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MACAÉ E CAMPOS DOS GOYTACAZES – ESTUDO DE CASO

No documento ÍNDICE TABELAS E GRÁFICOS (páginas 32-57)

GRUPOS DE ESTUDO GRUPO 01

3.3. MACAÉ E CAMPOS DOS GOYTACAZES – ESTUDO DE CASO

Macaé e Campos são Municípios que fazem “fronteira” com a região Geoeconômica da Bacia de Campos, região esta que é a maior produtora de petróleo do Estado e, por fazerem fronteira, já há um motivo para receberem royalties de petróleo.

De toda a Economia do Petróleo que movimenta o Estado do Rio de Janeiro, Macaé é a principal Cidade desta “Economia”, uma vez que é nesta Cidade que se encontram instaladas as principais bases de operação das atividades exploratórias. É de Macaé que saem as plataformas e as embarcações de apoio; é para Macaé que se destinam os principais contingentes demográficos que migram para a região em função do petróleo, localizando-se nesta Cidade também, o porto de exportação do petróleo bruto e as instalações de escoamento do gás natural.

De acordo com alguns dados identificados pelo estudo de Faure (IRD – IE/UFRJ – 2002), o PIB da Cidade de Macaé, no período 1975 – 1999, foi multiplicado por sete, enquanto o PIB estadual teve o seu índice multiplicado por apenas três. Houve uma mudança brusca na composição e participação das atividades econômicas da Cidade, assinala o referido estudo: “em 1975 as atividades econômicas em Macaé eram dominadas pelas atividades terciárias desenvolvidas nas áreas urbanas (65%), as atividades agropecuárias eram então importantes, pois elas respondiam por cerca de 20% do PIB. No fim do período (1999) esta estrutura setorial é profundamente modificada: o setor primário responde apenas por 0,5% do PIB, o setor terciário mantém mais ou menos o mesmo nível (...) e o setor secundário ocupa uma importante posição (em função da expansão das indústrias extrativa, de transformação, da construção civil e distribuição de energia)”.

Observando os números de evolução do PIB de Macaé, percebemos um crescimento significativo no período de 1990 a 1998, totalizando uma variação percentual positiva de 18,86% ao término do exercício de 1998. Analisando os gráficos de evolução do PIB, temos ainda que neste período foi quando se deu a guinada das transferências dos royalties para o Município, em função de uma reforma legislativa que permitia que os royalties tivessem a exploração marítima como base de cálculo inclusive.

Evolução do PIB

Variação % do PIB

0,00

11,52

6,53

-1,37

1,44

-4,00 -2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 8,00 10,00 12,00 14,00

Percentual

MACAÉ

Gráfico 07

|Conforme mencionado anteriormente, o estudo de Faure destaca que houve uma transformação profunda no que diz respeito à participação das atividades econômicas na formação do PIB macaense. Tal fato pode ser retratado quando analisamos a distribuição da população de Macaé, comparando as taxas de ocupação urbanas e rurais:

Tabela 05 - FONTE: FUJB/UFRJ

População Urbana x População Rural

1991 2000 Variação %

População Urbana (PU) 89.336 126.007 41,04840154 População Rural (PR) 11.559 6.454 -44,16472013 População Total (PT) 100.895 132.461 31,28599039

PU/PT 88,543535 95,127622 6,584087111

PR/PT 11,456465 4,8723775 -6,584087111

População Urbana x População Rural

0 20.000 40.000 60.000 80.000 100.000 120.000 140.000

1991 2000

População Urbana População Rural

Gráfico 08

A população urbana de Macaé, teve, portanto, um crescimento de aproximadamente 41,0%, enquanto a população rural teve um decréscimo de aproximadamente 44,4%.

Registrou-se ainda que a Cidade apresentou um surto demográfico de 31,3% e uma participação decrescente da população rural de -6,6% sobre a população total. O surgimento de novos postos de trabalho na zona urbana fez com que houvesse um êxodo rural da população local em busca de melhores condições de vida.

Campos dos Goytacazes é o Município que possui a maior população das Cidades que compõem o Norte Fluminense, sendo a maior expressão econômica desta região e considerada a “Capital do Norte Fluminense”.

