UNIDADE II O CENÁRIO EMPÍRICO
CAPÍTULO 4. DESCRIÇÃO DA ATUAL EXPOSIÇÃO DO MUSEU DE
4.5 Módulo 3: Todos parentes, todos diferentes
No início do módulo encontra-se a placa de texto (de cor rosa) denominada “Todos Parentes, todos diferentes”. O texto aborda a relação de parentesco entre as diferentes espécies. Umas mais próximas evolutivamente, em que o ser humano compartilha ancestrais mais recentes, e outras mais distantes. De qualquer forma é mostrado que os humanos possuem antepassados remotos, mas que ainda evidenciam uma origem comum. Para legitimar essa teoria, o Museu faz uso de cladograma exibindo a relação de parentesco de seres vivos hipotéticos. Nesse módulo, o visitante observa uma grande quantidade de esqueletos e animais taxidermizados, exclusivamente de vertebrados. No centro da sala há três ilhas com espécimes, sendo duas ilhas abertas e uma grande vitrine fechada, com esqueletos de primatas. Na parede lateral direita são debatidos os níveis de parentesco entre os mamíferos aquáticos. No fundo da sala, e dando continuidade até o meio da parede da esquerda formando um “L”, há uma estrutura chamada de “Arquibancada” que possui três níveis de altura. Essa estrutura apresenta uma
grande quantidade de animais, todos taxidermizados. Após o término da arquibancada na parede esquerda, encontra-se uma vitrine presa à parede com três crânios de leões e textos e imagens (Figura 35).
Figura 35 - Imagem geral do módulo 3 “Todos parentes, todos diferentes”.
Para o melhor leitura e entendimento do detalhamento desse módulo, inicialmente serão descritas as ilhas centrais; depois o conjunto de objetos e textos que compõem a parede da direita; posteriormente detalhar-se-á a estrutura da arquibancada; por último a parede da esquerda, onde encontram-se os crânios dos leões.
Em frente à placa de texto “Todos parentes, todos diferentes” existe uma pequena ilha com alguns esqueletos de animais que evidenciam um momento de transição entre os módulos 1, que discute a História da Biodiversidade e Extinção em Massa, e o módulo 3, que debate a biodiversidade na atualidade. Essa ilha se situa no início do grande salão do museu. Esse salão é dividido em duas regiões: o lado esquerdo que compõe o módulo Paisagens da Biodiversidade e o lado direito com o módulo Todos Parentes, Todos Diferentes.
Os esqueletos ali colocados são os já mencionados preguiça-gigante e tigre- dente-de-sabre. Além desses objetos, há placas com textos que abordam o período do Antropoceno e a Extinção no período do Holoceno. No texto do Antropoceno, o Museu relata que este período deu início com a interferência do homem sobre a Terra, deixando marcas no registro geológico. No entanto, não é possível determinar quando o Antropoceno se iniciou, porque diferentes episódios podem
ser considerados para a definição desse começo. Na placa, abaixo deste texto, há um gráfico mostrando o crescimento da população mundial nos últimos dois milênios. No texto sobre a Extinção que aconteceu no período do Holoceno, há a informação que esse ocorreu no planeta há 10 mil anos e são abordadas as possíveis causas que podem ter determinado a extinção desse período geológico. Na placa há, ainda, a ilustração dos dois esqueletos expostos e que viveram no Holoceno. Nas etiquetas destes animais são apresentadas as características das espécies ou seus hábitos sociais ou alimentares (Ver figura 35).
Na parte de trás da ilha da preguiça-gigante, há outra de igual tamanho com outras espécies taxidermizadas ou réplicas de esqueleto. Todos os animais apresentados estão extintos ou vulneráveis para que isso aconteça. São apresentados oito espécimes nestas situações: o Urso-de-óculos, a Lhama, a Moa- de-pé-pesado, o Dodô, o Lobo-da- Tasmânia, o Condor-andino, o mico-leão- dourado e a Arara-azul-de-Lear. Nas etiquetas dos animais estão informações comuns a todas as etiquetas da exposição e outras mais específicas de cada espécie. Nas espécies extintas ou somente com o esqueleto foram colocadas ilustrações dos animais (Figura 36).
Figura 36 - A imagem da esquerda mostra a ilha que fica atrás da preguiça-gigante e permite ter um panorama do módulo 2 da exposição, enquanto a imagem da direita mostra
os animais em extinção ou já extintos.
