2.2 PLANEJAMENTO E CONTROLE
2.2.3.4 Módulo A – Agir
É no quarto e último quadrante do ciclo que acontece o encontro de opiniões e sugestões de todos os envolvidos na operação, a fim de identificar oportunidades de melhoria, aperfeiçoamento do método, detecção de focos de erro, mudança de estratégia ou até mesmo avaliação de medidas corretivas a serem tomadas. Caso ocorram grandes desvios do que foi planejado em relação ao campo, ações corretivas devem ser implementadas, e os desvios devem ser detalhadamente analisados e investigados, como ação corretiva.
______________________________________________________________________________ Por outro lado se o planejamento não apresentar desvios significativos, esse quadrante deve ser visto como uma oportunidade para as equipes pensarem na possibilidade de redução do prazo da obra, por exemplo. É imprescindível a participação de todos nesta etapa, pois a meta a ser atingida não é exclusiva de um único setor, mas comum a todos.
2.2.4 Plano de Contas
Sabe-se que, em concordância a Goldman (2004), o primeiro passo necessário para que se tenha um bom planejamento e controle de obras é a organização. Sendo assim, surge então, segundo De Queiroz (2012), a necessidade de um plano descritivo e que vise a organização das várias fases de implantação de um projeto e, ao mesmo tempo, englobando todos os fatores que afetem diretamente a construção, sendo esse plano de organização denominado de Plano de Contas. Esse plano relaciona a sequência dos diferentes serviços que entram na composição de um orçamento e possíveis de ocorrer na construção de uma obra (LOPES, et al. 2003).
É através do plano de contas que se torna possível obter-se uma sistemática de controle dos materiais por serviço e, finalmente a integralização dos custos e materiais, que é elemento primordial para todas as possibilidades de planejamento, apropriação e controle de obras (GOLDMAN, 2004). Sendo importante ressaltar, de acordo com Lopes e al. (2003), que como cada obra é um empreendimento singular que apresenta características particulares, o plano de contas deve ser moldado e atender as especificidades de cada caso, se adaptando a cada empreendimento e/ou empresa.
O plano de contas, conforme afirma Lopes et al. (2003), em se tratando de uma ferramenta de organização, usa-se adotar de maneira geral, que cada obra ou serviço receba um código de identificação e, além disso, para cada um dos itens subsequentes que compõem o serviço, atribui- se um subcódigo de identificação, conforme Figura 4 abaixo:
_____________________________________________________________________________________________ Figura 4: Identificação da obra e serviço
Fonte: Lopes et al. (2003)
A partir do momento que o setor de produção identifica, com os códigos, através de carimbo próprio a destinação de um insumo dentro da obra e envia o documento a outros setores, todo o processo segue seu curso natural até seu fechamento final, desde que se adotem rotinas de procedimento análogo nos demais setores da empresa onde vão tramitar os documentos carimbados e codificados pela obra (DE QUEIROZ, 2012).
Desta maneira, para Lopes et al. (2003), com uma divisão adequada dos serviços torna-se fácil orçar e administrar uma obra, tal procedimento se constituí também de um poderoso auxiliar na gestão de trabalhos, no controle das quantidades dos insumos efetivamente empregados permitindo, inclusive, um meio de análise e redução de custos.
2.3 GERENCIAMENTO FINANCEIRO E ESTRATÉGICO
Para Johnson e Kaplan (1996), o sistema gerencial tem papel fundamental nas informações de planejamento e controle, na comunicação, motivação e avaliação de uma organização, sendo assim um componente necessário na estratégia da empresa de alcançar o sucesso competitivo. Goldman (2004) complementa afirmando que é de responsabilidade do setor de gerenciamento da empresa as fases de viabilidade econômica e planejamento técnico, de produção e de conclusão da obra, tornando assim o gerenciamento fator primordial para a execução, planejamento e controle de qualquer projeto.
Tomando por base estudos realizados no setor da construção civil, disponíveis na literatura, pode-se inferir acerca da relevância do sistema gerencial, como também dos estudos que tratam da viabilidade econômica dos projetos das empresas deste segmento.
______________________________________________________________________________ Nesse sentido, para Okamoto, Salerno e Melhado (2015) realizaram um estudo que objetivou mostrar a importância da Coordenação e Projetos de Edifícios (CPE), a qual se refere a uma atividade de cunho gerencial que privilegia a interatividade na equipe e melhora a comunicação no desenvolvimento de projeto de edificações. Os achados dos autores confirmam que a atividade CPE estimulou uma maior integração, bem como, a redução de prazos no desenvolvimento de projetos, e um maior alinhamento das atividades de projeto e dos projetistas subcontratados. Contudo, os atores constatam que a maneira como as contratações são formuladas e conduzidas podem comprometer a atividade a ser desempenhada.