Campos, apelido pelo qual é chamado o Município de Campos dos Goytacazes, recebe o maior volume de royalties de todos os Municípios brasileiros; porém, por ser um pólo econômico importante e possuir um orçamento bastante expressivo, a relação “Ry/Rt” não é das maiores, o que o enquadra no Grupo 02 da tabela “GRUPOS DE ESTUDO”.

Diferentemente de Macaé, a economia “campista” é muito mais influenciada pelos

“canaviais” do que pelo “ouro negro”, além de exibir uma forte influência do setor de serviços. Isto é, a economia de Campos dos Goytacazes tem os royalties de petróleo como

preponderantes para o desenvolvimento municipal; todavia há outras esferas econômicas, tais como os Centros de Ciência e Tecnologia da Universidade Estadual Fluminense (UENF), além de estar inserida na rota de investimentos brasileiros ao se tratar de fruticultura, comércio, química, mineração, cerâmica, pecuária e tantos outros setores.

Um indício desta “pulverização” da economia campista e da diferença para a economia macaense pode ser retratada, entre outras coisas, através da evolução demográfica das duas cidades.

A taxa de variação da população do Município de Macaé foi de 31,3%, enquanto que a do Município de Campos foi de apenas 4,6% no período em destaque. Isso demonstra dois fatos interessantes e abordados: (1) o pólo irradiador da Economia do Petróleo é a Cidade de Macaé; as transformações sócio-econômicas serão muito maiores na Cidade onde as atividades petrolíferas se processam; (2) a influência da Economia do Petróleo é menos sentida em Campos dos Goytacazes.

A FUJB/UFRJ destaca que “o Município é a maior expressão agrícola do Estado do Rio de Janeiro, sendo a agroindústria açucareira responsável por 45% da sua economia, que é

alimentada, também, pelas atividades pesqueiras e de cerâmica vermelha, com 124 fábricas e uma produção anual de 36 milhões de lajotas e seis milhões de telhas. A secular indústria sucroalcooleira da região predomina fortemente no segmento industrial da economia e responde por 35 mil empregos diretos. Campos conta, ainda, com 120 empresas de confecções, uma fábrica de ácido láctico, 60 construtoras e duas centrais de concreto e fundições com capacidade para 12.000 toneladas por ano”.

Royalties e Receitas Orçamentárias

Apesar de Campos dos Goytacazes não ser o pólo da Economia do Petróleo do Norte Fluminense, é o Município cujo volume de royalties transferidos para os cofres Municipais apresenta-se em maior escala. Isto pode ser explicado pois o Município possui uma extensa faixa de litoral e , conseqüentemente, confronta-se com a exploração de petróleo em alto-mar.

A relação entre os royalties e a receita orçamentária total destes Municípios é bastante elevada e demonstram algumas particularidades das duas Cidades:

R$ Milhões Participações Governamentais e Receita Orçamentária

ANO 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001

MACAÉ

Royalties (RY) 10,32 8,72 8,38 10,11 11,92 13,28 43,79 74,21 84,42

Part. Esp. (PE) 0 0 0 0 0 0 0 0 0

RY + PE 10,32 8,72 8,38 10,11 11,92 13,28 43,79 74,21 84,42 Rec. Orç. (RO) 63,95 75 ,61 81,35 79,9 79,02 94,84 116 ,49 191,13 229,71 (RY + PE)/RO 16,1376 11,5329 10,3012 12,6533 15,0848 14,0025 37,5912 38,8270 36,7507

CAMPOS

Royalties (RY) 5,72 4,66 4,09 5,34 5,64 10,82 61,06 103,43 118,24

Part. Esp. (PE) 0 0 0 0 0 0 0 60,42 88,55

RY + PE 5,72 4,66 4,09 5,34 5,64 10,82 61,06 163,85 206,79 Rec. Orç. (RO) 103,13 113,42 123,45 116,31 118,59 144,6 195,41 299,78 381,11 RY/RO 5,5464 4,1086 3,3131 4,5912 4,7559 7,4827 31,2471 34,5020 31,0252 (RY + PE)/RO 5,5464 4,1086 3,3131 4,5912 4,7559 7,4827 31,2471 54,6567 54,2599 Tabela 06 - FONTE: ANP, STN, Balanços Municipais, Petrobrás e FUJB/UFRJ

Podemos perceber, inicialmente, que os volumes transferidos da Economia do Petróleo para Macaé e Campos são vultosos: R$ 84.420.000,00 e R$ 206.790.000,00, respectivamente.

