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Prancha X − Aspectos do contato entre o Batólito Rio Quixeramobim e Unidade

2 LOCALIZAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA

2.3 Geologia

2.3.2 Geologia da área

2.3.2.4 Magmatismo Granítico Sertão Central

Os granitos brasilianos foram agrupados por Almeida e Ulbrich (2003) sob a denominação de Magmatismo Sertão Central. Nele estão inseridos o conjunto de corpos plutônicos correspondente ao Complexo Granítico Quixadá-Quixeramobim, ao batólito Banabuiú, aos “stocks” Serra Azul, Milhã, Solonópole e São José do Solonópole e à Provincia Pegmatítica Solonópole. Incluem-se ainda os leucogranitóides associados aos migmatitos.

No presente trabalho serão caracterizados apenas o Complexo Granítico Quixadá- Quixeramobim, aflorante na área de estudo e os leucogranitóides Juatama e Acopiara já descritos.

Complexo granítico Quixadá-Quixeramobim

O Complexo granítico Quixadá e Quixeramobim é formado pelos batólitos Rio Quixeramobim, Quixadá e Senador Pompeu. Estão encaixados em rochas da Unidade Juatama, que se encontram bastante arrasadas, permitindo aflorarem os plútons (SIDRIM et al. 1988, ALMEIDA; PARENTE; ARTHAUD, 2008). Esses corpos magmáticos foram designados por Cavalcante et al. (2003) no mapa geológico do Ceará como Suíte granitoide sin- tardiorogenética Itaporanga

Batólito Quixadá

Na área, está inserida a porção meridional do batólito, estendendo-se até as imediações da rodovia CE-060. Constitui as serras do Padre, dos Guaribas, do Macaco, do Mel e da Estrela. Dispõe-se de forma diapírica, evidenciando, por sua foliação, um processo de baloneamento.

Todos os seus litótipos apresentam textura porfirítica, composta por K-feldspato (frequentemente ortoclásio pertítico) e plagioclásio que variam de 2 a 8 cm, imersos em matriz de granulação média a grossa de cor preta esverdeada, constituída essencialmente por anfibólio e biotita e plagioclásio. Plagioclásio, microclina e quartzo, além de titanita, apatita, zircão, epidoto e allanita ocorrem como acessório ou inclusos em outros minerais. São frequentes carbonatos como produto de alteração de minerais primários. Seus litótipos são representados por rochas de natureza intermediária (57 < SiO2 ≤ 65), potássica, rica em MgO, Sr e Ba. A

constante presença de enclaves e diques sin-plutônicos descontínuos, de composição diorítica a granodiorítica, sugere que a mistura de magmas mantélicos foi o mecanismo principal na geração do corpo, parecendo ausente a participação de magmas crustais. Também ocorrem enclaves de composição basáltica, ou basáltico-andesística, revelando uma variedade litológica deste batólito resultante de um processo de mistura de magmas, cujas composições são relativamente contrastantes (ALMEIDA; PARENTE; ARTHAUD, 2008).

Batólito Rio Quixeramobim

A denominação Rio Quixeramobim segue a proposição de Almeida, Parente e Arthaud (2008) para definir o batólito de aproximadamente 1600 km2 de área aflorante, anteriormente denominado de Quixeramobim.

É constituído por uma Super-suíte intrusiva, que os autores dividiram em seis grandes suítes, na seguinte sequência estratigráfica: Muxuré Novo, Água Doce, Boa Fé, Serra Branca, Uruquê e Muxuré Velho (Figura 11 e Pranchas VIII e IX). Variações laterais entre as Suítes Uruquê e Muxuré Novo foram individualizadas como Mobilizados Tardios e Uruquê Transicional Muxuré Novo. Destas, afloram na área as Suítes Uruquê, Muxuré Novo (e Transicional), Muxuré Velho e Serra Branca. Apenas a Suíte Uruquê teve amostras de água extraídas, cabendo-lhe uma descrição mais detalhada.

