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4 O CURSO DE EXTENSÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ESCOLAS

4.4 Análise do Material Didático do Processo Formativo Escolas Sustentáveis e Com-Vida

4.4.2 Módulo 2: O Outro, Nossa Responsabilidade na Escola

O presente módulo divide-se em 3 eixos, o primeiro apresenta conceitos que destacam a escola como possível espaço educador sustentável. No segundo eixo, a reflexão recai sobre o Projeto Político Pedagógico (PPP), importante documento norteador no ambiente escolar. Por último o terceiro eixo, propõe a discussão sobre a formação e implantação da Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida (COM- VIDA) que tem como objetivo promover a sustentabilidade dentro da escola e além dos seus muros, ou seja, na comunidade.

Nota-se uma sinergia entre os módulos do processo formativo, pois parte primeiro da mudança do Eu/Sujeito pensando o meu modo de vida e a minha trajetória e os impactos para o ambiente. O segundo módulo traz as mudanças que EU posso promover no OUTRO e no espaço escolar, de cunho eminentemente coletivo pois considera a escola como espaço físico e social pois interage diretamente com a comunidade do entorno. O módulo três destaca o mundo e como a escola pode produzir conteúdo e conhecimento para transformações sustentáveis seja dentro da própria escola ou na comunidade.

O eixo 1 do módulo 2 intitula-se “a escola como lugar no mundo” (BRASIL, 2010). Dois conceitos destacam-se inicialmente nesse eixo são estes: identidade e território.

“O território é também o Outro e pode ser percebido como o lugar de vivência: uma pequena comunidade, o espaço escolar, ou – expandindo o recorte geográfico – uma cidade, um estado ou um país. No encontro com o outro estabelecemos nossa identidade e também contribuímos para a construção da identidade desse Outro”. (BRASIL, p.32, 2010)

A escola tem a concepção de um lugar relacional compreende que “Todo espaço construído é resultado da história das pessoas, dos grupos que nele vivem, trabalham,

produzem” (BRASIL, 2010). O texto é permeado de passado, presente e futuro. O passado serve para contar a história e o surgimento da escola, o presente destaca “onde está a nossa escola agora?” E o futuro compreende a escola que se almeja, o espaço educador sustentável.

Antes de iniciar qualquer mudança no espaço escolar é necessário fazer um diagnóstico, ou seja, um mapeamento. Para tomar decisões que transformem o local

“O mapeamento contribui para contextualizar a situação real, expressando as relações que produzem a escola e o ambiente em que está situada. Favorece a compreensão crítica e auxilia na percepção dos problemas e das oportunidades, tornando os envolvidos capazes de participar da transformação da realidade”. (BRASIL, p.34, 2010)

O eixo 2 do módulo 2 intitula-se O Projeto Político Pedagógico de cada escola. No que diz respeito ao PPP da escola o texto apresenta esse documento como sendo norteador para as ações do coletivo escolar. Sobre a importância do PPP

“A realidade da escola, a visão de mundo e as utopias de professores(as), estudantes, funcionários(as), colaboradores(as) e familiares podem e devem ser discutidas politicamente no interior da instituição. Assim, por exemplo, ao se pensar os conteúdos a serem ensinados e aprendidos, os(as) integrantes do coletivo escolar assumem como uma de suas tarefas a reflexão sobre suas intencionalidades e suas propostas de processos e produtos representativos de um compromisso coletivo, político e pedagógico, capaz de desvendar as injustiças sociais e ambientais”. (BRASIL, p.35, 2010)

Muitas escolas não possuem o PPP esse pode ser um momento importante para iniciara construção, ou caso já tenha muitos anos de sua elaboração pode ser proposto os princípios para tornar a escola um espaço educador sustentável.

O eixo 3 do módulo 2 intitulado Con-Vidar/ Com-Vida/ Com-Viver destaca a Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida (Com-Vida) como um importante espaço de diálogo dentro da escola e da escola com a comunidade. A ideia da criação da Comissão não é restrita ao espaço escolar, mas também compreende as relações que a escola deve ter com a comunidade. Sobre essa questão o texto destaca que “essa comissão tem a função de promover o intercâmbio entre a escola e a comunidade, com o foco nas questões socioambientais que foram indicadas durante o processo de construção do PPP de sua escola” (BRASIL, 2010).

O texto apresenta dois caminhos a serem seguidos, se a escola já tiver uma Com- Vida implantada os registros de implantação como documentos e acordos precisam ser resgatados e socializados com os sujeitos envolvidos. Caso a escola não tenha a Com-

Vida destaca-se como essencial aproveitar essa oportunidade para a sua criação, o estabelecimento de um acordo de convivência entre os sujeitos tais como professores, alunos, diretores, funcionários e integrantes da comunidade é um inicio para o desenvolvimento da Comissão.

A metodologia que sugere-se para a criação da Com-Vida é a Oficina de Futuro que é constituída dos seguintes passos:

1º Passo: Árvore dos Sonhos: Consiste em destacar os sonhos que cada um tem para o futuro da escola, podem estabelecer desejos de curto, médio e longo prazo.

2º Passo: Caminho das Pedras: Com os sonhos estabelecidos é necessário elencar os possíveis desafios que surgirão, esses obstáculos impedem a existência da escola sustentável.

3º Passo: Plano de Ação: De maneira coletiva são elaboradas propostas para a resolução dos problemas elencados no caminho das pedras e um cronograma com a previsão de tempo para encontrar as soluções.

A sequência de passos para a elaboração da Comissão é interessante, mas poderiam ter exemplos para melhor esclarecimento como comissões criadas em outras escolas que estejam em atividade não para serem cópias, mas para mostrar a realidade.

Após o debate coletivo sobre as metas da comissão deve ser criado o acordo de convivência com base no diálogo dos participantes. “O acordo é um conjunto de entendimentos feito entre as pessoas para facilitar o funcionamento da Com-Vida”.

O conceito de participação permeia todo esse eixo, muitas vezes os sujeitos na escola estão acostumados a receberem “as coisas prontas e apenas executar” é essencial romper com essa cultura, pois a participação permite que voz dos sujeitos seja ouvida e cada um deixe a sua marca.