CAPÍTULO 1 A IDENTIDADE DA IES
1.6 Manual do Aluno e Manual de Normas Acadêmicas
O Manual do Aluno é um conjunto de normas para o corpo discente da UNIESP/FIT. Não foram encontrados nenhum tipo registro ou documento que comprovasse a existência de um Manual do Aluno na gestão FIT. Devido a este fato, durante esta gestão, o tratamento dos docentes com os discentes era realizado de forma subjetiva e pessoal justamente por não existir nenhum documento que normalizasse tais direitos e deveres do aluno. Em contrapartida, a gestão UNIESP/FIT possui o Manual do Aluno, condizente com todos os manuais das afiliadas a rede UNIESP. Neste manual, constam os seguintes direitos e deveres dos discentes:
São direitos e deveres dos membros do Corpo Discente: I - frequentar as aulas e demais atividades curriculares aplicando a máxima diligência no seu aproveitamento; II - utilizar os serviços administrativos e técnicos oferecidos pela Faculdade; III - recorrer de decisões dos órgãos deliberativos ou executivos; IV - observar o regime escolar e disciplinar e comportar-se dentro e fora da Faculdade de acordo com princípios éticos condizentes; V - zelar pelo patrimônio e integridade moral da Faculdade; VI – participar do órgão de representação Estudantil; VII – fazer-se representar nos órgãos colegiados da Faculdade, com direito a voz e a voto, nos termos deste Regimento; VIII - ter livre acesso a este regimento e ao catálogo de cursos. (MANUAL DO ALUNO, p. 25)
Contradizendo o próprio manual, os alunos e professores desta IES praticamente não sabem da existência do mesmo, salvo conduta do Coordenador de Graduação, que pode mencionar o mesmo para conhecimento dos alunos, mas não possui obrigação e/ou orientação de informá-los da existência do manual. A consequência dessa situação é a discussão entre docentes e discentes quanto ao comportamento dos alunos dentro e fora da faculdade. Além disso, sem o conhecimento dos docentes sobre este manual, a
divulgação deste para os alunos é mais lenta ou quase nula. Este fato se deve ao Coordenador de Graduação não estar apenas pontualmente na instituição e em sala de aula
A UNIESP/FIT possui Programas de Nivelamento e atendimento Psicopedagógico para os alunos, como consta no manual:
A Faculdade estimulará a permanência do aluno em sala de aula através dos Programas de Nivelamento e Psicopedagógico. O Nivelamento terá como finalidade aumentar o aproveitamento e o crescimento cognitivo do aluno, com ofertas de disciplinas instrumentais, para fundamentação de conhecimentos específicos. Os objetivos, o público-alvo, e a metodologia quanto a sua aplicação encontram-se delineados no tópico seguinte. Já o programa de atendimento psicopedagógico, atividade que será desenvolvida por comissão especialmente constituída para este caso, acolherá de modo formal e informal as variadas solicitações de auxílio do corpo discente, para os encaminhamentos necessários, seja para uma intervenção pedagógica, ou uma intervenção psicológica. O campo de atuação deste programa está voltado para a prevenção e sem a pretensão de substituir o lugar e o valor dos consagrados recursos terapêuticos e analíticos. O desenvolvimento desta atividade parte da identificação de fragilidades individuais e/ou coletivas e da instituição de movimentos e de atividades que buscam trabalhar a criatividade, para que se possa, ainda que de forma indireta, levar os alunos a refletir e a estabelecer relações com as situações de conflitos. (MANUAL DO ALUNO, p.29)
Chegou a ser projetado o Programa de Nivelamento dentro da UNIESP/FIT em reuniões do Colegiado e NDE em todos os cursos que compõem a IES, entretanto, nunca houve uma iniciativa concreta para que este programa fosse implementado. Como citado anteriormente, o objetivo deste programa é aumentar o nível cognitivo do aluno que está ingressando na IES. Este tipo de aluno vem à IES com um déficit cognitivo aquém para absorção e apropriação normal das disciplinas do 1.º semestre de qualquer graduação que faz parte dos cursos da IES. Inicialmente, as disciplinas que estariam em voga neste nivelamento seriam português, matemática e possivelmente inglês, mas este programa jamais foi colocado em prática pelos seguintes motivos: falta de contratação de professores especializados neste tipo de tarefa, falta de realocação dos professores já pertencentes a IES para este tipo de docência e falta de um plano de ensino para este nivelamento. A matriz da UNIESP proibiu a contratação de novos docentes devido a contenção de gastos. Esta falta de contratação de docentes impossibilita este nivelamento, além de impossibilitar a realocação dos docentes já pertencentes à IES para este nivelamento justamente por estes não disporem de horários condizentes para ministrar estas novas aulas. Estas consequências geram o impedimento de um plano de
ensino para estas aulas de nivelamento, apesar de os Coordenadores de Graduação possuírem um roteiro básico para aplicar este Programa de Nivelamento. Estas aulas teriam duração de 60 minutos e seriam aplicadas antes do expediente normal de aula. Na gestão FIT, nunca houve nenhuma iniciativa para nivelamento cognitivo dos alunos. De fato, havia uma política de inclusão por parte da Diretora Geral sem parametrizar o nível cognitivo do ingressante. Não havia manual ou regra documentada para registrar tal inclusão.
