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2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.2 CONTABILIDADE DE CUSTOS

2.2.4 Métodos de custeio

Custo é definido como a expressão monetária dos recursos utilizados para a produção de certo produto. Os gestores, historicamente, têm buscado resposta à questão: Quanto está custando o produto gerado? Os sistemas de custeio procuram responder da melhor forma possível a essa pergunta. Em diferentes contextos, sob paradigmas diversos, as empresas utilizaram ao longo do tempo procedimentos diferentes para calcular os custos dos seus produtos.

A diferença entre os métodos de custeio relaciona-se com o grau de variabilidade dos gastos apropriados aos produtos ou serviços produzidos pela empresa.

Há dois métodos de custeio: o método de custeio por absorção e o método de custeio variável ou direto. Ambas os métodos podem ser utilizadas tanto em um sistema de custeio histórico como em um sistema de custeio pré-determinado.

Para se alocar os custos ao produto, se utiliza os métodos de custeio, que são: custeio por absorção e custeio variável ou direto. Para Padoveze (2003, p. 77):

Os custos diretos ou variáveis têm uma identificação clara e podem ser mensurados diretamente a uma unidade de produto, serviço ou atividade, enquanto os custos indiretos ou fixos não têm essa mesma possibilidade e só podem ser atribuídos ao custo dos produtos, serviços ou atividades por critérios de distribuição ou alocação de custos (chamados de critérios de rateio ou absorção de custos indiretos).

Para poder analisar os custos a empresa devera optar por um método de custeio, feito isso a mesma deverá escolher o mais apropriado para a empresa analisando as vantagens e desvantagens para a atividade escolhida.

2.2.4.1 Custeio por absorção

O custeio por absorção é bastante utilizado pelas empresas brasileiras, pois além de respeitar os Princípios Fundamentais de Contabilidade, é aceito pela legislação comercial e pela legislação fiscal.

Esta atribuição de gastos fixos, entretanto, implica, naturalmente, a utilização de rateios. E nisso reside a principal falha do custeio por absorção como instrumento de controle. Por mais objetivos que pretendam ser os critérios de rateio, eles sempre apresentarão um forte componente arbitrário, que distorce os resultados apurados por produto e dificulta (quando não impede) as decisões da gerência com relação a assuntos de vital importância para a empresa, como, por exemplo, a determinação de preços de venda ou a descontinuação da fabricação de produtos deficitários.

Para Koliver (2010), o custeio por absorção se caracteriza pela apropriação de todos os custos do ciclo operacional interno aos portadores finais dos custos. Noutras palavras, resulta na apropriação de todos os custos das funções de fabricação, administração e vendas dos bens e serviços produzidos, sejam eles diretos ou indiretos.

Segundo Horngren et al (2000, p. 211) custeio por absorção “é o método de custeio do estoque em que todos os custos, variáveis e fixos, são considerados custos inventariáveis. Isto é, o estoque “absorve” todos os custos de fabricação”. Diante dessas afirmações, pode-se considerar o custeio por absorção como o método de custeio em que são apropriados todos os custos de fabricação, sejam eles diretos ou indiretos, fixos ou variáveis.

Segundo Padoveze (2003, p. 79):

Como nos métodos de custeamento por absorção são utilizados os gastos indiretos fixos, que, por sua característica básica, não são identificáveis claramente aos produtos e serviços finais, há a necessidade de utilização de procedimentos de distribuição desses gastos aos produtos, por meio de algum critério a ser definido. O processo de distribuição de gastos indiretos fixos aos produtos e serviços finais é mais comumente denominado rateio, sendo utilizadas também as denominações alocação ou apropriação de

custos indiretos aos produtos.

Quando, ao custearem-se os produtos fabricados pela empresa, são atribuídos aos mesmos, além dos seus gastos variáveis, também os gastos fixos, diz-se que está sendo usado o método de custeio por absorção.