No que tange a questão da viabilidade e planejamento do empreendimento, é indicado que a empresa gerenciadora ou setor de gerenciamento elabore o projeto de custos, o qual inclui orçamento detalhado, cronograma físico-financeiro, programação de compras e contratações (GOLDMAN, 2004) interligando assim o setor de gerenciamento com o setor de custos, tornando a orçamentação instrumento da gestão.
No estudo realizado por Santos (2014), no qual o autor propõe um modelo de gestão financeira para uma empresa do setor da construção civil. Como mostra o Quadro 1 abaixo, no diagnóstico das disfunções é possível perceber a importância da ligação do setor de gerenciamento com as finanças e custos, inclusive o autor evidencia o impacto de cada estrutura dentro dos planos táticos e operacionais.
Quadro 1: Impacto de cada estrutura nos planos táticos e operacionais
Estratégico Tático Operacional
1-Estrutura financeira somente operacional Processo de decisão subjetivo quanto o endividamento O sistema de informação utilizado era inadequado para o porte da empresa Ausência de análise de viabilidade econômica de novos projetos O fluxo de documentos fiscais entre os empreendimentos e a sede administrativa era físico
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1-Estrutura financeira somente operacional
Gestão subjetiva do capital de giro
Falta de treinamento dos supervisores e
coordenadores operacionais quanto os eventos com reflexos no caixa 2. Articulação entre contabilidade e finanças Ausência de previsibilidade do caixa Falta de procedimentos operacionais para os funcionários Ausência de relatórios de
controle de custos e tributos Cultura do controle informal do Caixa
O registro contábil era caixa posterior a realização do caixa
3. Ausência de orçamento
As atividades operacionais não são avaliadas pelo desempenho financeiro
Falta de treinamento no apontamento dos centros de custo
Falta de previsibilidade de recursos para suprir as compras
Falta de procedimentos para o processo de compra
A acurácia financeira do estoque não era avaliada
Falta de procedimentos de controle/auditoria/inventário de estoques e compras 4. Ausência de indicadores econômicos e financeiros Dificuldade em avaliar oportunidades de aquisição ou venda de ativos Registros contábeis e demonstrações financeiras realizadas, somente, para atendimento fiscal Ausência de relatórios
gerenciais
Fonte: Santos (2014)
Já na fase produção e controle, de acordo com Goldman (2004), o papel do gerenciamento é permanente, fazendo o acompanhamento da obra diariamente através do recebimento e conferência
______________________________________________________________________________ dos materiais e quantidades, das folhas de pagamento dos funcionários, da avaliação física da obra, além de emitir relatórios gerenciais mensais abordando de forma lógica e objetiva a performance física e financeira das execuções.
Por fim, no término e entrega da obra, o papel do gestor está ligado à conferência da qualidade do que foi executado, bem como, a avaliação dos resultados com base nos dados de receitas e despesas. O gerenciador juntamente com a construtora tem o papel de identificar a cada momento a situação do empreendimento, interferindo e tomando decisões que possam aumentar a sua viabilidade e competitividade no mercado (GOLDMAN, 2004).
Dos Santos Félix et al. (2016) mostra em sua pesquisa uma análise do desempenho, sob a ótica do valor econômico adicionado (EVA) das empresas brasileiras do setor de construção civil do segmento de edificações. Seus resultados revelam que as empresas obtiveram retornos operacionais positivos, contudo, no que se refere à geração de valor adicionado, foi constatado que praticamente todas as empresas analisadas destruíram valor no período no período analisado. O autores destacam a preocupação com esses achados, pois nem sempre uma empresa que geral lucro necessariamente está gerando valor para o investidor, evidenciando a importância do cálculo do EVA como medida de desempenho das organizações.
Conforme afirma Schubert (2005), as mudanças constantes na economia mundial exigem das empresas transformações profundas nas estruturas organizacionais e nos seus controles de gestão. Por outro lado, Johnson e Kaplan (1996) afirmam que um sistema de gerenciamento ineficaz pode assolar qualquer organização. Tornando assim, o gerenciamento elemento motivador e modificador dentro das empresas.