Referente ao atendimento Psicopedagógico, discentes e docentes não possuem conhecimento de tal benefício para os alunos. O atendimento destes alunos pode ser realizado na sala de reuniões do NDE ou na sala do Coordenador do curso de Pedagogia. Existem professores com formação em Psicologia, mas nenhum professor fez qualquer tipo de atendimento considerado “psicopedagógico” justamente por não saber da existência deste benefício. Caso os alunos necessitem de tal atendimento, eles procuram algum professor com o qual se sintam à vontade para discutir assuntos pessoais, o Coordenador de Graduação em questão ou a Diretora Geral. Na gestão FIT, este atendimento, assim como na gestão UNIESP/FIT, sempre foi realizado informal e subjetivamente. Muitas vezes este atendimento igualmente era realizado pela Diretora Geral da IES, mas não existem registros de que existia algum tipo de documento que normalizasse este tipo de benefício aos discentes.
Assim como os discentes não possuem conhecimento algum referente a este atendimento Psicopedagógico, os mesmos não possuem referência alguma sobre produções de artigos e pesquisas de iniciação científica. Contrariamente ao no Manual do Aluno, em que conta:
O aluno de nossa Faculdade conta com a orientação dos nossos docentes para a construção de artigos e pesquisas de iniciação científica. Esses instrumentos de apoio teórico e metodológico buscam colocar o aluno em contato com linhas de pesquisa com as quais deseja obter aprimoramento. Orientado por um pesquisador experiente, o discente vai alçar métodos e técnicas para o pensar científico e criativo. O projeto desenvolvido pelo discente deve ser avaliado e aprovado por seu orientador. (MANUAL DO ALUNO, p.30)
O aluno necessita fazer um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) ao final da sua graduação, com início no 7.º semestre letivo e término no 8.º semestre. Entretanto, no ano de 2014 foi informado através de reunião pela Diretora Geral aos Coordenadores de Graduação de que naquele ano letivo não necessitaria elaboração do TCC para os
alunos formando naquele ano letivo. Dando seguimento a esta decisão, em 2014 os TCC’s não foram obrigados a ser realizados, porém, alguns Coordenadores de cursos optaram em realizar junto com os discentes em término de curso a elaboração de um trabalho acadêmico para compensar a falta do TCC. No ano de 2015, por decisão da Diretora Geral, o TCC voltou a ser obrigatório e todos os alunos que se formarão neste ano precisarão elaborar e apresentar seus trabalhos perante banca escolhida pelo Coordenador de curso em questão. Ademais, não existe nenhum incentivo, seja financeiro ou curricular, aos docentes para realizar parcerias com os alunos em prol de elaboração e consequentemente publicação de trabalhos acadêmicos. De fato, raros alunos se interessam em realizar este tipo de atividade. Paralelo a este fato, a falta de incentivo, tanto da unidade UNIESP/FIT, quanto da central da UNIESP impede maior proliferação deste tipo de atividade e cultura dentro da instituição. O único incentivo que existe é a falta abonada ao professor caso este necessite apresentar seu trabalho acadêmico em algum tipo de divulgação. Na gestão FIT igualmente não existia nenhum tipo de incentivo para elaboração de trabalho acadêmico, tanto para discentes quanto para docentes. Além disso, não existia nenhum tipo de documento que incentivasse esta prática.
Conforme consta no Manual do Aluno, após o término do curso, o egresso possui um acompanhamento da IES:
O Programa de Acompanhamento de Egressos implantado pela faculdade tem como objetivo manter uma avaliação continuada da Instituição através do desempenho profissional dos ex-alunos. Trata-se de um importante passo no sentido de incorporar ao processo de ensino-aprendizagem elementos da realidade externa à IES que apenas o diplomado está em condições de oferecer, já que é ele quem experimenta pessoalmente os aspectos positivos e negativos vivenciados durante sua graduação. (MANUAL DO ALUNO, p.32)
Contrapondo o Manual do Aluno, este acompanhamento jamais foi mencionado para qualquer professor ou coordenador do curso em questão. Grande parte dos discentes que finaliza suas graduações está inserida no mercado de trabalho, independente de remuneração e cargos. Entretanto, os professores não possuem conhecimento destes termos, muito menos os alunos, e a IES em si não faz nenhum tipo de acompanhamento condizente com o que afirma o Manual. Os coordenadores em questão possuem conhecimento da área, cargos e remunerações em que estes egressos estão após o término de seus cursos, mas estas informações são adquiridas
informalmente e através de um relacionamento construído ao longo do curso. Em momento algum a Direção Geral informou professores, coordenadores e discentes para elaboração de tal acompanhamento. Este tipo de tarefa foi igualmente exercido na gestão FIT. A Direção Geral jamais mencionou tal tarefa para os docentes e coordenadores e não foi encontrado nenhum documento que demonstrasse a realização deste acompanhamento.
