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4. PROCESSO DE OCUPAÇÃO DA REGIÃO DO PONTAL E CRIAÇÃO DO

4.4. Luta de conquista do Assentamento Vale Verde

Conhecida pela maioria da população do município de Teodoro Sampaio, como Assentamento Ribeirão Bonito, também popularmente conhecido como Gleba Ribeirão Bonito, o assentamento foi criado após 21 anos de esperas e lutas. O uso do termo popular Gleba Ribeirão Bonito em substituição ao termo assentamento, deu-se em virtude da origem das famílias da antiga Fazenda Ribeirão Bonito, que em sua maioria eram posseiros.

Diferentemente de outros assentamentos do município e região, pela condição de posseiros, e que, portanto, já residiam na área que se transformou em assentamento há quase duas décadas e meia, nota-se no assentamento Ribeirão Bonito, formado da reunião de sete assentamentos relações de parentesco entre as famílias, Tabela 2. Esse assentamento é resultado do processo de luta de conquista mais antigo do município de Teodoro Sampaio. Estiveram envolvidos no processo de luta trabalhadores rurais, sem-terras, posseiros, fazendeiros e o Estado.

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TABELA 2 - ASSENTAMENTOS QUE COMPÕEM A ANTIGA FAZENDA RIBEIRÃO BONITO

Nome do assentamento Número de Área (ha)

Área média dos lotes (ha)(a) PE CACHOEIRO DO ESTREITO 29 490 16,9 PE CORREGO AZUL 9 226 25,1 PE HAIDÉIA 24 868 36,2

PE SANTA RITA DA SERRA 40 837 20,9

PE SANTA VITÓRIA 27 515 19,1

PE SANTO ANTONIO DOS COQUEIROS 23 485 21,1

PE VALE VERDE 50 1.010 20,2

TOTAL 193 4.206,71 16,81

Fonte: DATALUTA, 2010.

Segundo Borges (1996), o conflito entre posseiros e grileiros da Fazenda Ribeirão Bonito, teve inicio em 1976. Contudo, foi somente após a morte do Fazendeiro Antonio Cândido de Paula, quando o seu filho Álvaro Candido de Paula assumi o controle da fazenda no ano de 1980. Após intensas disputas judiciais, o governo federal, declara a propriedade para fins de implantação de projetos agrários.

Cabe ressaltar, que o conjunto dos sete assentamentos que compõem a Gleba de Terras que deu origem ao Assentamento Ribeirão Bonito, Tabela 2, instalado na antiga Fazenda Ribeirão Bonito, apesar das suas especificidades, no que diz respeito à criação de cada um dos assentamentos do conjunto, fazem parte de um mesmo processo de conquista.

Foram inúmeras as ordens de desapropriação e liminares de reintegração de posse da área. Segundo Borges (1996), o ganho da liminar de reintegração de posse pelo fazendeiro, dada a improcedência da área duravam pouco, sendo que no ano de 1986, o então Presidente da República José Sarney decretou novamente a desapropriação da fazenda para fins de reforma agrária. Ainda de acordo com Borges (1996), Álvaro Candido recorre novamente da ação, conseguindo a suspensão da mesma, porém o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA recorreu da decisão a fim de concretizar sua desapropriação.

No ano de 1990, a justiça deu ganho de causa ao INCRA, favorecendo os posseiros, mas o órgão não tomou as devidas providências e, mesmo após a desapropriação da área, a condição do decreto não prevaleceu, resultando em uma nova situação de conflito. As lutas entre fazendeiro e posseiros se acirraram no início dos anos 80, período em que algumas famílias trabalhavam para o fazendeiro “grileiro” na derrubada da mata, processo anterior a formação das pastagens.

Ambos realizavam o chamado “contrato de gaveta”, que estabelecia que os arrendatários trabalhassem por um período de dois a três anos na área, onde teriam como garantia de sobrevivência uma parcela de terra para plantar.

Ao final desse período, deveriam deixar a área com pastagens formadas e se deslocarem para outra área da propriedade, dando início a um novo processo de desmatamento caso não quisessem sair para outra fazenda. Transcorridos alguns anos desta prática e com a chegada do MST a região por temer a resistência dos posseiros/arrendatários, o fazendeiro decidiu pela quebra do contrato de gaveta, dando início a uma nova série de conflitos.

Visando pressionar as famílias, o deu início a uma série de perseguições. Em relatos das famílias dos assentamentos foi informado que na época o fazendeiro soltou seus rebanhos para que as roças dos posseiros fossem pisoteadas, proíbe o uso da água, cercou a estrada que dava acesso ao interior da Gleba e propôs novas ações de despejo. Apesar de fracassada, neste período o fazendeiro procurou a mediação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Teodoro Sampaio para realizar a mediação dos seus interesses com as famílias.

Segundo entrevista feita com Zé Prego apud Junior, (1986) posseiro e líder da gleba, o fazendeiro havia firmado um contrato verbal em 1971, para que se derrubasse a mata e num prazo de três anos a terra fosse entregue plantada com capim colonião. Visando auxiliar no processo de desmate, os posseiros tiveram permissão para trazer outras famílias para fazenda Ribeirão Bonito, Junior (1986).

As versões, de ambas as partes, divergiam, ora o fazendeiro dizendo que a relação com os posseiros era pacífica ora os posseiros revelando artimanhas e ameaças de despejo realizado pelo fazendeiro.

Segundo Borges (1996), essas posses oscilava de 1 a 12 ha, sendo que existiam casos de pessoas com mais de uma posse. No ano de 1996 com a organização destas famílias pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, foi possível unificar a luta dos posseiros e com a mediação do Instituto de Terras do Estado de São Paulo “Fundação José Gomes da Silva” – ITESP no ano de 1997 é feito o pagamento das benfeitorias aos proprietários do conjunto de fazendas que deram origem ao Assentamento Ribeirão Bonito, Tabela 2.

PARTE 3

DIMENSÃO - CARACTERIZAÇÃO DO ASSENTAMENTO

VALE VERDE: análise multidimensional

5. CARACTERIZAÇÃO DO ASSENTAMENTO VALE VERDE: ANÁLISE MULTIDIMENSIONAL

Nesta parte do trabalho apresentamos a análise de sete dimensões: aspectos físicos, dados da família; educação; mercado cooperativismo; tecnologia, trabalho, produção e produtividade; infra-estrutura e reorganização social. A compreensão da multidimensionalidade do assentamento Vale Verde é dada pela leitura destas dimensões.

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