Conforme Wernke, (2005) este é o método mais tradicional de custeio e é empregado quando se deseja atribuir um valor de custos ao produto, atribuindo-lhe também uma parte dos custos indiretos. Consiste na apropriação de todos os custos de produção aos produtos, de forma direta ou indireta mediante critérios de rateio.

Conforme Vieira (2004) entre as vantagens do custeio por absorção destacam-se:

a) atende à legislação fiscal e deve ser usado quando a empresa busca o uso do sistema de custos integrado à Contabilidade;

b) permite a apuração do custo por centro de custos, visto que sua aplicação exige a organização contábil nesse sentido; tal recurso, quando os custos forem alocados aos departamentos de forma adequada, possibilita o acompanhamento do desempenho de cada área;

c) ao absorver todos os custos de produção, permite a apuração do custo total de cada produto.

Por ser permitido pela legislação brasileira, este método é o mais utilizado para finalidades contábeis. Em termos gerenciais, porém, costuma receber várias críticas. A principal desvantagem do custeio por absorção consiste na utilização de rateios para distribuir os custos entre os departamentos e/ou produtos. Como nem sempre tais critérios são objetivos, podem distorcer os resultados, penalizando alguns produtos e beneficiando outros.

Segundo Santos (2005), o sistema de custeio por absorção é falho em muitas circunstâncias, como instrumento gerencial de tomada de decisão, porque tem como premissa básica os “rateios” dos chamados custos fixos, que, apesar de aparentarem lógicos, poderão levar a alocações arbitrárias e até enganosas.

Analisando esses conceitos podemos notar que o sistema de custeio por absorção é muito utilizado pelas organizações, apesar de apresentar alguns problemas no processo de informações, assim devem ser tomados alguns cuidados para que o processo não gere informações distorcidas.

2.2.4.2 Custeio variável ou direto

O custeio variável ou direto é utilizado para fins gerenciais, fornecendo ferramentas que auxiliam no processo de gerenciamento da empresa. Neste

método, somente são alocados aos produtos aqueles custos que variam diretamente com o volume.

Em oposição à modalidade de custeio por absorção, o custeio variável ou direto toma em consideração, para custeamento dos produtos da empresa, apenas os gastos variáveis. Com isso, elimina-se a necessidade de rateios e, conseqüentemente, as distorções deles decorrentes.

Assim, esse método de custeio apresenta, sobre a modalidade anterior, significativas vantagens no que respeita à apuração dos resultados financeiros gerados pelos diferentes produtos da empresa e às decisões gerencias.

Para Koliver (2010), o custeio variável está alicerçado na apropriação de todos os custos variáveis – diretos ou indiretos – aos portadores finais dos custos, fundamentado, na relação entre esses e o grau de ocupação da entidade.

Para Horngren et al (2000, p. 211),

Custeio variável é o método de custeio de estoque em que todos os custos de fabricação variáveis são considerados custos inventariáveis. Todos os custos de fabricação fixos são excluídos dos custos inventariáveis: eles são custos do período em que ocorreram.

De acordo com o artigo da revista Contabilidade e Informação, publicado por Linn e Vieira (2010, p. 20-21), relatam que:

Método de custeio variável: o método de custeio variável ou direto é empregado para fins gerenciais, produzindo informações que auxiliam no processo gerencial da empresa. Neste método alocam-se aos produtos somente os custos que variam diretamente com sua quantidade produzida. O critério do custo variável ou direto é aquele que só inclui no custo das operações dos produtos, serviços e atividades, os custos diretos e variáveis. Para que um custo detenha as condições necessárias para compor o custo de um produto, por exemplo, é necessário que esse custo seja facilmente identificado com o produto, isto é, seja direto, em que não haja a necessidade de rateio, e que seja variável diante da variabilidade que represente o produto, a operação, o processo, o componente ou atividade. Este critério tem por finalidade principal determinar a margem de contribuição total ou unitária de cada objeto de custeio. Uma característica importante deste método de custeio é a análise do custo, do volume e do resultado.

