3. METODOLOGIA
2.3 MÉTODOS EXPERIMENTAIS DE AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE
ANTIOXIDANTE
A atividade antioxidante de uma substância não pode ser mensurada diretamente, mas através dos seus efeitos sobre um substrato ou sistema passível de ser monitorado. A maioria desses métodos usa processos oxidativos, que envolvem a adição de um agente iniciador, como a temperatura, agitação ou uma pressão parcial de O2, um metal de transição ou mesmo exposição à luz, para acelerar o processo, e uma fonte de radicais livres específica. Esses radicais são, então, oxidados sob condições padronizadas e o grau de oxidação, ou sua extensão, medido (ANTOLOVICH et al., 2002).
Muitos métodos e modos de expressar a atividade antioxidante de extratos obtidos de plantas têm sido utilizados, onde o efeito de várias concentrações é comparado ao efeito exercido por uma substância de referência, como as vitaminas C ou a E, ou mesmo um composto puro, como a quercitina e a rutina. Contudo,
como recentemente destacado por Antolovich et al. (2002), distinção entre atividade antioxidante e capacidade antioxidante deve estar presente quando se interpreta os resultados, uma vez que esta refere-se à somatória de todas as atividades antioxidantes exercidas individualmente por cada componente presente em uma mistura, como é o caso de extratos.
Várias metodologias têm sido descritas para uma avaliação rápida da capacidade e eficácia antioxidante de compostos químicos e extratos vegetais. Muitos testes recorrem a formação de radicais livres instáveis, pela decomposição térmica de iniciadores, tais como o ABAP (MIGUEL et al., 2004; MORAIS et al., 2006), ABTS+ (RE et al., 1999; ARTS et al., 2004; SOARES , ANDREAZZA e SALVADOR, 2005), AAPH (MITJANS et al., 2004; YU et al., 2007), os quais reagem rapidamente como o oxigênio originando radicais peroxilas.
Alguns autores propõem outros tipos de teste que não recorrem à oxidação de substratos, mas à redução de radicais livres estáveis gerados in vitro, como resultado da atividade antioxidante dos extratos ou substâncias avaliadas. Entre esses, destaca-se o método original de Blois (BLOIS, 1958), adaptado por vários autores, no qual o radical DPPH (1,1-difenil-2-picrilhidrazil), que é um radical livre estável (DPPH•), que na presença de um antioxidante doador de hidrogênio (AH), pode ser reduzido em meio alcoólico, formando difenil picrilhidrazina (Figura 11) (KOLEVA et al., 2002).
Figura 11 - Mecanismo de redução do radical livre DPPH + AH .. .. .. .. .. O2N NO2 NO2 N N
.
N N H NO2 NO2 O2N .. .. .. .. ..1,1-difenil-2-picrilhidrazil
difenil picrilhidrazina
O ensaio de redução do radical livre 1,1-difenil-2-picrilhidrazil (DPPH•) tem sido amplamente utilizado como um método químico para a investigação do potencial antioxidante de produtos naturais, particularmente para extratos de plantas medicinais (BRACA et al., 2001; LU e FOOD, 2001; MENSOR , MENEZES , LEITAO , REIS , SANTOS et al., 2001; BRACA et al., 2002) e vegetais comestíveis (GUO et al.., 2001; SANDOVAL et al.., 2002; LLORACH et al., 2003).
A redução pode ser acompanhada espectrometricamente em 518 nm, pela diminuição da absorbância, com simultânea mudança da coloração violeta escura original da solução para amarela, descorando à medida que a reação com a solução teste se processa. Quanto maior a atividade antioxidante, menor será a coloração violeta da solução, ou seja, o DPPH• residual, mensurado após certo tempo, corresponde inversamente à capacidade antioxidante da substância analisada.
