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SUMÁRIO

4. REVISÃO DA LITERATURA

4.3 MANEJO DA COBERTURA VEGETAL

Manejar a cobertura vegetal diz respeito a diferentes atos com objetivo de controlar, movimentar e/ou modificar o estado original de uma ou conjunto de plantas presentes na superfície do solo, estando vivas ou mortas.

Inúmeros estudos destacam a importância da manutenção da cobertura do solo por adubação verde, palha e restos culturais. Estes podem ser manejados diferentemente conforme a importância, a disponibilidade de recursos e o tipo do mecanismo ou ferramenta utilizada. Entretanto, o manejo pode interferem na velocidade de decomposição do material aumentando a área de contato com o solo e favorecendo a decomposição microbiana (GAMERO, et al. 1997). Por isso, a menor movimentação e incorporação da palha na superfície do solo, pode ser chave para reduzir estes impactos negativos. Mesmo assim, algumas práticas são necessárias para oferecer condições de operação para as práticas de cultivo subsequentes.

O manejo da cobertura do solo pode ser realizado principalmente por dois métodos: o método químico, pelo uso de herbicidas para a dessecação, e o método mecânico, utilizando equipamentos projetados para essa finalidade. Pode ainda ser

realizado por picadores de palha acoplados em colhedoras combinadas (FURLANI et al. 2003). Os picadores de palha são destinados a redução do tamanho desta e distribuição uniforme na superfície do solo (GADANHA JÚNIOR et al. 1991).

A existência de palha na superfície do solo, mesmo manejada, impõe condições operacionais que dificultam a operação de implementos utilizados no SPD. Casão Junior et al. (2006), destacam que, por exemplo, as semeadoras que operam em condições com solo coberto por palha, necessitam de mecanismos especiais para operar nestas condições. Para isso, algumas ferramentas foram projetadas e inseridas nestes implementos, tais como os discos de corte (LEVIEN, et al. 2011). A função destes é cortar o material depositado sobre a superfície permitindo que as ferramentas de mobilização efetuem seu trabalho eficientemente (BIANCHINI, 2002).

Apesar da utilização dos discos de corte ser disseminada em áreas de plantio direto, segundo Araújo et al. (1998), esses, apresentam algumas limitações quando submetidos a condições adversas de trabalho, como umidade e resistência a penetração elevadas. Estes autores destacam que, quando estas ferramentas são associadas a sulcadores em semeadoras, podem apresentar irregularidade no corte da palha, embuchamentos e abertura ineficiente do sulco, afetando o estabelecimento inicial das plantas e, em alguns casos, introduz a palha dentro do sulco (CASÃO JÚNIOR, 2006).

Bianchini e Magalhães (2003), trabalharam com disco de corte sobre palha de cana-de-açúcar e constataram que em condições de elevada resistência à penetração e em solo muito seco esta ferramenta não penetra corretamente no solo e, em elevada umidade, não corta a palha, pressionando-a para dentro do solo, condição esta agravada quando a quantidade de palha é elevada. Apesar disso, estes autores sugerem maiores cargas aplicadas aos discos para melhorar seus desempenhos.

O desempenho das ferramentas de manejo da cobertura de solo é afetado também pela regulagem aplicada a elas. Analisando a operação de corte de resíduos vegetais efetuada por discos de cortes de diferentes formatos e diâmetros, em duas profundidades e três teores de água, Chang et al. (1986), concluíram que a forma e o diâmetro do disco não influenciaram significativamente a qualidade do corte dos resíduos de milho. Entretanto, a força horizontal e a força vertical aumentam quando é incrementada a profundidade de trabalho, diâmetro do disco e resistência à penetração. Ao avaliar características de operação de discos de corte, Tice e Hendrick (1992), concluíram que discos com pequena espessura reportaram menores forças

horizontal e vertical, melhorando ainda quando o ângulo vertical do disco é mínimo, pois aumenta a eficiência de corte.