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3 MÉTODO DE PESQUISA
Para Ander-Egg (apud Lakatos e Marconi, 2002), a pesquisa é um “procedimento reflexivo sistemático, controlado e crítico, que permite descobrir novos fatos ou dados, relações ou leis, em qualquer campo do conhecimento”. A pesquisa portanto, é um procedimento formal, com método de pensamento reflexivo, que requer um tratamento cientifico e se constitui no caminho para conhecer a realidade ou para descobrir verdades parciais (LAKATOS E MARCONI, 2002).
Conforme aborda Gil (2008), para que um conhecimento possa ser considerado científico, torna-se necessário identificar as operações mentais e técnicas que possibilitam a sua verificação, ou seja, determinar o método que possibilitou chegar a esse conhecimento. Pode-se definir método, segundo o mesmo autor, como o caminho para se chegar a um determinado fim e, método científico como o conjunto de procedimentos intelectuais e técnicos adotados para se atingir o conhecimento. O método de abordagem da referida pesquisa, trata-se do método dedutivo que, para Gil (2008), de acordo com a acepção clássica, é o método que parte do geral e, em seguida, desce ao particular, partindo de princípios reconhecidos como verdadeiros e indiscutíveis e possibilita chegar a conclusões de maneira puramente formal, isto é, em virtude unicamente de sua lógica.
Para os fins a que se destina a pesquisa apresenta-se como descritiva, uma vez que, segundo Gil (2008), têm como objetivos primordiais a descrição das características de determinada população ou fenômeno, o estabelecimento de relações entre variáveis ou o estudo das características de um grupo específico.
3.1 ESTRATÉGIA DE PESQUISA
O estudo se desenvolveu a partir de pesquisa bibliográfica e coleta de dados a campo, através de questionário. Lakatos e Marconi (2002), consideram que a pesquisa bibliográfica abrange toda a bibliografia já publicada em relação ao tema de estudo, incluindo, entre outros, revistas, livros, pesquisas, monografias e teses, não sendo mera repetição do que já foi escrito sobre o assunto, mas sim propiciando o exame e um tema sob novo enfoque chegando a conclusões inovadoras.
Com base no que foi pesquisado por meio de bibliografia, ocorreu a elaboração de um questionário, presente no apêndice 1 deste trabalho, de perguntas a fim de responder aos
______________________________________________________________________________ questionamentos que são objetivos da pesquisa. Nesse sentido, Gil (2008) define o questionário como uma técnica de investigação composta por um conjunto de questões que são submetidas a pessoas com o propósito de obter informações dos mais variados aspectos, para que se possa traduzir objetivos de pesquisa em questões específicas.
Sendo assim, em um primeiro momento foi realizada a exploração bibliográfica, a fim de encontrar embasamento para a formulação das perguntas do questionário. Posteriormente, deu-se início a coleta de dados, com intuito de buscar informações que possibilitassem o cumprimento da proposta do referido trabalho. Em seguida, houve a compilação e análise dos dados investigados para posterior avaliação dos resultados obtidos.
3.2 DELINEAMENTO
Finalizada a revisão bibliográfica e a fundamentação teórica, foi iniciada a elaboração do questionário, apêndice 1, a fim de obter os dados pertinentes por parte das empresas de construção civil para efetivação da pesquisa. O questionário foi elaborado através de pesquisas a outros semelhantes, com intuito de moldá-lo da melhor forma para que não se tornasse cansativo de ser respondido e nem invasivo quanto às informações internas das organizações.
Com o questionário concluído, foi-se a campo com intuito de colher os dados necessários para a pesquisa. Para isso, foram realizadas 10 entrevistas pessoalmente, com troca de informações bastante válidas e que agregaram não só as respostas propriamente ditas, mas a um entendimento melhor de como funcionam as organizações privadas em suas diferentes formas e características específicas e, outros 2 questionários foram respondidos via e-mail.
Após reunir todas as informações, deu-se início a compilação dos dados, através das ferramentas do programa Excel, por meio de planilhas e geração de gráficos. Em seguida, foram analisados os dados específicos a cada grupo de questões, fazendo as correlações e comentários pertinentes a fim de extrair o maior número de informações possível com os dados obtidos. Posteriormente, se prosseguiu com as conclusões finais resultantes da análise de todos os aspectos.
_____________________________________________________________________________________________ Figura 5: Delineamento de pesquisa
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4 ANÁLISE E DESCRIÇÃO DOS RESULTADOS
Nesse item será apresentada toda a análise de resultados, comentários pertinentes a cada item individualmente, assim como, os resultados finais obtidos após a investigação.