• Nenhum resultado encontrado

CAPÍTULO III ENQUADRAMENTO METODOLÓGICO

4. Método Adotado

A ‘linguagem’ que colocamos então nesta investigação para captar as respostas da realidade foi o método de Estudo de Caso de tipo exploratório que, como se sabe, se destina à obtenção de informação preliminar sobre uma problemática de análise e delineação de questões orientadoras de um estudo futuro (Yin, 2005).

Um Estudo de Caso é uma investigação que se baseia principalmente no trabalho de campo, estudando uma pessoa, um programa ou uma instituição na sua realidade, utilizando para isso, entrevistas, observações, documentos, questionários e artefactos (Yin, 2005), o que permite “explorar, descrever, explicar, avaliar e/ou transformar” (Gomez, Flores & Jimenez, 1996: 99).

Assim, o estudo de caso apresentou-se como o método mais consentâneo com a nossa matriz de análise da realidade na nossa investigação pois o tipo de conhecimento que produz é interpretativo - procura compreender como é o mundo do ponto de vista dos participantes; e pragmático - pretende proporcionar uma perspetiva global, completa e coerente, do objeto de estudo, do ponto de vista do investigador. O Estudo de Caso traduz-se num forte cariz descritivo e, ao mesmo tempo, permite-nos o entrecruzamento das abordagens quantitativa e qualitativa pois pode assumir a abordagem de tipo misto que compõe a nossa constelação.

O facto do Estudo de Caso poder ser levado a cabo por um único investigador, permitir a focagem em pontos únicos e produzir conhecimento para outros casos, sem ambicionar a generalização dos resultados, carregando assim um forte cariz subjetivo, apresenta para nós a possibilidade de uma maior compreensão da realidade em estudo. Tal como refere Erikson (1986), o Estudo de Caso produz um conhecimento do tipo particularístico.

55

Yin (2005: 19) refere que “em geral, os estudos de caso representam a estratégia preferida quando se colocam questões do tipo ‘como’ e ‘porquê’, quando o pesquisador tem pouco controle sobre os acontecimentos e quando o foco se encontra em fenómenos contemporâneos inseridos em algum contexto de vida real”.

A problemática da nossa investigação é, efetivamente, um fenómeno contemporâneo, em contextos reais de vida. A construção de identidades aprendentes é, atualmente, uma premissa incontornável para a atuação dos indivíduos enquanto seres incluídos (ou excluídos) na sociedade do conhecimento. O estudo de caso permite-nos auscultar essa realidade particular que pode ser transversal a tantas outras.

Ao mesmo tempo, a nossa tentativa de interpretar esta realidade em estudo é auxiliada por este método pois permite “organizar um relatório ordenado e crítico de uma experiência ou avaliá-la analiticamente, objetivando tomar decisões a seu respeito ou propor uma ação transformadora” (Chizzotti, 1992: 102). Ora, a nossa ambição com esta investigação é, também, criar algumas pistas para o futuro. Com a modéstia de um estudo de caso exploratório, de um público particular, pretendemos problematizar e criar alguma sustentação teórica concretizada por testemunhos reais, que espelham as posições emancipadoras dos indivíduos numa altura em que o projeto fundador da educação ao longo da vida parece ter sido desvirtuado pelas lógicas economicistas do mercado.

A preocupação em fazer uma pesquisa o mais abrangente possível sobre o fenómeno em estudo e a necessidade de dar corpo ao presente relatório e ao relatório entregue ao Grupo Temático com quem trabalhamos, através do registo e análise dos dados e informações recolhidas, para que, na fase final do trabalho, fosse possível fazer uma problematização crítica do resultado final da investigação, legitimam a escolha pelo método de estudo de caso.

Para tentar dar resposta à nossa pergunta de partida e operacionalizar os objetivos gerais e específicos, recorremos então às técnicas de recolha de dados de análise documental, inquérito por questionário e entrevista centrada; no que respeita à análise de dados, fizemos uma análise estatística dos dados recolhidos pelo inquérito por questionário e uma análise de conteúdo da informação recolhida na entrevista centrada.

Tendo em consideração esta dupla abordagem no instrumento de investigação e as considerações já apontadas anteriormente, podemos dizer que se tratou essencialmente de uma abordagem mista, dividida em duas partes. Numa primeira parte, tivemos uma variante de inquérito por questionário de administração indireta, que foi administrado a todos os elementos

56

da amostra, dentro do possível; e, numa segunda parte, tivemos uma entrevista com as perguntas de investigação, que foi desenvolvida com um grupo representativo dos intervenientes, selecionado aquando a aplicação do inquérito.

Numa terceira parte, ou na parte que faz o todo – a configuração analítica – novas considerações epistemológicas foram desveladas. O imiscuir da nossa constelação de abordagens – com a estrela qualitativa e a estrela quantitativa – foi uma inevitabilidade. A lógica da descoberta que usualmente está mais patente na fase inicial do trabalho de investigação continuou a perpetuar-se até ao que chamamos de configuração analítica. E tal como é estruturante esta condição da heurística, um novo rumo de análise foi descoberta pela força da linguagem em que a realidade nos respondeu. Apraz-nos dizer que esta condição parece vir reforçar mais ainda a abordagem qualitativa deste estudo. Esta configuração analítica é assim caracterizada pelos vários

sentidos

que a investigação desta forma assume.

É nesta parte da investigação que o acesso a novos desenvolvimentos teóricos se processa através das descobertas da empiria, da realidade – as

identidades aprendentes

como uma

utopia provisória

.

5. 5. 5.

Documentos relacionados