segundo a tríade (habitante – identidade –

lugar). A relação do indivíduo com o espaço habitado está diretamente ligada com os

modos de usos; é possível de ser sentido, pensando, apropriado e vivido através dos

sentidos do corpo (CARLOS, 2007).

O espaço vivido, o lugar, contém em si todo o significado e aspectos da vida,

representados através das memórias e sentidos do corpo. São experiências que além

de permitir a vida, agregam as marcas de diversas gerações que já viveram ali

(CARLOS, 2007).

Cada sociedade produz seu espaço, seja uma cidade, um bairro, uma rua. Não

seria correto considerar a cidade toda como um lugar, ela só pode ser vivida

parcialmente. A relação e apropriação do homem com o lugar que ele deseja estar,

através de sua locomoção, pode ser considerado o espaço habitado. Esse poder de

escolha cria laços profundos com o espaço que o homem habita dentro da cidade

(CARLOS, 2007).

São através desses lugares que se pode interpretar o cotidiano e modo de vida

da comunidade, estudando a forma como se locomove, trabalha e passeia, criando

um espaço palpável, com significado dado pelo seu uso (CARLOS, 2007).

No Litoral Norte em seus bairros, é perceptível que cada lugar conta uma

história. São fatos que marcaram a vida de uma sociedade ou apenas de uma pessoa.

Foram memórias carregadas e vivenciadas através dos sentidos do corpo que

geraram marcas que foram passadas de geração em geração.

O lugar criado através das relações entre o homem e a natureza gera uma

história, cria uma relação intima com seus viventes e produz uma sensação de

pertencimento como relata Carlos (2007):

O lugar é produto das relações humanas, entre homem e natureza, tecido por relações sociais que se realizam no plano do vivido o que garante a construção de uma rede de significados e sentidos que são tecidos pela história e cultura civilizadora produzindo a identidade, posto que é aí que o homem se reconhece porque é o lugar da vida. O sujeito pertence ao lugar como este a ele, pois a produção do lugar liga-se indissociavelmente à produção da vida.

Os bairros, os lugares, foram e são palcos de muitas lembranças e

acontecimentos que marcaram e ainda marcam a vida de seus habitantes. O espaço

vivido foi apropriado pelos seus moradores que valorizam a cultura e a participação

que tiveram sobre a história de Alagoas.

Lugar significa muito mais que o sentido geográfico de localização. Não se refere a objetos e atributos de localizações, mas a tipos de experiência e envolvimento com o mundo, a necessidade de raízes e segurança (RELPH, apud CASTELLO, 1998).

Nesta dissertação, demonstra-se como o lugar é importante para as pessoas,

através das pesquisas e levantamentos. Não é apenas uma localidade ou uma

passagem, mas como o espaço seja ele arquitetônico ou urbano, consegue datar o

tempo, absorver as temporalidades tornando-se um marcador de tempo nas memórias

das pessoas.

As cidades se modificam, se desenvolvem no tempo com uma velocidade

delimitada por menos de uma geração completa, o que resta são as memórias. Como

cita Benévolo (1984):

A velocidade é tão grande a ponto de apagar o ambiente de uma geração anterior. Os jovens não conhecem a cidade onde os adultos viviam quando também eram novos.

Os cenários mudam, as paisagens se transformam, os entornos não mais se

comunicam, o que restam são as comunidades com suas tradições e vivências, que

se envolvem intensamente e estão dispostas a manter e ou criar raízes e mais

histórias.

A globalização se materializa no lugar onde a sociedade urbana vive seu

cotidiano. A produção do espaço é palco das vivências pessoais onde os significados

e as histórias são guardadas e sentidas a partir do lugar.

A cidade deve evoluir e consigo traz consequências nas configurações dos

bairros, seja em seu traçado urbano, escala ou sociedade. No Litoral Norte,

encontra-se suas peculiaridades e mesmo sofrendo alterações no encontra-seu cotidiano, precisam de

vínculos de memória em sua comunidade para que sejam mantidos e lembrados.

1.3.2 Conceituando a identidade

A identidade de um povo está diretamente ligada às questões culturais e formas

de disseminar o seu modo de vida. Em síntese, são através dessas peculiaridades

que é possível analisar e entender uma determinada comunidade.

Segundo Hall (2006), as concepções de identidade podem ser divididas em três

categorias que são elas: sujeito do iluminismo, sujeito sociológico e o sujeito

pós-moderno.

Para o primeiro sujeito, era caracterizado por um ser humano totalmente

centrado, onde já nascia com a identidade formada e apenas a desenvolveria com o

passar da vida, permanecendo idêntico. Já o sociológico, poderia ser formado através

de outras pessoas, que proporcionariam cultura, vivência, símbolos e valores. O

pós-moderno, sujeito que não teria uma identidade fixa, podendo ser transformada através

da cultura que os rodeiam (HALL, 2006).

Nos bairros em estudo, a permanência da cultura passada de pai para filho é

mais abrangente do que outras culturas. Os valores e costumes são inseridos e

moldados aos novos viventes. Dessa forma, temos a prevalência da tradição por

muitos anos.

As sociedades estão em constantes mudanças, as identidades culturais

formam a memória social de um povo e mesmo com a urbanização, a eminente

verticalização local, as interferências na rotina, nota-se a tentativa de manter viva a

característica e a forma peculiar de se viver.

É preciso entender a identidade cultural de um povo para que se possam

disseminar e manter viva as experiências, continuando a existir mesmo com

readequações de pessoas, locais e modos de saber e fazer. O entendimento da

conceituação local, do que está enraizado nas pessoas, as raízes de um povo, raízes

de uma comunidade geral.

2. SABORES, CULTURA E COMUNIDADE: AS PECULIARIDADES DOS