“Zero waste pattern cutting will not save the world.” Holly McQuillan.
A sustentabilidade pelos materiais é apenas um dos caminhos para a moda ecológica, existem opções que estão a ser postas em prática por designers mais conscientes, tal como a redução do desperdício de tecido ou método de design desperdício zero, zero-waste design, em inglês. O método pode ser classificado em duas vertentes, zero-waste como método de modelagem, no qual o molde é projectado para não produzir resíduos, ou pode ser zero-waste
17Disponível em http://www.levi.com/PT/pt_PT/about/size-chart/women-size-chart, consultado em
28-09-2014
18“Peça-piloto é o nome que se dá à primeira peça confeccionada a partir de um molde interpretado,
cujo objectivo é testar a nova modelagem e verificar o caimento, a vestibilidade e a conformidade entre a ideia passada pelo designer e o produto final.” (SABRÁ, 2009)
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a nível da empresa, onde as peças são projectadas e cortadas da forma tradicional, mas os restos de tecido são reutilizados ou reciclados.(OLIVEIRA, 2012)
O zero-waste é uma prática de design que introduz um novo modelo de design de vestuário e produção, que visa eliminar a produção de resíduos da produção de roupas. O método consiste em projectar os moldes para que encaixem como um puzzle, e ocuparem todas as partes do tecido. Esta pratica poupa cerca de 15% do tecido, que de outra forma seria descartado.
Um grupo de designers e estilistas, do qual fazem parte Timo Rissanen, Holly McQuillan, David Telfer, entre outros, que desenvolvem as suas colecções a partir do método zero-waste reuniram-se no projecto YIELD - making fashion without making waste, para divulgar o método e actualmente a exposição percorre museus de todo o mundo.
Um componente-chave do projecto e pesquisa de Holly McQuillan19 tem sido o
processo de desenvolvimento acidental ou um processo intuitivo de design. A indústria da moda tem como costume minimizar o risco e jogar pelo seguro, seguindo tendências sociais, estéticas, económicas e normas, a fim de ser bem-sucedida financeiramente. A autora explora constantemente a prática do zero-waste, tentando encontrar alternativas de concepção e produção de moda. Essas alternativas são baseadas principalmente em projectos de risco, utilizando variáveis e limitações que não costumam ser usadas no design e produção
da moda.
O objectivo da autora é conseguir criar uma peça com aceitação e valor agregado, para que não seja adquirida como mais uma peça igual a tantas outras, sem valor relativo. Ao contornar o processo de criação habitual do design de moda, e apostar em formas estruturais não impulsionadas por tendências de moda, a autora espera evitar “modas” e atingir uma representação que possa ser tida como intemporal e ao mesmo tempo correta, do ponto de vista ambiental. É um processo no qual Holly McQuillan pretende criar roupas vestíveis e que sejam desejadas pelos consumidores, tudo isto, através de um processo de concepção, produção e consumo que integram o conceito zero-waste e princípios “cradle-to- cradle”20.
19 Em “GWILT & RISSANEN. Shaping Sustainable Fashion: Changing the way we make and use clothes.
(2011)”.
20O conceito Cradle to Cradle é um dos principais da nova economia circular e apresenta meios de
fechar o ciclo das cadeias produtivas da mesma forma como se fecham os ciclos da natureza, onde o resíduo não existe, tudo é reaproveitado, já que o fim de um ciclo é o início de outro, já que o que seria resíduo serve, na verdade, para ser assimilando pelo meio para realimentar o início do ciclo. Disponível em http://sbrio14.com.br/pt-br/blog/vers%C3%A3o-em-portugu%C3%AAs-de-livro-refer%C3%AAncia-em- cradle-cradle-%C3%A9-lan%C3%A7ado-na-confer%C3%AAncia, consultado em 28-09-2014.
3.6 Designers
Alguns designers de moda estão a abandonar o papel e o lápis para desenhar, e dão preferência à tesoura como processo de criação. Alguns dos profissionais desta arte de cortar, dobrar e ajustar são nomes como Julian Roberts, Shingo Sato ou David Telfer, cada vez mais procurados por marcas como Acne, Burberry, Armani e H&M.
