CAPÍTULO 4 – ANÁLISES INSTITUCIONAIS E PROPOSTA DE APLICAÇÃO METODOLÓGICA
8. Mídia digital – Arquivos anexados (imagens do objeto);
9. Controle – Histórico (dos registros sobre o objeto, como: alteração em sua localização, avaliação de conservação, descrição sumária, etc.).
Figura 37 – Imagem dos grupos de informação do Banco de Dados adotado pelo MAS (em vermelho)
Fonte: Equipe técnica do MAS [mensagem pessoal] (2019).
139 Este grupo de informação é dedicado somente aos exemplares bibliográficos. Com isso, abrange
Deve-se frisar que as coleções de caráter público custodiadas pelo Museu de Arte Sacra de São Paulo apresentam algumas distinções de registro em relação às de cunho privado140. Os objetos pertencentes à Mitra adentram o MAS com
tombamento e números internos provenientes da instituição religiosa (tal como o “número de ordem”).
No caso dos itens que pertencem ao Estado, antes de serem incorporados ao recinto museológico é realizado um processo de aceite interno e externo, o que, inicialmente, confere aos artefatos uma numeração “sem tombamento” (ST). Por conseguinte, estes recebem um número de abertura de processo e, finalmente, de patrimônio público, atribuído pela SEC, cuja sigla é SC. O campo “Outros números” se refere aos registros já conferidos aos objetos, desde a sua entrada no Museu, e às demais numerações que venham a ser estabelecidas aos mesmos.
Para que o processo de catalogação do acervo armazenado neste estabelecimento seja concretizado, são reunidos todos os documentos existentes sobre cada peça e agrupados em pastas individuais denominadas “dossiês” (termos de compra, doação, listagens, fichas catalográficas antigas e atuais, etc.). Através da pesquisa em tais registros, são coletados e reunidos os dados dos itens e iniciado o seu procedimento catalográfico.
Toda a documentação produzida no Banco de Dados gera fichas sobre cada objeto, de modo eficiente e rápido, as quais são impressas, alocadas nas pastas com os documentos sobre cada exemplar e podem ser utilizadas nas conseguintes atividades museológicas.
O BDA também produz fichas de inventário como fim documental para atender às cláusulas previstas pelo governo estadual, isto é, dentre as inúmeras responsabilidades do MAS e cronogramas a serem cumpridos em consonância com as determinações do Estado, a instituição deve realizar a atualização de seu inventário e encaminhá-lo à Secretaria, ao final de cada ano, como documentação legítima para o controle da totalidade das peças que custodia.
Os campos de informação referentes a essas fichas de inventário, produzidas pelo Museu de Arte Sacra de São Paulo para prestação de contas à SEC-SP, são os seguintes:
140 Esta explanação não é aprofundada neste trabalho. Para maiores informações, consultar os
documentos Resolução SC 105 (2014) e Política de Acervo do MAS (2015) – o último concerne a um documento interno, o qual necessita ser solicitado à instituição museológica em questão.
1. Foto principal 2. Tipologia 3. Denominação/título 4. Autor/fabricante 5. Origem 6. Forma de entrada 7. Data de entrada 8. Valor 9. Dimensões/formato de dimensão 10. Descrição sumária 11. Estado de conservação 12. Data de avaliação 13. Número de patrimônio 14. Número de registro
15. Número de processo SEC
Até o momento, o MAS não faz uso de normalização terminológica específica141. Por outro lado, o Banco de Dados da Secretaria apresenta um manual
de preenchimento especializado e eficaz, o qual é empregado pelos profissionais atuantes nos respectivos museus da SEC-SP.
De modo geral, a completude do registro dos dados de todo o acervo em questão é satisfatória. Segundo a museóloga colaboradora Cruz (2019)142, pode-se
verificar que o que carece na documentação das coleções são “[...] as informações de propriedade anteriores à entrada das peças no museu. No caso da Cúria, por exemplo, esses dados existem lá, porém o MAS não tem acesso aos mesmos, por razões administrativas”.