O Manual de Normas Acadêmicas da UNIESP/FIT contém todos os procedimentos para elaboração e confecção dos Trabalhos de Conclusão de Curso que, a princípio, deveriam ser utilizados por todas as unidades pertencentes ao grupo UNIESP. Este manual foi elaborado pelo Prof. Dr. Márcio Magalhães Fontoura no ano de 2013 e hoje é a principal referência acadêmica utilizada pelas unidades do grupo UNIESP para os docentes que orientarão seus grupos de pesquisas e/ou alunos.
Este Manual tem como objetivo uniformizar a produção acadêmica de trabalhos científicos das Faculdades do Grupo UNIESP. As orientações não possuem a pretensão de se tornar uma camisa de força para a produção acadêmica dos diversos cursos da Instituição, mas oferecer instrumentos necessários para conduzir as diversas funções da pesquisa e da redação cientifica em cada curso de cada unidade do grupo, que possui características e dinâmica próprias em relação à confecção e apresentação dos trabalhos acadêmicos. (MANUAL DE NORMAS ACADÊMICAS 2013, p.2)
Percebe-se que o próprio manual abre margens para a fuga de parâmetros acadêmicos de cada unidade pertencente ao grupo UNIESP. Esta fuga de parâmetros se traduz em independência de cada unidade, transparecendo a autonomia de cultura acadêmica das unidades do grupo UNIESP. Este parâmetro é visível na UNIESP/FIT considerando que no ano de 2014 os cursos de Administração e Letras não precisaram elaborar e apresentar o Trabalho de Conclusão de Curso. No ano de 2014, os alunos formandos nestes dois cursos fizeram um trabalho acadêmico, enquanto os alunos formandos do curso de Pedagogia necessitaram elaborar o TCC.
Dentro de cada curso de graduação estão os professores, responsáveis, junto com o Coordenador, pela orientação e confecção destes trabalhos acadêmicos para os formandos de cada ano letivo. Entretanto, não é de conhecimento dos coordenadores de graduação a existência deste manual, muito menos dos professores que farão esta orientação acadêmica. Apesar da existência deste manual, jamais foi mencionado para os professores e coordenadores sua existência, seja pela Direção Geral da UNIESP/FIT ou outros profissionais da rede UNIESP.
Esta situação dentro da UNIESP/FIT é, de alguma maneira, considerada no documento. A intenção é superar esse problema:
Mais do que um conjunto de normas absolutas, objetiva-se apresentar as diretrizes básicas a partir de um roteiro de trabalho, para orientar a prática docente e discente da Instituição. Considerando o número de Faculdades pertencentes ao Grupo UNIESP, convive-se com várias propostas e vertentes para a orientação dos trabalhos acadêmicos e monográficos. Daí a importância deste manual, no sentido de unificar as práticas docentes e discentes quanto à confecção dos trabalhos acadêmicos regulares, bem como dos trabalhos de conclusão de curso, pertinentes a cada área de ensino, tanto na graduação, quanto na pós-graduação. Portanto, todas as propostas ou sugestões que venham a aperfeiçoar este trabalho durante o ano letivo serão bem-vindas. (MANUAL DE NORMAS ACADÊMICAS 2013, p.82)
Nota-se que o próprio autor reconhece que os docentes atribuem práticas acadêmicas diferenciadas em cada unidade da UNIESP. Entretanto, o autor tenta, por meio deste manual, unificar estas práticas, parametrizando as intervenções dos docentes adentro dos trabalhos acadêmicos ou, por ventura, minimizar a diferença de elaboração e confecção destes trabalhos acadêmicos sem considerar a cultura organizacional de cada IES do grupo UNIESP. Ressalta-se que nenhum documento ou manual acadêmico deste tipo foi encontrado nos arquivos da antiga gestão FIT, inclusive, a prática de apresentação destes trabalhos acadêmicos era feita de forma uniforme ano após ano. As apresentações dos TCC’s eram realizadas através de banners e folders, além de ser realizados em grupos sem número predefinido. As normas de confecção e escrita dos TCC’s eram abordadas dentro das normas ABNT, entretanto, a falta de parâmetro da confecção destes trabalhos aparentava que estes trabalhos não eram da mesma turma de formandos, quanto mais da mesma instituição de ensino.