Resumo: O trabalho foi desenvolvido numa parceria entre Universidade Tecnológica Federal de
DoisVizinhos/PR e cinco Escolas do Campo da região sudoeste do Paraná, nos municípios de Candói, Escola Estadual de Lagoa Seca, Colégio Estadual Bom Jesus, em Marmeleiro, ColégioEstadual Padre Réus, em Pérola d’Oeste, Colégio Estadual São Francisco do Bandeira, em DoisVizinhos, Casa Familiar Rural de São Jorge d’Oeste. Inicialmente foram mantidos contatos com os Núcleos Regionais de Educação para averiguar a possibilidade de participação das Escolas do Campo no projeto PIBID/Diversidade. O projeto fomenta as atividades desenvolvidas na Escolas através de auxílio financeiro aos bolsistas e a Universidade é parceira na execução do projeto. As atividades desenvolvidas nas escolas do campo tiveram como objetivo a melhoria das condições e o fortalecimento do processo de formação dos acadêmicos do curso de Licenciatura em Educação do Campo com habilitação em Matemática e Ciências da Natureza e Ciências Agrárias, a interação entre a Universidade e as escolas do campo de ensino básico, possibilidade de formação de professores das redes municipais e estaduais das Escolas do Campo. Para fins didáticos as atividades desenvolveram-se em dois eixos: formativo; através do qual foram desenvolvidos seminários, feiras do conhecimento, gincanas, construção de fontes e equipamentos para utilização na preservação dos recursos naturais renováveis, vídeos com discussão e reflexão. Estas, além de buscarem aprofundar o conhecimento científico nas diferentes áreas do conhecimento, sobretudo Ciências Matemática e Ciências da Natureza e Ciências Agrárias. Também enfatizaram a realização de práticas relacionadas com a sustentabilidade ambiental. No eixo de atividades profissionalizantes; estas tiveram cunho pedagógico e estavam articuladas e relacionadas com a gestão da escola, participação dos educadores. Num contexto geral, a participação da comunidade teve importância fundamental para efetivação das propostas.
Palavras-chave Licenciatura em Educação do Campo. Pibid-diversidade. Formação acadêmica.
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1 INTRODUÇÃO
O legado histórico em termos de modo de produção da vida no Brasil, advindo do período colonial (1.500-1.800), republicano (1.800-1.900) e democrático (1980- até o presente, deixou raízes profundas em um complexo econômico que traz em si, marcas de relações feudais que traz em si, marcas de relações feudais e escravocratas, sustentadas por uma estrutura fundiária concentradora de terra e renda, espoliadora do meio ambiente e que coloca em risco, a possibilidade de um Desenvolvimento Sustentável.
Na época do milagre econômico nas décadas de (1960-1970), no meio rural, a educação juntamente com extensão, crédito, pesquisa foram instrumentos estratégicos para a descaracterização sociocultural e perda dos espaços ocupados pelos camponeses. Assim, nesta lógica, a educação foi uma das formas utilizadas historicamente, pelas populações do campo, para migrarem para as cidades. Aqueles jovens com capacidade para progredir nos estudos, sobretudo as mulheres, que têm um nível de escolaridade mais elevado que o homem, deslocaram-se com mais rapidez para as cidades.
Historicamente, a educação é concebida como um dos poucos veículos – talvez o único – para a mobilidade social e geográfica, para a mudança de atividade econômica (da agricultura aos serviços, ou a um ofício, por exemplo) e para o melhoramento das condições de vida familiar. Deste ponto de vista, incorporar um dos filhos a um programa formal de educação constitui uma inversão para o camponês, com resultados bastante calculáveis em médio prazo (FERNANDEZ, 1981, p. 227).
O modelo de ensino, pesquisa e extensão brasileiro planejado para o campo fundamentou-se num modelo mecânico-químico, o qual favoreceu a expropriação da mão-de- obra e a desenvolvimento da agricultura familiar, em prol da expansão dos latifúndios e a invasão dos grandes grupos capitalistas.
A educação não tem o poder de mudar as estruturas agrárias. O que ela consegue fazer, nesse caso especifico, é desadaptar os agricultores tradicionais, desenraizam-no, sem lhe assegurar uma colocação no setor dito moderno da agricultura. Na verdade, a educação, ao desagregar as populações rurais, transforma-se na ponta de lança da invasão capitalista do campo (CALAZANS et al., 1981, p.164).