Além dos fatores citados acima, a quantidade e o manejo da cobertura vegetal antes da operação são condições que oferecem dificuldade ao desempenho das ferramentas de corte. Silva et al. (2007) avaliou o desempenho de 3 discos de corte, liso, ondulado e estriado em cinco tipos de cobertura vegetal (milho, sorgo, aveia- preta, triticale e nabo forrageiro), constatando que quanto maior a quantidade de massa seca da cobertura vegetal, maior a demanda de força vertical e horizontal do disco de corte. Já Santos et al. (2010), ao avaliarem estes mesmos discos em cinco níveis de palha de aveia-preta em superfície (0; 1,0; 2,0; 4,0 e 6,0Mg ha-1), concluíram

que a quantidade de resíduo utilizada não oferece resistência ao corte, não havendo variação na força de tração e que quantidades elevadas de palha proporcionam aumento da profundidade de trabalho dos discos pela umidade maior que facilita a penetração dos mesmos no solo.

Quando o implemento possui hastes, o principal problema enfrentado é o embuchamento causado pelo arraste dos restos culturais presente na superfície (DERPSCH et al., 1985). Girardello et al. (2011), destacam em seu estudo que quando o escarificador apresenta disco de corte de palha na frente das hastes e alinhado a elas, promovem menor incorporação de resíduos na superfície, pois fracionam a palha anteriormente à mobilização, em comparação a um escarificador convencional sem esta ferramenta. Entretanto, para utilizar um disco de corte à frente de hastes, diversos fatores devem ser observados, dentre eles a exigência de tração.

Balbuena et al. (1998) estudaram a utilização de discos de corte à frente de hastes e afirmam que o embuchamento de palha pode ser eliminado pelo uso destas ferramentas, além de reduzir em 12% a resistência específica do solo ao corte e 15% na demanda de força de tração.

Camacho e Magalhães (2004), analisaram a operação de diferentes configurações de hastes com e sem disco duplo à frente e verificaram que a presença do disco duplo promove uma redução na área de solo mobilizada e não aumentam o requerimento de força de tração. Estes mesmos autores acrescentam que a presença do disco de corte à frente da haste pode ser uma boa alternativa, pois a força vertical aplicada ao disco facilita o corte da palha na superfície, além de permitir o rompimento de camadas compactadas a maiores profundidades sem aumentar o requerimento de potência. Sendo assim, em operações de descompactação do solo em áreas de

plantio direto, o equipamento como o escarificador pode ser utilizado, acrescido de um disco de corte de palha à frente dos elementos descompactadores, pois o disco irá promover uma menor incorporação dos resíduos da superfície sem agravar a demanda energética.

A manutenção de cobertura vegetal na superfície do solo, por si só, não é garantia de longevidade para o SPD. Deve haver uma preocupação com todos os seus princípios, para que sejam empregados e para que problemas não surjam. Entretanto, conforme Denardin et al. (2008), em grande parte das lavouras de grãos do Brasil, o SPD não está sendo conduzido de acordo com as recomendações mínimas que o viabilizaram como ferramenta da agricultura conservacionista. Estes autores ainda acrescentam que as consequências desta negligência vêm se traduzindo em prejuízos econômicos e ambientais, que variam desde a redução da fertilidade do solo até frustrações de safra, motivada por déficit hídrico, quando da ocorrência de pequenos períodos sem chuva.

Para Denardin et al. (2008), isso aconteceu porque houve apenas adoção da cobertura vegetal em superfície e supressão de importantes práticas, como a rotação de culturas, utilização de mecanismos sulcadores do tipo hastes para distribuição de fertilizantes na linha de semeadura e manutenção de grande quantidade e diversidade de palha em superfície. Estes autores ainda acrescentam que em decorrência disso, surgiram graves problemas, como a concentração de nutrientes em superfície e a compactação do solo. Esta última, restringindo o desenvolvimento do sistema radicular das plantas e reduzindo as suas produtividades, afetando o desempenho e a qualidade das atividades agrícolas no campo e modificando as condições físicas do solo, como a densidade, macro e micro porosidade e a capacidade de retenção de água do solo. De acordo com Raper et al. (2000), esta é a principal queixa do SPD pelos produtores, os quais afirmam que ele não é sustentável devido aos efeitos nocivos de sua compactação.

Havendo problemas nos cultivos, soluções técnicas devem ser empregadas para resolvê-las promovendo benefícios além daqueles que já estão estabelecidos pela cobertura vegetal, se estas soluções não forem suficientes, novas devem ser propostas para este fim.