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MÉTODO

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O método escolhido foi o qualitativo devido ao fato de o interesse estar voltado para a subjetividade dos participantes, neste método não é necessário que a quantidade de participantes seja representativa, pois a preocupação está voltada para o aprofundamento da compreensão do grupo pesquisado. A pesquisa também utilizou o método exploratório que, de acordo com Gil (2008), possui o objetivo de se familiarizar com um assunto ainda pouco explorado, com principal interesse nas pessoas que tiveram experiência prática com problemas semelhantes, proporcionando uma visão geral sobre determinado fato.

5.1 Participantes

Os participantes desta pesquisa foram profissionais de equipe técnica, que atuam na Proteção Social Especial de Média e Alta Complexidade destinada a adultos, neste caso, abrigos para população em situação de rua e Centro Pop. Dentre estes profissionais, encontram-se psicólogos e assistentes sociais. Os participantes foram selecionados a partir de seus locais de trabalho, nesta pesquisa, em cinco equipamentos que prestam proteção socioassistencial aos adultos, na Baixada Fluminense. Ao todo, participaram desta pesquisa 10 profissionais.

5.2 Instrumentos

Foi elaborado um questionário aberto, como instrumento de coleta de dados, a fim de investigar como esses profissionais concebem seus locais de trabalho, seu papel na instituição e sua valorização profissional, entre outros assuntos pertinentes aos objetivos da pesquisa. Foi aplicado um pré-teste, para verificar se as perguntas estavam adequadas e se seria necessário que fossem ajustadas. As perguntas do questionário encontram-se no Anexo A desta pesquisa.

5.3 Procedimentos

Os questionários foram aplicados individualmente, pela pesquisadora, nos locais de trabalho dos participantes, que assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Tal documento encontra-se no Anexo B desta pesquisa e esclarece sobre seus objetivos, os possíveis desconfortos e riscos que poderiam causar aos participantes e a liberdade que os mesmos têm para a qualquer momento desistir da pesquisa sem que isso lhes cause prejuízo. A coleta de dados foi autorizada pelos responsáveis pelas instituições pesquisadas, neste caso, gerentes, que assinaram o termo de anuência, o qual é possível encontrar um modelo no Anexo C. A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e seu parecer encontra-se no Anexo D. A análise dos dados foi realizada com base em Bardin (2011).

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5.4 Análise dos dados

As respostas acerca da perspectiva da equipe técnica sobre sua atividade no trabalho com a população em situação de rua foram analisadas através da Análise de Conteúdo, proposta por Bardin (2011), a qual defende se tratar de:

(...) um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando a obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens (BARDIN, 2011, p. 47).

De acordo com Bardin (2011), para realizar a Análise de Conteúdo são necessárias três fases primordiais, sendo elas a pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados – a inferência e a interpretação. Na pré-análise, identificada como uma fase de organização, inicia-se a leitura flutuante, a partir da qual deve-se escolher os documentos que serão submetidos à análise, formular hipóteses e objetivos, identificar e elaborar o material que orientará a interpretação e a preparação dos resultados. Desta forma, ao escolher os documentos que serão analisados, bem como o instrumento utilizado para a coleta de dados, inicia-se o trabalho. As ideias iniciais apresentadas nesta primeira fase podem ser flexíveis, porém, devem ser precisas. As hipóteses, que começam a ser pensadas nesta fase, podem ser confirmadas ou refutadas ao longo da pesquisa ou, ainda, podem não se estabelecer nesta fase de análise. É importante ressaltar que não existe a obrigatoriedade de definição de hipóteses para a realização da pesquisa, podendo-se realizar a análise sem ideias pré-concebidas, “às cegas”, utilizando uma ou várias técnicas, a fim de fazer o material “falar” (BARDIN, 2011).

Ainda na primeira fase, iniciam-se os procedimentos analíticos, que implicam em escolhas, seleções e regras, sendo elas: a exaustividade, a qual esgota-se a totalidade de informação, não podendo deixar de fora nenhum elemento correspondente aos critérios definidos; a representatividade, a qual realiza-se a análise sobre uma amostra que deve representar o universo; a homogeneidade, no que diz respeito aos dados que devem referir-se ao mesmo tema, obtido por técnicas idênticas e indivíduos semelhantes, seguindo critérios precisos de escolha; a pertinência, a qual os documentos devem estar adaptados ao conteúdo e objetivo da pesquisa, adaptados quanto a fonte de informação (BARDIN, 2011).

Através da transcrição dos dados e da leitura flutuante, inicia-se a escolha de índices ou categorias, que podem surgir a partir das questões norteadoras ou das hipóteses, e da organização em temas destes indicadores. Os temas, que são repetidos com frequência, são recortados “do texto em unidades comparáveis de categorização para análise temática e de modalidades de codificação para o registro dos dados” (BARDIN, 2011, p. 100).

A segunda fase, ou fase de exploração do material, consiste em operações de codificação, decomposição ou enumeração, através de regras preestabelecidas. Os procedimentos de codificação podem utilizar: o recorte, que compreende a escolha de unidades de registro; a enumeração, seleção de regras de contagem; ou a escolha de categorias que, através da classificação ou agregação, reúnem os elementos em grupo, a partir de características comuns (BARDIN, 2011).

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De acordo com Bardin (2011), após elaboradas as categorias sínteses, começa-se a construir a definição de cada categoria. Tais definições podem seguir o conceito definido no referencial teórico ou serem elaboradas e fundamentadas nas verbalizações relativas aos temas, respostas dos participantes. Desta forma, as categorias podem ser criadas a priori, a partir da teoria, referencial teórico, ou a posteriori, após a coleta de dados.

Na fase de tratamento dos resultados (inferência e interpretação), procura-se transformar os resultados brutos em significativos e válidos. A inferência considera os elementos clássicos da comunicação e se orienta por diversos polos de atenção, sendo eles: o emissor; receptor; a mensagem; o médium (canal, instrumento), instrumento de indução para se investigar as causas a partir dos efeitos (BARDIN, 2011). A interpretação é realizada através de conceitos e proposições. Tais conceitos não derivam de uma definição científica, mas da cultura estudada e da linguagem dos informantes.

Bardin (2011) aponta que o analista pode recorrer aos testes quantitativos, mesmo se sua análise for qualitativa, pois esta não rejeita toda informação de quantificação. Destaca, ainda, a importância de categorização para todo o processo.

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