A vitrine de primatas é a única totalmente fechada por vidro. Nela encontram-se diversos esqueletos de primatas, incluindo os humanos. Esta vitrine possui sete esqueletos no total. Há uma placa, "Somos Primatas", com um cladograma das
relações evolutivas dos primatas e uma pequena placa com a pergunta "Por que somos primatas?”. Além dessas, há ilustrações dos espécimes expostos e informações gerais. As sete espécies que estão na vitrine são: ser humano, Bugio, Siamang, Indri, Gorila, Orangotango e Chipanzé. No texto da placa “Somos primatas” o museu busca mostrar com ocorreu o processo evolutivo deste grupo, relatando as modificações morfológicas que aconteceram no corpo destes animais. No esquema da filogenia dos primatas, são mostradas oito linhagens diferentes. Nas informações das espécies, se encontram informações padrão e sobre o tempo em que essas linhagens passaram a existir (Figura 37).
Figura 37 - Vitrine dos primatas.
Na parede direita estão os elementos que compõem a narrativa sobre o parentesco dos mamíferos aquáticos. Nessa parede encontram-se um crânio de baleia, duas placas com texto, sendo uma com um cladograma, uma vitrine com crânios de mamíferos aquáticos e dois crânios: um de um hipopótamo e outro de um animal já extinto conhecido como Andrewsarchus, antepassado que possivelmente deu origem às baleias.
Na placa de texto “Da terra à água: a história dos Cetáceos”, o Museu aborda a diversidade dos mamíferos aquáticos e o processo de evolução desses animais. Diz ainda as principais transformações que eles sofreram para se adaptar ao meio aquático. Ao lado da placa de texto, encontra-se um crânio de uma baleia-
minke pendurado por fios de aço. Há, também, uma etiqueta com informações sobre essa espécie. Vale registrar que na etiqueta consta a informação que as baleias-minke são da linhagem dos misticetáceos, que é a linhagem no cladograma ao lado do crânio. O esquema da filogenia dos cetáceos mostra suas relações evolutivas.
Ao passar pelo crânio de baleia, o visitante encontra uma vitrine com um esqueleto completo de um cetáceo e três crânios e mandíbulas de outros. O primeiro esqueleto é de uma toninha, o segundo é um crânio de boto-cinza, o terceiro é um crânio de uma falsa-orca. E a quarta e última peça é de uma zigorriza, espécie já extinta e que viveu há milhões de anos. Na etiqueta padrão, as informações abordam a linhagem a qual pertencia esse animal e a morfologia da espécie, que, apesar de ainda apresentar membros traseiros rudimentares, já era parecida com a das baleias atuais.
Ainda na mesma parede, mas, fora da vitrine encontram-se dois crânios: um de um hipopótamo e outro de um andrewsarchus. A etiqueta informativa do hipopótamo ressalta que análises moleculares indicam que esses animais possuem um ancestral comum com os cetáceos, semelhante ao andrewsarchus, que viveu há mais de 50 milhões de anos (Figura 38).
Figura 38 - Imagem da parede direita do módulo 2 da exposição que aborda o parentesco dos cetáceos.
No fundo da sala há um espaço chamado de “Arquibancada” que ocupa parte do fundo e da lateral esquerda da sala, oposta à parede da baleia. Essa arquibancada tem três degraus, chamados de níveis. Nela há a presença somente de animais taxidermizados. São no total 24 animais nesta arquibancada e que são organizados conforme os grupos a que pertencem. No nível 1 há somente os
Xenartos (tatus, tamanduás e preguiças). No nível 2, os grandes felinos. No nível 3, os macacos do Novo Mundo. Para cada grupo há uma placa com uma pequena introdução, nomes dos animais expostos e outra placa com um cladograma das espécies. Para que seja possível identificar cada animal, estes recebem números correspondentes com as placas (Figura 39)
Figura 39 - Visão geral da estrutura das arquibancadas e os três níveis onde estão localizados os espécimes.