Temos ainda, que apesar de Macaé ser o pólo desta economia, Campos recebe 144,95% de participações governamentais a mais que Macaé, fato este que pode ser amplamente debatido, haja vista que verificamos que a começar por uma análise demográfica, é em Macaé que os

efeitos da Economia do Petróleo são mais sentidos e, conseqüentemente, o fluxo de recursos deveria ser superior na direção de Macaé, e não na direção de Campos.

Evolução das Participações Governamentais

0 50 100 150 200 250

1993 1994 1995 1996 1997 1998 199 2000 2001

R$ Milhões

MACAÉ CAMPOS

Gráfico 10

A taxa de variação total do período 1993-2001 é consideravelmente elevada para ambos os Municípios: as participações governamentais de Macaé variaram 718,02% e Campos, 3.515,21%. Isto fez com que as taxas de participação dos royalties na formação da Receita Orçamentária se elevassem bastante também: em Macaé, tal taxa de participação pulou de 16,14% para 36,75%, e em Campos, de 5,55% para 54,26%.

Vale ressaltar, que na composição das participações governamentais recebidas por Macaé não temos o registro de participações especiais, enquanto que em Campos as participações especiais representam 42,82% das participações governamentais. Se compararmos apenas o volume de royalties propriamente dito transferidos, temos que o volume recebido por Campos ainda é superior ao de Macaé em 40,06%, uma diferença ainda bastante expressiva.

Conforme podemos verificar, no intervalo cronológico 1993-2001, corroboramos o fato de que mesmo os volumes transferidos para Campos dos Goytacazes terem sido maiores do que para Macaé, a “dependência” de Macaé (32,34%) com relação à Economia do petróleo

é maior que a de Campos dos Goytacazes (29,32%), de acordo com o gráfico apontado abaixo:

RY + PE

RO

Macaé Campos

467,97

1595,8

265,15

819,9

0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600

Período 1993-2001

Macaé Campos

Gráfico 11

É importante ressaltar também, que há efeitos indiretos gerados pela Economia do Petróleo no que tange a arrecadação tributária.

No que tange especificamente à Macaé, podemos destacar a evolução da receita de ICMS arrecadada no Município no período de 1997 a 1999, período este que fora demonstrado no gráfico “Evolução das Participações Governamentais” como de preparação para a “guinada do fluxo dos royalties de petróleo” para o Município.

ICMS arrecadado

Há um crescimento da arrecadação de ICMS de 81,05%, o que significa um aumento das oportunidades de negócios e de ocupação da região. Temos ainda que se configura um

“ciclo vicioso”, isto é: a maior arrecadação por parte do Município gera investimentos por parte da Prefeitura, que criam condições para que mais postos de trabalho sejam criados, que aumenta a renda da população, que por sua vez pode elevar o consumo per capita, que gera mais aumento na arrecadação do ICMS...

É claro que a “instauração deste ciclo vicioso” depende principalmente da “qualidade”

dos Gastos eftuados pelos governos, não sendo tão trivial a sua existência.

Há outros tributos que são bastante representativos e que representam efeitos indiretos da Economia do Petróleo: IPTU e ISS

R$ Milhares

ANO 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 Total IPTU 90 170 110 50 430 2.000 2.510 2.730 2.720 1.950 2.020 14.780 ISS 6.460 7.430 7.390 6.450 7.570 7.340 9.490 12.040 14.520 12.000 14.170 104.860 TOTAL 6.550 7.600 7.500 6.500 8.000 9.340 12.000 14.770 17.240 13.950 16.190 119.640 IPTU 2.556 3.595 1.901 2.230 4.197 5.359 6.949 9.411 7.427 4.977 5.640 54.242 ISS 5.002 6.087 4.916 5.784 6.893 7.609 9.049 9.577 8.405 9.760 13.738 86.820 TOTAL 7.558 9.682 6.817 8.014 11.090 12.968 15.998 18.988 15.832 14.737 19.378 141.062

Tabela 07 Macaé

Campos dos Goytacazes

Fonte: STN, Balanços Municipais e FUJB/UFRJ

MACAÉ

1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001

R$ 1.000

1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001

R$ 1.000

IPTU ISS

Gráfico 14

Antes de iniciarmos uma análise sobre os dados e os gráficos obtidos, é importante frisar que a arrecadação tributária depende não somente de uma expansão da atividade econômica, mas também de um forte aparato governamental para fiscalizar o cumprimento das obrigações dos respectivos contribuintes para com os seus governos.