Além do problema de uma educação orientada para os interesses dos grupos capitalistas, as populações do campo também enfrentaram um processo discriminatório em relação aos parcos recursos investidos no sistema educacional e geração de renda. Isto é revelado segundo dados do INEP, em 2004, cerca de 30,8 milhões de cidadãos brasileiros viviam no campo em franca desvantagem social. O desamparo
e vulnerabilidade da população do campo se refletem nos altos índices de analfabetismo e no baixo desempenho escolar. 25,8% da população rural adulta (de 15 anos ou mais) é analfabeta, enquanto na zona urbana essa taxa é de 8,7%. No que diz respeito ao Ensino Médio, entre os jovens de 15 a 17 anos, quando considerada a taxa de frequência líquida, o quadro é muito crítico na área rural: pouco mais de um quinto dos jovens nessa faixa etária (22,1%) estão frequentando esse nível de ensino contra 49,4% na zona urbana.
É a partir deste contexto que os movimentos sociais, ligados aos camponeses, reivindicaram o estabelecimento de um processo educacional que respeite os valores culturais, éticos, políticos, ambientais, econômicos e sociais das populações do campo, e seja capaz de contribuir no desenvolvimento rural sustentável dos territórios. Um processo formativo que segundo Freire (1977) forme cidadãos independentes, capazes de compreender e refletir sobre sua realidade, e a partir deste processo cognitivo, tenham clareza para estabelecer as bases para um novo paradigma de desenvolvimento, calcado em bases igualitárias e participativas, numa perspectiva holística de sociedade.
Assim é necessário o estabelecimento de um processo de formação de professores para as Escolas do Campo, que propicie um processo formativo para atender as necessidades das populações do campo. Nesta ótica, o curso de Licenciatura em Educação do Campo através de um processo de ensino-aprendizagem específico, foi um instrumento importante para a formação de jovens professores em exercício profissional nas escolas no campo e/ou participantes de processos de formação em populações camponesas do campo. Neste sentido, o projeto do PIBID desenvolvido pela UTFPR – Campus Dois Vizinhos propos uma dinâmica e procedimentos metodológicos que visam contemplar os princípios estabelecidos no curso de Licenciatura em educação do campo, descritos abaixo:
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a) Contextualização da realidade do campo: o núcleo de conteúdos básicos, visa à reflexão crítica sobre o modo de produção, suas relações sociais e culturais de produção e reprodução da vida, a educação enquanto uma prática social, a escola, a formação e a profissionalização no campo da educação.
b) Flexibilização curricular: as atividades acadêmicas devem ser planejadas e executadas, levando-se em conta a dinâmica das atividades laborais exercidas no campo. Para isso, os tempos e espaços deverão considerar a realidade das comunidades do campo.
c) Pedagogia da alternância: o tempo escola e tempo comunidade são fundamentais para estabelecer um vinculo entre escola e comunidade, ao mesmo tempo em que articula um diálogo entre os saberes científicos e os saberes populares.
2 DESENVOLVIMENTO
O projeto foi desenvolvido em parceria com cinco escolas do campo do sudoeste do Paraná, na Escolas São Francisco do Bandeira de Dois Vizinhos, Colégio Estadual Bom Jesus de Marmeleiro, Colégio Estadual Lagoa Seca de Candói, Casa Familiar Rural de São Jorge d’Oeste, Colégio Estadual Padre Réus de Pérola d’Oeste. Para fins de acompanhamento, avaliação, estruturação e articulação do projeto, as ações desenvolvidas pelos bolsistas do projeto foram distribuídas em dois eixos, da seguinte forma:
2.1 EIXO FORMATIVO
Trabalhou-se basicamente através da metodologia de seminários, atividades culturais e pesquisa. 2.1.1 SEMINÁRIOS FORMATIVOS
Foram realizados seminários sobre conteúdos estruturantes para a educação básica propostas nos subprojetos levando-se em consideração as áreas de habilitações do curso de Licenciatura em Educação do Campo (Matemática e Ciências Agrárias). Todos os bolsistas, em torno de 60 acadêmicos participaram do planejamento destes seminários, porém a responsabilidade para apresentar os temas/conteúdos era dos bolsistas, sob a supervisão do Coordenador de área e/ou equipe constituída. A organização e a sequência dos temas/conteúdos foram planejadas em função dos projetos pedagógicos das escolas, dos livros didáticos e dos conteúdos estruturantes.
