2.2 DOSAGEM DO CONCRETO
2.2.2 Método de dosagem ABCP
traços devem atender à mesma faixa de abatimento especificada para o traço médio. Para cada um dos traços produzidos, é novamente realizada a moldagem das amostras, as quais devem ser curadas adequadamente e, nas idades pré-estabelecidas, ter suas propriedades no estado endurecido determinadas. Com base nas leis comportamentais do concreto e com os dados obtidos no estudo experimental, deve-se construir as correlações existentes, dando origem ao diagrama de dosagem, composto pelas três curvas mencionadas anteriormente. A partir dele, obtém-se uma interação entre a resistência à compressão, o consumo de cimento, a consistência e a relação água/cimento (RICCI; PEREIRA; AKASAKI, 2017).
A quantidade mínima de três traços permite um ajuste das equações de correlação de dosagem, possibilitando a construção do diagrama de dosagem, no qual, por regressão linear, pode-se lograr qualquer resistência que se queira dentro do intervalo estudado para traços de uma mesma família.
2.2.2.2 Descrição do método
O método de dosagem da ABCP aborda um conceito fundamental: para a obtenção de uma trabalhabilidade compatível com o menor volume de vazios possível, é necessário um proporcionamento entre os agregados graúdo e miúdo a fim de obter para a mistura o máximo do volume de agregado compactado seco por m³ de concreto. O método abrange uma classe de resistência característica à compressão do concreto, aos 28 dias de idade, entre 15 MPa (C15) e 40 MPa (C40) e relações água/cimento de 0,39 a 0,79. As etapas do método são apresentadas no fluxograma simplificado representado na Figura 5.
Figura 5 – Fluxograma simplificado do método de dosagem ABCP.
Fonte: Autor (2019).
A trabalhabilidade é controlada por diversos fatores, como os materiais constituintes, as condições de execução e adensamento, e as dimensões da peça estrutural. A consistência do concreto fresco para bons resultados do método deve ser de plástica a fluida. Esse procedimento de dosagem foi desenvolvido para misturas plásticas de maneira a fornecer baixo teor de areia, a fim de obter uma dosagem mais econômica. Caso haja necessidade de correção do traço, uma vez que a mistura esteja pouco argamassada, deve-se acrescentar mais areia à mistura, mantendo-se constante a relação água/cimento (BOGGIO, 2000).
Esse procedimento de dosagem pode ser apresentado numa sequência de etapas bem definidas, que incorporam um conjunto de tabelas, que facilitam a determinação dos parâmetros necessários para a obtenção do traço de partida. Entretanto, Tutikian e Helene (2011) afirmam que a desvantagem desse método é que os valores a partir dos quais é realizado o proporcionamento dos materiais são todos tabelados e essas tabelas não abrangem todos os tipos de materiais existentes.
Segundo Malta (2012), a aplicação do método exige definir as propriedades e caracterizar os materiais disponíveis para a mistura, determinando a dimensão máxima característica dos agregados, a massa unitária dos agregados graúdos, o módulo de finura do agregado miúdo e a massa especifica real dos materiais (agregados miúdos e graúdos e o cimento). Além disso, define-se as características que o concreto deve adquirir nos estados fresco e endurecido.
O desenvolvimento do método, segundo Boggio (2000), Assunção (2002) e Malta (2012), obedece uma sequência de etapas que são apresentadas a seguir.
a) Fixação da relação água/cimento
A primeira etapa consiste na fixação de uma consistência adequada para o concreto fresco, a qual fica condicionada, no método, ao tipo de elemento estrutural a ser executado e aos procedimentos de lançamento empregados. Para tanto, é fixada uma relação água/cimento, tomando como referência os critérios de durabilidade (capacidade do concreto resistir a ações de deterioração com o tempo) e a resistência mecânica requerida pelo concreto nas idades de interesse. O valor da relação água/cimento pode ser estimada em função da curva de Abrams, construída em função do tipo de cimento e dos materiais a serem empregados. Portanto, uma baixa relação água/cimento associada a cimentos especiais permitem reduzir a porosidade e a permeabilidade da pasta e contribuem para a obtenção de melhores desempenhos, quanto à durabilidade.
b) Estimativa do consumo de água de amassamento em função da dimensão máxima do agregado e abatimento do concreto
A quantidade de água de amassamento necessária para que a mistura adquira uma consistência adequada, medida pelo abatimento do tronco de cone, depende basicamente da granulometria, da forma e textura dos grãos, mais especificamente, da área específica do agregado total da mistura.
c) Estimativa do consumo de cimento
Feita a estimativa do consumo de água por metro cúbico de concreto e adotada a relação água/cimento, é realizada a estimativa do consumo de cimento, o qual depende diretamente do consumo de água e da relação água/cimento.
d) Estimativa do consumo de agregados
Considerando o tipo, as dimensões das peças estruturais e em função da distância entre as barras da armadura, seleciona-se a dimensão máxima característica do agregado graúdo, compatível com as características dos materiais economicamente disponíveis. No caso de misturas que utilizem dois ou mais agregados graúdos, recomenda-se que adote um proporcionamento entre os agregados graúdos que permita o menor volume de vazios. Isso é obtido quando os agregados são compactados de tal forma que se obtenha a máxima massa unitária na condição compactada. A determinação do consumo de agregado miúdo é realizada aplicando o método do volume absoluto.
Por fim, é possível determinar as proporções de materiais para um m³ de concreto, apresentando um traço unitário em massa de materiais secos. Uma vez determinado o traço teórico, procede-se à mistura experimental, que permite realizar os acertos necessários para obtenção de um concreto adequado aos requisitos de trabalhabilidade e desempenho exigidos.
Para a obtenção do traço final do concreto, sugere-se alguns cuidados e correções para o traço: na falta de argamassa, deve-se acrescentar areia, mantendo constante a relação água/cimento; no caso de excesso de argamassa, deve-se acrescentar agregado graúdo, mantendo constante a relação água/cimento; no caso da presença de agregados com alta absorção de água, deve-se fazer a correção do consumo de água levando em consideração a parcela absorvida pelo agregado.