• Nenhum resultado encontrado

2.3 Sistemas de controle estratégico

2.3.1 Sistema de controle de custos

2.3.1.1 Métodos de custeio

Os métodos de custeio são ferramentas, que se bem utilizadas, permitem vantagens competitivas para as empresas. Para Silva (2000) custeio é o processo pelo qual se efetua a apropriação dos custos. Os métodos de custeio de maior relevância são: custeio por absorção; custeio baseado em atividades (Activity-Base

Consting – ABC) e custeio direto ou variável.

Para Kaplan (1998) as empresas precisam de um método de custeio para três funções principais, que são:

1) Avaliar estoques e medir o custo dos bens vendidos para a geração de relatórios financeiros;

2) Estimar as despesas operacionais, produtos, serviços e clientes;

3) Oferecer feedback econômico sobre a eficiência do processo a gerentes e operadores.

A primeira função está diretamente ligada às necessidade de fatores externos à empresa, como: investidores, credores, reguladores e autoridades tributárias. E a segunda e terceira função, à necessidade dos gerentes internos de compreender e aperfeiçoar os aspectos inerentes das operações. Informações precisas e adequadas sobre custos são essenciais para os gerentes na hora da tomada de decisões estratégicas e no aprimoramento operacional.

2.3.1.1.1 Custeio por absorção

O custeio por absorção consiste na apropriação de todos os custos de produção aos produtos, de forma direta ou indireta, mediante critérios de rateio. Segundo Wernke (2004) o custeio por absorção atribui aos produtos todos os custos da área de fabricação, sejam esses definidos como custos diretos ou indiretos, ou

como custos fixos ou variáveis. Este é o método mais tradicional de custeio e suas principais vantagens são:

• Atende à legislação fiscal e deve ser usado quando a empresa busca o uso do sistema de custos integrado com a contabilidade;

• Permite a apuração de custos por centro de custos, visto que sua aplicação exige a organização contábil para isso;

• Ao absorver todos os custos de produção, permite a apuração do custo total de cada produto.

Este método, por atender à legislação, é o mais utilizado para as finalidades contábeis. Porém, ele requer uma atenção especial quanto ao uso de critérios de rateio para distribuir os custos entre os departamentos e/ou produtos, ou seja, se os critérios de rateio não forem objetivos podem distorcer os resultados, o que causaria penalidades para alguns produtos e benefícios para outros. Portanto, a informação de custos resultantes pode ser inadequada para a utilização na tomada de decisão.

2.3.1.1.2 Custeio baseado na atividade

Diante das necessidades de controlar os custos, ocasionados pelas mudanças no mercado, surgiram, em meados da década de 1980, os sistemas de custeio baseado em atividade (sistemas ABC). Para Kaplan (1998) o objetivo dos sistemas ABC foi suprir à necessidade de informações sobre o custo da necessidade de recursos de produtos, serviços, clientes e canais de distribuição. Os sistemas ABC permitiram que os custos indiretos e de apoio fossem direcionados primeiro a atividades e processos e depois a produtos, serviços e clientes.

Segundo Falk (2001) a diferença, entre a visão tradicional de custos, representada no Quadro 3 e a visão de custos ABC, representada no Quadro 4, é que, na primeira, os serviços ou produtos (centros de custos ou responsabilidades) consomem recursos na prestação de seu trabalho, enquanto que, na segunda, os serviços ou produtos consomem atividades, e, depois, que são essas atividades que consomem os recursos.

Para Wernke (2004) os benefícios proporcionados pela utilização dos sistemas ABC são:

1) Exposição da informação ao usuário: como é um sistema que se baseia nas atividades e demonstra o vínculo dessas com os produtos, serviços e clientes, ele costuma ser bem recebido pelos usuários;

2) Utilização da relação de origem dos custos como ferramenta de gestão; 3) Estimativa de cada atividade em termos de objetivos da organização; 4) Inclusão da totalidade dos custos nos produtos, por meio das atividades. Outra vantagem dos sistemas ABC é que, com eles, os gerentes das organizações de saúde podem averiguar o custo da qualidade, uma vez que ele está baseado na definição das melhores maneiras de atender o paciente, para determinada patologia ou condição, e seus respectivos custos. Vários autores mencionam que a metodologia ABC fornece dados de custos mais apurados. Entretanto, ela requer mais tempo, dinheiro e esforço, além de uma mudança de paradigma de toda a organização, compreendendo desde os médicos, equipes de enfermagem até o setor administrativo.

Serviços ou produtos

Consomem recursos

Serviços ou produtos

Consomem atividades

Consomem recursos Fonte: Adaptado de Falk (2001, p.101)

Fonte: Adaptado de Falk (2001, p.101) Quadro 3 – Visão tradicional de custos Quadro 4 – Visão de custos ABC

2.3.1.1.3 Custeio direto ou variável

De acordo com Kaplan (1998) os sistemas de custeio direto, ao calcular os custos dos produtos, serviços e de atendimento ao cliente, ignoram totalmente os custos fixos e apenas atribuem os custos de material e mão-de-obra direta aos produtos.

Este sistema prevê uma apropriação de caráter gerencial. Segundo Wernke (2004) somente os custos diretos ou variáveis devem ser apropriados, enquanto que os custos indiretos ou fixos devem ser desconsiderados em termos de custo do produto. O mesmo autor destaca as vantagens e desvantagens do custeio direto ou variável como sendo:

1) Prioriza o aspecto gerencial ao enfatizar a rentabilidade de cada produto, sem as distorções ocasionadas pelos rateios de custos fixos aos produtos;

2) Não é aceito pela legislação tributária para fins de avaliação de estoque; 3) Não envolve rateios e critérios de distribuição de gastos, facilitando o

cálculo;

4) Exige uma estrutura de classificação rígida entre os gastos de natureza fixa e variável;

5) Com a elevação do valor dos custos fixos, não considerados neste método, a análise de desempenho pode ser prejudicada e deve merecer considerações mais acuradas.

Este método, quando comparado com o método de custeio por absorção, apresenta um resultado inferior, acarretando um imposto de renda menor a pagar, fato pelo qual não é aceito pela legislação fiscal.

Documentos relacionados