A mistura de magmas parece ter sido o mecanismo principal na formação do corpo ígneo, estando evidenciada pela presença constante de enclaves microgranulares e diques sin- plutônicos descontínuos (ALMEIDA; PARENTE; ARTHAUD, 2008). Os dados geoquímicos indicam a participação de magmas crustais em cerca de 65%; o restante corresponde a magmas mantélicos (ALMEIDA; ULBRICH, 2001).

Os litótipos Rio Quixeramobim apresentam teores de SiO2 variando entre 51 e 73%,

com natureza fortemente sódica e pobres em MgO e CaO. As Suítes Serra Branca, Muxuré Novo e Boa Fé formam uma série petrográfica composta dominantemente por granodioritos, associados a quartzo-dioritos e monzonitos que se diferenciam pelo padrão textural porfirítico. Os fenocristais de feldspato variam, respectivamente, de 6 a 20 cm; 2 a 6 cm e aproximadamente equidimensionais (2,5 cm). Apresentam como acessório titanita, allanita, apatita, zircão, epidoto e raramente pirita. Como minerais secundários: carbonatos, epidoto, mica branca, clorita e argilominerais. A Suíte Muxuré Novo é a unidade litológica mais abundante. A Suíte

Água Doce é constituída principalmente por quartzo dioritos e tonalitos com biotitas e anfibólios como minerais máficos essenciais, de granulação média e coloração cinza azulado.

As rochas leucocráticas da Suíte Uruquê ocorrem predominantemente entre os distritos de Juatama e Uruquê ou na forma de diques cortando as demais suítes, à exceção de Muxuré Velho. Dentre os tipos litológicos que compõem o batólito, apresentam os menores teores de FeO, MgO e CaO e opostamente é mais rica em álcalis, com natureza fortemente sódica. Apresentam coloração cinza claro a amarelado, formadas majoritariamente por granodioritos, de granulação média a fina e textura predominantemente afirítica. Apresentam frequentes enclaves e diques da Suíte Muxuré Velho. Mineralogicamente, o oligoclásio é o mineral predominante, identificando-se microscopicamente também microclina, biotita e quartzo como minerais essenciais. Apresentam apatita, zircão e titanita como acessórios e clorita, muscovita e calcita como minerais de alteração de minerais primários. A biotita, aparece em percentuais de 5 a 15% (conferindo índice de cor holo a leucocrático), podendo conter inclusões de apatita, zircão e ocasionalmente allanita. A microclina, quase sempre pertitizada, apresenta frequentes alterações para micas brancas e minerais de argila.

Os contatos com a Suíte Muxuré Novo variam de brusco a gradacional, originando a Sub-Suíte Uruquê Transicional Muxuré Novo, composta essencialmente por granodioritos de coloração cinza claro, textura porfirítica, onde os fenocristais de microclina e plagioclásio (Pl ˃ K-F) estão inseridos em matriz fina composta por plagioclásio, microclina, biotita e quartzo (ALMEIDA; PARENTE; ARTHAUD, 2008). Os contatos gradacionais entre a Suíte Uruquê e Muxuré Novo são o resultado da mistura dos dois magmas, quando o magma Uruquê intrudiu no Muxuré Novo ainda não totalmente cristalizado

Os litótipos da Suíte Muxuré Velho estão dispostos como enclaves e diques sin- plutônicos ou formando sheets nas demais suítes. São constituídos por rochas mesocráticas (35- 40% de máficos) e intermediárias (50,5% a 64% de SiO2), ricas em óxidos de cálcio.

Apresentam caráter básico, principalmente quando ocorrem junto à Suíte Uruquê, coloração escura e granulação fina. O plagioclásio é o mineral mais abundante, rica em hornblenda, frequentemente contendo xenocristais de K-feldspato. A calcita e minerais-argila ocorrem como produto de alteração de minerais primários.

A Prancha X ilustra aspectos do contato entre a Suíte Serra Branca e a Unidade Juatama.

Figura 11- Sequência estratigráfica do Magmatismo Sertão Central.

Fonte: Almeida, Parente e Arthaud (2008).

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