Como mencionado e verificado no gráfico denominado “Evolução Demográfica”, houve um crescimento populacional nas duas Cidades; assim, tal fato fez com que o mercado imobiliário atendesse esta demanda por novas moradias o que acabou por aumentar o número de domicílios que devem honrar com o pagamento do IPTU. Da mesma forma, este crescimento populacional incrementou a demanda por bens e serviços e a arrecadação do ISS

acabou por acompanhar esta evolução. Temos ainda, que em ambos os casos, a arrecadação de ISS é sempre superior a do IPTU, sendo que em se tratando de Campos dos Goytacazes, as séries econômicas do ISS e do IPTU apresentam ciclos bem delineados e distintos: no período 1991-1995, as curvas dos gráficos de ambos os impostos “caminham juntas”; no período 1996-1998 a taxa de variação do ISS diminui e a do IPTU aumenta, o que acaba por fazer que em 1998 os valores sejam coincidentes; já no biênio 1999-2000 , as curvas destas séries caminham em sentidos opostos, com a curva do ISS tende uma variação positiva e a do IPTU variação negativa; finalmente, em 2001, temos a retomada do crescimento da arrecadação de IPTU.

Segundo a FUJB/UFRJ, “Campos recebe tanto dinheiro com os royalties, com a cota-parte do ICMS e o próprio ISS (que não exige esforço especial de cobrança, por ser imposto indireto), que relegou o rigor indispensável e mesmo exigido pela Lei de Responsabilidade Fiscal à arrecadação do IPTU”.

Com relação à Macaé, o ano de 1996 pode ser considerado um marco para a arrecadação de IPTU: saltou dos R$ 430.000,00 arrecadados em 1995, para a casa dos R$

2.000.000,00 arrecadados em 1996, estabilizando-se acima dos R$ 2 milhões em quase todos os anos do intervalo 1991-2001, com exceção do ano de 2000 (R$ 1.950.000,00).

O IPTU passou, portanto a ser uma outra fonte de receita importante para Macaé e muito se deve à Economia do Petróleo, que fez com que grandes fluxos migratórios de pessoas fossem para a região. Houve uma variação (de 365%) no ano de 1996 que mudou o patamar de importância deste imposto.

De qualquer forma, comparando-se ao anos de 1991 e de 2001 houve um incremento de 147,18% na arrecadação destes impostos na Cidade de Macaé e de 156,39% em Campos dos Goytacazes.

1991 Variação Absoluta da Receita Total de IPTU e ISS

Macaé Campos

Gráfico 15

De uma maneira mais ampla, podemos fazer uma análise do resultado orçamentário dos dois Municípios (Macaé e Campos) neste mesmo período de 1991 a 2001:

RESULTADO ORÇAMENTÁRIO DETALHADO (R$ Milhões) MACAÉ

ANO 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 RC 66,08 46,24 63,95 75,20 80,96 79,77 78,76 91,54 115,94 191,09 226,86 DC 40,68 40,70 47,48 52,59 69,24 72,22 77,81 89,87 93,21 132,95 156,96 POUP. 25,40 5,54 16,47 22,61 11,72 7,55 0,94 1,67 22,73 58,14 69,90 RCAP 0,24 10,46 0,00 0,41 0,39 0,12 0,27 3,29 0,54 0,04 2,85 DCAP 20,05 16,71 5,75 20,54 15,25 9,27 8,05 8,75 14,53 33,80 37,39 RESULT. 5,59 0,71 10,71 2,49 3,14 1,59 6,84 3,78 8,74 24,38 35,36

CAMPOS

ANO 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 RC 75,06 112,39 97,08 108,71 119,08 111,30 97,86 116,22 121,32 131,57 367,40 DC 73,16 93,78 91,39 96,60 108,83 105,68 109,90 122,23 146,07 188,54 277,35 POUP. 1,90 18,61 5,69 12,11 10,24 5,62 12,04 6,02 24,76 56,97 90,04 RCAP 9,79 7,01 6,05 4,71 4,37 5,01 20,73 28,38 74,09 168,21 13,72

