Perto de Evans Mills, existia uma colônia alemã. Ali se instalara uma igreja formada desses imigrantes com um número considerável de membros e vários presbíteros, mas, nenhum ministro. Os cultos não eram realizados com regularidade. Uma vez por ano, a igreja costumava trazer um ministro holandês do vale do Mohawk, a fim de administrar as ordenanças — o batismo e a ceia do Senhor. Ensinavam ali o catecismo às crianças que freqüentavam os cultos e recebiam na igreja as que alcançavam o nível de conhecimentos exigido por eles. Assim, as crianças iam-se tornando cristãs. Para que fossem admitidas à comunhão da igreja, precisavam decorar o catecismo e responder a certas perguntas doutrinárias. Depois de participarem da ceia, passavam a ser consideradas cristãs. Assim havia sido organizada aquela igreja e assim ela procedia. Quando tomaram conhecimento do que se passava na aldeia, aqueles crentes pediram que eu fosse pregar em sua igreja. Consenti em fazer-lhes a visita. Para o primeiro sermão, escolhi este texto: "Sem santidade ninguém verá o Senhor" (Hb 12.14). A colônia compareceu em peso e a escola onde eram realizados os cultos estava superlotada. Comecei mostrando o que a santidade não era. Sob esse título, classifiquei tudo quanto eles consideravam religião, mostrando-lhes que aquilo de modo algum era santidade. A congregação entendia bem o inglês. Mostrei-lhes, também, o que era realmente santidade e em seguida expliquei o real sentido de "ver o Senhor", acrescentando que quem não buscasse a santidade jamais veria ao Senhor — não poderiam ser admitidos à sua presença nem ser aceitos por ele. Concluí com algumas aplicações bem diretas à vida daquelas pessoas.
E, realmente, mediante o poder do Espírito Santo, a mensagem alcançou aqueles corações. A espada do Senhor passava por eles, cortando-os para a direita e para a esquerda. Dentro de poucos dias notava-se que o povoado inteiro havia passado a ter consciência de seu estado espiritual — os presbíteros e todos os membros da igreja mostravam-se profundamente abatidos e sentiam que não haviam ainda alcançado a santidade.
A pedido deles, marcamos uma reunião para discutir o assunto com mais profundidade, tirar dúvidas e instruir os interessados. Realizamos o encontro à uma da tarde e vi que a escola estava literalmente lotada. Estávamos no período da colheita e o povo, deixando as ferramentas de lado, compareceu à reunião. Estavam ali tantas pessoas quantas cabiam no edifício. Não era possível circular entre tanta gente. Posicionei-me, então, no centro daquele grande grupo e encorajei-os a fazer perguntas. Interessados no assunto, sentiam muita liberdade para perguntar e também para responder às perguntas que eu lhes fazia. Poucas vezes participei de um encontro mais interessante e proveitoso que aquele. Lembro-me de certa mulher que chegou atrasada e sentou-se perto da porta. Dirigindo-me a ela, disse-lhe:
— Sim, estou muito doente — ela respondeu. — E, como não sei ler e tinha muita vontade de ouvir a Palavra de Deus, saí da cama e vim para cá.
— Como chegou até aqui? — perguntei-lhe. A mulher respondeu: — Vim a pé. Continuei a perguntar:
— Qual a distância que precisou andar? Ela respondeu: — Quase cinco quilômetros.
A caminhada fora demais para ela. Buscando mais informações, descobri que ela sentia convicção de pecado e tinha plena consciência do próprio caráter e de sua condição diante de Deus. Converteu-se pouco depois e passou a ser uma cristã notável. Minha mulher informou-me mais tarde que ela estava realizando um extraordinário trabalho de oração e que, quando orava, repetia mais trechos das Escrituras que qualquer outra pessoa.
Dirigindo-me a outra mulher, alta e elegante, perguntei-lhe qual era o estado de sua alma. Ela respondeu que entregara seu coração a Deus e acrescentou que o Senhor a ensinara a ler depois de ela ter aprendido a orar. Perguntei-lhe o que queria dizer com aquilo. Explicou-me que nunca soubera ler, que não aprendera nem mesmo o alfabeto. No entanto, quando entregou seu coração a Deus, sentia-se muito aflita por não poder ler a Palavra de Deus. "Mas, eu achava que Jesus podia ensinar-me a ler", disse ela, "e pedi a ele que me ensinasse a ler a Palavra. Depois dessa oração, fiquei com a impressão de que conseguiria ler. Meus filhos tinham um Novo Testamento. Fui buscá-lo e parecia que eu estava conseguindo ler aquilo que os ouvira ler. Procurei uma professora da escola primária e perguntei-lhe se eu realmente estava lendo e ela confirmou. Desde esse dia que consigo ler a Palavra de Deus por conta própria".
Não falei mais nada, achando que havia algum mal-entendido naquilo, embora a mulher me parecesse bastante inteligente e sincera. Procurei informar-me a respeito dela com suas vizinhas. Disseram que era de excelente caráter e todas confirmaram o fato de ela só ter passado a ler depois da conversão. Deixo que o caso fale por si mesmo. Não haveria proveito em levantar teorias sobre ele. Penso que os fatos são indubitáveis. Com certeza, aquele avivamento resultou na conversão de toda a igreja e de quase todos na comunidade. Foi um dos avivamentos mais notáveis que já testemunhei. Enquanto eu ministrava naquele local, o presbitério foi convocado e procedeu à minha ordenação. As duas igrejas foram tão fortalecidas e o número de membros tão aumentado que logo foi comprovado seu progresso: cada uma construiu um espaçoso templo de pedra e acredito que a situação espiritual de cada uma tenha continuado saudável a partir de então. Há muitos anos não retorno àquela colônia.
Narrei, apenas, alguns dos fatos principais de que me lembro em relação àquele avivamento. Teria, porém, muito mais a dizer a respeito dele. Um espírito maravilhoso de oração e muita unidade de pensamento passaram a prevalecer entre aqueles cristãos. Quanto ao pequeno grupo congregacional, tão logo viram os resultados da pregação da segunda noite, recuperaram-se dos efeitos da primeira. Haviam ficado desanimados e confusos na noite anterior, mas, juntaram os esforços e passaram a dedicar-se à obra tão
firmemente quanto podiam. E, embora fossem um grupo fraco e ineficiente, com algumas exceções, não deixaram de crescer na graça e no conhecimento do Senhor Jesus Cristo durante aquele avivamento.
A mulher doente que viera à reunião era alemã. Ela afiliou-se à igreja congregacional. Eu mesmo estava ali para recebê-la como membro. Lembro-me de que, no momento em que ela narrava sua experiência, ocorreu um incidente marcante. Havia naquela igreja uma anciã muito piedosa — uma "mãe em Israel". Chamava-se Schofield. Estávamos sentados havia longo tempo, ouvindo, um após o outro, os candidatos à afiliação narrarem sua experiência. Então a mulher alemã levantou-se e contou sua experiência. Foi um dos testemunhos mais comoventes, interessantes e singelos que já escutei. Enquanto ela falava, observei que a sra. Schofield saía de seu lugar e, mesmo com a casa superlotada, foi abrindo caminho da melhor maneira que podia. Supus que anciã se dirigia à saída. Atento ao relato da outra mulher, não percebi que a sra. Schofield caminhava em direção a ela. Tão logo chegou perto da senhora que contava sua experiência, lançou os braços ao redor do pescoço dela, irrompeu em lágrimas e disse: "Deus a abençoe, minha querida irmã! Deus a abençoe!" A mulher correspondeu ao abraço com sinceridade e pudemos assistir a uma cena tão espontânea, natural e transbordante de amor que a congregação se desfez em lágrimas. Todos começaram a chorar abraçados uns aos outros. Foi uma cena comovente demais para ser descrita em palavras.
O pastor batista e eu tínhamos raros contatos, embora às vezes estivéssemos no mesmo culto. Dividíamos o tempo no púlpito. Assim, no dia em que eu pregava ele estava ausente e vice-versa. Por isso, pouco nos encontrávamos na escola. Ele era um homem bom e esforçava-se ao máximo para promover o avivamento.
As doutrinas pregadas eram as que sempre apresentei como sendo as do evangelho de Cristo. Eu insistia em defender meu ponto de vista sobre a depravação moral, total e voluntária dos que não se haviam regenerado e a necessidade inalterável de uma mudança radical no coração, operada pelo Espírito Santo e por meio da verdade. Ressaltava a oração como condição indispensável para o avivamento. Procurava esclarecer, do modo mais completo possível, as doutrinas pertinentes à expiação por Jesus Cristo, sua divindade, sua missão divina, sua morte vicária, sua ressurreição e o arrependimento, a fé, a justificação pela fé e todos os temas a elas relacionados. Procurava aplicá-las com insistência, buscando, pelo poder do Espírito Santo, torná-las eficazes na vida dos crentes.
Os meios utilizados eram simplesmente a pregação, a oração e as conferências, além de muita oração em particular, muita conversa pessoal e reuniões para a instrução dos que estivessem realmente interessados. Esses meios e nenhum outro, eram usados para realizar a obra. Não havia fanatismo, ressentimentos nem divisões. Não houve ali, nem na época nem durante o tempo de que tenho conhecimento, nenhum resultado daquele avivamento que pudéssemos lamentar ou de validade questionável.
Já descrevi alguns casos de intensa oposição ao avivamento. Descobri, certa vez, que numa parte do condado que na linguagem do Oeste podia ser chamada "distrito queimado", um grupo de pessoas estava planejando protestar contra aquela obra. Poucos anos antes, a região passara por uma comoção geral. O movimento definia-se como
avivamento espiritual, mas, logo ficou comprovado que não era genuíno. Segundo entendi, a pregação era feita por irmãos metodistas. Nada posso comentar sobre o fato a não ser o que fiquei sabendo pelos próprios crentes e por outras pessoas do lugar.
As notícias davam ciência de que houvera um grande abalo emocional, resultando numa reação tão extensa e profunda que deixou em muitas mentes a impressão de que a religião era uma fraude. Muitos pareciam convencidos disso. Entendendo que haviam experimentado apenas uma amostra de avivamento, sentiam-se no direito de fazer oposição ao avivamento pleno. Descobri que aquele falso avivamento espalhara entre os crentes alguns hábitos reprováveis que mais ridicularizavam o evangelho que trazer convicção das verdades espirituais.
Por exemplo, em suas reuniões de oração, prevalecia a idéia de que era dever de cada um dar testemunho de Cristo. Todos tinham de "tomar a cruz" e dizer alguma coisa. Então, alguém se levantava e dizia: "Tenho um dever para cumprir e ninguém pode cumpri-lo por mim. Levanto-me para testificar que a religião é boa, embora deva confessar que não sinta isso. Nada tenho a dizer em especial, a não ser dar este testemunho. Orem por mim". Quando a pessoa se sentava, outro se levantava e dizia algo parecido: "A religião é boa, mas não tenho prazer nela. Nada mais tenho a dizer, mas, preciso cumprir minha obrigação. Orem por mim".
Assim se passava o tempo todo da reunião, sem que ninguém dissesse alguma coisa mais interessante. Naturalmente, os descrentes achavam ridícula essa prática — e realmente era. Mais que isso, era repugnante. No entanto, o costume fixara-se de tal maneira na mente do povo que todas as reuniões de oração e conferências eram realizadas nesses moldes. Todos achavam que tinham o dever de "dar testemunho". A situação chegou a tal ponto que senti-me obrigado a cancelar aquelas reuniões, a fim de evitar os "testemunhos". Passei a reuni-los apenas quando havia pregação. Depois que todos estavam reunidos, eu iniciava o culto cantando e eu mesmo orava. Em seguida, lia um texto bíblico e o explicava. Quando percebia algum efeito da mensagem sobre eles, eu parava e pedia que uma ou duas pessoas orassem pedindo ao Senhor que fixasse a mensagem na mente do povo. E continuava o sermão, até que outra pausa e outra oração fossem necessárias. Assim, transcorria o culto inteiro sem que fosse dada oportunidade para os tais testemunhos. Os crentes então voltavam para casa sem sentir o fardo de imaginar que não haviam cumprido o dever de dar testemunho público de Cristo.
Nem todas as reuniões eram chamadas "reuniões de oração". Eram dedicadas à pregação, por isso, ninguém esperava que fosse franqueada a palavra a quem quisesse falar. Dessa maneira, foi interrompida aquela prática que produzira tantos comentários maldosos e zombarias por parte dos descrentes. Depois de o avivamento propagar-se naquela localidade, tendo ocorrido os fatos que acabo de citar, a oposição contra a igreja, segundo me parece, cessou por completo naquela comunidade. Passei mais de seis meses trabalhando em Evans Mills e em Antwerp, dividindo meu tempo entre as duas localidades. No final desse período, nada mais se ouvia falar sobre a oposição que se fazia aos crentes.
Já comentei a respeito das doutrinas pregadas ali. Devo acrescentar que fui obrigado a tomar muito cuidado ao oferecer instrução aos interessados. O costume ali desenvolvido
— que acredito ser generalizado — era induzir os pecadores ansiosos a orar por um novo coração, empregando meios próprios para chegar à conversão. De acordo com essa orientação, quem quisesse ser cristão tinha de esforçar-se muito para convencer o Senhor a convertê-lo.
Eu procurava convencê-los de que os meios não eram humanos, eram meios divinos usados por eles e que Deus estava disposto a agir mesmo quando se mostravam relutantes. Resumindo: eu procurava convencê-los e apresentar a fé e o arrependimento como algo que Deus exigia deles — a efetiva e imediata aceitação de Cristo e a submissão à sua vontade. Procurava mostrar-lhes que adiar essa decisão não passava de uma tentativa de fugir ao dever, que orar por um novo coração era querer lançar a responsabilidade sobre Deus e que qualquer esforço empreendido no sentido de cumprir o dever cristão sem entregar o coração a Deus era inútil, além de ser hipocrisia.
Durante os seis meses em que me dediquei ao trabalho naquela região, ia a cavalo de cidade em cidade, de povoado em povoado e pregava o evangelho conforme surgisse oportunidade. Quando saí de Adams, minha saúde estava bastante abalada. Tossia sangue e, na ocasião em que fui licenciado, meus amigos estavam convencidos de que eu teria pouco tempo de vida. O irmão Gale aconselhou-me a não falar em público mais que uma vez por semana, mesmo assim tomando cuidado para não falar mais que meia hora. Porém, contrariando todas as recomendações, eu fazia visitas de casa em casa, freqüentava as reuniões de oração e pregava, trabalhando todos os dias e quase todas as noites, durante o semestre inteiro.
Antes de se completarem os seis meses, minha saúde foi inteiramente restabelecida. Meus pulmões estavam sadios, eu já não tossia sangue e conseguia pregar duas horas ou duas horas e meia por vez, sem sentir a mínima fadiga.
Acho que meus sermões duravam, em média, duas horas. Eu pregava ao ar livre, nos celeiros e nas escolas. Então, um glorioso avivamento propagou-se por toda aquela região.
Especialmente na fase inicial de meu ministério, eu era alvo de muitas criticas por parte dos ministros, sobretudo no tocante à minha maneira de pregar. Já mencionei que, quando preguei a convite do sr. Gale, imediatamente após receber licença para exercer o ministério, ele disse-me que se sentiria envergonhado se alguém soubesse que eu havia sido aluno dele. A verdade é que a formação daqueles ministros fora totalmente diferente da minha, por isso, desaprovavam minha maneira de pregar.
Muitas vezes repreendiam-me por eu ter o hábito de ilustrar meus sermões com referências às atividades comuns das pessoas de minha convivência, que trabalhavam em diversas áreas profissionais. Minhas ilustrações eram retiradas do trabalho dos agricultores, mecânicos e pessoas de outras classes sociais. Esforçava-me, também, para empregar um vocabulário que pudesse ser compreendido por qualquer pessoa. Dirigia- me a elas na linguagem do povo. Procurava expressar minhas idéias com o mínimo de palavras possível, utilizando sempre as mais comuns. Procurava, muito diligentemente, evitar o emprego de termos que não pudessem ser compreendidos por aqueles de menor instrução sem o auxílio de dicionário.
Antes de minha conversão, minha tendência, ao falar ou escrever, era usar linguagem rebuscada. Mas, quando passei a pregar o evangelho, meu desejo era que minhas mensagens fossem entendidas, esforçando-me, de um lado, para evitar linguagem grosseira e, de outro, para usar de simplicidade e assim expressar meus pensamentos com a maior clareza possível. Isso não ia de encontro à opinião difundida na época — e ainda hoje — entre a maioria dos ministros.
No tocante às ilustrações usadas por mim, perguntavam: "Por que você não ilustra seus sermões com eventos da história antiga, ou expõe suas idéias de maneira mais elegante?" Eu respondia com naturalidade, argumentando que, se as ilustrações usadas num sermão apresentassem algo de novo e marcante, elas passariam a despertar mais a atenção dos ouvintes que a verdade que eu desejava ilustrar. Expliquei-lhes que meu desejo era ilustrar as verdades por meio de figuras tão familiares aos ouvintes que não ocupassem a mente deles, mas fossem apenas meios de destacar a verdade. Quanto a julgarem minha linguagem simples, eu defendia-me dizendo que meu objetivo era cultivar uma retórica que não se elevasse acima da cabeça dos ouvintes, que tornasse a mensagem totalmente compreensível por meio de uma linguagem simples, porém, sem descer ao nível da vulgaridade.
Próximo à minha saída de Evans Mills, o presbitério foi convocado. A pedido de alguns irmãos, interrompi o trabalho que vinha realizando e compareci na reunião. Os irmãos que ainda não me tinham ouvido pregar pelo menos estavam informados de meu estilo de pregação. O presbitério reuniu-se pela manhã e procedeu aos trabalhos habituais. Após o almoço, enquanto nos reuníamos para a sessão da tarde, o povo encheu a casa. Eu não fazia a mais remota idéia do que os irmãos do presbitério tinham em mente. Sentei-me no meio do povo e esperei o início da reunião.
Tão logo a congregação se reuniu, um dos irmãos colocou-se de pé e observou: "Com certeza, estamos reunidos aqui para ouvir uma pregação. Proponho então que o sermão seja pregado pelo sr. Finney". A proposta foi aprovada por unanimidade. Percebi, de imediato, que a intenção do presbitério era pôr-me à prova, para ver se eu era capaz de pregar de improviso, sem nenhum preparo prévio, conforme haviam sido informados. Não apresentei nenhum pedido de desculpa nem fiz objeção alguma àquela proposta. Meu coração transbordava de vontade de pregar. Na realidade, eu queria pregar.
Coloquei-me de pé e comecei a caminhar entre os bancos. Ao levantar os olhos procurando o púlpito, vi que ficava num lugar alto e que era pequeno e encaixado na parede. Assim, permaneci no corredor, e fiz a leitura do texto em que basearia o sermão: "Sem santidade ninguém verá o Senhor" (Hb 12.14). Enquanto eu ia e vinha pelo amplo corredor, senti que o Senhor me inspirava a mensagem e que a congregação se mostrava interessada e muito comovida. Depois da reunião, um dos irmãos procurou-me, dizendo: "Irmão Finney, se passar pela nossa região, quero que pregue em alguns de nossos distritos escolares. Não desejo que pregue em nossa igreja. Temos instalações apropriadas em lugares mais distantes da aldeia e gostaria que pregasse em alguns deles".
Menciono esse fato para mostrar os conceitos que aqueles irmãos mantinham a respeito de meu estilo de pregação. Ignoravam totalmente os resultados alcançados com meus
métodos! Queixavam-se de que eu rebaixava a dignidade do púlpito; que era uma vergonha para o ministério pastoral; que me expressava como um advogado no tribunal; que conversava com o povo de modo coloquial; que me dirigia diretamente aos ouvintes, em vez de usar a terceira pessoa como era o costume de quem pregava sobre pecado e pecadores; que eu dava muita ênfase à palavra "inferno", deixando a congregação chocada. Além disso, diziam que eu exortava os ouvintes com exagerada veemência, como se a vida deles estivesse para acabar. Queixavam-se, também, de que eu atribuía muita culpa aos que me ouviam. Certo estudioso da Bíblia revelou-me que sua tendência era chorar pelos pecadores, em vez de culpá-los. Respondi-lhe que não