2.1.2 ATIVIDADES CULTURAIS:
Foram realizadas atividades de leitura, sessões de filmes, peças teatrais relacionadas ao contexto do campo, e posteriormente foram fomentadas discussões e reflexões sobre vídeos e/ou filmes. Todos os participantes envolvidos no processo formativo (equipe de coordenação, professores envolvidos no processo, comunidade escolar e comunidade do campo) foram convidados a participar do processo. 2.1.3 PESQUISA PEDAGÓGICA E SOCIALIZAÇÃO
Essas atividades estão vinculadas a Pesquisa Pedagógica e serão desenvolvidas na universidade e escolas do campo, em três etapas:
1ª etapa; o projeto de pesquisa teve um período de duração semestral, sendo desenvolvida concomitantemente com o módulo de pesquisa.
2ª etapa: apresentação do projeto através de seminário, no final do semestre para todos os bolsistas, supervisores e membros da equipe pedagógica. A equipe pedagógica avaliou o projeto emitindo parecer sobre a continuidade e sua aplicação nos semestres seguintes.
3ª etapa: Planejamento e aplicação nas Escolas do Campo via laboratório de matemática/ciências da natureza e ciências agrárias, concomitantemente a disciplina de pesquisa do curso de Licenciatura em Educação do Campo. O projeto de pesquisa deverá estar articulado com os módulos de pesquisa do Curso
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do Licenciatura em Educação do Campo e os subprojetos de inovação pedagógica e multidisciplinar desenvolvidos pelos professores coordenadores, supervisores e bolsistas aplicados nas escolas do campo. 2.1.4 AÇÕES INOVADORAS NO ENSINO
Tem a finalidade de despertar o interesse dos alunos das escolas do campo, participantes do projeto, em aprender matemática/ciências da natureza e ciências agrárias e incentivá-los ao contato com essas áreas do conhecimento. Será constituído um grupo multiplicador das ações inovadoras de ensino, formado por bolsistas, sob a orientação de um professor colaborador, preferencialmente vinculado as novas tecnologias e supervisionado pelo Coordenador de área.
3 EIXO PROFISSIONAL
Considerando o Projeto Político Pedagógico da escola e o programa de capacitação em serviço do professor de matemática/ciências da natureza e ciências agrárias/Desenvolvimento Agroecológico da escola participante será elaborado um cronograma e carga horária, conjuntamente com as Escolas do Campo. Os bolsistas participaram das reuniões pedagógicas e de planejamento com a finalidade de conhecer a realidade da escola, segundo calendário próprio. A inserção do acadêmico no ambiente escolar tem a finalidade de: a) articular o eixo formativo e o eixo profissional para que os professores em formação e/ou em serviço sejam capazes tanto de selecionar conteúdos comuns quanto de eleger as estratégias mais adequadas para a aprendizagem dos alunos; b) atuar em regência de classe em momentos em que o professor regente participa dos módulos de aperfeiçoamento e/ou seminários e, por meio de contra turno, propor estratégia de recuperação; c) participar do planejamento, na elaboração da proposta pedagógica da escola; d) articular as atividades da escola com as famílias e a comunidade como meio de inserção na realidade local da escola.
3.1 ACOMPANHAMENTO DOS BOLSISTAS:
As atividades dos bolsistas nas escolas foram acompanhadas pelos supervisores e coordenadores dos subprojetos de cada área contemplada no projeto, através da elaboração de relatórios periódicos (bimestrais) elaborados pelos supervisores e bolsistas.
Serão feitas reuniões com bolsistas, supervisores, segundo cronograma especificado em cada subprojeto estabelecido pelo coordenador. Também serão feitas reuniões com toda equipe pedagógica (supervisores, coordenadores de área, coordenador geral) envolvida no projeto do PIBID, visando a avaliação e o andamento do programa, no final de cada semestre letivo.
Dessa forma, o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID – implementado pela UTFPR – Campus Dois Vizinhos garantiu um espaço coletivo de estudos e reflexão sobre a prática docente nas escola do campo. Além disso, despertau nos Licenciandos do curso de Licenciatura em Educação do campo o interesse e o compromisso com o ensino-aprendizagem das populações do campo.
Também contribuiu para a formação de um profissional critico e comprometido com a realidade dos camponeses. Neste sentido todos os envolvidos no processo formativo, desde a família, comunidades do campo e escolar, a qual envolve a equipe pedagógica, coordenadores, supervisores e bolsistas tiveram um papel importante na reflexão, inovação das práticas docentes e na concepção interdisciplinar da prática docente.