A molécula do DPPH• apresenta um máximo de absorção a 517-520 nm e após ser reduzida por uma substância doadora de elétrons, observa-se uma diminuição da absorbância. As variações nas condições iniciais do ensaio, como mostrado por diferentes autores, que empregam diferentes concentrações iniciais de DPPH•, combinados com diferentes tempos de reação, não resultam em mudanças significativas na interpretação dos resultados. Porém a interação de um antioxidante em potencial com o DPPH• depende de sua conformação estrutural.Em termos analíticos, o método do é recomendado para avaliar a atividade antioxidante de extratos vegetais e produtos, por fornecer resultados reprodutíveis e confiáveis de forma rápida e fácil (KOJIMA , MIZUNO e MIYAZAKI, 1958; BONDET , BRAND-WILLIAMS e BERSET, 1997; HIRANO et al.., 2001; MENSOR , MENEZES , LEITAO, REIS , DOS SANTOS et al.., 2001; KOLEVA et al., 2002; MOLYNEUX, 2004).
A molécula do DPPH• é caracterizada como um radical livre estável em virtude da delocalização do elétron excedente, impedindo a dimerização, como ocorre com a maioria dos radicais livres. A delocalização também resulta em um aumento de intesidade da coloração violeta, caracterizado pela absorção em solução etanólica em torno de 520 nm. Quando a solução de DPPH é mistura com substâncias que podem doar átomos de hidrogênio, o DPPH reduz-se e diminui portanto, a intensidade da coloração violeta (MOLYNEUX, 2004).
Os mecanismos de reação propostos para o método do DPPH•, descritos por Brand-Williams et al. (1995, 1997) para substâncias fenólicas, parecem envolver, de forma isolada ou combinada, a (RAO e AGARWAL) dimerização entre dois radicais fenoxil, seguida da regeneração de dois grupos hidroxila pela transferência do hidrogênio, podendo novamente reagir com DPPH• e (AAO) uma molécula de DPPH• pode complexar-se com um radical aril, conforme demonstrado na Figura 12. R O H R O R O R O R O R O R O OH OH R R N N O2N NO2 NO2 N N O2N NO2 NO2 DPPH DPPH-H R 1 O 2
Figura 12- Proposta de mecanismos de reação para substâncias fenólicas com DPPH
Nota: [1] dimerização entre dois radicais fenoxil, seguida da regeneração de dois grupos hidroxila pela transferência do hidrogênio, podendo novamente reagir com DPPH• e (AAO) uma molécula de DPPH• pode complexar-se com um radical aril, os quais podem ocorrer de forma isolada ou combinada. Fonte: BRAND-WILLIAMS, 1995
O método do DPPH mostra-se como uma alternativa rápida, pois ocorre em aproximadamente 30 min, de custo praticável por utilizar reagentes acessíveis e por não necessitar de equipamentos sofisticados. Além disso, nesse método, a eficiência antioxidante é mensurada em temperatura ambiente, eliminando-se o risco potencial de degradação térmica de algumas das substâncias analisadas (BONDET , BRAND-WILLIAMS e BERSET, 1997; MOLYNEUX, 2004).
Assim, no presente trabalho, a capacidade antioxidante de extratos obtidos alface, rúcula e almeirão, provenientes de uma horta experimental onde estas hortaliças foram cultivadas sob sistema orgânico e convencional foi investigado usando o método químico da redução do DPPH.
2.4 OBJETIVOS
2.4.1 Objetivo Principal
• Avaliar a capacidade antioxidante de extratos de hortaliças usados na dieta regular, obtidos de cultivos orgânico e convencional utilizando o método de redução do radical 1,1-difenil-2-picrilhidrazil (DPPH), tendo a vitamina C como referência.
2.4.2 Objetivos Específicos
1. Avaliar in vitro da capacidade antioxidante dos extratos metanólicos de Lactuca sativa cultivar Verônica (alface), Eruca sativa (rúcula) e Cichorium intybus L. (almeirão) provenientes das hortas experimentais orgânica e convencional.
2. Quantificar o teor de fenólicos das hortaliças cultivadas nas hortas experimentais
3. Verificar se existe diferença entre as hortaliças cultivadas de forma orgânica e convencional em relação ao potencial antioxidante e teor de fenólicos.
3 METODOLOGIA