3.2 Os módulos do curso de extensão
3.2.2 Módulo II – García Márquez: el poeta Nobel
O Módulo II foi destinado à apresentação de García Márquez. Para tanto, destaquei, sobretudo, momentos e experiências que esse escritor vivenciou em decorrência da obra Cien años de soledad, como o tempo que levou para escrevê-la e os percalços pelos quais passou até terminá-la.
Nesse módulo, o objetivo era capacitar as participantes em relação ao reconhecimento de textos literários e à percepção do quanto aquilo que está no entorno pode auxiliar no desenvolvimento da aprendizagem de uma língua estrangeira.
O início deu-se com a leitura do texto Así escribí Cien años de soledad (Anexo A), redigido pelo próprio autor em 27 de março de 2007 e publicado no jornal El País. Por meio desse material, as alunas puderam compreender a dimensão desse romance para a literatura e sensibilizaram-se com a
humanidade do autor, conhecido como Gabo, o que fez com que elas se aproximassem do livro e do escritor. Na Figura 17, segue um trecho do texto para ilustrar o momento de início do módulo.
Figura 17 – Texto Así escribí Cien años de soledad
Fonte: elaborado pela autora.
Fonte: García Márquez (2007, s. p.).
Ao ler cada parágrafo do texto, foram esclarecidas dúvidas em relação ao sentido e/ou ao vocabulário. Assim, as alunas puderam refletir sobre o processo de escrita relatado pelo autor.
Em seguida à leitura do texto, para complementar a atividade e motivar a compreensão auditiva, foi apresentado o vídeo IV Congreso de la Lengua
Española, ocorrido em Cartagena, em 2007. Nele, o escritor relatou as
experiências vividas durante o processo de criação e escrita de Cien años de
soledad e falou sobre o Nobel que havia recebido pela obra.
A leitura feita antes do vídeo auxiliou no seu entendimento, pois nele não havia legendas, além disso, algumas passagens citadas pelo autor haviam sido abordadas no texto. Mesmo assim, em alguns momentos do vídeo, as alunas se mostraram um pouco perdidas. Ao perceber que algo estava acontecendo,
Así escribí 'Cien años de soledad'
GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ27 MAR 2007
Ni en el más delirante de mis sueños en los días en que escribía
Cien
años de soledad
llegue a imaginar en asistir a este acto para sustentar laedición de un millón de ejemplares. Pensar que un millón de personas pudieran leer algo escrito en la soledad de mi cuarto con 28 letras del alfabeto y dos dedos como todo arsenal parecería a todas luces una locura, hoy las academias de la lengua lo hacen con un gesto hacia una novela que ha pasado ante los ojos de cincuenta veces un millón de lectores y ante un artesano insomne como yo, que no sale de la sorpresa por todo lo que le ha sucedido. Pero no se trata de un reconocimiento a un escritor. Este milagro es la demostración irrefutable de que hay una cantidad enorme de personas dispuestas a leer historia en lengua castellana y, por lo tanto, un millón de ejemplares de
Cien años de soledad
no son un millón de homenajes a un escritor que hoy recibe sonrojado el primer libro de este tiraje descomunal. (….)interrompi o vídeo, perguntei se estavam entendendo e retomei as falas do autor, de modo a facilitar-lhes a compreensão e manter o envolvimento na atividade. Nessa direção, como orienta Moraes (2008, p.213), o docente precisa estar atento às necessidades dos aprendizes, às circunstâncias e ao clima gerados no ambiente de aprendizagem.
Após uma conversa sobre impressões e sentimentos que o texto e o vídeo haviam despertado, as alunas receberam um texto em que García Márquez se mostra preocupado com aspectos relacionados à gramática normativa da língua espanhola. Trata-se de um discurso no qual o escritor reconhece que as convenções relacionadas à língua escrita poderiam ser mais simples e faz uma paródia centrada no próprio idioma, a qual as alunas foram desafiadas a decifrar. Na Figura 18, a seguir, são apresentados os trechos que serviram de mote para o desenvolvimento dessa aula.
Figura 18 – Discurso de García Márquez
(…) Jubilemos la ortografía, terror del ser humano desde la cuna: enterremos las haches rupestres, firmemos un tratado de límites entre la ge y jota, y pongamos más uso de razón en los acentos escritos, que al fin y al cabo nadie ha de leer lagrima donde diga lágrima ni confundirá revólver con revolver. ¿Y qué de nuestra be de burro y nuestra ve de vaca, que los abuelos españoles nos trajeron como si fueran dos y siempre sobra una? (…)
Descifra este texto, parodia de la propuesta de García Márquez.