3.6.1 Julia Lumsden
Julia Lumsden, mestre em Design pela universidade de Massey University Wellington, tem desenvolvido, desde 2009, técnicas de concepção baseadas no método zero-waste para moda masculina. A sua pesquisa explora a modelagem zero-waste como processo criativo para o Design de vestuário masculino, mantendo uma estética minimalista. A Designer propõe a utilização de um comprimento mais curto do que o normal nas suas peças, a fim de poupar tecido e resíduos na produção das peças de vestuário.21
Figura 5: Casaco e camisa masculinos22
3.6.2 Timo Rissanen
Timo Rissanen é co-curador de Yield com Holly McQuillian e é professor assistente de Design de Moda e Sustentabilidade na Parsons The New School for Design. Leccionou Design de Moda na Austrália, durante 7 anos. De 2001 a 2004 ele detinha e desenhava para a Usvsu, que em 2003 venceu o prémio Mercedes-Benz Start-Up na Mercedes-Benz Australian Fashion
21Disponível em yieldexhibition.com/jlumsden.html, consultado em 14-05-2013.
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Week. Rissanen tem-se apresentado em várias conferências internacionais e em conjunto com Alison Gwilt foi co-editor do livro Shaping Sustainable Fashion.23
Rissanen lecciona, desde 2010, uma disciplina sob a designação “Zero-Waste Garment”, que incentiva os designers a pensar em soluções para os excedentes de tecidos e resíduos de corantes e qual o modo de fazer vestuário mais “amigo” do ambiente. «O actual sistema de corte é tal que desperdiçamos em média 15% do tecido usado», sustenta Rissanen. «Não só não é economicamente viável como é pouco pensado», acrescenta.24
Figura 6: Coordenado de Timo Rissanen25
3.6.3 Natalie Chanin
Natalie Chanin licenciou-se na North Carolina State University em 1987 em Design Ambiental, nas especialidades têxteis industriais e teoria do design. Ela trabalhava criando vestuário sportswear e o que ela apelidava de moda supérflua, antes de abandonar o emprego em 1990 para se tornar estilista na Europa. No ano 2000 regressa a Nova York para inaugurar a sua primeira empresa de design Projecto Alabama, que depois abandona para iniciar Alabana Chanin. (yieldexhibition.com/nchanin.html)
Explicar melhor o método dela, em que contribui para a mudança???
23Disponível em yieldexhibition.com/trissanen.htm, consultado em 14-05-13.
24(Criadores mãos de tesoura, portugaltextil.com, 2013)
Figura 7: Coordenados de Natalie Chanin.26
3.6.4 Julian Roberts
Julian Roberts é um académico realizado e professor que leciona e demonstra o seu método de Subtraction Cutting. Ele construiu a nova escola de moda na University of Hertfordshire, no Reino Unido, em 2004, neste momento dá palestras no Royal College of Art em Londres. Julian mostrou 13 coleções na Semana de Moda de Londres com cinco nomes de diferentes, nothing nothing, JULIANAND, Julian e Sophie, Parc des Expositions e Tunnel Technique. Ele ganhou o prémio New Generation do British Fashion Council cinco vezes e também dirige os desfiles SuperSuper Magazines na London Fashion Week em 2007 e 2008.27
Julian Roberts, viaja com frequência, por vezes com o apoio do British Council, para apresentar a sua técnica “Corte por Subtração” ao vivo e em frente a plateias que pode chegar a 150 pessoas. Roberts também dá aulas privadas a nomes com mais notoriedade, como a dupla de designers britânicos Basso & Brooke e equipas técnicas da Cos, da H&M e em vários países espalhados pelo mundo.
O designer trabalha em duas e três dimensões, o método de Julian Roberts mistura cortar e extrair secções do tecido para criar aberturas na peça de vestuário. Isso é visível num vestido simples feito de duas faixas de tecido com 3 metros e quatro buracos circulares cortados. Ao ligar os buracos, que têm a medida das circunferências das ancas, braços e pescoço, é formado um túnel para o corpo passar. É um processo bastante simples e que causa bastante surpresa.
«Às vezes são aqueles que nunca fizeram uma peça de vestuário que se tornam melhores do que aqueles que as fazem há anos», afirma Roberts. «Muitas vezes, os
26Disponível em yieldexhibition.com/nchanin.html, consultado em 14-05-2013.