Quanto ao registro das informações sobre os livros raros musealizados na instituição, foi possível conferir que o mesmo está parcialmente completo, em razão de a reorganização e o aprimoramento da pesquisa específica destes exemplares terem sido iniciados somente em dezembro de 2018. Embora a equipe técnica do Museu tenha sido reduzida no início de 2019 e, com isso, aumentado a carga de trabalho dos envolvidos com a gestão documental, os profissionais têm se desdobrado para dar a devida atenção à situação particular das raridades bibliográficas.
A classificação do estado de conservação dos objetos salvaguardados pelo MAS segue as orientações da SEC-SP: bom, regular ou ruim143. Em geral, o acervo
está em condições boas ou regulares e é distribuído em diferentes locais: reserva técnica, exposição de longa duração, exibições temporárias e setor bibliotecário. Até
141 Esta problemática está sendo estudada, pois a existência de vocabulário controlado se constitui em
um dos fundamentos para o desenvolvimento de uma sistematização informacional integrada entre as instituições museológicas da SEC-SP.
142 Apêndice D, parcela da resposta à questão número 3.
o ano de 2012, a RT se encontrava no Mosteiro da Luz, mas, com a grande demanda de peças e a necessidade de acondicioná-las em condições mais apropriadas, o setor foi transferido para um edifício próximo ao Museu, junto à administração (BATISTA; DIAS, 2017)144.
As obras raras institucionalizadas no MAS estão acondicionadas em sua reserva técnica, a qual é restrita aos profissionais autorizados, dispõe de desumidificadores, ventiladores e é monitorada por consoles que medem a temperatura e a umidade locais.
Os artefatos abrigados neste ambiente estão separados por tipologia e se encontram em armários com estantes fixas, estantes com prateleiras, traineis deslizantes, mapotecas, gaveteiros de aço e em cofres – todos esses suportes são de materiais inertes e receberam pintura eletrostática. Os invólucros dos objetos são moedeiros, capas protetoras em TNT, em algodão, mantas acrílicas, pastas e caixas moldadas em papéis neutros.145
Figura 38 – À esquerda: telas sob a guarda do MAS armazenadas em traineis; à direita: gaveteiros inertes para o acondicionamento de diversos tipos de objetos salvaguardados pelo Museu
Fonte: Acervo pessoal da pesquisadora.
O MAS apresenta profissionais especializados em conservação e restauração, cujas ações são cautelosamente norteadas por parâmetros previstos no “Plano de Conservação do Museu de Arte Sacra”146, de acordo com a tipologia, a fisicalidade e
as necessidades de cada objeto. Entretanto, a instituição não apresenta um
144 Apêndice C, parcela da resposta à questão número 4.
145 Não é destrinchado onde cada tipologia de objeto presente no MAS está acondicionada, por motivos
de segurança do acervo – exceto acerca das obras raras, as quais são o enfoque desta pesquisa.
laboratório de restauro; caso seja constatada a necessidade de restauração das peças, estas devem ser encaminhadas a profissionais especializados que estejam associados à instituição museológica, juntamente a laudos técnicos que justifiquem tal solicitação e sua aprovação pela SEC-SP (MUSEU DE ARTE SACRA DE SÃO PAULO, 2015).
Segundo a Política de Acervo do MAS (2015), os itens recém adquiridos pela instituição devem permanecer na sala de quarentena, antes de adentrarem a reserva técnica ou serem colocados em exibição, para fins de análise do seu estado de conservação. No que concerne aos objetos já armazenados na RT, todos passam por verificação preventiva e higienização semestral, para que sejam observados e evitados possíveis ataques químicos e biológicos. Já os que estão localizados na exposição de longa duração da instituição são higienizados semanalmente pelos conservadores responsáveis – no momento, há dois profissionais atuantes na área.
Todos os objetos sob a responsabilidade da instituição devem ser manuseados com luvas adequadas e cuidadosamente marcados com tinta permanente, conforme seu material, além de etiquetados com cordão de algodão legítimo (MUSEU DE ARTE SACRA DE SÃO PAULO, 2015). No caso das obras raras, as suas capas são marcadas com lápis macios. As etiquetas anexadas a todo o acervo são produzidas em papel neutro e divididas por cores, de acordo com a sua coleção: as peças da Cúria têm etiquetas na cor laranja, do MAS têm amarelas, do Museu dos Presépios têm azuis e da Ordem das Concepcionistas, cor-de-rosa (PRADO; SANTOS, 2019)147.
