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O método deste trabalho consistiu em uma análise comparada das políticas Inovar-Auto e do Rota 2030 com as políticas recentes de fomento ao setor automotivo na Alemanha, com a finalidade de entender a participação do Brasil no contexto da indústria automotiva global, com o objetivo de identificar tanto as características que distinguem, quanto as que são comuns às políticas.

Portanto, a pesquisa apresentou um caráter qualitativo, uma vez que há poucos dados comparáveis entre o setor automotivo brasileiro e alemão e, ainda que pudesse ser feita uma análise de um aspecto particular do setor para os dois países, isso simplificaria a dimensão dos fenômenos estudados, pois há uma série de variáveis que poderiam causar ou serem causadas por comportamentos e ações tomadas pelos atores de cada um dos países que precisariam ser desconsideradas, fazendo com que especificidades do setor fossem subavaliadas (GRAY, 2012).

De acordo com Gil (2018) a pesquisa exploratória pode ser aplicada para casos nos quais há o interesse de ampliar o conhecimento a respeito de determinado assunto, e abre a possibilidade de considerar os mais diversos aspectos de um mesmo fenômeno. Um dos paradigmas que podem ser utilizados para realizar uma pesquisa qualitativa é a pesquisa bibliográfica/documental, que pode se utilizar dos mais diversos tipos de registros disponíveis, como relatórios, legislações, boletins, pesquisas de outros autores que já estudaram o tema, entre outros.

Ainda de acordo com Bardin (1977) uma análise documental pode ser utilizada para apresentar informações que já estão disponíveis de uma forma diversa, com a finalidade de condensação do conhecimento, sob algum critério comum de analogia, para que seja facilitado o acesso aos dados.

Para tanto, foi preciso buscar por alguns dados relativos à investimento em pesquisa e desenvolvimento no setor automotivo, relacionando com as características tecnológicas presentes nos veículos produzidos em cada país, na tentativa de identificar como a inovação é estimulada e sustentada no longo prazo. Ademais, com base nos conceitos teóricos de política industrial, atuação institucional e inovação, foi possível identificar quais desses elementos estão sendo incorporados na atuação dos dois países para o desenvolvimento de inovações no setor automotivo.

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Uma vez que não há disponibilidade sobre os resultados detalhados do programa Inovar-Auto para todas as categorias – economia de energia, maior segurança, mais tecnologia, menos poluição – foram utilizados relatórios de órgãos do setor a respeito do que se estima como conquistas advindas do programa. Além disso, foram analisados os dados de montante e percentual em P&D especificamente no setor automotivo para comparar o Brasil com os outros países que possuem força na indústria automotiva. Também foi abordada a maneira como esses países lidam com as questões de sustentabilidade para seus veículos, até mesmo na procura por combustíveis alternativos.

Para a comparação efetiva entre o setor automotivo dos dois países foram utilizadas as pesquisas de inovação do Brasil e da Alemanha, mais especificamente a Pesquisa de Inovação (PINTEC) para o caso brasileiro, que tem os resultados fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (IBGE, 2017a), e para o caso alemão a Community Innovation Survey (CIS), que é aplicada em diversos países da Europa, e tem os resultados para a Alemanha disponibilizados pelo Leibniz Centre for European Economic Research (ZEW), e cujos indicadores possuem semelhanças com os que são calculados pela PINTEC brasileira, sendo assim uma forma de aproximar o que foi conseguido pelos dois países em termos de inovação para um mesmo setor da economia. O estudo de De Negri et al. (2008) já teceu comparações entre o setor automotivo do Brasil e de países da Europa com base nas duas pesquisas mencionadas, que serão utilizadas neste trabalho.

Os setores comparados foram o de Fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias da PINTEC com o Manufacture of motor vehicles, trailers and semi-trailers no caso da CIS, que são as categorias mais abrangentes do setor automotivo das pesquisas mencionadas. Foram analisados indicadores como as taxas de inovação, os dispêndios em atividades inovativas, a intensidade tecnológica, entre outros resultados que foram considerados pertinentes à comparação realizada. Para o cálculo desses indicadores foram consideradas a metodologia de interpretação do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA) (2017) e do Manual de Oslo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), utilizado para a interpretação dos indicadores de inovação no caso dos países europeus.