DCAP 11,64 18,21 7,43 14,63 15,48 17,07 13,61 14,36 40,91 104,69 114,45 RESULT. 0,05 7,41 4,32 2,19 0,87 6,44 4,92 8,01 8,42 6,55 10,68 LEGENDA: RC=Receita Corrente; DC=Despesa Corrente; POUP=Poupança=(RC-DC); RCAP=Receita de Capital; DCAP=Despesa de Capital; RESULT=Resultado=[(POUP+RCAP)-DCAP]

Tabela 08

Macaé, conforme identificamos no “campo” denominado “Result”, da tabela

“Resultado Orçamentário Detalhado” , conseguiu de certa forma eqüalizar as suas finanças, mantendo um superávit crescente no período 1999-2001, após seguidos prejuízos no período 1995-1998. É interessante notar também que Campos apresentou prejuízos consecutivos num intervalo de tempo parecido (1995-1997), porém não conseguiu firmar uma linha de crescimento progressiva como de fato o fez Macaé.

Sem realizar qualquer tipo de análise mais profunda, vemos que as Despesas de Capital dos dois Municípios têm crescido consideravelmente no último triênio do intervalo em questão. Tal fato pode estar intimamente relacionado ao aumento do volume de royalties recebido por estes Municípios, uma vez que dívidas dos Municípios estariam sendo reconhecidas e quitadas com os recursos advindos da Economia do Petróleo.

Além disso, de uma maneira geral, o impacto dos royalties nas receitas e nas despesas dos Municípios foi bastante significativa. Com relação a Macaé, conforme podemos verificar no gráfico, não houve prejuízo nas contas correntes no período; por outro lado, Campos apresentou poupança negativa em alguns anos.

Conta Corrente - Macaé

0 50 100 150 200 250

1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001

R$ Milhões

Receita Corrente Despesa Corrente

Gráfico 16

Conta Corrente - Campos

0 50 100 150 200 250 300 350 400

1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001

R$ Milhões

Receita Corrente Despesa Corrente

Gráfico 17

O saldo acumulado da poupança da Cidade de Macaé no período foi positivo e da ordem de R$ 242.680.000,00, enquanto que o da Cidade de Campos dos Goytacazes foi de R$

44.460.000,00. Isto nos dá uma diferença de poupança de 445,84% entre Campos e Macaé.

Em se tratando de resultado global, temos que o saldo final acumulado de Macaé foi de R$ 71.200.000,00, de Campos foi de R$ 14.050.000,00, apresentando uma diferença de 406,76% entre as Cidades.

O fato principal que nós devemos atentar quanto ao orçamento desses Municípios é que os royalties de Petróleo foram catalisadores do crescimento do orçamento desses Municípios.

Seguindo a mesma linha de raciocínio dos impactos dos royalties nas finanças estaduais, temos que um volume de receita corrente adicional estabelece uma espécie de blindagem para os Municípios. Ou melhor, as autoridades Municipais não são “surpreendidas”

por penhoras judiciais em função do não pagamento de dívidas, tendo que remanejar parte dos seus recursos de investimentos, educação, saúde e outros setores preponderantes. O governo pode reconhecer a sua dívida, quitá-la e realizar planejamentos de Longo Prazo com base em expectativas reais de receita e despesa.

Além disso, as instituições do Estado ganham notoriedade, uma vez que cumprem com as sua obrigações, respeitam a Lei de Responsabilidade Fiscal e, por fim, acabam por ter credibilidade para futuras negociações, atração de investimentos para as suas Cidades.

Rege-se uma movimentação positiva no sentido de criar estruturas normais de administração das Finanças do Governo, o que acaba por refletir-se em melhorias das condições e qualidade de vida da população.

Abastecimeno de Água, Esgoto Sanitário e IDH

Quais são os efeitos sentidos pela população local com relação a qualidade de vida? Os royalties de petróleo têm contribuído somente para a adaptabilidade destas Cidades à Economia do Petróleo, ou há melhores concretas no que diz respeito às condições em que vivem?

Estes e outros questionamentos surgem a todo momento haja vista a grande repercussão em torno do volume dos royalties recebidos por estes Municípios. Cabe lembrar que uma vez transferidos os recursos, a competência de gerí-los passa aos secretários municipais e aos prefeitos das Cidades. Ou seja, a qualidade da gestão dessas autoridades é que farão com que a população seja favorecida ou não pela Economia do Petróleo.

