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Fotos Futuro Florestal

setembro/outubro 2020

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MERCADO

Poda realizada em jequitibá rosa com cinco anos de idade to Cabruca, localizado em um sistema agroflorestal, na região

cacaueira de Camacã, no Sul da Bahia. Atualmente, é consi-derada a maior árvore da região, com 41 m de altura e 4,27 m de DAP; e na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), Serra do Teimoso, que faz parte da lista das maiores árvores do Sul da Bahia, estando em 3º lugar, com 50 metros de altura e 3,40 m de DAP.

No Parque Estadual do Vassununga, em Santa Rita do Pas-sa Quatro (SP), encontra-se um imenso jequitibá roPas-sa com ida-de estimada em 3.050 anos, que ainda frutifica. Esse parque abriga uma das maiores quantidades dessa espécie do mundo.

Perspectivas econômicas

No Brasil, o mercado de espécies nobres nativas vem apre-sentando forte crescimento na demanda de madeiras roliças, ideais para serraria, podendo ter as finalidades de portas, jane-las, forros, laminados, painéis, decks, até construção de navios.

Madeiras como jequitibá rosa (Cariniana legalis), pau--brasil (Paubrasilia echinata), cedro (Cedrela fissilis), acácia (Acacia mangium) e peroba-rosa (Aspidosperma polyneuron) têm alto valor agregado devido às características de maior re-sistência a insetos, beleza, durabilidade e rere-sistência ao pro-cessamento.

De acordo com o relatório da Indústria Brasileira de Ár-vores (IBÁ), do ano de 2010 a 2018 ocorreu um aumento da área plantada de espécies nobres de 462.390 hectares para 591.451 hectares ao final de 2018. Tal aumento se deve à ne-cessidade de madeira, principalmente no segmento da cons-trução civil.

Segundo o Serviço Florestal Brasileiro (SFB), até 2030 a demanda por madeira tropical deve chegar a 21 milhões de metros cúbicos por ano. Entretanto, hoje são extraídos apenas 11 milhões de metros cúbicos.

Ainda que houvesse redução significativa nos índices de consumo atual, de acordo com o Instituto Brasileiro de Flo-restas (IBF) seria necessário o plantio de mais de 50.000 hec-tares por ano de florestas para que fosse possível atender a de-manda de madeira dura tropical.

Viabilidade

Considerando a alta demanda e a baixa oferta de madei-ra nobre, o plantio comercial do jequitibá rosa é uma alter-nativa sustentável para suprimento do mercado, com madei-ra de qualidade e proteção das florestas natumadei-rais mitigando a extração ilegal, diminuindo a pressão de espécies ameaçadas de extinção, como é o caso do jequitibá rosa, além, é claro, dos impactos diretos que ocorrem no solo, nas águas e, principal-mente, no ar com as ações de desmatamento.

Portanto, plantações bem manejadas e que contribuam para a preservação, conservação e restauração de ecossistemas, prin-cipalmente realizadas em terra já degradadas, desempenharão papel cada vez mais relevante no avanço do setor florestal e no desenvolvimento sustentável.

Versatilidade

A madeira de jequitibá é utilizada para diversas finalidades,

como confecção de portas, janelas, móveis, tonéis, entre outros produtos, com ótima aceitação de mercado, com valor agrega-do e uma ótima opção de diversificação econômica com retor-no financeiro aos investidores.

Atualmente, 100% da madeira de jequitibá comercializa-da provém de florestas nativas. Os plantios comerciais no País são jovens (no máximo 10 anos), e ainda não chegaram à fase de corte final.

O ciclo para produção de madeira é de 20 a 25 anos. Para comercializar madeira de jequitibá plantada, o produtor preci-sa cadastrar seu plantio no órgão ambiental estadual, e no mo-mento do corte deve realizar a solicitação, bem como a emis-são do DOF (documento de origem florestal) no Ibama, para que não tenha problemas legais.

