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3. MATERIAL E MÉTODOS

3.3. Métodos de amostragem

 

3.3. Métodos de amostragem

Armadilhas de interceptação e queda (AIQ)

O uso de armadilhas de interceptação e queda (“pitfall traps with dritf fences”) consiste em um dos métodos mais eficazes para captura de pequenos vertebrados, sendo recomendado para coletas de anfíbios e répteis (Gibbons & Bennet, 1974; Corn, 1994; Blomberg & Shine, 2006; Ribeiro-Júnior et al., 2008). Este tipo de armadilha consiste em recipientes enterrados no solo, interligados por cercas-guia (Cechin & Martins, 2000).

Cada linha ou estação de coleta foi formada por 10 baldes plásticos de 100 litros, com orifícios no fundo e nas laterais (de modo a evitar acúmulo de água), totalizando seis estações de coleta e 60 baldes. Cada ponto apresentou uma distância superior a 100 m entre eles. Um pedaço de isopor foi colocado dentro de cada balde, de modo a oferecer abrigo aos animais capturados. Os baldes foram interligados por lonas plásticas de 8 m de comprimento e 1 m de altura, fazendo com que a lona passasse pelo centro de cada balde. As lonas foram enterradas aproximadamente 20 cm no solo, sendo fixas com estacas de 1 m (Figura 3).

As armadilhas foram vistoriadas diariamente no período da manhã, permanecendo abertas continuamente apenas durante os períodos de coleta. O esforço amostral foi calculado pelo número baldes/dia amostrados. Foram vistoriados 60 baldes/dia, em um total de 111 dias não consecutivos de armadilhas abertas, totalizando um esforço amostral de 6.660 baldes/dia.



 

Foram delimitados três pontos de coleta no PNMNP (Figura 4), com distância mínima de 100 metros entre eles. Cada ponto ou unidade amostral consistiu de duas linhas, distribuídos em três localidades distintas, de modo a abranger diferentes variáveis como fitosionomias e distância a corpos d’água, descritos a seguir:

1. Ponto 1 (23°46'45.6''S 46°17'41.6''O, 966 m altitude): instalado na Trilha das Hortênsias (Núcleo Olho d´Água), em uma área de declive mais acentuado com vegetação secundária Floresta Ombrófila Densa Montana, nos estágios médio e avançado de recuperação (Figura 4). Este ponto é caracterizado pelo seu melhor estado de conservação e menor grau de perturbação antrópica. Também é o ponto com menor influência de ambiente aquático, com uma distância de pelo menos 100 metros do corpo d´água mais próximo (Figuras 5a e 5b). No trecho onde as linhas de AIQ foram instaladas a fitofisionomia é de regeneração avançada.

2. Ponto 2 (23°46'18.8''S 46°17'42.0''O, 825 m de altitude): representa uma área de maior interferência antrópica, por ser um local de passagem constante (Figura 4). É uma área de vegetação secundária, em estágio de regeneração médio, entrecortada porum pequeno riacho de fundo arenoso, distante aproximadamente 20 metros das linhas (Figuras 5c e 5d).

3. Ponto 3 (23°46'07.5''S 46°17'50.5''O, 737 m de altitude): localiza-se na Trilha da Pontinha. É uma área que apresenta grande pressão antrópica, pela constante passagem de visitantes do parque. Apresenta vegetação secundária, de Floresta Ombrófila Densa Montana ribeirinha, constituída por um mosaico entre áreas em estágio inicial e médio de regeneração, entrecortada por um rio encachoeirado de maior largura (Figuras 5e e 5f).



 

Figura 4. Mapa da localização das linhas de armadilhas de interceptação e queda (P1L1 e P1L2: linhas 1 e 2 do ponto 1; P2L1 e P2L2: linhas 1 e 2 do ponto 2; P3L1 e P3L2: linhas 1 e 2 do ponto 3) instalados no PNMNP, Santo André (SP); e localidades de procura ativa (PVLT): 1- Trilha da Pontinha; 2- Trilha da Água Fria; 3 e 4 – Núcleo Olho d’Água; 5 e 6 – Caixa do Gustavo; 7 – Pico da Estrada da Bela Vista; 8 – Bica dos Namorados; 9 e 10 – Campo Grande da Serra; 11 – Mirante; 12 – Estrada da Bela Vista; 13 – Estrada do Taquaruçu; 14 – Comunidade (Núcleo da Água Fria).



 

Figura 5. Fisionomia dos pontos de armadilhas de interceptação e queda instalados no PNMNP. a) vegetação do Ponto 1; b)

linha de armadilha de interceptação e queda instalada no Ponto 1; c) riacho do Ponto 2; d) linha de armadilha de interceptação e queda instalada no ponto 2; e) rio da Trilha da Pontinha (Ponto 3); f) linha de armadilha de interceptação e queda instalada no Ponto 3.

       

 

Procura visual limitada por tempo (PVLT)

A procura visual limitada por tempo consiste em percorrer uma área por período determinado, procurando sistematicamente pelos animais em seus diferentes ambientes. É utilizada para determinar a riqueza de espécies de uma área, assim como determinar a composição de espécies de uma comunidade (Crump & Scott, 1994). Os indivíduos encontrados são registrados por cada unidade de tempo, ou por transecto percorrido (Campbell & Christman, 1982; Doan, 2003). Neste trabalho a procura foi realizada através do deslocamento a pé em uma velocidade controlada, percorrendo trilhas no PNMNP e arredores.

Procurou-se vistoriar todos os microambientes visualmente acessíveis, como por exemplo sobre a vegetação, embaixo de troncos caídos, na serapilheira, embaixo de pedras, nas margens de rios e riachos, e em bromélias. A escolha das trilhas amostradas levou em consideração diferentes fatores, como o tipo de fisionomia vegetal, altitudes, acessibilidade, e presença de córregos, brejos e riachos. Durante a procura visual também foram registrados as vocalizações de anfíbios, com uso de gravador digital portátil (Sony ICD-P630F). O esforço amostral foi calculado pelo número de horas/coletor de procura, em um total de 211 horas-coletor.

Foram amostradas oito diferentes localidades distribuídas no PNMNP (Figura 4): Trilha da Pontinha, na mesma região de instalação de AIQ (ponto 3); Trilha da Água Fria e Comunidade; Bica dos Namorados; Núcleo Olho d’Água, na região de instalação de AIQ (ponto 1); Região da Estrada do Taquaruçu, abrangendo pontos de áreas abertas (ponto 2); Caixa do Gustavo, em uma área aberta de vegetação gramínea e em trilhas percorridas dentro da mata ao longo de corpos de água; Estrada da Bela Vista e Mirante, nas porções mais elevadas do PNMNP e divisa com o PESM-NIP, ultrapassando 1100 metros de altitude; e Campo Grande da Serra, área caracterizada por capoeiras e bordas de mata, vizinha ao PNMNP (Figura 4).

Encontros ocasionais (EO)

Considerou-se como encontros ocasionais, o registro de animais durante outras atividades que não os outros métodos de amostragem comentados anteriormente (Campbell & Christman, 1982; Sawaya et al., 2008). Entraram nesta categoria os registros de répteis e anfíbios durante os percursos entre os diferentes pontos de amostragem, animais encontrados próximos às linhas de armadilhas, ou nos arredores e estradas de acesso ao parque. Coletas realizadas por terceiros, durante o período de trabalho de campo, também foram consideradas

 

como encontros ocasionais. Ressalta-se que em nenhum momento foi incentivada a coleta de animais. O esforço amostral foi calculado como número total de dias de trabalho de campo, totalizando 111 dias.