O exercício “1,60cm para 8 elementos de design” partiu da hipótese de promover o pensamento sobre a ampliação do ciclo de vida do produto de design de moda durante a apreensão de conteúdos no âmbito do design de vestuário.
Para se expandir a vida dos produtos, exige-se uma cuidadosa gestão dos processos de obsolência conjugando-se factores de ordem objectiva e subjectiva. O pensamento sobre o ciclo de vida permite ao designer analisar os impactos do produto durante a sua vida e vidas O exercício dividiu-se em duas etapas, com precedência entre si:
Numa primeira etapa, realizou-se uma análise a comportamentos de consumo de vestuário com recurso a um conjunto de perguntas decorrentes do exercício Designing Slow Fashion [10]. Esta fase foi realizada mediante entrevistas semi-estruturadas dos estudantes em relação aos hábitos/motivos de compra e hábitos/motivos de desuso.
Na segunda etapa, a partir de uma metragem de tecido única de 1,60cm x 1,60cm sem intervenção de outros materiais, foi proposto o desenvolvimento de várias peças de design conseguidas mediante a reutilização do material, estimulando-se o debate sobre a questão da estar registado e documentado, foi destruído/desmanchado inteira ou parcialmente, dando lugar à peça seguinte, que pôde viver em parte da plasticidade produzida pelo processo de criação e desmontagem e vestígios/formas do exercício anterior. Integrou-se o princípio de desperdício
– exercício “1,60 cm para 8 elementos de design”. Trabalho de Filipa Martins, Mariana Lagoa, Pedro Santos. Exemplo de trabalho em continuidade conceptual e funcional.
simbólicas. O método implicou a aplicação de conteúdos teóricos numa abordagem prática e a exploração de lógicas narrativas próprias à comunicação conceptual e dimensão subjectiva do
ligados às tarefas de modelação e prototipização, próprios do ensino de carácter experimental, num redirecionamento de práticas para com a sustentabilidade do método em si, todas as Os exemplos apresentados ilustram dois tipos de soluções: a opção de renovação funcional e conceptual de peça em peça (Figura 2) a opção pela continuidade conceptual do design (Figura 3).
“re-para no que vestes”
habitualmente de descarte rápido e preço baixo, explorando-se os princípios do Slow Design. O sistema Slow Design, à semelhança da Slow Fashion, implica: produção “lenta” aplicando da vida do produto, reutilização e descarte, conscientes (SlowLab). A investigações em torno do Slow Design questiona a possibilidade de abrandamento do metabolismo dos indivíduos, dos [11]. O exercício “Re-para no que Vestes” interiorizou estes valores, inspirando-se numa abordagem de Carolyn Strauss e Alastair Fuad-Luke, aos “Princípios6 de Slow Design como ferramenta de Re-design” [12]
No contexto territorial da instituição de ensino, a criação deste exercício procurou aliar-se a
6 REVELA , EXPANDE, REFLECTE, COMPROMETE-SE, PARTICIPA, EVOLVE.
– “ exercício re-para no que vestes”. Trabalho de Filipa Martins, Mariana Lagoa, Pedro Santos. Fusões entre burel e algodão. Princípio de slow design “compromete-se”. As palavras-chave acrescentadas resultam das interpretações dos alunos ao princípio slow design.
– “ exercício re-para no que vestes”. Trabalho de Ana Costa, Sara Pires, Kátia Almeida. Os jogos tradicionais foram associados ao conceito do re-design e ao princípio de slow design, “revela”.
lanifícios quer na indústria como nas tradições manuais, é considerado um binómio temporal, característico da região. Assim, em continuidade com iniciativas de anos anteriores procurou- se prolongar a abordagem à lã, no reconhecimento de pontos fortes e zonas de intervenção, levando-nos à ideia de criar outras dimensões no exercício, podendo constituir-se ao nível identitário da oferta curricular, como recurso e instrumento de reforço do poder simbólico local. Deste modo, o exercício “Re-para no que Vestes” propôs a aplicação dos Seis Princípios Slow Design como ferramenta para o re-design de duas peças (Sweat-Shirt e Blusão de Capuz) tendo por referente duas peças do trajo de trabalho do Pastor e Mulher Serranos, típicos da região da Serra da Estrela (Figuras 4 e 5).
Da sua estrutura e materiais, “os elementos mais interessantes do conjunto de vestuário funcional de trabalho do Pastor e Mulher Serranos são a Capa Montanheque e a Capucha, de reminiscências árabes e medievais (...) “ Tecido (tafetá) de lã castanha de fabrico manual pois o design é constituído pela conjugação de um triângulo com um círculo. A única decoração existente são os pespontados que emolduram o recorte do capuz (...) Esta ascendência veio-nos pela via muçulmana, civilização que ocupou o território nacional entre VII e XIII (...) A possuidora da Capucha também é a sua executante [14]. Foram incluídos alguns exemplos de peças de design actuais em que o conceito do capuz está presente, observando-se à luz da informação recolhida, as relações com as tipologias contemporâneas, nas funções de uso, técnicas e simbólicas com relações de proximidade surpreendentes, principalmente nas perspectivas de manufactura tradicional, aplicado igualmente a outras tipologias, consta de uma actividade produtiva de referência para a região.
A metodologia propôs uma fase de discussão e criação conceptual em equipas, para o re-design equipa apresentou três propostas distintas, sob um conceito comum. Os Princípios e ideias-
chave associadas foram revisitados durante todas as etapas de desenvolvimento das propostas de re-design.
conclusões
A pedagogia construída permitiu:
> a articulação de aspectos da sustentabilidade no processo de ensino/aprendizagem em design de moda : dimensão holística, sensibilização para as responsabilidades ambientais e sociais, durante a acção criativa
> os estudantes ganharam mais perspectivas sobre o pensamento do design e outras metodologias de design de vestuário
> a utilização dos Princípios Slow Design fomentou abordagens ao design de moda com objectivos sociais, de co-design e design emocional
> a criação de recursos de ensino/aprendizagem relativamente controláveis nas variáveis do desempenho da sustentabilidade por parte dos estudantes, para quem a complexidade das questões da sustentabilidade podem ter um efeito paralizante na resposta criativa [15], resultando numa experiência estimulante e positiva.
duráveis, pelo que será aprofundado no decurso do trabalho de investigação e do trabalho experimental.
referências
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