É importante ressaltar que a madeira de qualquer espécie nativa plantada poderá ser comercializada a partir desta do-cumentação. Outro fator importante a ser levado em conside-ração é que o plantio comercial da espécie não deve ser fei-to em APP (área de preservação permanente), mas sim em área produtiva da propriedade, para poder ser cortada e co-mercializada.

Plantio e manejo da espécie

O plantio de jequitibá rosa deve ser feito com mudas de qualidade, que atualmente são produzidas por sementes cole-tadas em matas nativas brasileiras. As mudas devem ser adqui-ridas em viveiros cadastrados no Renasem (Registro Nacional

setembro/outubro 2020

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SAF de jequitibá rosa com pupunha

de Sementes e Mudas), e de preferência terem sido produzidas em tubetes de 200 ml ou mais. Trabalhos e pesquisas têm sido realizados para produção de mudas por propagação vegetativa, mas ainda estão em fase experimental.

O preparo do solo deve ser realizado seguindo as práticas silviculturais e, desta forma, a amostragem do solo é necessá-ria para conhecer as reais condições e assim propor o mane-jo adequado para a espécie a ser plantada.

Para o jequitibá, devido ao seu sistema radicular profun-do, recomenda-se ainda analisar a camada de 20-40 cm. Den-tre as práticas, a calagem deve ser adotada antes de realizar o

plantio, visando elevar o pH, assim como suprir a demanda de cálcio e magnésio da cultura.

Para o Estado de São Paulo, por exemplo, para as espé-cies nativas da Mata atlântica recomenda-se elevar a satura-ção por bases (V%) do solo a 50% (Boletim 100 IAC), en-tretanto, esses valores variam com as características químicas e físicas do solo.

O jequitibá rosa se mostrou uma espécie exigente nos pri-meiros anos, portanto, o manejo deve ser adequado tanto com relação à adubação, controle de matocompetição e controle de formigas.

É uma espécie que requer cuidados com capina química, pois não tolera produtos à base de glifosato, que podem cau-sar enrugamento nas folhas e atracau-sar demasiadamente seu de-senvolvimento inicial.

Adubações

No caso do jequitibá, é necessário realizar várias adubações em momentos diferentes durante o reflorestamento, até os três anos de idade, portanto, a análise de solo deve ser repetida anu-almente até o terceiro ano. Assim, pode-se diferenciar as adu-bações em ‘de plantio’ e ‘de cobertura’.

De acordo com Gonçalves et al. (2008), para o jequitibá rosa, que é considerado uma espécie secundária tardia ou clí-max, recomenda-se aplicar o seguinte, em função dos teores no solo, de acordo com a Tabela 1.

Na adubação de plantio, o adubo deve ser aplicado no fun-do fun-do sulco ou em linha, de mofun-do que as raízes não tenham dificuldades de entrar em contato. As adubações de cobertura devem ser feitas seis meses após o plantio.

Outro ponto importante é a adição de matéria orgâni-ca ao solo, principalmente em solos arenosos. Alguns resídu-os provenientes das cidades e indústrias podem ser utilizadresídu-os, como lodo de esgoto tratado, resíduos de podas urbanas, cin-zas de biomassa vegetal, estercos, dentre outros, desde que es-tejam compostados, ou seja, com baixa relação C/N (carbo-no/nitrogênio).

Controle de formigas

Outra prática silvicultural importante é o controle de for-migas após o plantio. As forfor-migas cortadeiras dos gêneros Atta e Acromyrmex, conhecidas popularmente como saúvas e quen-quéns, atacam diversas espécies de plantas.

Essas formigas cortam as folhas e ramos, principalmente

MERCADO

Tabela 1. Recomendações de adubação para o estabelecimento de reflorestamentos mistos com espécies da Mata Atlântica, tendo por base os teores médios de matéria orgânica (M. O.), P assimilável e K trocável na camada de 0-20 cm

M. O. P-resina K trocável

g dm-3 mg dm-3 mmolc dm-3

0-15 16-40 >40 0-5 6-12 >12 0-0,7 0,8-1,5 >1,5 N, g planta-1 P2O5, g palnta-1 K2O, g planta-1

Secundárias tardias e clímax (Espécies de crescimento lento)

Plantio 10 10 10 25 15 0 10 10 10

Cobertura 20 0 0 0 0 0 25 0 0

Adubação

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Árvore isolada com 12 anos de idade durante os primeiros meses de idade dos plantios, podendo

causar bifurcações indesejadas e até a morte das plantas, além de contribuir significativamente para a redução da produtivi-dade e provocar grandes perdas econômicas.