Faz-se destacar que independente da qualidade da gestão dos royalties um outro fator é bastante importante: o critério de direcionamento dos recursos é bem aplicado? Ou seja, o Município de Macaé, Campos e outros que têm direito aos royalties recebem proporcionalmente aos impactos sofridos por suas localidades?

Há, portanto, uma forte influência da legislação atual (A Nova Lei do Petróleo) sobre o desenvolvimento sócio-econômico e a resposta destas localidades ao impacto do petróleo.

Muitas vezes há o decréscimo de algum indicador positivo da economia em função da falta de proporcionalidade entre os recursos transferidos e as mudanças conjunturais de uma região, ao invés do motivo ser puro e simplesmente um erro na utilização dos recursos recebidos.

De qualquer maneira, para efeitos de comparação entre Campos e Macaé, escolheu-se três indicadores relativos ás condições de vida da população para se analisar: o percentual de domicílios atendidos pela rede de água, o percentual de domicílios atendidos pela rede de esgoto sanitário e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Abastecimento de Água - % de domicílios atendidos

89,39

67,7

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

Macaé campos

Gráfico 20

Em Macaé, a taxa de crescimento do número de domicílios é superior ao crescimento da população urbana. Isto mostra que as obras de infra-estrutura estão programadas para atender a crescente expansão da população macaense, incluindo-se aí as casas ligadas à rede de água.

% de domicílios atendidos por Sistemas de Esgoto Sanitário 66,58

34,6

0 10 20 30 40 50 60 70

Macaé Campos

Gráfico 21

Com relação aos Sistemas de Esgotamento Sanitário, temos que a mesma empresa que

“fornece” os sistemas de água, fornece os sistemas de esgoto. Um dos motivos de ser uma mesma empresa responsável pelos dois serviços é o fato de que são duas atividades inteiramente relacionadas e dependentes uma da outra: a mesma que é utilizada paa o esgotamento sanitário será um dia reincorporada pela natureza ao sistema de abastecimento de águas da Cidade, fazendo com que quanto maior o tratamento dado ao esgoto, menor o dispêndio futuro para tratar da água de uma Cidade.

Além disso, há uma questão política para uma mesma empresa desenvolver os dois serviços: os eleitores só percebem as obras que fazem com que se amplie a rede de abastecimento de água; quem investe em esgoto e não em água, pode ter o seu número de votos diminuído em eleições futuras. O assunto “Saneamento Básico no Brasil”, que envolve tanto o Esgotamento Sanitário quanto o Abastecimento de água, é alvo de muitas críticas por parte de entidades nacionais e internacionais, uma vez que os níveis brasileiros são bastante precários.

Macaé apresenta-se acima da média nacional e Campos abaixo, num contraste interessante de identificar, já que os volumes de royalties são grandes em ambos os Municípios, porém o resultado para Campos ainda não está sendo aceito por toda a sociedade.

Por fim, não poderíamos deixar de mencionar a evolução de um Índice mundial: o IDH, ou Índice de Desenvolvimento Humano.

O IDH procura relacionar uma série de variáveis que refletem dados sociais da população de um determinado local ou região, dados estes relacionados à saúde e educação, por exemplo. Podemos citar, entre eles, a taxa de mortalidade infantil, a expectativa de vida da população, o percentual de alfabetização, o número de crianças matriculadas no ensino fundamental, entre outros. Vejamos o IDH de Campos e Macaé:

IDH

0,755

0,79

0,686

0,681

0,62 0,64 0,66 0,68 0,7 0,72 0,74 0,76 0,78 0,8

1991 2000

Macaé Campos

Gráfico 22

Mais uma vez temos que Macaé possui números melhores do que Campos, tendo o seu IDH acima de 0,7 e estando entre os maiores do país. Tal índice é bastante importante pois retrata exatamente o fato de que as condições de vida em Macaé são mais propícias ao bem-estar social do que em Campos, fato este relatado no início de nosso trabalho ao indicar um depoimento de uma moradora da Cidade de Campos.

Não se pode dizer ao certo os motivos que fazem com que haja essa distância entre as duas Cidades, apesar de tão próximas e tão importantes no cenário brasileiro e porque não

Não se pode dizer ao certo os motivos que fazem com que haja essa distância entre as duas Cidades, apesar de tão próximas e tão importantes no cenário brasileiro e porque não

No documento ÍNDICE TABELAS E GRÁFICOS (páginas 32-57)

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