No nível 1, dos Xenartos, a placa de texto conta a história das espécies desse grupo. O texto se inicia com a identificação para o visitante de quais são os animais desse grupo e de suas características: são três linhagens encontradas exclusivamente nas Américas. Na arquibancada há exemplos de espécimes de tamanduás, preguiças e tatus. Sobre os tamanduás, são dadas informações sobre a morfologia e hábitos sociais do grupo. Há três animais expostos, e sobre cada um deles há uma etiqueta padrão na própria placa, com informações particulares de cada espécie. Sobre as preguiças, por exemplo: são seis espécies viventes e há duas famílias. Sobre os tatus, o texto informa características dos animais desse grupo e que, atualmente, há 20 espécies encontradas. Destas, são expostas seis espécies. Já a placa com a imagem do cladograma dos Xenartos mostra a origem única destes animais e termina mostrando qual linhagem ainda existe atualmente e quais já foram extintas. (Figura 40)
Figura 40 - Imagem do nível 1 da estrutura da arquibancada, com a exposição dos Xenartos.
O segundo nível é o local onde se encontram os grandes felinos. Para essa coleção foram colocados dois cladogramas que ficam na frente da arquibancada. No primeiro cladograma é mostrada a relação evolutiva dos felinos, em que são apresentados todos os gêneros conhecidos atualmente. Inclui nessa árvore os animais já extintos, como o tigre-dente-de-sabre. O segundo mostra a relação evolutiva somente dos grandes felinos, ou seja, dos Panterinídeos. Vale ressaltar que nesse diagrama não são mostrados os espécimes, mas sim a diferença de coloração e as "manchas" na pele destes animais. No nível 2 há sete animais expostos, sendo de cinco espécies diferentes. No texto é informado que a diferença desses animais é o formato do osso hióide, localizado na garganta. Informa-se ainda quem são os animais do grupo e que todos estão reunidos no mesmo gênero: Panthera. Na mesma placa há uma ilustração que mostra a diferença de localização do osso hióide na garganta dos grandes e dos pequenos felinos, o que possibilita o rugir ou o ronronar. (Figura 41)
Figura 41 - Imagem mostrando o cladograma dos grandes felinos e placa com texto e informações identificando as espécies expostas.
No nível 3 encontram-se as espécies de macacos do Novo Mundo. São apresentados quatorze animais de oito espécies diferentes, colocados em galhos cenográficos (Figura 42). Na placa de texto é informado que esses macacos são conhecidos como Platirrinos e são exclusivos da região Neotropical. Eles apresentam características que os diferem de outros primatas (dentição, formação nasal) e que o Brasil abriga uma das maiores diversidades de Platirrinos no mundo, cerca de 80 espécies. Assim como nos outros níveis, um cladograma foi disposto em uma placa, apresentando duas ramificações a partir dos Platirrinos, originando os Atelídeos e os Cebídeos. Nos Atelídeos há 4 espécies e nos Cebídeos são 5 espécies.
Figura 42 - Imagem do nível 3 da arquibancada com as espécies de macacos do novo mundo.
Após o término da arquibancada, há na parede, uma vitrine com o crânio de três espécies de leões. Na parte de cima da vitrine, preso a parede há uma placa
que mostra a “Distribuição geográfica das subespécies de leão (Phantera Leo) no tempo”. No lado esquerdo da vitrine, existe uma placa com texto que aborda o tema "Geografia da Vida" e um mapa com a "Distribuição das regiões zoogeográficas na Terra". (Figura 43)
Figura 43 - Imagem do conjunto de objetos, textos e ilustrações relativo ao tema Geografia da Vida.
Na ilustração sobre a "Distribuição geográfica das subespécies de leão no tempo" é mostrado, por meio de cores diferentes, como ocorreu a distribuição há cerca de 10 mil anos e como esta se encontra na atualidade. No texto intitulado "Geografia da Vida” é abordado como a vida surge em uma determinada região e dessa espalha-se por outras regiões do planeta. Para o entendimento dessa distribuição, o texto faz referência ao ciclo de especiação, expansão geográfica, ancestralidade única e diferentes linhagens. A partir desses conceitos é construído o texto que justifica as regiões faunísticas do planeta. Essas informações se complementam com a imagem da distribuição das regiões zoogeográficas da Terra, que são sete: Neártica, Neotropical, Etiópica, Paleártica, Oriental, Australiana e Antártica.
Na vitrine onde se encontram os três crânios de leões, pode-se ler um pequeno texto sobre os "leões pelo mundo". Neste texto é informado ao visitante que a distribuição dos leões na Terra era bem homogênea em quase todas as regiões do planeta e que, atualmente, essa distribuição fica restrita apenas a
algumas regiões. Dos três crânios expostos, encontram-se duas espécies já extintas e a única que existe na atualidade.
4.6 Módulo Sala da Descoberta