O combate às formigas cortadeiras normalmente é reali-zado com a aplicação de iscas formicidas no pré-plantio, an-tes de utilizar a área, e 30 dias após o plantio é realizada uma vistoria e, caso seja necessário, é feita uma segunda aplicação.

No decorrer do plantio, é importante fazer rondas na área para evitar o ataque de formigas. Para o jequitibá rosa não há relatos de outras pragas e doenças.

Outros tratos culturais

É necessário o correto manejo de poda dos galhos, rea-lizando uma poda por ano, retirando os galhos de baixo até chegar no máximo 1/3 da copa da planta, que possui boa re-cuperação de crescimento após as podas. As bifurcações e ra-mos ladrões também devem ser retirados juntamente com a poda anual.

A partir do terceiro ano é recomendável realizar o inven-tário florestal para identificar o melhor momento para os des-bastes.

Acompanhamento profissional

A Futuro Florestal acompanha experiências de plantios puros, mistos e agroflorestais. Os plantios puros foram feitos com espaçamento de 3 x 2 m ou 3 x 3 m e possuem bom de-senvolvimento, em que espera-se realizar dois desbastes, aos seis e 12 anos, aproximadamente, com corte final estimado com idade de 20 a 25 anos.

Em sistemas mistos o jequitibá rosa foi plantado junta-mente com espécies como guanandi (Calophyllum brasilien-se), louro-pardo (Cordia trichotoma), canafístula (Peltophorum dubium), jequitibá branco (Cariniana estrelensis), ipê felpudo (Zeyheria tuberculosa), entre outras, onde o jequitibá rosa se destacou com melhor forma e crescimento.

Alguns sistemas agroflorestais também foram realizados juntamente com a cultura da pupunha, mas podem ser plan-tados com diversas outras culturas, somente observando que o jequitibá rosa forma copa grande, portanto, sua sombra é den-sa. As folhas do jequitibá rosa são apreciadas pelos animais bovinos, portanto, em consórcio com pecuária essa informa-ção deve ser levada em considerainforma-ção.

Em Garça, no interior de São Paulo, em plantios acom-panhados pela mesma empresa foram avaliados diversos mo-delos de plantio com a espécie, em que em um dos momo-delos de plantio misto as árvores encontravam-se aos 11 anos com DAP médio de 15 cm e altura média de 13 m.

Em sistema agroflorestal, aos nove anos de idade, se obte-ve resultados melhores de DAP médio de 21 cm e altura mé-dia de 14 m, o que se deve, provavelmente, ao fato de que ti-veram mais adubações que o plantio misto. Porém, em ambos modelos a espécie se mostrou com excelente forma de fuste e crescimento satisfatório e homogêneo.

Diante desse aspecto, o jequitibá rosa se apresenta como uma opção rentável e promissora para plantios puros e mistos, visando suprir a demanda de madeiras nobres.

Investimento

O investimento por hectare no jequibá rosa é calculado em R$ 35 mil a R$ 40 mil por hectare ao longo do ciclo. A expectativa de produtividade em plantio puro é de alcançar de 200 a 300 metros cúbicos de madeira em tora por hectare.

Cotações realizadas por Rodrigo Ciriello, diretor co-mercial da empresa Futuro Florestal, em 2018, demonstra-ram que o metro cúbico de madeira serrada verde era co-mercializado no atacado paulista pelo preço de R$ 1.300,00 a R$ 1.500,00 por metro cúbico.