Os indicadores utilizados para tecer a comparação foram: • Taxa de Inovação (tecnológica):

Empresas que inovaram em produto e; ou processo+ empresas que tinham no momento da pesquisa apenas projetos em andamento ou abandonados

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• Taxa de Inovação (não tecnológica):

Empresas que inovaram em questões organizacionais e/ou em 𝑚𝑎𝑟𝑘𝑒𝑡𝑖𝑛𝑔 Total de empresas do segmento

• Intensidade Tecnológica:

Gastos em atividades internas e da aquisição externa de P&D RLV (PINTEC) e Faturamento Total (CIS)

Com relação ao indicador de intensidade tecnológica, a razão entre os gastos em P&D interno e externo e a receita líquida de vendas é um dos indicadores mais comumente utilizados. No entanto, a interpretação costuma ocorrer em relação ao grau de intensidade tecnológica de um setor (alta, média-alta, média-baixa, baixa), o que classificaria o setor automobilístico em apenas uma das categorias, que no caso seria a de intensidade média-alta (CAVALCANTE; DE NEGRI, 2011). No caso deste trabalho, será apenas feita uma análise interna do setor, avaliando o quanto este indicador variou ao longo dos anos para os dois países.

• Percentual de empresas que cooperaram de alguma forma com outras instituições; • Dispêndios em Atividades Inovativas, sendo consideradas:

o Para a PINTEC: Gastos em P&D interno e externo; Aquisição de máquinas e equipamentos; Aquisição de softwares; Aquisição de outros conhecimentos externos; Gastos em treinamento; Gastos com a introdução de inovações tecnológicas no mercado; Gastos com projeto industrial e outras preparações técnicas.

o Para a CIS: In-house R&D; External R&D; Acquisition of machinery;

Equipment and software; Acquisition of external knowledge; All other innovation activities = engloba algo equivalente ao design, os gastos com

treinamento, com a introdução das inovações no mercado, preparações técnicas, e demais atividades pertinentes.

Dessa forma é possível dizer que a análise foi dividida em três eixos principais. O primeiro deles é o da taxa de inovação, que avalia quantas empresas inovaram – seja no aspecto de trazer mudança tecnológica significativa no processo e/ou no produto, ou em questões organizacionais e/ou de marketing. O segundo eixo presume a intensidade tecnológica, que seria quanto as empresas dos segmentos gastaram com aquisição interna e externa de P&D em relação à receita líquida de vendas. No caso da Alemanha foi utilizado o dado do faturamento total, pois a pesquisa não apresentou o dado desagregado da receita líquida de vendas. Essa ressalva está destacada novamente na seção de apresentação dos resultados. Por fim, o eixo final consistiu

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em avaliar o grau de cooperação das empresas dos segmentos com a finalidade de desenvolver inovação. Há também uma análise mais simplificada dos dispêndios em atividades inovativas para os dois países.

As demais fontes para a obtenção dos dados utilizados na discussão foram a Anfavea, por meio de seus anuários, as legislações referentes ao Inovar-Auto e ao Rota 2030, informações acerca do setor automobilístico alemão por meio do órgão GTAI, da Comissão Europeia, entre outros, e informações sobre os resultados do Inovar-Auto disponíveis no site do Ministério Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Além disso, foram consultadas notícias recentes a respeito do setor, disponíveis nos veículos de informação eletrônicos e pesquisas anteriores a respeito do tema.

É preciso ressaltar que a decisão para a escolha dos indicadores mencionados se deu em razão da comparação ter sido realizada utilizando pesquisas que contém métodos diferentes. Assim, buscou-se ao máximo tornar os dados o mais comparável possível. Além disso, na seção de discussão foi incluídos elementos presentes nos tópicos anteriores, na busca de avaliar o papel das instituições para o desenvolvimento de inovação no setor automotivo, explicando como foi aplicada a política industrial com o objetivo de gerar novas tecnologias.

Foram mencionados os impactos de questões tributárias para os resultados dos programas brasileiros Inovar-Auto e Rota 2030, e como esse quesito pode influenciar na demanda por veículos com mais tecnologia – como é o caso de automóveis híbridos, autônomos e elétricos – que estão inseridos no contexto da chamada Indústria 4.0. Também foram consideradas discussões adjacentes à aplicação propriamente dita da política industrial, como é o caso das preferências da população moldadas através de políticas educacionais que de fato incentivem a valorização da busca pelo conhecimento, comparando com o papel das preferências dos consumidores na demanda do setor automotivo alemão.

Por fim, são destacadas algumas das principais características do que está incluído no chamado “Sistema Nacional de Inovação”, tanto do Brasil quanto da Alemanha, ressaltando aspectos da aplicação da política de ciência e tecnologia, e como incentivos são fornecidos visando o desenvolvimento de inovação no setor automotivo. Vale frisar ainda que o conjunto dos assuntos abordados teve como ambição tornar mais claras diferenças entre os dois países analisados além dos resultados dos indicadores, respeitando diferenças históricas, econômicas e sociais, que tornam tão diferentes as realidades entre Brasil e Alemanha. As informações contidas neste parágrafo e nos dois anteriores teve como objetivo situar a relação entre os

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resultados que são apresentados no próximo capítulo e a revisão da literatura até aqui apresentada.

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