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profissionais ficam aterrorizados com a possibilidade de cometerem erros. Mas durante uma ou duas sessões, faço com que saiam da caixa e se soltem», acrescenta.28
Figura 8: Coordenado e ilustração do método de Julian Roberts.29
Figura 9: Coordenado executado em demonstração do método.30
3.6.5 Caroline Priebe
O interesse de Caroline Priebe em design sustentável começou na California College of Arts, enquanto era aluna de Lynda Grose, que projectou a e-collection para a Esprit, no começo dos anos 90. Caroline fundou a Uluru em Julho de 2004 e co-fundou a Designer Retail Collaborative em Brooklyn com designers sustentáveis tais como Tara St James, H. Fredriksson, Mary Meyer, e Dirty Librarian Chains. Além de dirigir e desenhar para a Uluru, Caroline é estilista, designer sustentável e especialista em modelo de negócio. Está neste momento a escrever um livro intitulado The Collection, que examina o slow fashion, o consumo de vestuário e a comunicação.31
28(Criadores mãos de tesoura, portugaltextil.com, 2013)
29Disponível em yieldexhibition.com/jroberts.htm, consultado em 14-05-2013.
30Disponível em ecosalon.com/the-marriage-of-patternmaking-and-fashion-design, consultado em 15-
05-2013.
Figura 10: Coordenado presente em Yield.32
3.6.6 Tara St. James
Tara St James é parte do Study NY, um estúdio de design e incubador de criativos que mantêm pequena a sua pegada ambiental. Tara começou o Study Hall, que apoia estagiários a desenvolver, produzir e vender as suas próprias colecções sustentáveis. Ela também é directora de moda do The Uniform Project, que usa o design sustentável para arrecadar dinheiro para crianças carentes e é um mentor para o Awamaki Lab, um programa que promove parcerias entre jovens designers e os indígenas tecelões do Peru Awamaki, visto o seu conceito de malhas feitas à mão. Tara é a vencedora do Ecco Domani Fashion Foundation Award para Design sustentável de 2011, permitindo-lhe mostrar-se na Semana de Moda de Nova Iorque.33
32Disponível em yieldexhibition.com/cpriebe.html, consultado em 14-05-2013.
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Figura 11: Coordenado presente em Yield.34
3.6.7 Jennifer Whitty
Jennifer Whitty obteve o mestrado na UK Royal College of Art e já expôs em Itália, Irlanda, Londres, Tóquio e Grécia. Ela beneficiou do prémio Irlandês The National Crafts Fair da The Royal Dublin Society, em 2006, e o Onward Kashiyama New Designer Grand Prix Competition de Tóquio, em 2005. Jennifer tem trabalhado em centros de moda, tais como Londres, Paris em Nova York para estilistas de alta qualidade como Sharon Wauchob, John Rocha, DKNY e Louis Copeland. Ela leccionou ainda na Escola de Limerick of Art and Design na Irlanda e ensinou numa permuta de Erasmus na Denmark's DesignSkole, Copenhaga e na The Estonian Academy of Art, Tallinn. Jennifer lecciona agora na University's Institute of Design em Massey, Design para a Indústria e Meio Ambiente.35
Jennifer Whitty foca-se em estratégias e formas de pensar mais flexíveis e sustentáveis, criando e respondendo com peças de vestuário que atenuem os efeitos nocivos da indústria da moda (resíduos ambientais, a perda das tradições e o reduzido tempo de vida dos produtos). Ela é uma das associadas do movimento internacional de praticantes do “zero- waste” design, que visa e verifica a indústria da moda global. O seu trabalho conjuga relações duradouras entre o design de moda como material e objecto cultural que permita um envolvimento mais profundo, mais complexo, com as nossas roupas.36
34Disponível em yieldexhibition.com/tstjames.html, consultado em 14-05-2013.
35Disponível em yieldexhibition.com/jwhitty.html, consultado em 14-05-2013.
36Disponível em fashionablyearly.com.au/abstracts/2012/5/17/jennifer-whitty.html, consultado em 14-
Figura 12: Coordenado presente em Yield.37
3.6.8 Carla Fernández
Carla Fernández é a fundadora e criadora da empresa de Design de moda ético, Flora Taller. Ao contrário da modelagem ocidental, vestuário indígena é a união de grandes formas geométricas. Usando estas formas antigas e trabalhando com as comunidades rurais, Carla criava a sua marca Flora Taller. O tecido é feito com teares tradicionais e as peças de vestuário são trabalhadas à mão.38
Figura 13: Coordenado presente em Yield.39
3.6.9 Sam Formo
37Disponível em tutusandtinyhats.tumblr.com/image/46182774839, consultado em 14-05-2013.