Já no varejo, madeireiras da região da Rua do Gasô-metro, em São Paulo, comercializavam com preços bem superiores. Dependendo da dimensão e formato da ma-deira serrada, algumas lojas chegavam a até R$ 5.000,00 o metro cúbico.

MERCADO

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TECNOLOGIA

NANOTECNOLOGIA

A

nanotecnologia é a ciência e tecnologia que estuda as propriedades especiais dos materiais em tamanho na-nométrico. O principal objetivo é criar novos materiais, produtos e processos a partir da capacidade moderna de mani-pular átomos e moléculas.

Este estudo tem a função de facilitar a vida dos seres hu-manos no futuro e abrange o desenvolvimento de materiais que estão associados a diversas áreas. Um dos motivos principais da aplicação da nanotecnologia é gerar materiais com funções me-lhoradas, proporcionando a redução de consumo de petroquí-micos, compósitos e metais, criando materiais de baixo custo e Stephanie Hellen Barbosa Gomes

[email protected] Fernanda Moura Fonseca Lucas [email protected]

Engenheiras florestais e mestrandas em Engenharia Florestal - Universidade Federal do Paraná (UFPR)

João Gilberto Meza Ucella Filho

Engenheiro florestal, técnico em Agronegócio e mestrando em Ciência e Tecnologia da Madeira - Universidade Federal de Lavras (UFLA)

biodegradáveis, aliando uma maior proteção ambiental a um aumento na lucratividade das indústrias, o que pode ser con-siderado, neste sentido, uma economia verde.

Estudos apontam que no ano de 2018 o mercado mundial de produtos com nanotecnologias atingiu valores próximos a US$ 3,3 trilhões.

Setor florestal x nanotecnologia

A nanotecnologia, no setor florestal, é utilizada em diver-sas áreas, podendo ser aplicada desde a seleção de plantas até os processos industriais, sendo uma ferramenta potencial para contribuir com a produtividade da floresta e também a quali-dade da matéria-prima extraída.

Permite, também, a criação de novos subprodutos oriun-dos de resíduos florestais, agregando valor ao produto de base.

Atualmente, esta tecnologia já é estudada/aplicada em seg-mentos como:

As nanotecnologias do DNA que contribuem para o me-lhoramento genético das plantas resistentes a pragas ou mais produtivas;

Aplicação de nanomateriais para melhorar a germinação de sementes;

Aplicação de nanobiosensores no manejo florestal - dis-positivos que detectam as condições bióticas e abióticas do meio com uma elevada precisão;

Nanopartículas que liberam nutrientes e água no solo de forma lenta e controlada;

Nanocápsulas que liberam herbicidas, pesticidas, insetici-das ou de ação repelente.

Uso de nanofibrilas de celulose que contribuem para a re-sistência de alguns tipos de papéis. A origem dessas nanofibri-las pode ser do processo industrial da polpa kraft ou de resídu-os florestais;

As nanofibrilas de celulose também são usadas na produ-ção de suplementos alimentares, em tratamento de superfí-cies hidro-repelentes, em cerâmica avançada e em cimento de alto desempenho, em embalagens comestíveis e em compósitos como painéis reconstituídos de madeira.

Reinventando o uso da celulose

A celulose nada mais é do que um polímero natural (con-junto de fibras) que constitui a parede celular das plantas.

Trata-se de um elemento globalmente disponível e uma im-portante fonte alternativa para substituição de elementos não--renováveis.

Historicamente, vem sendo utilizada na produção de pa-pel e como bioenergia, no entanto, as inovações tecnológicas têm possibilitado revoluções em sua forma de uso. Graças à inserção da nanotecnologia no setor florestal, tornou-se pos-sível a manipulação da nanocelulose.

Nanocelulose é um conjunto de fibras em tamanhos na-nométricos (para se ter uma ideia, 1,0 nanômetro corresponde a 0,000.000.001 metro). Apesar de pequena, estudos relatam que a formação de estruturas a partir deste elemento propor-ciona materiais resistentes, com propriedades mecânicas e bar-reiras melhoradas em comparação aos demais polímeros.

Devido a estas características físicas, além de ser um

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