Até o ano de 1999, os livros raros custodiados pela instituição eram envolvidos em papel seda e armazenados em mapotecas. A partir dessa data, os exemplares passaram a ser acondicionados em caixas produzidas em papel crescent148 e
guardados dentro dos gaveteiros na RT (BATISTA; DIAS, 2017)149. Pode-se dizer que
o estado de conservação dessas raridades é regular, visto que uma considerável parcela apresenta acidificação e intervenções com papel japonês 150 . Muito
provavelmente, tais reparos foram realizados anteriormente à incorporação dos
147 Apêndice E, parcela da resposta à questão número 5.
148 O papel crescent é uma marca de papel cartão, cuja composição apresenta pH neutro, o que retarda
o processo de deterioração do composto em contato com o ambiente. Com isso, este material é largamente empregado na feitura de invólucros para a conservação de obras com/em suporte de papel.
149 Apêndice C, parcela da resposta à questão número 9.
150 O papel japonês consiste em um papel branco, fino e de fibras longas, o que o torna mais resistente.
Esse tipo de material é muito utilizado em ações de conservação interventiva e em restaurações de documentos gráficos.
exemplares no Museu, por seus antigos proprietários, como medidas curativas. Porém, ainda não foram encontrados registros destas ações.
Figura 39 – À esquerda: acondicionamento de livros raros sob a guarda do MAS em gaveteiros de aço; à direita: obra rara salvaguardada pelo Museu com páginas acidificadas (amareladas) e
suturadas em papel japonês
Fonte: Acervo pessoal da pesquisadora.
O MAS realiza a digitalização de todo o acervo que armazena, continuamente, no entanto, ainda não dispõe de um programa específico para as obras raras que abranja também o seu suporte textual. Além disso, até o presente momento, o Museu não apresenta planejamento para a recuperação física desses itens – nunca receberam intervenções, desde que adentraram o estabelecimento. A curto prazo, o corpo profissional tem analisado apenas a possibilidade de transferir os exemplares para a biblioteca institucional, com o objetivo de melhor acondicioná-los, segundo os fundamentos de conservação (CRUZ, 2019)151.
Diante de todas as questões levantadas e análises realizadas sobre esta instituição museológica, pode-se concluir que o que marca as suas políticas atuais quanto à gestão das coleções que abriga – especialmente das raridades bibliográficas –, diz respeito à equalidade da relevância da conservação física, apropriada a cada tipo de objeto, e da conservação dos documentos, que concernem ao registro de cada item, pois a “[...] perda e/ou extravio [da sua documentação] redunda na perda de grande parte do valor histórico e/ou cultural do acervo” (MUSEU DE ARTE SACRA DE SÃO PAULO, 2015, p. 18).
4.3 Sugestão de Ficha de Catalogação para a Coleção de Obras Raras do MAB
Embora a teorização sobre documentação museológica recomende que os metadados das fichas catalográficas sejam padronizados para a integralidade do acervo institucional, muitas vezes esta aplicabilidade se torna complexa em virtude da singularidade tipológica dos objetos que as instituições museológicas apresentam, como no caso dos livros raros custodiados pelo Museu de Arqueologia Bíblica do UNASP, os quais também são tratados como peças museológicas.
De tal modo, optou-se pela elaboração de uma proposta de ficha específica para a catalogação destes exemplares, a partir dos seguintes motes examinados e fundamentais para a pesquisa: a) a gestão documental adotada no MAB, sobretudo acerca das obras raras; b) as peculiaridades materiais e contextuais observadas nas raridades bibliográficas sob a guarda desta instituição; c) as discussões sobre as determinações de raridade; d) os princípios de catalogação bibliográfica de livros raros; e) os aspectos e os critérios que viabilizam o tratamento desses exemplares como acervo museal; f) as orientações vigentes de documentação museológica e g) os métodos empregados na catalogação das obras raras salvaguardadas pelo MAS.
O instrumento documental desenvolvido apresenta 06 grupos de informação subdivididos em 53 categorias descritivas, a saber: