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PARTE I – Revisão bibliográfica

5. Maneio da Exploração em Geral e Maneio do Período de Transição

Como referido anteriormente, os fatores relacionados com a eficiência reprodutiva em bovinos leiteiros são, em muito, influenciados pelo maneio adotado nas explorações (Patterson et al., 2014). No entanto, é de extrema importância salientar que a maximização do desempenho reprodutivo de um efetivo leiteiro só é possível se existir uma base de dados de eventos reprodutivos, credível e atualizada, para que possa ser efetuado um acompanhamento da exploração e a identificação dos parâmetros reprodutivos a melhorar (Romão & Bettencourt, 2009).

5.1.

Período Seco

A gestão da duração do período seco das vacas leiteiras varia de exploração para exploração. O período seco de uma vaca, tem a duração, normalmente, de 6 a 8 semanas, durante as quais deixa de ser ordenhada até à data do parto, de forma a ocorrer a involução da glândula mamária. Este intervalo de tempo, dá a oportunidade aos animais de se prepararem para o parto e para a lactação seguinte. A duração deste período, influencia a produção e a composição do leite, o equilíbrio energético e a saúde da vaca na lactação seguinte (Van Knegsel et al., 2014). O momento da secagem dos animais pode ser efetuado com base nos dias de gestação ou consoante a produção de leite, sendo que vacas que estejam a produzir pouco leite podem ser secas mais cedo. Watters et al., (2009), demonstraram que encurtar o período seco representa uma influência positiva na eficiência reprodutiva de vacas mais velhas, reduzindo o número de dias até à primeira ovulação após o parto e o número de vacas em anestro, melhorando a fertilidade. No seu estudo, consideraram um período seco tradicional, como tendo uma duração de, aproximadamente, 55 dias, e um período seco curto, como tendo uma duração de 34 dias. Os dias médios até à primeira ovulação pós-parto foram menores nas vacas submetidas a um período seco curto, bem como uma maior percentagem de vacas prenhas aos 70 DEL e um menor número de dias em aberto. Já nas vacas submetidas a um período seco tradicional, a percentagem de animais em anestro aos 70 DEL foi maior. No que diz respeito à percentagem de vacas prenhas por IA, esta foi maior nas vacas mais velhas, submetidas a um período seco curto.

5.2.

Medidas de Prevenção de Claudicação

A claudicação apresenta um impacto significativo no desempenho reprodutivo das vacas leiteiras. Quando ocorre em animais no início da lactação, verifica-se um aumento do intervalo entre partos, uma vez que ocorre uma diminuição da manifestação do comportamento de cio, ou mesmo ausência deste comportamento, devido à dor que o animal sente. A dor durante a locomoção é também responsável pela diminuição da ingestão de matéria seca, passando os animais menos tempo à manjedoura, o que leva a uma diminuição da condição corporal, com efeitos negativos sobre a produção e fertilidade (Groehn et al, 1992; Beusker, 2007).

Desta forma, torna-se essencial para as explorações leiteiras estabelecer uma rotina de medidas de prevenção contra o desenvolvimento de doenças podais e claudicação, sendo as principais medidas preventivas a realização de pedilúvios e o aparo corretivo das úngulas.

A realização dos pedilúvios é um método importante na prevenção de claudicações de origem infeciosa. A incidência de lesões podais de origem infeciosa aumenta drasticamente após o parto, devido, possivelmente, a uma combinação da supressão do sistema imunitário no periparto, associada a um aumento do tempo de estação em pisos húmidos e sujos (Blowey, 2005). Assim, a frequência de realização do pedilúvio deveria ser mais elevada em vacas no início da lactação (Cook, 2005).

A frequência de realização dos pedilúvios varia de exploração para exploração, e a necessidade de realização de pedilúvios mais frequentes, é tanto maior quanto pior for a condição de higiene das instalações (Blowey, 2005). O mesmo autor refere que o mais comum é realizar o pedilúvio cinco vezes por semana, ou então, nove dias seguidos, intervalados de 5 dias. No entanto, explorações que realizam o pedilúvio diariamente apresentam uma incidência muito baixa de lesões de origem infeciosa. Cook, (2005), defende que a frequência de realização do pedilúvio deve ser definida com base na classificação de higiene dos membros dos animais, e em explorações onde cerca de 75% dos animais apresentem os membros moderadamente sujos ou muito sujos, os pedilúvios devem ser realizados todos os dias.

O aparo corretivo das úngulas das vacas leiteiras melhora a sua locomoção, permitindo reduzir a incidência de claudicações, com a consequente vantagem económica e melhoria do bem-estar (Blowey, 2008). O corte funcional da úngula permite a retoma da sua forma e tamanho normais, e deve ser realizado sempre que exista sobrecrescimento, ou então, à secagem, permitindo que as úngulas estejam nas condições ideais na altura do parto (Andrews et al., 2008).

5.3.

Medição dos níveis de ácido β-hidroxibutírico no sangue no período

após o parto

A medição dos níveis de ácido β-hidroxibutírico (BHBA) no sangue permite identificar situações de cetose, na forma clínica ou subclínica. A medição destes valores no período após o parto torna-se importante, de forma a identificar casos de cetose e proceder ao seu tratamento o mais rapidamente possível. O impacto da cetose no desempenho reprodutivo das vacas leiteiras é maior do que os produtores de leite compreendem. No início da lactação, é comum as vacas encontrarem-se em balanço energético negativo, e mesmo que não apresentem sinais clínicos de cetose, esta pode estar presente na forma subclínica, apresentando um impacto negativo na produção de leite e na fertilidade (Radostits, 2006).

Segundo Walsh et al., (2007), vacas que sofrem de cetose nas duas primeiras semanas após o parto experimentam uma redução da taxa de conceção à primeira inseminação, e apresentam uma taxa de conceção baixa, até aos 140 DEL. Estes autores demonstraram ainda que os animais que não sofreram nenhuma forma de cetose no período após o parto obtiveram um intervalo entre o parto e a conceção menor que animais que sofreram cetose, sendo este intervalo maior em animais com cetose subclínica do que em animais que manifestaram sinais clínicos da doença.

5.4.

Biossegurança nas explorações leiteiras

Os programas de saúde animal que incorporam os princípios da biossegurança apresentam benefícios óbvios na redução dos custos resultantes das doenças e no aumento da produtividade. No setor da produção de leite, são importantes medidas de biossegurança: a consideração da proximidade de outras explorações; o estado de saúde de animais provenientes de outras explorações; a qualidade da água de bebida e da alimentação fornecidas aos animais; o risco associado ao contacto com animais domésticos e outras espécies animais; o risco da entrada de veículos de transporte de animais; a higiene das instalações, entre muitos outros (Dargatz et al., 2002).

Assim, a formação em biossegurança do pessoal trabalhador da exploração, representa uma ajuda na importância da sua compreensão e do impacto que falhas nestas medidas podem representar para a economia da exploração, bem como para a saúde dos animais.