38Disponível em yieldexhibition.com/cfernandez.html, consultado em 14-05-2013.
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Sam Formo estudou no California College of the Arts e também estudou sob a orientação de Designers sustentáveis de renome, Sandra Ericson e Lynda Grose. Em colaboração com líderes em arquitectura e design de produto, o trabalho de Sam “No Waste Pattern Design” valeu-lhe a distinção de Next-Gen da revista Metropolis no Next Generation Design Competition 2009. Sam também foi finalista da Fashioning the Future competition, a competição estudantil internacional líder em design e inovação na moda sustentável, executado pelo Centre for Sustainable Fashion na London's College of Fashion.40
Figura 14: Coordenado presente em Yield.41
3.6.10 David Telfer
David Telfer é um designer de moda masculina com sede no Reino Unido, actualmente empregado na Cosstores. Obteve recentemente o grau de Mestre em design de moda na Universidade de Brighton, e já trabalhou com a H&M, SixEightSevenSix e Gossypium. David Telfer desenvolveu maneiras e sistemas que não só minimizam o desperdício, mas também implantam a sustentabilidade em todas as áreas do processo de moda, incluindo na produção. A sua técnica Minimal Seam reduz os custos para que os designers possam competir com a produção em massa.42
40Disponível em yieldexhibition.com/sformo.html, consultado em 14-05-2013.
41Disponível em yieldexhibition.com/sformo.html, consultado em 14-05-2013.
Figura 15: Desenho técnico e coordenado de David Telfer.43
3.6.11 Holly McQuillan
Holly McQuillan é co-curadora de Yield com Timo Rissanen, e é professora de design de moda na Massey University's College of Creative Arts em Wellington. Holly é autora de um capítulo do livro Shaping Sustainable Fashion editado por Timo Rissanen e Alison Gwilt. O seu trabalho foi destaque inaugural na Seul Fashion Art Biennale 2010. Também vai contar com a Zero Waste: Fashion Re-Patterned at the A + D Gallery, em Chicago, e na Kent State University Museum in Sustainable Fashion: Exploring the Paradox. Um artigo recente do New York Times, Fashion Tries on Zero Waste Design, refere Holly como uma das oito pioneiras do movimento zero desperdício no design de moda.44
Figura 16: Coordenado presente em Yield.45
43Disponível em yieldexhibition.com/dtelfer.html, consultado em 14-05-2013.
44Disponível em yieldexhibition.com/hmcquillan.html, consultado em 14-05-2013.
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3.6.12 Shingo Sato
Shingo Sato veio do Japão e ganhou experiência em Paris com Azzedine Alaïa. Viveu em Milão nos últimos 25 anos, onde em 2002 abriu a TR Cutting School. Foi criada apenas para estudantes japoneses, mas actualmente a escola privada aceita outros alunos. Sato descreve o seu sistema de corte como «um processo intuitivo de design orgânico». Incita os estudantes a perceberem combinações de design diferentes ao alternarem os seus pontos mais vantajosos. Isso resulta em voltas e dobras inesperadas e num acabamento mais vanguardista, sobretudo em camisas com mangas de kimono e detalhes de movimento nas saias.
A sua estética japonesa natural é tão procurada que a equipa de design da Acne já o convidou para os seus estúdios em Estocolmo para ensinar. No ano passado esteve em Portugal, num workshop de dois dias organizado pelo Modatex. Sato oferece na sua página do Facebook aulas em vídeo, tendo já instruído cerca de 200 pessoas em todo o mundo nos últimos seis meses. «Graças à Internet, as pessoas estão a partilhar novas técnicas de corte através de blogues e outras plataformas de redes sociais», aponta Sato. «É realmente promissor e irá influenciar as futuras tendências de vestuário», acredita.46
Figura 17: Peça demonstrativa da técnica Transformal Reconstruction.47
46Disponível em
portugaltextil.com/tabid/63/xmmid/407/xmid/42154/xmview/2/ID/42154/Default.aspx, consultado em 15-05-2013.