(…) Yegando al kuarto año el interés públiko por un alfabeto 77eríamos77mente fonétiko ya sería tan 77eríamo ke asta podría darse un kambio radikal sin temor a ke eyo fuese a generar muchas krítikas. Así 77eríamos ke se empezaría a usar la “j” siempre ke el sonido de la “g” suene komo tal.
Fonte: Instituto Cervantes (s. d.).
No texto, García Márquez defende que a letra “h” não é necessária em muitos vocábulos, que o emprego das letras “g” e “j” deveria ser menos confuso e que muito acentos existentes na língua espanhola são desnecessários porque é possível entender as palavras pelo contexto.
Após leitura introdutória, foi proposta uma atividade em que as alunas deveriam decifrar a paródia escrita pelo autor. Nela, García Márquez troca as palavras para mostrar que é possível ler e entender um texto sem que a letra “h” esteja presente, além disso, troca o “q” pelo “k”, o “v” pelo “b” e o “ll” pelo “y”, por terem sons parecidos.
Por meio desse texto, as alunas foram motivadas a dialogar sobre possíveis dificuldades que a língua espanhola impunha a elas mesmas e aos aprendizes do idioma em geral.
Em seguida, por meio de um jogo digital disponível no site Cerebriti13, as alunas puderam conhecer os personagens da família Buendía que não haviam sido apresentados no Módulo I. O jogo contabiliza o tempo que cada participante demora para acertar a ordem dos 17 personagens da família, como exibido na Figura 19. De modo lúdico, as alunas perceberam que os nomes dos personagens se repetem ao longo das gerações, aspecto marcante e importante na obra, que seria explicado em módulo posterior.
Figura 19 – Jogo sobre as gerações da família Buendía
Fonte: www.cerebriti.com
_________________________
13 Esse site disponibiliza jogos que permitem explorar os conhecimentos sobre a obra Cem Anos
de Solidão, bem como sobre seu autor. Disponível em:
<http://elearningmasters.galileo.edu/2017/02/03 /gamificacion-en-el-aula/>. Acesso em: 15 jul. 2017.
Como se vê na Figura 19, do lado esquerdo, há uma lacuna com 17 linhas a serem ocupadas, na ordem correta, pelos nomes que estão à direita da tela, de forma desordenada. Para que todas jogassem, cada aluna usou o próprio celular e, ao final, informou o tempo que levou para colocar o nome no devido lugar.
No início, as alunas sentiram certa dificuldade porque não conheciam todos os personagens; no entanto, à medida que foram errando a ordem, memorizaram e perceberam a vasta dinastia da família Buendía, que durou exatos 100 anos.
Para que pudessem conhecer um pouco mais sobre o autor e sobre os demais livros que escreveu, bem como para que desenvolvessem a habilidade da escrita, propus uma atividade na qual deveriam criar, no formato digital, capa e contracapa de qualquer outro livro escrito por García Márquez, e elaborar uma sinopse da obra escolhida. Todas as produções foram apresentadas no último dia de aula e, posteriormente, foram postadas na plataforma. Segue, na Figura 20, a produção de uma das participantes; as demais produções são apresentadas no Apêndice .
Figura 20 – Capa e contracapa criadas por uma das alunas
Para a elaboração da capa e da contracapa não foi exigido um modelo ou recurso digital determinado. Algumas alunas utilizaram o Word, outras, o
PowerPoint, e ainda houve quem utilizasse o Canvas, um programa voltado para design.
Nesse módulo, como tratei com mais profundidade da vida do autor e de seu relato pessoal sobre o momento de escrita da obra, foram abordadas questões linguísticas contextualizadas nos textos literários, como exemplificado pelas perguntas postadas na plataforma (Figura 21).
Figura 21 – Plataforma Edmodo – Módulo II: García Márquez – el poeta Nobel
Fonte: elaborado pela autora.
Ao propor tais questionamentos, meu intuito foi fazer com que as participantes percebessem os textos literários de forma integrada à língua espanhola, por isso ao elaborar o Módulo II, apresentei aspectos da vida de García Márquez articulados à obra em estudo para que esta fizesse mais sentido e para que notassem que a literatura pode enriquecer a aula de língua estrangeira, uma vez que há várias possibilidades a serem exploradas para que a aprendizagem se efetive.
Da mesma forma, por meio da atividade de confecção de capas de livros, busquei destacar as maneiras diferentes pelas quais os textos literários podem ser usados nas aulas de espanhol e sobre como eles auxiliam no processo de aprendizagem de um novo idioma. Além disso, ressaltei que incluir textos literários nas aulas pode representar uma mudança na prática docente, dada por
novas abordagens pedagógicas e, em alguma medida, pode romper com o modelo tradicional mediante a adoção de um paradigma renovado e integrador.