Para viabilização das atividades propostas no projeto, os sessenta bolsistas foram divididos em dois grupos de (trinta) 30 alunos por área de afinidade. Cada grupo foi dividido em (dez) 10 sub-grupos de (três) 3 alunos, os quais foram distribuídos em dez Escolas do Campo, próximas de seu local de origem. Cada escola do campo contou com (seis) 6 Licenciandos, (três) 3 da área de ciências da natureza/matemática e (três) 3 da área de ciências agrárias, tendo um supervisor responsável. As atividades realizadas pelos Licenciandos no PIBID foram distribuídas dentro de (trinta) 30 horas mensais, divididas em duas semanas de (quinze) 15 horas, paralelamente ao tempo comunidade.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O Programa teve uma avaliação final positiva apontando alguns aspectos a serem melhorados e outros que apontam para a continuidade da linha de pesquisa. Neste primeiro ano, as ações tiveram como foco
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principal o conhecimento da realidade onde a escola está inserida, superando visões equivocadas e/ou superficiais sobre o Campo. Buscou-se aproximar a família e a escola nesta busca de fazer juntos a Educação do Campo.
Outra questão refere-se a preocupação com a queda do número de matriculas no ensino fundamental, a população está envelhecendo ou devido à falta de uma política pública para os povos do campo eles estão abandonando o campo e indo para as cidades? São perguntas que ainda estão sem resposta, mas o trabalhos já foram iniciados, vamos então dar continuidade, com ações diretas e que podem trazer respostas. Os anseios de nossos alunos e da comunidade local precisam ser atendidos, a escola é um dos poucos canais que proporcionam essa integração, a ação do pibid e da universidade contribui com essa relação de entendimento e valorização dos sujeitos do campo.
O PIBID/Diversidade está auxiliando na promoção duma educação de qualidade, de modo a (re)construir a identidade escolar, há necessidade de apropriação de saberes teóricos e metodológicos e de se investir nos docentes. Uma das formas de fazer esse investimento é aproximar a Escola Básica às pesquisas e aos trabalhos da comunidade acadêmica. Nesse sentido o projeto PIBID na escola proporcionou motivação dos educadores, os pibidianos sentiram-se motivados em seguir com projetos que de fato tenham significado para os educandos e contribuam para o enriquecimento curricular, social e pessoal dos mesmos.
Há de se considerar que no PIBID/Diversidade, o licenciando tem a possibilidade de desenvolver e amadurecer todas, ou quase todas, as competências para ser um bom professor e a instigar nos mesmos a busca de novas metodologias e o aperfeiçoamento constante.
Percebe-se a importância da inserção do licenciando na escola antes mesmo do início das atividades práticas da graduação e conhecer a realidade em que está imersa a comunidade onde se vai atuar, tanto para o desenvolvimento de um projeto, quanto para sua futura profissão de educador.
É interessante lembrar que estamos na busca duma mudança na educação, como prevê o PIBID, tentando trazer metodologias diferenciadas em cada conteúdo abordado. Nesta busca, criou-se diversas situações didáticas que são inovações em relação à escola tradicional.
Os acadêmicos/bolsistas estão refletindo sua prática pedagógica de licenciando através da pesquisa e de uma ação continuada em sala de aula e da experiência de trabalho.
Os Diretores das escolas do Campo participantes do projeto estão valorizando o trabalho coletivo e apoiando a participação e o envolvimento com formação de professores, além auxiliarem na criação de condições de infraestrutura.
O PIBID/Diversidade está criando as condições que envolvam os aspectos teóricos dos temas/conteúdos trabalhados no curso de Licenciatura em Educação do Campo e sua articulação com a realidade das Escolas do Campo.
O projeto promoveu a inserção e interação entre a Universidade através do conhecimento acadêmico às Escolas do Campo que trabalham com o Ensino Básico, proporcionando aos futuros professores a vivência de práticas docentes de caráter inovador e interdisciplinar. Além disso, o projeto também proporcionou aos professores das Escolas do Campo condições de participarem do processo de formação do curso de Licenciatura em Educação do Campo.
O Projeto proporcionou a valorização e um novo olhar sobre da Escola Pública, a carreira docente através de uma melhor formação dos Licenciandos, como também através das manifestações pela continuidade das Escolas do Campo com qualidade.
AGÊNCIA FINANCIADORA: CAPES/ Programa de Iniciação à Docência
REFERÊNCIAS
[1] CALAZANS, M. J. C.; CASTRO. L. F. M. de; SILVA. H. R. S. Questões e contradições da Educação Rural no Brasil. In: WERTHEIN, J. e BORDENAVE (Org.). Educação rural no terceiro mundo: experiências e novas alternativas. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981. p. 161-192.
[2] FERNANDEZ, H. A educação de adultos e os modelos alternativos de organização da produção no meio rural. In: WERTHEIN, J.; BORDENAVE, J. D. (Org.). Educação rural no terceiro mundo: experiências e novas alternativas. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981. p. 225 –247
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