Para Leone (2008, p. 413-414), “o critério do custeio variável separa os custos em fixos e variáveis. Essa separação pode ser realizada quando a empresa emprega o critério por absorção, mas de fato não é este um procedimento usual”. Também dá ênfase às relações custo, volume e lucro, que são necessárias às

finalidades de planejamento e decisão são prontamente obtidas das demonstrações contábeis.

As diferenças e semelhanças entre os dois critérios de custeio resultam da seguinte comparação.

Quadro 1: Custeamento variável X Custeamento por absorção

Custeamento variável Custeamento por absorção 1. Classifica os custos em fixos e variáveis. 1. Não há a preocupação por essa classificação. 2. Classifica os custos em diretos e indiretos. 2. Também classifica os custos em diretos e

indiretos. 3. Debita ao segmento, cujo custo está sendo

apurado, apenas os custos que são diretos ao segmento e variáveis em relação ao parâmetro escolhido como base.

3. Debita ao segmento cujo custo está sendo apurado os seus custos diretos e também os custos indiretos através de uma taxa de absorção.

4. Os resultados apresentados sofrem influência direta do volume de vendas.

4. Os resultados apresentados sofrem influência direta do volume de produção.

5. É um critério administrativo, gerencial, interno. 5. É um critério legal, fiscal, externo. 6. Aparentemente sua filosofia básica contraria

os preceitos geralmente aceitos de Contabilidade, principalmente os fundamentos do “regime de competência”.

6. Aparentemente, sua filosofia básica alia-se aos preceitos contábeis geralmente aceitos, principalmente aos fundamentos do “regime de competência”.

7. Apresenta a Contribuição Marginal – diferença entre as receitas e os custos diretos e variáveis do segmento estudado.

7. Apresenta a Margem Operacional – diferença entre as receitas e os custos diretos e indiretos do segmento estudado.

8. O custeamento variável destina-se a auxiliar, sobretudo, a gerência no processo de planejamento e de tomada de decisões.

8. O custeamento por absorção destina-se a auxiliar a gerência no processo de determinação da rentabilidade e de avaliação patrimonial. 9. Como o custeamento variável trata dos custos

diretos e variáveis de determinado segmento, o controle da absorção dos custos da capacidade ciosa não é bem explorado.

9. Como o custeamento por absorção trata dos custos diretos e indiretos de determinado segmento, sem cogitar de perquirir se os custos são variáveis ou fixos, apresenta melhor visão para o controle da absorção dos custos da capacidade ociosa.

Fonte: Leone (2008, p. 406-407).

Diante disso pode-se notar que o custeio variável apresenta os custos, as receitas, o volume e o lucro de uma forma que possa ser entendida mais facilmente e auxiliando no momento de tomada de decisões. Verifica-se também que os custos fixos são tratados de formas diferentes nos dois métodos, sendo que no custeio variável os custos fixos são tratados como despesas do período, e no custeio por absorção como custo de produto.

A análise de custo-volume-lucro é uma das ferramentas mais eficientes de que os gestores e administradores dispõem. Ela os auxilia a entender a inter-relação entre as variáveis envolvidas, focalizando as interações entre os seguintes elementos: Preço dos produtos; Volume ou nível de atividade; Custo variável; Custo fixo total e mix dos produtos vendidos.

Vários aspectos são apontados por Garrison e Noreen (2001) quanto a análise da relação custo-volume-lucro. Dentre eles são destacados:

A definição da margem de contribuição;

Análise do impacto do mix de vendas/produção sobre a margem de contribuição e sobre o ponto de equilíbrio.

Segundo Morse e Roth (1986) a diferença existente entre as receitas dos produtos vendidos e seus custos variáveis são denominados de margem de contribuição. Esse é um conceito similar ao dotado por Martins (1990), uma vez que ele conceitua margem de contribuição unitária como sendo a diferença entre a receita e o custo variável de cada produto. (Análise da relação custo/volume/lucro na agricultura familiar: o caso do consórcio mamona/feijão. Callado et al (2007).